(Nonô) Ó mãe, sabes que a mãe da M. todos os dias lhe deixa um presentinho na mochila?

(Mãe) Ai é, filha? Mas tu sabes que a mãe não pode estar a comprar presentes todos os dias. Vocês são quatro... E mesmo que fosses só tu. Que sentido é que faz estares a receber presentes todos os dias?

(Nonô) Mas a mãe dela deixa coisinhas especiais que não valem muito: uma conchinha, uma florinha... Só para ela se lembrar da mãe durante o dia!

E a mãe da M. acaba de me meter em trabalhos...
Primeiro trabalhinho para casa dos manos mais novos!
Quem sou eu, como sou, como é que os outros me vêem... e, lá pelo meio, a nacionalidade, o distrito, concelho e freguesia onde nasceram. Depois terão de pesquisar sobre a sua terra, sobre a evolução do seu corpo ao longo do tempo... E se aprende, criando laços emocionais ao conhecimento!

E quando o pequeno e endiabrado Dudu resolve inventar que a mãe tem uma outra família com outro homem, e repete a invenção a vários dos seus amiguinhos do hóquei?
E o papá liga à mãe, do clube, a perguntar: "Quem é o Jorge"?

Penduro-o no tecto ou ponho-o já a escrever novelas?

No ano passado não tinha lá ido, mas este ano fui duas vezes, e das duas vezes que fui, com a filhota Nonô como companheira, cumprimentei o nosso Presidente Marcelo, grande anfitrião do evento.

Hoje à noite, quando cheguei ao quarto dela, tinha tudo preparado para uma surpresa: ela era a Presidente da República, eu a "curiosa" que queria ir assistir à sua partida de avião. Tive de passar por um check in rigoroso, à porta, (ela era a funcionária que me pedia os objetos de metal e me dava a credencial), depois ficar a bater palmas enquanto a Presidenta Nonô subia umas escadas de almofadas para a cama, onde assumiu o seu lugar no avião. Depois tive de esperar pelo voo presidencial e ver o avião pousar novamente, acenar à presidente e bater-lhe palmas enquanto ela descia.

Escritora, já não quer ser (a dislexia atrapalhou-lhe os planos, anda um bocadinho zangada com as letras). Mas hoje parece ter descoberto uma nova vocação...

Obrigada, professor Marcelo!
Em que escola é que eu gostaria de andar? Se eu criasse uma escola, que escola seria?



Foi com esta ideia em mente que escrevi "Escola das Artes", onde toda a aprendizagem das mais variadas disciplinas é feita em torno de projetos artísticos. Cada aluno tem um desafio pessoal (uma superação) por cumprir, existe uma tenda de circo para ir relaxar (inspirada no Projeto Âncora, dirigido pelo professor José Pacheco), um bosque para inspirar, e momentos de celebração com música e dança para tornar cada dia de esforço numa festa. Entre muitas outras coisas que não vos posso contar...
Quando 4 irmãos aterram nesta escola, por causa de um infeliz acontecimento, vão entrar num mundo novo de aprendizagens e relacionamentos que hão-de virar as suas vidas do avesso. Afinal, como diz Tatá, a diretora, o objetivo da escola é, antes de tudo o mais, preparar os alunos para o palco da vida...

Espero que gostem! Que partilhem os livros com os mais jovens e se divirtam todos tanto quanto eu. E enviem-me também as vossas críticas, sugestões, e até, quem sabe, vídeos dos musicais que prepararam com as dicas que estão no final do livro.

Vamos a isto! :)

Uma semana sem empregada numa casa grande com 4 filhos e papás cheios de trabalho... Consegue-se! Mas, se dúvidas houvesse, já só restam certezas: só consigo ser a mãe que sou (carregadinha de defeitos e contradições, mas esforçada, otimista e sorridente) porque tenho capacidade económica para pagar a alguém para fazer aquilo que me tira do sério.

(Afonso a procurar numa pilha de roupa uma camisola de desporto) Ó mãe, diz lá... ainda falta muito para a G. chegar?
Na segunda aula de Competências Sociais dos meus filhos mais novos, falaram-lhes sobre o funcionamento do cérebro, para que eles se conheçam melhor e tenham mais consciência dos seus talentos, dificuldades e emoções... assim como dos outros.

