Coisas de Massa Fresca, TVI 19h

- 25.4.16

Arranca hoje, às 19h, na TVI, a série que tomou de assalto os últimos seis meses da minha vida. Por entre livros e filhos pequenos, estava longe de me imaginar a escrever um produto diário, com toda a “loucura” que isso comporta. Mas as premissas eram irresistíveis: uma história de coragem e superação, uma família numerosa, um colégio real com problemas reais, gap geracional, amor, amizade, optimismo e boa disposição... e foi impossível dizer que não a quem se lembrou de mim para pôr as mãos nesta valente “massa” (obrigada, José Eduardo Moniz!).
“Massa Fresca” roubou-me muitas horas de sono. Muito tempo e paciência para os miúdos. Alguma paz e serenidade. E, só quem tem filhos, sabe o que é tentar trabalhar quando eles têm 12 testes e 4 trabalhos de grupo numa semana, quando eles aparecem em casa com piolhos, quando eles adoecem, quando temos reuniões na escola todos os dias, quando as notas deles descem, quando não há meias nas gavetas e a roupa do treino desse dia ainda está por secar, quando nos ligam da escola a pedir para os ir buscar, quando pedem que os oiçamos quando querem falar dos seus dramas pessoais, quando nos pedem colo, quando esfolam os joelhos e abrem os sobrolhos, quando nos pedem ajuda para decorar a tabuada e perguntar-lhes a matéria de História, quando têm 4 festas de anos e 5 jogos num fim de semana...
Foram os 6 meses mais loucos da minha vida, que só seriam possíveis porque tenho uma equipa de escrita absolutamente fantástica a trabalhar comigo, porque a Plural é uma casa cheia de pessoas dedicadas e com amor àquilo que fazem, e porque o elenco desta série é uma mão cheia de pessoas talentosas a querer dar todos os dias o melhor de si.
Mas estes 6 meses também só foram possíveis porque tenho um marido com uma paciência infinita e 4 filhos que, no meio do caos, me incentivaram e inspiraram todos os dias. O mais velho leu guiões, e ontem até escreveu cenas que eu lhe ia ditando, enquanto conduzia (em troca de carteirinhas do Futebol, vá...). Ele e o irmão do meio fizeram vários brainstormings para me dar ideias para os plots mais jovens. Ajudaram os manos mais novos a estudar. Aprenderam novas tarefas domésticas e ganharam autonomia para outras tantas coisas. E os pequeninos, que se habituaram a perguntar-me todos os dias em que episódio é que a mãe ia, contando pelos dedos quantos faltavam, até já fazem trocadilhos com a “Massa Fresca”, comentam os trailers, gritam quando encontram outdoors na rua... e hoje, às 19h, estarão colados à TVI a ver no que toda esta canseira resultou.
Foram meses de muito trabalho, de muita aprendizagem, e de muita “magia”, que eu espero sinceramente que passe para esse lado do ecrã. Do lado de cá, continuaremos a fazer o possível por isso...

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6 comentários

  1. Olá Sara. :)

    Consegui assistir a alguns episódios e, como te sigo, surgiu-me uma dúvida. Vocês autores, têm muita liberdade na escrita, neste caso da série, ou são-vos indicados determinados rumos que têm de dar à história?

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  2. É um misto, Leonor. Neste caso (e na maioria dos casos) foi encomendado um produto para um horário e para um determinado target ou targets, com determinadas premissas. E depois, a partir disso e até ao fim, é um gigantesco trabalho de equipa, entre quem escreve, quem representa, quem realiza, quem faz os cenários, escolhe as músicas, monta, promove, etc, etc, etc. E quem vê... Porque os rumos das personagens estão muitas vezes dependentes da receptividade dos espetadores. Não escrevemos de forma autista, mas sempre para quem nos vê.
    Agora... falhamos muitas vezes! Envia-me as tuas críticas (sara.rodi@olivrodaminhavida.com). Há sempre muita coisa que se pode melhorar, e o feedback de quem vê é sempre fundamental.

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  3. Boa noite,sigo o seu blog sempre de forma silenciosa à mais de um ano.Apesar de ter 20anos interesso—me bastante por educaçao,unschool,métodos educativos e parentalidade em geral e gosto de ir acompanhando o blog pois identifico—me e um dia que tenha filhos espero ter a paciência e a sua imaginação.Por coincidência na 3f vi a série e vi o seu nome na intro e associei logo ao blog,apesar de não fazer parte do target gostei e continuo a acompanhar,parece—me uma série leve e descontraída no entanto tenho sim algumas ideias que não concordei.Parece—me demasiado perfeita a figura da mãe dos miúdos percebendo claro que seja como objectivo contrapor com a branca,mas a ideia de que os ricos são os felizes,bons num mundo de fantasia e os "pobres" são negros,de famílias desequilibradas e mais infelizes parece—me a mim aleado da realidade.Ainda a questão do nome que mesmo associado ar pizza me faz confusão lembra—me os "morangos" e Itália e um pouco despropositado mas nunca se sabe. Claro que associado ao target tem um enredo previsível e mais simples mas vê—se bem.Obrigada e peço desculpa pelo "comprimento" do meu testemunho. :)

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  4. Obrigada pelo comentário, Carol :). A mãe da família Elias, da série, é de facto uma mãe "perfeitinha" demais, mas isso tem uma razão de ser. Falamos lá mais a frente ;).
    E é pena que tenha passado essa ideia de os ricos serem felizes e os pobres nem por isso. Não era de todo a nossa intenção, até porque no desenrolar da série vamos acabar por perceber como alguns dos jovens "ricos" do colégio vivem em situações bastante disfuncionais. E a família mais pobre também vai dar muito que falar. Não posso contar muito mais, mas espero que goste. E, o que não gostar, continue a dizer, para tentarmos fazer melhor.
    Quanto ao nome, eu também fui das que estranhei... até que entranhei!

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  5. Só agora com o comentário da Carol é que entendi a lógica do nome da série. Ainda não tinha feito a ligação entre a "Massa Fresca" e a pizza. :)

    Beijinho às duas

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