... e um vídeo deliciosos sobre as tropelias de dois gémeos, que bem podiam ser os meus. AQUI!

No caso dos meus, já os fui apanhar ao telhado (conseguiram arrastar um móvel até à janela), descobriram uma forma de sair de casa descendo por uma árvore e tocaram à campainha (e eu ia morrendo quando a fazer caretas para o intercomunicador, na rua!), já se esconderam em armários e ficaram silenciosamente à espera de me ver desesperar...

Enfim, são muito queridos, os gémeos... Mas duas cabecinhas marotas a pensar, dão trabalho a duplicar!
Depois de uma manhã inteira a dissecar o século XIX...


(Titão) Acho que começo a gostar de História...

(Mãe) Isso de gostar ou não das disciplinas é psicológico, filho. Está tudo na mente...


Minutos depois dou com ele no trampolim, a fazer a posição de lótus em cada salto.


(Titão) Eu gosto de História. Eu gosto de História. Eu gosto de História.


Agora é torcer para que funcione! (e estudar, de preferência, que gostar não basta!)
O dia não prometia ser mais calmo. O pai tinha de levar um filhote a um treino e depois tinha um torneiro na Lourinhã - quase um dia inteiro fora de casa. A mãe tinha de levar os restantes a treinos e festas de anos, fora o estudo para os 9 testes que a filharada tem esta semana.

Ufa!

Mas lá nos safámos, nos entretantos. De manhã oferecemos os presentinhos que os filhotes fizeram na escola...


(Pai) O que é que desenhaste na minha mão, Dudu?
(Dudu) Um comando. E este aqui é um filho telecomandado...

O sonho, portanto, de qualquer pai :)

À noite, feito no buraquinho dos estudos, lá oferecemos um pequeno livro dedicado ao pai, com frases dos 4 filhos (o mais giro do género que descobrimos este ano, editado pela Arena/Penguin Random House). Um sucesso, que nos arrancou ainda boas gargalhadas, quer na confecção, quer na leitura!







- Um dos super-poderes do papá? Adormecer no sofá quando quer (Titão)
- Uma coisa de que o pai gosta muito? De mim! (Nonô)
- Uma coisa que o pai contava da sua infância? Que andou no circo (Afonso, que andou uns bons anos da sua vida a achar que o pai tinha mesmo crescido no circo)
- Outro super poder do papá? Parece o Flash quando conduz (Dudu).

Parabéns, Papá! Contamos contigo para muitos e bons anos de aventuras, tendo-te sempre como o nosso divertido porto de abrigo.

(Dudu) Mãe, podemos fazer origami?


(Mãe engole em seco. Nunca teve jeitinho nenhum - nem paciência! - para dobrar papéis)


(Mãe) E o que é que tu queres fazer?

(Dudu) Uma pistola que solta elásticos. O P. tem uma bué fixe.

(Mãe enrascada) Ui, filho... Mas a mãe não sabe fazer essas coisas.

(Dudu) Não precisas de saber. Por isso é que temos o youtube.


E não é que o youtube tem milhares de vídeos sobre origami, e umas boas dezenas (ou centenas!) sobre origami de pistolas?


Era bom de ver que, mesmo com tutorial, não ficaria nada de jeito... Mas assim sempre se pode culpar o youtuber, que não explicou como deve de ser ;)



Dudu no banho a contar as peripécias do dia.


(Dudu) ... e hoje o E. zangou-se comigo e resolveu ir chamar um advogado do 3º ano para me bater.

(Mãe) Um advogado?! Mas os advogados servem para defender... Hum... e para atacar.

(Dudu) É a mesma coisa, mãe.

(Mãe) Então e tu, o que é que fizeste?

(Dudu) O advogado dele era do 3º ano... então eu fui chamar um advogado do 4º! E eles fugiram...


E assim se encerram os casos no 1º ciclo.

Coisas de "Quanto não vale um filho"

15.3.17 / BY Sara Rodi
Mãe e Titão a ver a Gala da SPA, enquanto a Mãe lhe faz perguntas de Ciências, para o teste de amanhã.


(Titão) Não foste a esta gala porquê? Deixa-me adivinhar... "Tive de ficar com os meus filhos e tal..."

(Mãe) Vês como tu sabes?

(Titão) E não tens nenhum livro teu nomeado?

(Mãe) Não, filho. Há muitos livros. E livros melhores do que os meus.