O Dudu resmungou um pouco, estava com receio que aquilo que a psicóloga lhes explicou saísse em algum teste...

(Dudu) E ela falou de nomes tão esquisitos, mãe!

Quando lhe expliquei que não, não era para avaliação (o grande terror do meu filho), mas que saber como é que a cabeça dele funcionava até podia ajudá-lo a ter melhores notas - ou, pelo menos, a relaxar mais, face a elas - ficou mais interessado. E ao deitar saiu-se com esta:

(Dudu) Acho que o lado direito do meu cérebro funciona melhor do que o esquerdo, mãe. O esquerdo anda um bocadinho avariado...
Os filhotes ainda andam entusiasmados com a escola.
Digo ainda porque os últimos anos têm sido tão penosos, que estou sempre à espera que este "estado de graça" tenha um fim...
A verdade é que a flexibilização curricular tem conseguido, até ver, esse milagre de conseguir devolver os meus filhos com entusiasmo, ao invés de mos mandarem para casa com um ódio de morte à escola, que eles depois confundem com um ódio ao saber.
Mas não é que o saber pode mesmo ser um prazer?
E não é que, com pequenas mudanças no ensino, conseguem-se logo melhores resultados?
Depois é claro que nós, pais, também podemos dar uma ajudinha...

(Sebastião na sua primeira tarde livre) Adorei as experiências que fizemos. A professora tinha lá uma massa que parecia líquida, mas que se lhe tocássemos com força ficava rija de repente e não nos sujava as mãos.

Filho a gostar de experiências?
Vamos a elas!
Felizmente não nos faltam kits da Science For You cá casa, acumulados dos aniversários. Só tínhamos de escolher o certo. E o certo, neste caso, era o da "Ciência Viscosa", onde por acaso conseguimos encontrar a experiência da massa que mais o tinha entusiasmado, na escola.
Meteu os óculos de cientista... e mãos à obra!


Não ficou tão consistente como a da professora, mas já deu para nos surpreendermos com o resultado (sobretudo porque esta, ao contrário da da escola, teve o dedo do Sebastião).

Seguiu-se a da plasticina moldável, que não ficou tão bonita, mas ainda deu para moldar algumas coisas...


Quando os irmãos mais novos chegaram a casa, entusiasmaram-se com o entusiasmo do irmão (porque o desânimo é contagiante, mas o entusiasmo, felizmente, também o é) e quiseram fazer também a sua experiência. Construíram um vulcão, que agora vai ficar a secar 2 dias para depois o fazermos explodir.



Não decoraram os distritos nem decoraram a tabuada (e bem precisam!), mas acabaram o dia a pensar que ser cientista deve ser uma coisa bem gira. Já valeu a pena...
Depois da revolta ditatorial imposta ontem pela mamã (AQUI), o dia de hoje encheu-se de sol, de paciência e vontade de fazer melhor.

E hoje, no regresso a casa, a mamã lançou um desafio:

(Mãe) Vamos arranjar em nossa casa um espaço que seja o cantinho da Calma. Sempre que começarem a perder o controlo, vão lá acalmar-se um bocadinho e depois voltam.

(Afonso) E se não quisermos ir?

(Mãe) Ficam de castigo!!!


Pronto, a mãe esteve a pensar numa solução para pôr fim à sua própria ditadura, mas ainda não é nenhuma santa...


(Mãe) O que têm de fazer hoje é pensarem em objetos ou atividades que vos acalmem, para depois montarmos o nosso cantinho.


A Leonor foi a mais participativa. Adora estas coisas! E, rapidamente, foi buscar um cesto para pormos as coisas de cada um, e fez uma lista dos seus objetos "calmantes":

- Almofada em forma de coração
- Livro de mantras para pintar
- Porta-chaves peludo
- Rádio e CDs de meditação
- Puff
- A nossa gata

Os rapazes demoraram mais tempo a decidir-se, mas as ideias começaram a aparecer:

- Uma bola para mandar à parede
- Saco de boxe
- Nerf para mandar uns tirinhos


Desporto e ação, portanto. Quanto mais físico, melhor.
Se calhar vou ter de arranjar 2 cantinhos da calma... Ou deixar os rapazes dar murros no saco de boxe ao som de uma música para meditar. Jogar futebol com a almofada em forma de coração... Ou mandar tirinhos com bolas peludos...

