A tia Sandrites sabe que eu ando sempre à cata de jogos e livros didáticos, por isso resolveu oferecer-nos este pelo Natal.



Para quem gosta de jogos de tabuleiro (como é o caso dos meus filhos), é uma ótima opção para aprender a brincar. Com perguntas de Português, Matemática e Estudo do Meio, de dois níveis distintos, ajuda a consolidar conhecimentos e a aprender coisas novas.

Recomendo!
Hoje, à conversa com a minha amiga Sandrites, ela contava-me que, sempre que dois coleguinhas se zangavam na sala do filho, a professora dava-lhes uma folha e explicava-lhes que, sempre que a tratassem mal (amachucarem, derem pontapés), podiam voltar a endireitá-la, mas que isso deixaria marcas (os vincos, a sujidade... a folha nunca mais seria a mesma!).

Já tinha ouvido essa história, mas nunca a tinha contado aos meus filhos. E, dado que os mais novos andam tipo cão e gato (tudo no outro o irrita, e se me distraio lá vai um encontrão), peguei não numa folha, mas em duas. Uma era a Leonor (a dos brilhantes), outra o Dudu (e pus-lhe uns cabelinhos de papel em pé). Sempre que um magoava o outro, amarrotava um pedacinho da vida dele. E, como esse não se queria ficar atrás, ia amarrotar o outro. E andavam nisto, até as folhas ficaram irreconhecíveis.


Depois a mãe lá ia tentar endireitá-las com palavras bonitas, festinhas, até disfarçando com o ferro, mas havia marcas que não desapareciam. Eram mesmo essas marcas o que eles queriam deixar um ao outro?

Disseram que não, e a noite até correu melhor. Mas sei que a memória é curta, por isso vou afixar as folhinhas no frigorífico. E, já agora, pensar também nas marcas que quero deixar nas folhas/vidas de cada um dos meus filhos...
De agora não passa... os meus filhos mais novos têm de enfiar a tabuada na cabeça!

"Ah, e tal... pergunta-lhes enquanto vais no carro"

Então e quando é que conversamos? E cantamos?

Tem-nos faltado tempo, efetivamente, mas também estratégias. E hoje, a mãe resolveu perguntar ao Google como é que se decoravam as tabuadas. E o Google deu uma óptima sugestão!


Metemos então mãos à obra, hoje com a tabuada do 4. E, de cada vez que um de nós subia ou descia as escadas, tinha de dizer a tabuada de cada degrau, em voz alta.


Ouvi a lengalenga algumas vezes, até que o Dudu, a dada altura, desceu em silêncio.

(Mãe) Então, filho... Não ouvi a tabuada!

(Dudu) Já estou cansado, mãe. Desci pelo corrimão!

Foi uma boa tentativa...
A fazer um trabalho sobre a Ásia:

(Dudu) Ó mãe, eu podia pôr aqui uma fotografia do "King Kong"iano da Coreia...

Acho que nunca o Kim Jong-Un teve um nome tão acertado!
(Nonô) Mãe... tu quando não tens nada para fazer, o que é que fazes?

(Mãe) Ó filhota... Sabes que a mãe, por enquanto, não sabe muito bem o que é isso de não ter nada para fazer...

(Nonô) Mas imagina que vais ter. Quando nós crescermos, por exemplo. Eu, se tiver tempo livre, vou fazer trabalho cívico. Há tanta coisa por fazer, pelo mundo!


E é isto!
Tanto se fala mal das novas geração, e a verdade é que uma boa parte dos seus representantes tem uma enorme consciência do que tem de mudar e de que terá necessariamente de desempenhar um papel nessa mudança...

PS - Sobre a geração Z, encontrei este artigo interessante, que convido à leitura: http://observador.pt/especiais/geracao-z-os-jovens-que-nasceram-na-era-da-internet-da-crise-e-do-terrorismo/
Os gémeos tiveram o seu primeiro "Muito Bom" de sempre, a Matemática... e foi a loucura!

Depois de um primeiro ano sofrido, em que eles não sabiam muito bem o que andavam a fazer na escola, com a auto-estima beliscada com os primeiros "Insuficientes"(como é que se dão "Insuficientes" no primeiro ano?!), um segundo ano noutra escola, com mais apoios e um maior respeito pelo seu ritmo, chegámos a um terceiro ano em que os resultados do esforço de todos (professores, escola, pais, avó Antónia, mas sobretudo deles próprios) começa, finalmente, a dar frutos.

Não é pelas notas. Não é pelo alegado "sucesso" escolar. Com estes meus filhos, deixei de ser exigente a ser nível, só quero que eles sejam felizes e andem motivados, para aprenderem e melhorarem naquilo que conseguirem. Mas ver a felicidade deles por terem conseguido ter uma boa nota, foi qualquer coisa de especial...

