Quando li, no relatório de avaliação das Expressões Artísticas, que o pequeno Dudu revelava pouca criatividade (porque tinha bloqueado num exercício de improvisação), deixei-me rir. O meu diabrete mais novo pode ser muita coisa, mas pouco criativo é que ele, definitivamente, não é!

E hoje mostrou-o mais uma vez, aceitando o repto da professora, que resolveu, em boa hora, fazer passar um caderno por todos os alunos da turma, mas que cada um colasse nele uma história.

O Dudu pensou, pensou, e se é certo que a mamã deu uma ajuda a pôr tudo direitinho no papel, o mérito desta aventura é todo seu... E não é que resultou numa grande história?

Nonô em véspera dos testes de patinagem:


(Nonô) Mamã, sabes quais são as 3 coisas que me acalmam?

(Mãe) Quais são?

(Nonô) Uma música bem relaxante... pintar mandalas ou outros desenhos bonitos... e sabes qual é o último? Sabes? Um abraço da mamã!


E amanhã vai levar cá uns abraços!
Ano após ano tem-se tornado cada vez mais difícil erguer a nossa árvore de Natal. Os rapazes mais velhos não têm paciência, odeiam decorações e afins, e na verdade até têm a quem sair, porque a mãezinha deles gosta muito do Natal, mas se pudesse também montava uma linda árvore de Natal instantânea... carregava no botão e Puff! A casa ficava pronta e maravilhosa para o Natal, que na verdade até nem tem nada a ver com casas enfeitadas.
Mas enfim... a montagem da árvore é muito mais do que enfeites. É sinónimo de tempo em família e de trabalho de equipa (competência a precisar de ser trabalhada cá em casa). E por isso, apesar de todos os queixumes, a árvore ergueu-se... dentro do possível, claro! A mamã montou a árvore e os enfeites com os mais novos, enquanto os rapazes mais velhos tratavam da banda sonora: as canções de Natal dos últimos anos da Rádio Comercial (era isso ou Rap...). Podia ter corrido pior...


Para o ano há mais!
(e quando é que acaba mesmo a adolescência?)
Nonô à noite, aninhada no meu colo:


(Nonô) Eu ando tão cansada da escola, mãe...

(Mãe) Eu sei, filha, mas estamos quase de férias.

(Nonô) É pouco tempo. Depois voltamos para a escola outra vez. Porque é que temos de andar na escola, mãe?

(Mãe) Para aprender, filha.

(Nonô) E porque é que é tão importante aprender?

(Mãe) Tens de saber coisas importantes, como ler e escrever, e saber como é o mundo...

(Nonô) E porque é que essas coisas são tão importantes, mãe?

(Mãe) Porque um dia vais crescer e vais precisar de saber essas coisas...

(Nonô) E essas coisas são mais importantes do que descansar e estar contigo?


Férias precisam-se, com urgência!
(Nonô) Mãe, a nossa casa tem demasiadas regras...

(Mãe) Ó filha, eu sei... Mas tem de ser. Nós somos 6, fazemos todos muitas coisas... Se não houver regras, a nossa casa é uma confusão.

(Nonô) Mas tu podias dar menos ordens!

(Mãe) Não é fácil, filha. Quando eu vos chamo 10 vezes para virem para a mesa e vocês não vêm, eu tenho de me impor.

(Nonô) Podias antes fazer isso com um jogo. Se dissesses, por exemplo: "quando vierem para a mesa, têm de vir ao pé coxinho e não podem pisar os riscos da madeira", quanto apostas como nós íamos logo?


E eu ainda tenho a aprender com esta minha filha...
Mamã a tentar enfiar o vocabulário de Inglês na cabeça do filho Dudu (que, por ter torneio, não passeou de bicicleta nem recortou palavras para colar em objetos, como a irmã).

(Dudu) Eu acho isto uma parvoíce... Tanta coisa para sabermos línguas diferentes! Quando formos para Marte temos de falar todos a mesma língua. É a única forma de nos entendermos.

E é este gap geracional (maravilhoso gap!) que nos obriga a pôr tudo em causa, diariamente...
A minha última aventura para os mais novos, já à vossa espera em todas as lojas FNAC...


Estudar Inglês sem suspirarmos de tédio ou desatarmos às turras, de impaciência?

Sim, é possível.


(Mãe) De que cor são as árvores?
(Nonô) Green!
(Mãe) E os prédios?
(Nonô) White and Red.
(Mãe) Quantas árvores vês?
(Nonô) Three.

Depois etiquetámos o material escolar, com direito a tesouras divertidas e canetas coloridas.


Vamos ver que nota vai ter no teste de amanhã... mas que foi divertido, isso foi!
E o que é que faz uma menina que recebe uma pasta de dentes nova e saborosa e não quer que os manos rapazes a devorem em meia dúzia de lavagens?


Chamou-me à sua casa de banho para me mostrar, orgulhosa, a sua ideia.

(Nonô) Até podem vir cá roubar pasta... Mas vão sempre achar que eu a lambi!
Em plena ficha de revisões de Matemática...



Deixo ficar ou apago?
(Mas como é que se apaga num coração a baloiçar suavemente num 6?)
Agora confiante de que o seu talento é fazer os outros felizes (ver post anterior), a Nonô resolveu brindar-me com uma das suas ideias felizes:

(Nonô) Mamã, estes vão ser os nossos cadernos especiais...


(Nonô) Todos os dias vou fazer um desenho que fica metade no meu caderno e metade no teu. Assim lembramo-nos sempre uma da outra. Somos duas metades do mesmo desenho...


E às vezes chego a perguntar-me o que terei eu feito para ser merecedora de uma filha destas, que me brinda com tamanhos gestos de amor! (E depois penso que é melhor aproveitar, porque isto deve ter os dias contados... até à adolescência!)