Aproxima-se a passos largos o aniversário dos gémeos, e a Nonô já tem tudo pensado.


(Nonô) Até já disse às minhas amigas o que é que eu queria de presente de aniversário.

(Mãe) Ó filha... A sério? Mas não deves fazer isso. Sobretudo se forem coisas difíceis de arranjar, ou caras...

(Nonô) A uma pedi uma máquina fotográfica. E à outra uma pen, para eu guardar os meus trabalho. Achas que são coisas complicadas?


Nãaaaaaaaaaaaaaaaa......
As leitura autónomas dos mais novos que, pelos menos a avaliar pela capa, têm tudo a ver com eles:


Leonor, a princesa-dos-calções-por-baixo-para-não-se-verem-as-cuecas-nos-500-pinos-que-faz-por-dia

Dudu-o-stressado-preocupado-com-a-Terra


Vamos ver se resulta...


PS - De qualquer forma, e na mala, tenho sempre de reserva um livro infalível para todas as ocasiões...

(Mãe com os cabelos em pé) Meninos, eu não estou a aguentar mais os vossos gritos. Vocês por tudo e por nada berram. Obrigam-me a berrar também. Vamos ter de pensar em conjunto numa maneira de pararmos todos de gritar... Alguma sugestão?

O Sebastião não perdeu tempo, foi a correr buscar uma folha e rapidamente (leia-se atabalhoadamente) desenhou um "Gritódromo", com penalizações por acumulação de gritos, que podem ir desde ficar a jogar iPad, até ficar com a incumbência de arrumar a cozinha toda. Claro que a mamã tem penalizações especiais, feitas à medida dos interesses deles. Ao fim de 4 berreiros tenho de lhes comprar um presente, e ao fim de 6 tenho de os levar a jantar fora...


Não sei porquê, mas acho que este Gritódromo me vai sair um bocadinho caro...



A Susana Amorim é uma pessoa muito especial e vai lançar mais um daqueles livros que vai mexer connosco, fazer-nos pensar, sorrir, desmontar preconceitos e explorar sentimentos.
E eu lá estarei. Quem se junta?

Já tínhamos ido algumas vezes ao de Sintra, mas a Mamã ouviu falar tão bem do de Constância, que aproveitámos o torneio de hóquei que havia por aqueles lados para rumar ao I Centro de ciência Viva a nascer no país.
E valeu bem a pena. Durante duas e meia visitámos, sempre com um guia, visitámos uma Exposição Temporária dedicada ao Voo (onde até experimentámos um simulador para treino de astronautas, que nos punha a rodar em todas as direções), um Planetário e um Parque Exterior dedicado também à Astronomia, com modelos e experiências bastante elucidativos sobre o nosso planeta e galáxia.





A miudagem adorou e a Mamã também. Recomendamos vivamente!

A Mamã fez aninhos. Entrou no último ano antes dos "entas", mas nem por isso o dia foi mais calmo. Passeio no Zêzere, Torneio em Tomar, Jantar no Village Underground.





E foi lá, na parte de cima de um autocarro velho, estacionado em cima de umas plataformas, que a Mamã resolveu puxar pelos filhotes:

"Então e vocês, meninos, como é que acham que vão comemorar os vossos 39 anos?"

O Sebastião passava um belo dia com a mulher e os filhotes.
O Afonso andava a viajar... mas antes tinha deixado os filhotes com a avó (que por acaso até posso ser eu).
A Nonô também deixava a sua única filha comigo (nada de filhos rapazes, por favor!), mas para ir receber um prémio pela sua mais recente invenção: uma máquina de transformar pessoas em gatinhos (e assim se estragou de vez a Humanidade, resmungou o Afonso).
Já o Dudu diz que, infelizmente, vai ter cancro, por causa dos químicos que nós ingerimos.

E dou por mim a pensar que, tragédias à parte (e 'bora lá transformar o mundo num lugar mais saudável!), é um enorme privilégio fazer 39 anos no meio desta grupeta tão louca (o pai também não se safa ;)), que me enche de rugas e cabelos brancos, me ocupa todo o tempo que tenho e não tenho, mas que ao mesmo tempo enche os meus dias de aprendizagens constantes.

