(Amiga da Nonô) Ó mãe da Nonô, a Nonô não me quer dar a mão!

Mãe ralha com a Nonô.

(Mãe) Então, filhota? Não estás a ser amiga... Porque é que não lhe dás a mão?
(Nonô) Porque ela tem as unhas compridas e arranha-me...

E é nestes singelos momentos, em que se degladiam a boa-educação e o instinto de sobrevivência, que nos perguntamos exatamente o que é o certo e o errado...
(Dudu) Mãe, eu queria dormir com o Mogli...

O Mogli é um boneco do tamanho de um dedo mindinho, que um menino da escola lhe deu. Descobri-lo às 21.30h da noite não seria tarefa fácil. Mas os olhinhos do Dudu eram de súplica sincera, foi impossível resistir-lhes.
Procurei no quarto, depois na sala, obriguei o pai a levantar-se para ver se não estava entre as almofadas do sofá, e quando estava prestes a desistir da busca o pequeno Mogli apareceu, no meio do chão.

(Mãe) Consegui, Dudu!
(Dudu) Obrigada, mamã. Vou dizer ao Pai Natal para ele te dar aquilo que tu queres. Pode ser um telemóvel novo, que o teu já está velhinho?

O sorriso agradecido dele já foi uma grande recompensa. Mas uma cunha ao Pai Natal para um telemóvel novo também nunca se recusa...
O Afonso já vai estudando sozinho para os testes, tenho-me limitado a imprimir-lhe testes e exercícios que felizmente se arranjam facilmente na internet, para ele treinar e testar se efetivamente sabe ou não sabe a matéria.
Mas sempre que ele tem teste de História, entusiasmo-me! Digo-lhe que o quero testar, para ver se ele sabe bem a matéria, e acabamos os dois a pesquisar coisas giras na internet sobre os temas que ele está a estudar.

(Mãe) Mas olha, filho... não é para pores isto tudo no teste... Isto é interessante para falares com o teu professor e discutirem isto na aula...

É que a pedra negra que está em Meca, na mesquita sagrada do Islão, foi, segundo os muçulmanos, a pedra que Adão terá levado consigo quando foi expulso do paraíso. Sendo que dizem que a pedra é um meteorito, será que o Adão era afinal uma criatura de outro planeta, e o paraíso uma civilização de outra galáxia ou dimensão? (e não posso descrever o que o meu filho delirou com estas possibilidades...)

E reza a lenda que o verdadeiro Afonso filho do conde D. Henrique e D. Teresa era na verdade uma criança raquítica que acabou por falecer. E que o Ega Moniz terá "dado" o seu filho aos condes para que ele assumisse o lugar do primeiro Afonso. A segunda hipótese é ainda mais falada: a de que, Egas Moniz, para substituir o frágil Afonso, terá levado para a corte o filho de um homem que encontrou pelo caminho. Este rapaz era forte e desembaraçado, um lutador por natureza, que efetivamente não teria problemas em lutar contra D. Teresa, que nem era sua mãe...

Enfim... e há tanto ainda por descobrir e revelar! Mas pelo sim pelo não, é melhor o Afonso ir debitando o que está nos livros, e deixe todas as outras histórias para o reino da ficção...


A Nonô mascarou-se, claro está, de princesa.
O Dudu, depois de dois meses a dizer que se ia mascarar de Homem Aranha, resolveu ontem à tarde que ia de Guerreiro Medieval, o grande protetor da princesa Nonô.
O Titão foi de guerreiro branco da Guerra das Estrelas.
E o Afonso, que este ano disse que já não ia mascarar-se (até porque hoje tinha aulas e até um teste), apareceu à última da hora com uns cornos na cabeça.

(Mãe) Vais de touro, filho?
(Afonso) Achas? Sou um minotauro...

Pois claro!

À falta de bom tempo para começar a preparar a nossa hortinha, vamo-nos valendo de uns "sucedâneos". A mãe arranjou uma mini-estufa (espreitar aqui) e o pai ontem apareceu em casa com esta nova forma de plantar cogumelos. Na mini-estufa só vimos crescer. Deste pequeno caixote espero que possamos ver... e comer!

O Sebastião andava com a mania de chamar os adultos de "você". Ouvi uma, ouvi duas, ouvi três, e finalmente lá arranjei um tempinho para ter com ele uma conversinha de pé de orelha.

(Mãe) Porque é que tratas os adultos por "você"?
(Titão) O pai é que me disse!
(Mãe) O pai disse-te para não tratares os adultos por "tu". Mas não precisas de os chamar de "você".
(Titão) Então chamo-lhes o quê?
(Mãe) Os avós tratas por avós, os tios por tios, os amigos que conheces bem pelo nome... e os outros, ou não tratas por nada, ou tratas por "senhor" e "senhora".

Franziu o sobrolho, pouco convencido. Eu sou a primeira a pôr em causa todas estas formas de tratamento e formalidades - para mim tratávamo-nos todos por "tu" e estava o assunto resolvido - mas parece-me importante ensinar aos meus filhos como lidar com quem gosta de ser tratado de determinada maneira, para que eles não pareçam grosseiros ou ofendam sem querer.