Titão fica a ver a gala, desconfiado.


(Titão) Ó mãe, desculpa lá... mas tu és muito melhor do que estes velhos todos!


Os "velhos" eram grandes nomes da Literatura. Os "velhos" (na melhor acepção da palavra) que me desculpem e desculpem o meu filho. Mas se, novos ou velhos, não formos os melhores para os nossos filhos, seremos para quem?

Parabéns, SPA, pela Gala e pela valorização dos seus autores, onde eu tenho o privilégio de me incluir.
(Afonso) O pai anda viciado no telemóvel. Sempre em grandes conspirações. Parece uma miúda de 15 anos...

(Mãe a conter o riso) Afonso!

(Afonso) E isto também não joga a teu favor: estás casada com uma miúda de 15 anos! Eu nem sei se isso é legal...
Nos meus périplos pelas escolas, com os meus livros infantis, não lido apenas com crianças. É também uma óptima oportunidade para conversar com os professores, perceber o que os move e o que (quase) os faz baixar os braços. Quase, porque mesmo quando não se sentem valorizados, quando lhes vêem ser impostas regras e burocracias que não entendem, quando perdem autonomia, reconhecimento, estabilidade, não deixam de fazer quilómetros para estar diariamente com um grupo de crianças a quem ensinam o melhor que sabem, das letras aos números, até à educação, enquanto ouvintes, confidentes, conselheiros e defensores. É certo que também haverá professores perdidos e professores incompetentes. Mas a maioria daqueles com que me cruzo são professores que vivem para os "seus meninos". Que pensam neles dentro e fora da sala, dentro e fora da escola, sem horário nem horas extra. E pergunto-me como teremos nós, o nosso país, conseguido desmotivar esta massa tão grande de pessoas motivadas por natureza (é preciso muita motivação diária para se ser professor!). Pessoas que, acredito, com o mínimo de reconhecimento, de valorização, de crença no seu trabalho e no seu empenho, poderiam fazer milagres pelas novas gerações (como já vão fazendo, mas cansados e tristes. Não há direito!).
Estou muito confiante no que aí vem, em termos de mudanças na Educação. (os professores nem tanto. Percebe-se porquê!) Mas não acredito em mudanças, por melhores que elas sejam, sem que seja devido aos professores o justo reconhecimento pelo que eles fazem diariamente pelos nossos filhos, netos, sobrinhos, amigos, as novas gerações deste país que é de todos. O professor já não é - nem nunca será, porque os tempos são outros, felizmente - a figura de autoridade, inquestionável, que foi um dia. Mas nesta nova era, mais horizontal, temos o dever de puxarmos uns pelos outros. Valorizarmos o melhor de cada um de nós, aquilo que cada um de nós dá todos os dias, pelo bem comum. E os professores dão tanto! Por isso, e de coração cheio por mais um dia a visitar escolinhas, deixo o meu valente OBRIGADA a todos os professores com quem me tenho cruzado. Se acredito convictamente que é a Educação o que pode mudar o mundo, vocês, professores, são agentes transformadores todos os dias. E isso é insubstituível.

Nunca a conheci pessoalmente, o apadrinhamento é apenas feito à distância e através da Helpo - instituição que aconselho vivamente, pelo empenho, profissionalismo e capacidade de fazer a diferença na vida de tantas famílias, em África - mas nunca consigo não chorar, quando recebo estas cartinhas da minha afilhada...


(Mãe) Meninos... vamos fazer uma cartinha linda, de resposta?

Vamos a isso!
A Sociedade do Bem é um projeto extraordinário que está a levar boas práticas de cidadania e gestão das emoções a várias escolas do Alentejo.
Uma das últimas iniciativas consiste em desafiar a comunidade (professores, pais, avós, educadores em geral) a debater temas que podem gerar novas dinâmicas na escola, em casa, no bairro, na rua onde se vive...
A mim desafiaram-me para levar a debate o tema que me tem movido nos últimos meses: Por Uma Escola Diferente. Que escola temos e que escola queremos ter? Então, o que precisamos de fazer para o conseguir? Sendo que não acredito em respostas fechadas, nem respostas iguais nas diferentes comunidades, irei estar em Évora no dia 21 para procurarmos, juntos - com todos aqueles que se quiserem juntar - as respostas que nos possam servir.
Se estão em Évora, pelo Alentejo, ou se quiserem rumar até lá de propósito, serão todos muito bem-vindos!
E obrigada, Susana Pedro, pelo convite.

(Mãe) Então mas que personalidades é que os teus colegas escolheram?

(Afonso) Salvador Dali, Ghandi, Fernando Pessoa... Floribela Espanca...


Gargalhada da Mamã. E ele também se deixou rir.


(Afonso) Eu sei que não é Floribela... Porque é que me saiu Floribela?

(Mãe) Porque tu cresceste com a Floribela, filho!!!


É capaz de estar algures neste blog: há uns bons anos, a Mamã escrevia a série Floribela, e o Afonso, pequenino, lá ia ver as gravações, lá ia aos Musicais, lá tinha de cantar as músicas, e só não se vestia com as roupas dela porque, enfim... felizmente os papás nunca lhe deram sequer essa hipótese! Mas só hoje, nesta pequena subtileza, percebi como isso o terá marcado.

Querida Florbela, tu desculpas, não desculpas?
O Afonso escolheu, para a sua apresentação oral de Português, Isaac Newton. Pesquisou, viu sites e livros, e chegou a uma grande conclusão.

(Afonso) Nunca vou ser um génio! Precisava de ter problemas muito mais graves de relacionamento...


Os génios fazem falta a este mundo, é indiscutível. Mas não há dúvidas de que ter um filho menos génio mas feliz, é indiscutivelmente mais fácil...
A Mamã resolveu levar os filhotes a dar um passeio de bicicleta para arejar as ideias. 5 testes para a semana mais 2 torneios exigiam uma mente relaxada. Mas o relax acabou quando os filhotes resolveram pousar as bicicletas junto a um caixote do lixo para dar uma corrida pelo campo, e quando voltaram... as bicicletas tinham desaparecido!

Valeu-nos uma senhora que vivia num prédio ali perto e que, da janela, nos chamou. Um carro azul, pequeno, tinha passado por ali, viu as bicicletas e meteu-as na bagageira do carro. Era um senhor do bairro ali perto, mas ela não sabia o nome nem onde morava ao certo.

(Mãe) Já fomos, meninos... Ficámos sem bicicletas!

(Afonso) Não ficámos nada! Só temos que ir à procura do carro.

(Mãe) O bairro é enorme, filho. E é preciso que o senhor nos queira devolver as bicicletas...

(Afonso) Então, mãe? Onde é que está o teu optimismo todo? E já não confias nas pessoas?


Tinha razão. Mas eu estava sozinha com os filhotes, não queria correr riscos... E, claramente, menosprezei o filhote mais velho, que inchou nesse momento o peito e tentou tomar conta do assunto.

(Afonso) 'Bora lá, mãe. Sem medos!


Fomos apanhar o carro e dar a volta ao bairro. Alguns minutos depois, demos com um carro azul parado, com as nossas bicicletas na bagageira.


(Mãe) Fiquem no carro, meninos.

(Afonso) Eles ficam no carro. Eu vou contigo!

Falámos com umas crianças que por ali andavam, que nos disseram a quem pertencia o carro, e onde morava o senhor, falámos com a mulher à janela e algum tempo depois lá veio alguém abrir-nos a bagageira do carro, pedindo desculpa. Como as bicicletas estavam próximas do caixote do lixo, achavam que estavam abandonadas. Assunto arrumado e em paz.


(Afonso) Estás a ver, mãe? Tens de ser mais optimista.


A verdade é que ele já tinha fotografado o carro azul e a matrícula, e já tinha controlado a rua toda com o olhar. ("São muitas séries americanas", como ele costuma dizer). Eu às vezes ainda acho que ele é o meu filhote pequenino, mas o meu adolescente está a crescer e qualquer dia já é mais ele a garantir a minha segurança do que o contrário :).






A ideia era levá-los para o campo para eles sossegarem os ânimos e voltarem para casa mais calminhos.

Mas rapazes são rapazes. E não é que a erva fofa ainda é melhor do que o sofá para uma boa luta?


#amaenaodacontadeles
Sebastião especado a ver televisão. Mãe na cozinha à espera dele.


(Mãe) Sebastião.

(Sebastião) Já vou...

(...)

(Mãe) Sebastião!

(Sebastião a caminhar, sem tirar os olhos da televisão) Estou a ir...

(...)

(Mãe) Sebastião! É a terceira vez que te estou a chamar.

(Sebastião) Mas eu estou a ir, mãe. Só vou a desfrutar do caminho...