Agora é continuar a desfrutar do caminho e a aprender até aos "entas". Conto convosco, aí desse lado, para isso mesmo...

Passeio à beira-mar ao final do dia. O ideal para relaxar... não fosse:

(Dudu) Mãe, a areia está cheia de lixo!

(Nonô) Quem é que deixou isto aqui? Mas as pessoas não leram o teu livro da Garrafa Mágica?


Não leram, seguramente. Mas o Dudu e a Nonô já leram, e aprenderam bem a lição.


(Nonô) Mãe, desculpa mas não podemos deixar este lixo todo aqui.


E foi assim que o nosso fim de tarde relaxante terminou com uma recolha de lixo, menos relaxante mas seguramente mais importante!


(Dudu) Ó mãe, o que é que pior? Dizer um palavrão ou deitar lixo no chão?

(Mãe) Ó filho... O ideal é não fazeres nenhuma dessas coisas.

(Dudu) Mas o lixo é pior, mãe. Um palavrão é só uma palavra. Não mata ninguém. Já o lixo...


E esta nem vem no meu livro ;)

Há tempos, numa pequena discussão com o meu filho mais velho (ah, adolescência!), eu falava-lhe na necessidade de saber estar e como isso implicava saber estar calado e obedecer em muitos momentos. E ele saiu-se com algo que na altura pensei ser apenas uma provocação, mas que entretanto me tem vindo recorrentemente à cabeça. Foi qualquer coisa como "A vossa geração obedecia cegamente, por medo, ou porque sim. A minha geração abriu os olhos. Não temos de fazer as coisas só porque nos mandam, se não fizerem sentido."

A frase podia até ser provocatória, fruto do calor da discussão, mas a verdade é que acho que ela reflete aquilo que, consciente ou inconscientemente, passa pela cabeça dos nossos jovens, que simplesmente deixaram de querer fazer aquilo que lhes dizem que eles têm de fazer, quando isso não lhes faz sentido algum.

E pergunto-me se isso será necessariamente mau, ainda que me traga chatices tantas vezes, porque eu própria não sei se saberei exercer autoridade (pelo menos não sempre e não em todas as situações) sem mandar "só porque sim". Sem ditadura. Com cooperação.
Muito dona da verdade, expliquei nesse dia ao meu filho que alguém tem de decidir as regras, e que a anarquia, em que cada um faz o que lhe faz sentido, não sei onde nos pode levar. Mas será que o modelo que temos seguido até agora nos tem conduzido a algum lugar assim tão bom? Será que os jovens confiam nos mais velhos como os grandes exemplos a seguir? Quando o país andou a saque e afundou-se numa crise que comprometeu o futuro de muitos jovens. Quando todos os dias estragamos o planeta mais um bocadinho e vamos deixar nas mãos dos jovens essa difícil tarefa de consertar tudo o que temos feito até agora. Quando deixamos que o mundo continue em guerra, que milhares de pessoas morram à fome e à sede, outros tantos morram no mar em busca de um lugar melhor, ou vivam em campos de refugiados à espera de uma vida; quando permanecem as desigualdades, as injustiças, a corrupção, o preconceito, a intolerância. Quando não conseguimos sequer criar uma escola que prepare os mais jovens para o futuro, porque anda sempre tudo preocupado com as eleições e com as mudanças que podem conquistar mais eleitores (generalizando e mal, que eu até acredito em muitas das mudanças que agora vão acontecer!), com a carreira dos professores e o dinheiro das escolas, sem que ninguém ouse perguntar aos jovens afinal o que querem da escola e para quê.

E não quero com isto desresponsabilizar os jovens. Não. Mas nós temos mesmo que os ouvir. Perceber o que é que lhes faz sentido. E porquê. E perceber como podemos envolvê-los na solução, em vez de continuarmos a pensar que eles são sempre o problema.