(Dudu) Afinal sou bom a matemática, mãe!

E um aluno com esta motivação, não se entrega mais? Não investe mais? Não está mais atento?
Claro que sim!

E, como se a moral não estivesse já ao rubro, ainda recebemos uma mensagem da querida professora...

(...)

"Não dá para descrever a felicidade no olhar deles quando lhes entreguei os testes... mas a do Duarte foi impagável!!! Dificilmente irei esquecer!!! Estivemos os dois à beira das lágrimas. (...) Acho que é por estas coisas que vale mesmo a pena ser professora."

Que dia bom!

Mas ao deitar...

(Mãe) E então, Dudu? Feliz?

(Dudu) Sim! Mas mesmo assim, eu acho que as escolas não deviam ter testes, mãe. A professora sabe o que nós sabemos, estamos sempre a fazer exercícios e ela chama-nos ao quadro. Porque é que temos de fazer testes? É só para ficarmos nervosos...

Fica o recado!

Não sei quem foi o autor, mas subscrevo.
E o meu frigorífico vai ganhar um papelinho novo...
Já tínhamos ido ver a exposição do Van Gogh, na Cordoaria Nacional, não podíamos perder agora a do Da Vinci, que é uma das figuras que mais fascina a mamã - ou não tivesse ele nascido no mesmo dia da mãe, e desempenhado 11 profissões, o mesmo número que a mãe desejava desempenhar na sua infância (ficou-se pela escrita... Mas felizmente que ela permite ser tantas coisas numa vida só!).




O preço destas exposições nunca é muito simpático - o bilhete de família custa 30€ - mas gostámos bastante da reprodução dos engenhos que Da Vinci projetou, do documentário (tamanho q.b. e com vocabulário muito acessível, adequado a todas as idades) e da sala final, onde podíamos simular o homem vitruviano...


A exposição vai estar patente até ao dia 29 de abril. Depois é esperar pelo filme sobre a vida de Leonardo da Vinci, lá para o início de 2019, com Leonardo di Caprio no principal papel. A avaliar por este artigo da Visão, o filme promete...
(Dudu) Nonô, anda comigo! Vou dar-te um treino militar! Mas prepara-te. Vais ficar muito cansada...

(Nonô) Não vou nada! Eu aguento... Vou só buscar música para me motivar. E aquela faixa para pôr na barriga, para ficar mais elegante...




Lembram-se?

Era uma brincadeira do nosso tempo, quando ainda não havia tablets nem telemóveis, e os desenhos animados só passavam de vez em quando no único canal que tínhamos. Era preciso esperar... e arranjar outras coisas para brincar!


E não é que os filhos também gostaram?

E que melhor forma de decorar o sistema circulatório?
A mãe teve de ir a Beja a uma cerimónia de entrega de uns prémios literários, de que a mãe foi júri, e levou consigo o filho mais velho, que era o único que tinha a tarde de sábado livre (ai, ai, a agenda dos meus filhos!).

Não foi propriamente fácil convencê-lo... digamos que, em troca, teve de passar numa famosa casa de hambúrgueres para lhe comprar um tão-desejado-há-tanto-tempo milkshake de chocolate. Mas há negociações que valem a pena. E um milkshake de vez em quando justifica uma longa viagem de conversa.

(Mãe) Ouvimos o quê?

(Afonso) As minhas músicas.

Como a mãe queria ouvir as suas, resolveram fazer à vez. Uma vez uma música da mãe, outra vez uma música do filho. E assim ficou o filho a conhecer o videoclip "Black or White", "We are the World", o furacão Madonna, Seu Jorge, o genérico de Fame... E a mãe ficou a conhecer os melhores raps do Piruka, do Eminem, do Bispo... e não é que a mãe até gostou? (Piruka no top!)

A cerimónia demorou, terminou com declamações de poemas, e no regresso o filho brindou a sua mãe e a sua avó (que se juntou à festa) com declamações emotivas... das músicas dos seus rappers favoritos! E não é que a mãe até achou que ficava bonito?

E não é que, já em casa, descobrimos que o declamador de poemas da cerimónia, que declamou os seus próprios poemas - o Napoleão - era pai do rapper Sam the Kid, e já fez trabalhos com ele? A prova de que os poemas dos nossos grandes poetas dariam bons raps. E que os nossos rappers... sim, os nossos rappers também são grandes poetas!



(E obrigada, Napoleão, pela inspiração)

... em versão "restaurante sem telemóveis".


(Afonso) Se só temos papel e caneta... jogamos com o que há!

E viva a imaginação!
(Dudu) Mãe, já sei o que é a Quaresma. É quando Jesus... como é que se diz... começa a ser atacado. Todos a dizer mal dele, até ele morrer. Bolas, mãe... Jesus foi vítima de bullying!