(Titão) "Senhor" e "senhora"?!

Comecei por dar exemplos, mas o sobrolho dele continuava franzido. Parti então para aquilo que eu acho que mais fica na cabeça das crianças: a simulação e a teatrada. Ele fazia de Sebastião, eu fazia dos outros todos. Comecei por ser os avós. Depois fui os tios. E depois fui os outros. Primeiro uma velhinha simpática a quem ele precisa de pedir passagem: "A senhora dá-me licença?". Depois, um homem numa casa de banho masculina, a quem ele precisa de pedir papel higiénico, porque fez as suas necessidades sem assegurar a respetiva quantidade.

Eu sei, eu sei... foi uma ideia imbecil! Mas como ele agora quer ir sempre à casa de banho dos homens, já me tinha perguntado imensas vezes o que ele faria se se visse sem papel. E só quando dei por mim a fazer de homem num urinol, com ele a fazer um rapaz na sanita, é que percebi a embrulhada em que me metera...
Claro que a gargalhada foi inevitável, e o exercício teve de ser ficar por ali. Mas a verdade é que agora, sempre que ele agora se dirige a alguém mais velho, olha para mim com ar maroto e diz-me: "Como na casa de banho dos homens..." A prova de que, pela via do disparate, se podem passar bons ensinamentos para a vida...


O Dudu escolheu este livro na biblioteca da escola e a mamã, que já era fã do outro livro infantil do João Miguel Tavares ("Uma Baleia no Quarto!), imaginou logo uma bela sessão de leitura e gargalhada. Não se enganou. A história era, na verdade, muito simples: um menino endiabrado achava que o seu pai era o mais horrível do mundo porque não o deixava fazer as suas diabruras. Mas as lições a tirar eram muitas. E claro que a pergunta se impôs:

(Mamã) Dudu, quem é te faz lembrar este menino?
(Dudu) Eu!
(Mama) E quem é que te faz lembrar este pai?
(Dudu) Tu!

Eu diria que a consciencialização do problema é um primeiro passo para a sua resolução. Mas enquanto não damos todos os outros passos que faltam, ele continuará a ser o filho endiabrado e eu a mãe mais horrível do mundo...

Uma feirinha imperdível por todas as razões e mais algumas. Deixo apenas três:

- Promovida pela Sofia do blog 4D, que é cheia de iniciativa e não vai perder esta oportunidade de fazer uma grande festa para pais e filhos.
- É em Évora, cidade lindíssima onde tive a sorte de crescer e viver até aos 18 anos.
- Eu vou lá estar para contar um conto. Darei mais pormenores muito em breve.

12 de abril: esperamos por vocês!
À conversa sobre o nascimento dos gémeos, acabei por revelar ao meu filho Afonso que ele também teve um gémeo, na minha barriga, durante 8 semanas. O outro embrião acabou por não se desenvolver e o Afonso cresceu sozinho. Não sei porque nunca lho tinha contado,
se já lhe falei tantas coisas do tempo em que ele estava na minha barriga. Mas a verdade é que acabei por me arrepender logo a seguir, depois de o ouvir conversa com o "Kevin".

(Mãe) Quem é o Kevin?
(Afonso) O meu mano gémeo. A partir de agora vou conversar muito com ele.
(Mãe) NMas Kevin?!
(Afonso) Deste-lhe nome?
(Mãe) Não, filho. Foi mesmo no início da gravidez.
(Afonso) Então é o Kevin. Deseja boa noite ao Kevin, mãe.

Nunca foi de ter amigos imaginários, mas ao 10 anos arranjou um demasiado especial...
Dudu faz o seu xixi na casa de banho do hall de entrada. Segundo descrição do avô, distrai-se e lança um esguicho em direção ao chão. Descontraidamente pega na toalha de secar as mãos e limpa o chão sujo, voltando depois a colocar a toalha no sítio.

Agora percebem porque é que convidamos tão pouca gente a vir a nossa casa...
Quando tinha 18 anos, resolvi inscrever-me num casting para um musical. Gostava de cantar, de dançar e de representar e, no dia marcado, lá apareci, bem disposta, sem noção nenhuma do que se iria passar. O casting era na Malaposta e, quando entrei, é que percebi o grande erro que cometera. À minha volta via jovens a fazer vocalizos complexos, outros a aquecer com passos de dança complicados... Pareciam todos profissionais e eu não passava de uma menina que simplesmente gostava de dançar, de cantar e de representar.
O meu casting foi uma desgraça completa. Os outros candidatos levavam peças e coreografias preparadas, e eu limitei-me a cantar o “Arménio” à capela e a dançar tristemente uma música que o júri pôs a tocar, do Pedro Abrunhosa.
Quando contei no outro dia este episódio humilhante da minha vida aos meus filhos, eles riram-se muito e o mais velho perguntou-me:

(Afonso) Porque é que nos estás a contar isso? Não era suposto teres vergonha?
(Mãe) Vergonha de quê? Os nossos erros não devem envergonhar-nos. Nunca! Se a mãe não tivesse lá ido, nunca saberia o que era um casting, nem poderia ensinar-vos o que era, ou ajudar-vos a fazer melhor figura do que eu, se um dia quiserem participar num. E além disso, se a mãe não tivesse esta história para contar, vocês nunca se teriam rido como acabaram de rir. Só por isso, não acham que já valeu a pena?

Eles acharam que sim e eu também. E dei por mim a pensar no que eu gostava de ouvir a minha mãe contar como era teimosa em pequena, ou as histórias das aventuras endiabradas do meu pai. Os filhos não estão à espera que sejamos super-homens e super-mulheres. Que tenhamos tido uma vida imaculada e que tudo tivesse resultado sempre de forma perfeita. Os filhos gostam de saber que os pais erraram, que têm defeitos e que os assumem, e sobretudo que se fizeram à vida. Que foram atrás dela, arriscaram, aventuraram-se, experimentaram, viveram! Que erraram umas quantas vezes, sim, como eles também vão errar e ainda bem.
Viver é uma excelente oportunidade para errar, ou não fosse errando que se acerta também...
(Afonso) Mãe, um dia vais ter de me ensinar a pôr esta criatividade toda que eu tenho ao serviço de alguma coisa de jeito.
(Mãe) Claro que sim, filho. O importante é que vás sempre atrás daquilo que gostas de fazer. Se és criativo, já sabes que terás de fazer alguma coisa criativa.
(Afonso) Mas imagina que eu me torno um assassino que mata pessoas criativamente?

E só mesmo um filho criativo teria uma ideia destas.......
(Dudu) Mãe, agora para entrares no meu quarto tens de pôr o código...


Com uma caderneta dos AngryBirds, aberta na lista de números em cima de um balde, improvisou um sistema potente de código, alterável todos os dias.

(Dudu) Eu agora ensino-te. Mas amanhã já mudou.

Nem o que ele me ensinou, composto por alguns vinte números, consegui fixar. E o de amanhã promete ser pior (ou não estivesse ele a imitar o seu papá, que todos os dias muda o código do iPad). Acho que tão cedo não vou conseguir entrar no quarto do meu filhote...

(Afonso) Olha, mãe, desenhei a minha mente...

Da janela do seu quarto - a sua realidade - Afonso vê, no topo, os seus medos e dos seus ódios (com uns coleguinhas e uns professores). A meio, os seus sonhos: "Eu sempre sonhei ter uma casa no cimo de uma montanha!". Em baixo, a sua imaginação, onde está um Templo do Sol Maia, onde ele tantas vezes se imagina a viver. A separá-lo dos seus três mundos, o Afonso tem uma grandiosa cascata mental.

Algumas conclusões possíveis:
- Os medos e os ódios estão a ocupar espaço que podia ser dos sonhos e da imaginação. Devemos eliminá-los para que o resto tenha mais espaço para fluir.
- A cascata mental, às vezes, torna-se uma barreira intransponível. Não podemos deixar que a mente nos bloqueie o acesso aos sonhos e a imaginação. Em última instância, se quisermos, podemos trazê-los para a nossa realidade...

(Afonso) Tipo... trazer um templo Maia para o nosso jardim?!
(Mãe) Ou talvez possas construir um no topo de uma montanha...
Sebastião furioso com o mano mais velho:

(Mãe) Não podes ligar ao que ele diz...
(Sebastião) Eu sei! A água do rio tem de correr...
(Mãe) ???
(Sebastião) As palavras dele têm de passar por mim como a água de um rio. Passam e seguem o seu caminho.
(Mãe) É isso mesmo! Mas onde é que tu ouviste isso?
(Sebastião) Nas tartarugas Ninja!

E pronto, é isto. A mãe esforça-se por dar sermões atrás de sermões, e os grandes ensinamentos eles aprendem-nos... nos desenhos animados!
Há quem se dedique a fazer vídeos inspiradores para mudar a nossa concepção do mundo e nos encher de força para o mudar. Não sei quem são, mas estão a conseguir fazer a diferença, a avaliar pelos milhares de visualizações que cada um capta e os comentários maravilhosos que cada um deles recebe.
Há muita coisa que os meus filhos têm de ouvir da boca da sua "mãe chata", que se calhar podem simplesmente ver num vídeo que o fará rir e entender o porquê das coisas sem sermões... Se santos da casa não fazem milagres, talvez os milagrosos filmes o consigam...

Hoje, quando chegarem da escola, em vez de me ouvirem, os meus filhos vão ver este vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=FQEM6JcRUrY
E espero que acreditem mais um bocadinho (para a chata da mãe deles não ter de estar sempre a repeti-lo) de que, por mais minúsculos que eles se sintam, eles são mesmo capazes de mudar o mundo. Só precisam de ter coragem, fé, persistência e criatividade...
E quando recebemos um mail de uma mãe do escola, com informações importantes, e todos os pais respondem? (28 emailes)
E quando recebemos o mesmo de uma mãe da turma de outro filho nosso? (+ 28)
E ainda mais outro, de outra mãe da turma de outro filho nosso? (+ 28)

Fora todos os outros emailes do trabalho e dos amigos, são cerca de 80 emails por ler e arrumar.

É caso para dizer: ainda bem que tive dois filhos gémeos!
Mãe a dar pressa aos filhotes. Para aqui, para acolá, para cima, para baixo, depressa, veloz.

(Afonso) Quem me dera ser filho de uma mãe-caracol! Andar devagarinho, a apanhar sol e curtir a vida... Nunca mais faço apostas com Deus!
(Mãe) O quê?!
(Afonso) Ele garantiu-me que 7+7 era igual a 7x2. Mas não é! O resultado pode ser o mesmo, mas a maneira de lá chegar não é igual! E agora é isto...
(Mãe) Sabes que a esperança média de vida de um caracol é entre 5 a 10 anos. Se não forem esmagados ou comidos entretanto. Por isso não te queixes e despacha-te.
(Afonso) Se calhar vou antes pedir para ser mosca. Ah, não, espera! Vivem para aí uns 10 dias. E comem cocó...
(Mãe) Eu se fosse a ti aproveitava a vida que tens. E a mãe também...

Há diálogos que não são para comentar. Limito-me a postá-los para o caso de um dia não acreditar que eles existiram mesmo a caminho de casa...


Afonso observa, no carro, a pele do Sebastião, e grita:

(Afonso) Socorro, mãe! O Sebastião está a sofrer uma metamorfose!!!!

Era só uma alergia. Mas as metamorfoses não tardarão, cá por casa...


(Sebastião) Sabem que, quando eu era mais novo, imaginava que nós éramos todos uma espécie de bonequinhos da Lego e Deus estava a brincar connosco?
(Afonso) Eu acho que somos mais avatares num jogo de computador, com vidas e níveis por passar.

E assim se corrobora a minha teoria de que a nossa visão do mundo é sempre um produto da nossa cultura...
Adolescência é...

... quando os filhos vão dormir fugindo ao habitual beijinho de boa noite, mas ficam de luz acesa à espera que lá passemos para a apagar.
Acadinho de chegar a casa, o teste de Português do meu filho Sebastião trazia-me esta bela composição:

"A Amizade entre irmãos

Estávamos no verão e nós fomos de férias para a floresta. Pelo caminho fizemos um jogo. O jogo era o seguinte: era ver quem irritava mais a minha mãe. E o meu irmão dizia:
- Posso contar uma anedota? Posso contar uma anedota?
E eu dizia:
- Já chgámos? Já chegámos? Já chegámos?
Imaginem quem ganhou: fui eu!
(...)
"

A composição continuava, mas a mim bastou-me perceber que a amizade entre irmãos tem implícita essa divertida brincadeira que é irritar a mamã... E, da próxima vez que eles me tentarem irritar vou sorrir e pensar para mim: "Ai, que amiguinhos que eles são!" (só não sei se antes ou depois de me irritar...)
No final do 4º ano, o meu filho mais velho passou a sua primeira semana fora, num evento desportivo. A conviver com jovens de todo o país e até do estrangeiro, voltou para casa com a mochila cheia de experiências... e também de novos palavrões!
Já tínhamos falado com algum à-vontade de uma série deles, mas o role era agora tão extenso, que resolvi tomar medidas drásticas e sentar-me com ele a explicar-lhe, tin-tin por tin-tin, o que cada um queria dizer e porque é que ele não podia usá-los. Ficou assim com uma espécie de "dicionário de palavrões" na cabeça, comprometendo-se a não usar nenhum. Bem... só muito de vez em quando, com um colega muito muito chato que lhe infernizava a vida, é que podia usar o "aumentativo de cabra"...

Mais tarde acabei por colocar a experiência num dos episódios que escrevi para "Bem-Vindo a Beirais", e que passou ontem.
Aqui vos deixo a minha "desmistificação do palavrão"...

http://www.rtp.pt/play/p1343/e144401/bem-vindos-a-beirais
Sebastião sai da casa de banho com ar de treinador:

(Sebastião) Reunião de Família! Já!

Juntaram-se os 4 manos com os braços entrelaçados, como uma equipa, e a mãe enfiou-se pelo meio, para ver no que aquilo dava:

(Sebastião) Malta... a pasta de dentes que o pai trouxe é óptima! Se a deixarmos destapada ela estraga-se num instante. Não se esquecem de a fechar?

Ouviu-se um sonoro "Não", bateram as mãos no centro e dispersaram.

(Mãe) Sebastião, o que foi isto?
(Sebastião) Medidas de poupança! Não é o que passas a vida a dizer?

A mãe passa a vida a falar na poupança, mas o que mais a impressionou foi mesmo o espírito de equipa...

Malta... a mãe está contente convosco, ok?


(Dudu) Já sei, mãe! Eu vou casar com a M. I. e vou ser professor de Matemática.

E pronto. Decidiu, está decidido!
No banho:

(Nonô) Mamã, podes encher a banheira com água?
(Dudu, de rajada) Claro que não, Nonô! Senão depois o planeta fica sem água. Temos de poupar água, pois é, mamã?

E eu não diria melhor, pequeno Dudu...

Lembro-me de, sensivelmente com a idade do meu filho mais velho, ler o "O mundo em que vivi", de Ilse Losa. E, um pouco mais tarde, não me recordo bem em que idade, o "Diário de Anne Frank". Marcaram-me ambos de uma forma extraordinária, porque me fizeram pensar no mundo e no que de bom e de mau o ser humano é capaz.
No outro dia, perante algumas perguntas pertinentes do meu filho Afonso sobre a Holocausto, sugeri-lhe a leitura destes livros. Mas histórias de miúdas... diários... Nã! Não se sentiu minimamente tentado.
Até que descobri hoje "O rapaz do Pijama às Riscas". Comprei-o de impulso, entreguei-lho e ele, sem hesitar, disse que seria o próximo a ler depois do que está a ler agora. As duas crianças deste livro - uma de cada lado do arame farpado - tinham sensivelmente a sua idade. A história é passada num tempo em que o avô dele já era nascido. E a verdade é que, histórias como aquela, continuam a acontecer um pouco por todo o mundo, em guerras em que ninguém parece conseguir travar. Hoje estamos de um lado do arame farpado. Amanhã podemos estar do outro. E só quando toda uma geração, por todo o mundo, o entender, é que os arames farpados desaparecerão da vida dos Homens...


Ainda os filhotes eram só dois, desafiei-os a, todas as noites (que foram 100) vestirmos o nosso fato de astronautas e partirmos em busca de um planeta qualquer que ainda ninguém tivesse descoberto. O desafio foi aceite e as nossas "viagens" resultaram no livro "100 Histórias do Outro Mundo", que já não via nas livrarias há muito tempo.
Hoje descobri-o numa campanha das lojas Leya e desculpem publicitá-lo... mas fiquei cheiinha de vontade de fazer obras no foguetão e arranjar espaço para os 2 tripulantes que chegaram entretanto, com quem espero descobrir outros tantos planetas no universo da nossa imaginação...

O Homem gosta de chafurdar as mãos e a boca num bom frango frito ou ossobuco.
Gosta de chafurdar o corpo na lama (ainda que apenas com alegados objetivos terapêuticos!).
Gosta de chafurdar as mãos na massa do pão e nos restos do preparado para o bolo (sobretudo se ele for de chocolate!)
Gosta de chafurdar a boca toda num gelado.
Gosta de chafurdar os sapatos todos a chapinhar alegremente numa poça de água da chuva.
Gosta de chafurdar a roupa de treino quando corre pelo mato, e até participa em corridas onde se chafurda todo com jactos de tinta!
O Homem gosta de chafurdar tudo quando pinta e se expressa criativamente.

Somos um animal que gosta de chafurdar, e nesse aspeto (como em tantos outros, até da nossa fisiologia) tão próximo do amigo Porco que servimos à nossa mesa.
A diferença é que alguém nos convenceu, a um dado momento da nossa História, que deveríamos ser criaturas impecavelmente limpas, daquelas que se horroriza à primeira nódoa e enche máquinas de roupa todos os dias (e não vou falar das consequências ecológicas disto para não estar sempre a bater na mesma tecla) por causa do "cheiro a usado".

Não, não estou a fazer a apologia da porcaria! Mas ontem, ao ver a felicidade com que os meus filhos chafurdavam a mesa da cozinha, dei comigo a pensar que talvez fôssemos todos um pouco mais felizes se nos entregássemos, ainda que só muita de vez em quando, às alegrias da feliz chafurdice...


Acabadinhos de chegar...
Vamos ver se conseguimos transformar a nossa casa numa casa mais ecológica.
E, se dúvidas houvesse, fica tudo muito bem esclarecido neste vídeo. A Terra precisa de outro tipo de Homens. Iremos a tempo de formar toda uma nova geração nesse sentido?

https://www.youtube.com/watch?v=WfGMYdalClU
É o primeiro "quantos queres" da Nonô. E eu só espero que não me calhe a miúda de cabelo verde espetado...

Não sei se teremos algum jovem português a participar (espero que sim!), mas parece-me importante, pelo menos, acompanhar a iniciativa e levar os nossos jovens a acreditar que eles podem mesmo fazer a diferença...

http://www.youtube.com/watch?v=TubgY-ldttU&feature=youtu.be

"Até ao próximo dia 12 de maio estudantes de todo o mundo entre os 13 e os 18 anos poderão participar com as suas ideias na edição de 2014 da Google Science Fair… e dar um contributo para mudar o mundo.

Lisboa, 12 de fevereiro de 2014. E se os gostos e hobbies dos mais novos pudessem ser o ponto de partida para mudar o mundo? Ou, pelo menos, para o tornar um pouco melhor? A partir de hoje e até ao próximo dia 12 de maio, jovens estudantes de todo o mundo, entre os 13 e os 18 anos, poderão participar com os seus trabalhos na Google Science Fair 2014, o evento anual da Google destinado a premiar as melhores ideias nas áreas das ciências com potencial para melhorar o dia-a-dia das pessoas.

A quarta edição da Google Science Fair conta com a parceria de empresas e instituições como a Virgin Galactic, a revista Scientific American, a LEGO Education e a National Geographic, culminando em setembro próximo com o anúncio dos trabalhos vencedores em várias categorias – The Grand Prize, Age Category Winners (13-14, 15-16 e 17-18 anos), Finalist Prizes, Science in Action, Celebrate The School e Voter’s Choice Awards.

A edição deste ano vai celebrar ainda mais ideias com a introdução de outras duas distinções: o Computer Science Award será atribuído ao trabalho mais inovador no campo das Ciências Computacionais; e os Local Award Winners serão eleitos entre participantes de zonas selecionadas, e cujos trabalhos contribuam para melhorias de relevância local reconhecida.

Os participantes na Google Science Fair 2014 ficam habilitados a ganhar prémios únicos, que vão de viagens de 10 dias às Ilhas Galápagos a bordo do navio Endeavour, da National Geographic, ao acompanhamento da missão da Virgin Galactic no Spaceport America, Novo México, a assinaturas anuais da Scientific American, visitas à fábrica da Lego em Billund, na Dinamarca, bem como aos escritórios da Google ou da National Geographic.

O prémio Science In Action atribuirá ao projeto que melhor corresponda aos principais desafios nas áreas da Saúde, Recursos e Ambiente uma verba de 50 mil dólares e um programa de mentores durante um ano, enquanto o prémio Celebrate the School entregará à escola do vencedor do Grande Prémio 10 mil dólares e produtos de educação Lego.

O anúncio dos 90 Finalistas Regionais da Google Science Fair 2014 será feito em junho, altura em que serão também conhecidos os Local Award Winners e os nomeados para o prémio Science in Action. Em agosto serão anunciados os 15 finalistas globais, que irão juntar-se à Google no dia 22 de setembro para a decisão final. Nessa altura será ainda divulgado o Voter’s Choice Award, a partir da votação do público relativa ao projeto finalista que possua o maior potencial para mudar o mundo.

Mais informações sobre o Google Science Fair 2014 podem ser obtidas no site oficial do evento ou na página oficial no Google+."

Ora aí está! E com o excesso de informação em que vivemos hoje em dia, é cada vez mais difícil estabelecer as conexões necessárias. E, ainda que se estabeleçam algumas, todos os pontos soltos ficarão a pairar entre elas, como ruído ou atrito que as prejudica.
É esta imagem que vou mostrar aos meus filhos cada vez que eles resmungarem de eu lhes desligar a televisão...
E depois de estudarmos a "fotocisne" e as plantas "com tuberculose", a rizoma, o estoque e as raízes fasciculadas (que a mamã, mesmo já tendo estudado isto com o Afonso, já não fazia a mínima ideia do que era), avançámos pelo mundo animal afora, para tentar compreender as subtis diferenças entre vermes, insetos e moluscos, quem tem afinal vértebras ou não, quem põe ovos e quem os choca, e quem respira por pulmões ou por guelras (que, como diz o Titão, é aquela coisa esquisita começada por "g", que parece que é coisa de peixes).
A cabeça do Titão era um novelo completo ("Acho que a minha cabeça até está inchada, mamã!") e a da sua mamã, com o jantar ao lume, o Dudu em plena hora da birra e o Afonso com trabalhos por fazer, estava mais para o lado do desespero do que do auxílio necessário.

- O que é que isto interessa para a minha vida? - pensava o Titão.
- E o que é que isto interessa para a minha? - pensava a mamã.

Mas o teste era no dia seguinte e, por força da necessidade, teria de interessar aos dois.

- Os mamíferos têm pêlos?
- Sim, filho.
- Mas a baleia não tem pêlos.
- Pois não, filho.
- E o ouriço chacheiro é o quê? Ele tem picos!

Valeu-nos a Nonô que, talvez adivinhando que a mamã-panela-de-pressão estava prestes a começar a "apitar" (e quando a panela apita, ui, ui!), se aproximou com um ouriço cacheiro de barro que tinha feito no outro dia na escola:


- Agora sou eu a professora, mamã. Titão, este é o ouriço cacheiro. Ele tem picos mas é muito fofinho. Eu gosto muito do ouriço cacheiro. E tu?

Na escola dos afetos, a Nonô seria uma grande professora e o Titão um excelente aluno! O problema é mesmo tudo o resto...



Perante mais uma "ensaboadela" da mãe sobre a responsabilidade que cada um de nós tem pelos seus atos e pela vida que constrói para si mesmo, o Titão sai-se com esta:

- Eu acho que isso não é bem assim, mãe. Acho que mesmo quando nós tentamos mudar o futuro, o futuro já sabe que nós vamos tentar mudá-lo. Nós ACHAMOS que vamos fazer alguma coisa diferente, mas ele já está à espera que a gente faça essa coisa diferente.