(Escrevi há dias, a este propósito, no FB:
"Acho que esta geração é realmente diferente da nossa (como a nossa era diferente da dos nossos pais), e vivem de uma forma muito mais "horizontal". Não entendem hierarquias, questionam autoridade imposta, não acatam "nãos" sem explicação. Questionam os adultos sem qualquer constrangimento e abordam-nos sem pruridos nem formalismos. E isso não me parece mau, de todo. É uma outra forma de viver, mais globalizada, acessível, sem limites. Mas é ao mesmo tempo um desafio enorme para quem está a educar. Eu vejo-me grega e só tenho 4 filhos! Não tolero falta de educação, mas é preciso entender o que é efetivamente falta de educação do que é puro é legítimo questionamento da minha forma de atuar. E com isto não quero dizer que não existe falta de educação (existe e muita! Exatamente porque neste modelo mais "horizontal" é preciso haver orientação, ensinar empatia, gestão de emoções, resiliência, etc, e ninguém o está a ensinar neste momento porque ninguém tem tempo). Mas a verdade é que não vamos poder voltar aos anteriores modelos de autoridade. Esses modelos só criam ruptura. Se não vamos, temos de criar/aprender novos modelos de interação e liderança, e os professores, assim como os pais (eu incluída), estão a precisar de aprender novas ferramentas.")
Nonô a brincar com uma amiguinha no banco de trás do carro. Fingem que são crescidas, têm namorados e estão a falar ao telemóvel com eles. Primeiro a conversa é suave. Depois azeda um bocadinho. A Nonô é a primeira a desligar o telemóvel e olha indignada para a amiga:

(Nonô) Já percebi tudo, D.! Eles estão a enganar-nos. Um com o outro. São gays!


A solução era arranjar outros namorados (vá lá, ainda não sabem o que é o Tinder). Mas a Nonô resolveu rematar o assunto de outra maneira.


(Nonô) Ficamos mas é sozinhas, D, que os rapazes só nos dão chatices.


Onde elas vão ouvir estas coisas é que eu não sei...
Em 3 dias a Nonô conseguiu ter o seu primeiro torneio de patinagem em Coimbra (5º lugar, o suficiente para a mamã se babar de orgulho!) e dormir a sua primeira noite no campo, num acampamento cheio de folia.

Aterrou no sofá às 20h30, completamente KO. Mas antes ainda conseguiu soltar algumas pérolas:

"Mãe, a vida na natureza é tão fixe! Muito melhor do que viver numa casa. Porque é que não vamos viver para o jardim?"

"Devias arranjar um apito cá para casa, mãe. Apitavas e eu e os manos fazíamos uma formatura. Mas eu tinha de ser a guia. Os rapazes são mais preguiçosos. (Pensa) Sim, sem dúvida: eu tenho de ser a guia do bando dos Dias..."

Estou tentada a experimentar...

Dudu zangado com a Nonô:

(Dudu) Nunca mais vou falar contigo, Nonô!

(Nonô) Lamento, Duarte, mas nós somos irmãos nesta vida. E gémeos! Não vais conseguir ficar uma vida toda sem falares comigo...
Depois de uns meses, e à custa de uma enorme falta de tempo para almoçar, lá cedi ao apelo dos mais velhos e fomos os três ao Mac Donald's.

(Titão) Agora até tens hamburguer vegetariano, mãe!

Claro que a chata da mãe pediu também sopa, salada, cenourinhas e fatias de maçã. As tão apetitosas fatias de maçã que deram origem à "Maçã à Mac Donald's" cá de casa. Sempre que os filhotes querem maçã e estão com preguiça para a comer à dentada ou para a descascar (que os mais velhos já têm essa obrigação), pedem à mamã uma "maçã à Mac Donald's". Acontece que as maçãs da mamã são biológicas, cortadas na hora, e eles ainda nunca tinham dado valor a isso. Até agora:

(Afonso) Mãe... as tuas maçãs à Mac Donald's são muito melhores do que as maçãs à Mac Donald's do Mac Donald's!!! Acabas de destronar um mito!

De qualquer forma, deixo os meus parabéns à marca, que tem vindo a incluir alimentos frescos e saudáveis nos seus cardápios. Cabe em seguida aos consumidores (e nomeadamente aos pais) não os deixarem de fora dos seus pedidos.

A quem estiver por estas bandas...
A mim coube-me falar sobre Educar para a Diversidade. É que diversidade é coisa que não falta cá por casa! ;)
E começará mais ou menos assim: