(Dudu) Mãe, nós podíamos comprar umas daquelas coisas para pôr nos ouvidos, para podermos entender as outras línguas.

(Mãe) Como assim, filho?

(Dudu) Então, mãe... se estivéssemos na Inglaterra, entendíamos o Inglês. Se estivéssemos na China, o chinês.

(Mãe) Mas isso não existe, Dudu. Existem auriculares para ouvirmos traduções de outras línguas... Mas tem de estar alguém a traduzir em simultâneo. Não existe nenhum aparelho para os ouvidos, que eu saiba, que faça essa tradução, em qualquer parte.

(Dudu) A sério?! Fogo, mãe! Estamos tão atrasados...


(Minutos depois)

(Dudu) Mãe, quando eu crescer já não vou ser jogador de hóquei. Vou ser antes um inventor. E vou inventar também um aparelho para a garganta. Assim também podemos falar logo as línguas que queremos...


(Dudu) Wow! Mãe, o que é isto?! Estamos a ser atacados por ondas alienígenas?

(Mãe) É só um mapa de previsão do tempo, Dudu.

(Dudu) Ah. Ufa! Parecia mesmo um ataque à Terra...


Eu bem digo que este meu filho não é deste mundo, mas ninguém acredita...
... e um vídeo deliciosos sobre as tropelias de dois gémeos, que bem podiam ser os meus. AQUI!

No caso dos meus, já os fui apanhar ao telhado (conseguiram arrastar um móvel até à janela), descobriram uma forma de sair de casa descendo por uma árvore e tocaram à campainha (e eu ia morrendo quando a fazer caretas para o intercomunicador, na rua!), já se esconderam em armários e ficaram silenciosamente à espera de me ver desesperar...

Enfim, são muito queridos, os gémeos... Mas duas cabecinhas marotas a pensar, dão trabalho a duplicar!
Depois de uma manhã inteira a dissecar o século XIX...


(Titão) Acho que começo a gostar de História...

(Mãe) Isso de gostar ou não das disciplinas é psicológico, filho. Está tudo na mente...


Minutos depois dou com ele no trampolim, a fazer a posição de lótus em cada salto.


(Titão) Eu gosto de História. Eu gosto de História. Eu gosto de História.


Agora é torcer para que funcione! (e estudar, de preferência, que gostar não basta!)
O dia não prometia ser mais calmo. O pai tinha de levar um filhote a um treino e depois tinha um torneiro na Lourinhã - quase um dia inteiro fora de casa. A mãe tinha de levar os restantes a treinos e festas de anos, fora o estudo para os 9 testes que a filharada tem esta semana.

Ufa!

Mas lá nos safámos, nos entretantos. De manhã oferecemos os presentinhos que os filhotes fizeram na escola...


(Pai) O que é que desenhaste na minha mão, Dudu?
(Dudu) Um comando. E este aqui é um filho telecomandado...

O sonho, portanto, de qualquer pai :)

Mas o melhor ainda estava para vir...


(Nonô) É para pores o telemóvel a carregar, pai.

Achámos a ideia o máximo. O pai vai ter é de arranjar outro telefone, porque ganhou dois presentes iguais! E nem quero pensar o que seria se tivéssemos trigémeos ou quadrigémeos...


Mas faltava ainda um presente de todos os filhos, que só conseguimos entregar à noite (ainda precisámos de uns buraquinhos, por entre os estudos, para o completar): um pequeno livro dedicado ao pai, com frases dos 4 filhos! O mais giro do género que descobrimos este ano no mercado, editado pela Arena/Penguin Random House. Um sucesso, que nos arrancou ainda boas gargalhadas, quer na confecção, quer na leitura!







- Um dos super-poderes do papá? Adormecer no sofá quando quer (Titão)
- Uma coisa de que o pai gosta muito? De mim! (Nonô)
- Uma coisa que o pai contava da sua infância? Que andou no circo (Afonso, que andou uns bons anos da sua vida a achar que o pai tinha mesmo crescido no circo)
- Outro super poder do papá? Parece o Flash quando conduz (Dudu).

Parabéns, Papá! Contamos contigo para muitos e bons anos de aventuras, tendo-te sempre como o nosso insubstituível porto de abrigo.

(Dudu) Mãe, podemos fazer origami?


(Mãe engole em seco. Nunca teve jeitinho nenhum - nem paciência! - para dobrar papéis)


(Mãe) E o que é que tu queres fazer?

(Dudu) Uma pistola que solta elásticos. O P. tem uma bué fixe.

(Mãe enrascada) Ui, filho... Mas a mãe não sabe fazer essas coisas.

(Dudu) Não precisas de saber. Por isso é que temos o youtube.


E não é que o youtube tem milhares de vídeos sobre origami, e umas boas dezenas (ou centenas!) sobre origami de pistolas?


Era bom de ver que, mesmo com tutorial, não ficaria nada de jeito... Mas assim sempre se pode culpar o youtuber, que não explicou como deve de ser ;)



Dudu no banho a contar as peripécias do dia.


(Dudu) ... e hoje o E. zangou-se comigo e resolveu ir chamar um advogado do 3º ano para me bater.

(Mãe) Um advogado?! Mas os advogados servem para defender... Hum... e para atacar.

(Dudu) É a mesma coisa, mãe.

(Mãe) Então e tu, o que é que fizeste?

(Dudu) O advogado dele era do 3º ano... então eu fui chamar um advogado do 4º! E eles fugiram...


E assim se encerram os casos no 1º ciclo.

Coisas de "Quanto não vale um filho"

15.3.17 / BY Sara Rodi
Mãe e Titão a ver a Gala da SPA, enquanto a Mãe lhe faz perguntas de Ciências, para o teste de amanhã.


(Titão) Não foste a esta gala porquê? Deixa-me adivinhar... "Tive de ficar com os meus filhos e tal..."

(Mãe) Vês como tu sabes?

(Titão) E não tens nenhum livro teu nomeado?

(Mãe) Não, filho. Há muitos livros. E livros melhores do que os meus.


Titão fica a ver a gala, desconfiado.


(Titão) Ó mãe, desculpa lá... mas tu és muito melhor do que estes velhos todos!


Os "velhos" eram grandes nomes da Literatura. Os "velhos" (na melhor acepção da palavra) que me desculpem e desculpem o meu filho. Mas se, novos ou velhos, não formos os melhores para os nossos filhos, seremos para quem?

Parabéns, SPA, pela Gala e pela valorização dos seus autores, onde eu tenho o privilégio de me incluir.
(Afonso) O pai anda viciado no telemóvel. Sempre em grandes conspirações. Parece uma miúda de 15 anos...

(Mãe a conter o riso) Afonso!

(Afonso) E isto também não joga a teu favor: estás casada com uma miúda de 15 anos! Eu nem sei se isso é legal...
Nos meus périplos pelas escolas, com os meus livros infantis, não lido apenas com crianças. É também uma óptima oportunidade para conversar com os professores, perceber o que os move e o que (quase) os faz baixar os braços. Quase, porque mesmo quando não se sentem valorizados, quando lhes vêem ser impostas regras e burocracias que não entendem, quando perdem autonomia, reconhecimento, estabilidade, não deixam de fazer quilómetros para estar diariamente com um grupo de crianças a quem ensinam o melhor que sabem, das letras aos números, até à educação, enquanto ouvintes, confidentes, conselheiros e defensores. É certo que também haverá professores perdidos e professores incompetentes. Mas a maioria daqueles com que me cruzo são professores que vivem para os "seus meninos". Que pensam neles dentro e fora da sala, dentro e fora da escola, sem horário nem horas extra. E pergunto-me como teremos nós, o nosso país, conseguido desmotivar esta massa tão grande de pessoas motivadas por natureza (é preciso muita motivação diária para se ser professor!). Pessoas que, acredito, com o mínimo de reconhecimento, de valorização, de crença no seu trabalho e no seu empenho, poderiam fazer milagres pelas novas gerações (como já vão fazendo, mas cansados e tristes. Não há direito!).
Estou muito confiante no que aí vem, em termos de mudanças na Educação. (os professores nem tanto. Percebe-se porquê!) Mas não acredito em mudanças, por melhores que elas sejam, sem que seja devido aos professores o justo reconhecimento pelo que eles fazem diariamente pelos nossos filhos, netos, sobrinhos, amigos, as novas gerações deste país que é de todos. O professor já não é - nem nunca será, porque os tempos são outros, felizmente - a figura de autoridade, inquestionável, que foi um dia. Mas nesta nova era, mais horizontal, temos o dever de puxarmos uns pelos outros. Valorizarmos o melhor de cada um de nós, aquilo que cada um de nós dá todos os dias, pelo bem comum. E os professores dão tanto! Por isso, e de coração cheio por mais um dia a visitar escolinhas, deixo o meu valente OBRIGADA a todos os professores com quem me tenho cruzado. Se acredito convictamente que é a Educação o que pode mudar o mundo, vocês, professores, são agentes transformadores todos os dias. E isso é insubstituível.

Nunca a conheci pessoalmente, o apadrinhamento é apenas feito à distância e através da Helpo - instituição que aconselho vivamente, pelo empenho, profissionalismo e capacidade de fazer a diferença na vida de tantas famílias, em África - mas nunca consigo não chorar, quando recebo estas cartinhas da minha afilhada...


(Mãe) Meninos... vamos fazer uma cartinha linda, de resposta?

Vamos a isso!