Ai, Sara, Sara... Quem disse que a democracia era fácil?




(Mãe) Meninos, vamos fazer uma experiência... qual é o som que vocês acham que se assemelha mais ao som do universo?


Experimentámos copos, panelas, vento com folhas... até que o Dudu se lembra de ir buscar um objeto mágico...




(Dudu) Dahhhhh! Este é que faz o som do universo!


E não é que parece mesmo?
Palmas para o hoverboard!


PS - E se não sabem qual o som do universo, toca a ir ao Google, que está cheio de vídeos com sons reais.
Por circunstâncias várias, todos os meus filhos tiveram este fim-de-semana uma noite fora, em casa de amigos.
E claro que uma noite fora é sinónimo de noite mal dormida... e um humor de cão no dia seguinte!

Elétricos, quezilentos, impossíveis. Implicaram tanto uns com os outros, teimaram tanto, chatearam-me tanto, que a dada altura a mãe também perdeu a paciência.

(Mãe) Vão todos escrever dez vezes "Não vou chamar nomes aos meus irmãos".

Ah, e tal, isso é uma parvoíce, castigo parvo, não faz sentido...

(Mãe) Tu escreves 20. E tu 30!

Resmungaram mais um bocadinho, mas como o castigo ia acumulando, acabaram mesmo todos sentados a escrever o que lhes impus. Parvo e sem sentido, é certo, mas a mãe também tem os seus limites.

(Afonso) A mãe, com o cabelinho preto curtinho, passava bem por Kim Jong-Un...

(Mãe) Isto é assim, meninos: a democracia só funciona quando as pessoas são conscientes e cumprem as regras. Quando a democracia se transforma numa anarquia, sabem o que é que acontece?

(Afonso) Aparece um maluco qualquer a impor uma ditadura.

(Mãe) Ora aí está! Eu sou a maluca e esta casa só volta a ser uma democracia quando vocês se souberem comportar.

E foi a maluca da mãe que escolheu a história da noite, e foi a maluca da mãe que a leu sem interrupções, distribuiu mais meia dúzia de berros e outros tantos beijinhos.
E, com jeitinho, amanhã acorda tudo mais sereno (mãe incluída), a ditadura volta a ser uma democracia e a maluca da mãe pode deixar de fazer coisas parvas e sem sentido para impor à força a ordem e o respeito...
(Mãe) Filhote, amanhã já tens aulas o dia todo... Queres que a mãe te vá buscar, para vires almoçar a casa?

(Titão) Hum... Hã... É que eu já combinei com uns amigos meus, vamos almoçar todos juntos.

(Mãe) Amigos? Mas é o terceiro dia de aulas. Já se combinaram?


Pois claro que sim.
Ah, que saudades do meu 7º ano! Da escola nova, dos portões abertos, da liberdade conquistada...


(Mãe) Sabes a regra, não sabes? Liberdade exige...

(Titão) Responsabilidade!

(Mãe) Se não houver responsabilidade acaba-se a...

(Titão) Liberdade!


Pelo menos em teoria a lição está sabida. Vamos ver na prática...
E quando o nosso filho mais velho (9. ano, supostamente nem abrangido pelas mudanças) chega a casa a contar que nas aulas de hoje teve de se descrever criativamente, e responder a um questionário sobre quem era, o que mais o tinha orgulhado até agora, o que era para ele o sucesso, o que esperavam do professor e da disciplina, etc, etc. Auto-conhecimento e espírito crítico no seu melhor, fomentando ainda os laços entre professores a alunos, tantas vezes inexistentes, nesta fase.
E não é que a escola está mesmo a mudar?

(Afonso) Depois ainda perguntavam qual tinha sido a coisa mais criativa que eu fiz até hoje...

(Mãe) E o que é que respondeste?

(Afonso) Quando estivemos a recriar quadros famosos! Fizemos coisas bem criativas nestas férias, mas acho que esta bateu todas...

E a mamã até corou um bocadinho :)