E agora? Alguém me explica como é que uma mãe que defende tanto o livre arbítrio conseguirá educar um filho determinista?
Como forma de incentivar à leitura, crianças voluntárias estão a ler histórias para gatos abandonados num abrigo dos EUA.

http://www.anda.jor.br/10/02/2014/criancas-voluntarias-leem-gatos-abandonados-abrigo-eua

A ideia é, por si só, ternurenta. Mais do que o incentivo à leitura, estreitam-se laços com os animais, partilha-se carinho e brincadeiras, e acredito que as histórias lidas ganhem um outro e gigantesco sabor.

A verdade é que a nossa gata Mia, sempre que nos vê sentar na cama para ler a história de Boa Noite, se aninha também perto de nós, a ouvi-la. Às vezes adormece (talvez eu não seja uma grande contadora...). Mas gosta de nos sentir perto, gosta de nos ouvir e de nos sentir. E não é isto a amizade, seja entre que espécie for?

Com a tempestade a impedir-nos de sair de casa, deu-lhes para isto: "E se fôssemos muito gordos?"


Claro que a pergunta da mãe era outra: "E se parassem de estragar os pijamas?"
(As mães são umas chatas, realmente...)
(Dudu) Este é o dia mais perigoso da minha vida, pois é?

O vento uivava furiosamente lá fora, enquanto na televisão as reportagens alertavam para uma noite de tempestade violenta.

(Mãe) Vai correr tudo bem, Dudu. Nós temos uma casinha forte. Pior estão aquelas pessoas que nem têm uma casa onde viver...

Não me sinto nada uma mãe alarmista, pelo contrário. Acredito que quase tudo se supera e de tudo se podem tirar lições. Mas desta tempestade havia uma grande lição a tirar, e não podia deixar de a aproveitar, por mais alarmista que a minha lição pudesse parecer.


"Estas fábricas, que produzem muito fumo, fabricam combustível para os veículos. Poluem muito.
Os veículos lançam gases que respiramos e que contribuem para aquecer a Terra.
Com o aquecimento, o gelo dos países frios e os glaciares derretem, e isso faz com que o nível do mar suba.
Por causa do aquecimento da Terra, há cada vez mais ciclones, ventos extremamente violentos que destroem tudo."

Já tínhamos lido este livro várias vezes, e várias vezes conversado sobre o aquecimento da Terra, o degelo e a destruição da camada de ozono, entre tantas outras coisas que estão a destruir o nosso planeta e são da nossa inteira responsabilidade. Mas ouvi-lo com uma tempestade lá fora acabou por fazer toda a diferença.

(Mãe) O que é que estão dispostos a fazer para curar a nossa Terra, meninos?

(Dudu) Dar abraços!
(Mamã) Boa, Dudu! A Terra também precisa desse tipo de "curas".
(Nonô) Eu posso dar beijinhos.
(Mamã) Também vão ser precisos.
(Afonso) E se desligássemos a eletricidade no mundo? Assim já não haveria fábricas a funcionar!
(Mamã) E já viste o que isso implicava? A vida de todos teria de se modificar radicalmente de um momento para o outro?
(Afonso) E não é melhor isso do que ficarmos sem um planeta onde viver?

Tinha toda a razão, mas por enquanto aquilo que parece estar nas nossas mãos é modificar a nossa vida e transmitir os melhores exemplos que pudermos às pessoas que estão à nossa volta.

(Sebastião) Quando fizermos a nossa horta já não vamos precisar de tantas coisas dos supermercados. E assim já não vão ser precisas tantas fábricas.
(Mamã) É verdade. E até poderemos trocar os produtos que nós produzirmos por outros que outros produzam. E agora olhem à vossa volta... Já viram a quantidade de coisas que temos aqui em casa que não precisamos?
(Afonso) Podemos doá-las.
(Mamã) Pois podemos. Mas mais importante do que isso é aprendermos a viver sem tantas coisas, porque tudo aquilo que achamos que precisamos sem precisar, teve de ser produzido, gastando recursos que são preciosos... e poluindo.

Falámos também de reciclagem, de detergentes ecológicos, das toneladas de lixo nosso que temos no mar e do abate massivo de árvores:

(Afonso) Se as árvores é que nos dão oxigénio, não tem lógica nenhuma estarmos a abatê-las!
(Mãe) Há muita coisa que não tem lógica neste mundo, filho, mas andamos todos, há muito tempo, a achar que não tem nada a ver connosco.

Os manos foram-se deitar, já na galhofa habitual. Só o Afonso, mais velho, ficou com um ar mais pensativo do que é costume.

(Mãe) Desculpa a mãe ter de te falar nestas coisas. Mas sabes quando é que eu comecei a pensar nisto tudo mais a sério? Quando tu, aos 4 anos, me perguntaste se os Humanos se iam extinguir como os nossos dinossauros. Nessa altura obrigaste a mãe a pensar nos que estamos a fazer ao nosso planeta. Agora acho que tenho a obrigação de te fazer ver que terás de ser tu e a tua geração a criarem um estilo de vida novo, que não destrua a Terra que é o nosso lar.

Anuiu, antes de se enfiar debaixo dos lençóis. Os manos também já estavam nas suas caminhas. Se amanhã ainda se lembrarão desta nossa conversa, não sei. Mas que ela é suficientemente urgente para a repetirmos todos os dias, se for preciso, isso é.

Agora aos adultos, deixo um vídeo que merece ser visto e que dá que pensar. E que todos tenhamos a força para fazermos o que estiver ao nosso alcance...

http://www.youtube.com/watch?v=MrqqD_Tsy4Q






As últimas criações do meu filho Afonso... (e eu começo a perguntar-me se devia tê-lo deixado ler de enfiada toda a coleção de "Diário de um Banana" e "Capitão Cuecas"...)



Publicidade fresquinha!
"Portal do Tempo" (série baseada na coleção de livros juvenis que escrevi com a Vera Sacramento) e "Bem-vindo a Beirais" (que tenho vindo a escrever, com vários outros guionistas) estão nomeados para os prémios da TV7Dias. Não tenho muito jeito para publicidades, mas a verdade é esta: não se ganha sem votos. Por isso, se tiverem paciência, entrem na página da TV7Dias e deixem lá os vossos votos, nestes programas ou em outros da vossa preferência. E que ganhe o melhor!

http://www.tv7dias.pt/e430a70/mod_artigos_obj_votacao.aspx?sid=1bf0ec56-1aba-417e-98ef-bd77ec2b53ef&cntx=uEKvH250pjQERk2FdwUcJUvTS5rkY2dKjKYye36wc6BUL4txnJ26RotBGfhXxDFp


PS - Obrigada!

Cá em casa falamos bastante do "Dia do não-aniversário". Mas receber assim um cartão de parabéns de um filho, "apesar de não fazer anos", nunca me tinha acontecido.
Obrigada, Titão! (apesar de não fazer anos...)


Hoje, a parede da sala de aulas dos meus filhos estava cheia de desenhos da turma, e foi impossível não olhar cada um deles demoradamente. Quanta criatividade vai na cabecinha das crianças de 4 anos!
Pelas razões óbvias, só partilho os desenhos dos meus filhotes, mas estão todos de parabéns!


(Nonô) Sou eu, mamã, a voar.
(Mãe) Numa nave espacial?
(Nonô) Não. É um fato especial com asas.


(Mãe) Que lindo menino, Dudu. O que é que tens na barriga?
(Dudu) És tu e a Nonô.

Comeu-nos, literalmente. Também me parece a melhor forma de não nos deixar fugir...
- Que música querem ouvir, meninos?
- ACDC!

O pai iniciou-os no Rock e agora não querem outra coisa. E nunca eu pensei voltar a abanar o capacete ao volante de um carro cheio de filhos...

A mamã mostra à Nonô uma fotografia sua com uma barriga gigaaaaaaaaannnnnnnnte:

(Mamã) Vês, Nonô? Nesta barriga estavas tu e o mano.
(Nonô) Ahhhhh.... então já tinhas comido a sementinha?

A história da Cegonha já era... mas a da sementinha também está a precisar de uns ajustes...
Afonso a treinar percentagens e a mostrar resultados de 5 em 5 minutos. Sebastião apregoa a tabuada. Nonô faz convites para as amigas, enquanto rabuja com o Dudu, que lhe rouba canetas para desenhar animais inventados. E a mãe a tentar rever um texto atrasado, enquanto responde a dúvidas, corrige valores e apazigua brigas. Há tardes em que me pergunto como é que não se me queima um fusível... (e já não deve haver muito por queimar!)
Nonô ao deitar:

(Nonô) Hoje é Sábado, mamã?
(Mamã) É sim, Nonô.
(Nonô) Então adeus, Sábado! Até amanhã!

Já tinha estado algumas vezes para levar a filharada ao espetáculo "Quando eu for grande", no Tivoli, mas por uma razão ou por outra, acabei sempre por escolher outra peça. Bonecos da Lego a falar sobre o que querem ser quando fossem grandes não me parecia muito apelativo, mas hoje não tive outro remédio senão arriscar. A festa da prima M. realizou-se por lá, no último dia de espetáculo em Lisboa (segue agora para o Porto) e, ao fim de 5 minutos de espetáculo, já estava a pensar que teria ficado muito a perder, se tivesse deixado escapar a peça sem a ir ver. Divertida, pedagógica, com bons figurinos, bom cenário, boa iluminação, bons atores... Não mudava nada. Nem os comentários finais da filharada, que como era de supor ficaram a pensar no que querem ser quando forem maiores...

(Nonô) Eu quero ser professora!

E assim a avó A. já terá uma seguidora.

(Dudu) Eu quero curar pessoas.
(Mãe) Então queres ser médico.
(Dudu) Não. Só quero mesmo curar pessoas.
(Mãe) Queres descobrir as curas para as doenças, é isso?
(Dudu) Sim. Para elas nunca mais ficarem doentes.

Tia A., já tens seguidor.

(Titão) Eu quero ser famoso.
(Mãe) Famoso por fazeres o quê?
(Titão) Tenho de fazer alguma coisa? Pensava que primeiro se ficava famoso e depois se podia fazer o que se quisesse.

Não anda assim tão longe da verdade mas, do mal o menos, lá acabou por decidir ficar famoso a tocar bateria...