(Nonô) Mãe... Ó mãe... Podes vir aqui, mãe? Anda cá, mãe... Por favor, mãe. Só mais uma vez, mãe.

Isto de ter filhos mais crescidos, desabitua-nos de ter de ir trinta vezes ao quarto até que eles adormeçam.
É um facto: já não tenho paciência!

(Mãe) Ó Leonor... por favor. É tarde e tu tens de dormir. Não quero ouvir mais nenhum "Mãe"... Entendido?

Afasto-me. Vou à minha vida. Até que oiço:

(Nonô) Madre... Madrecita... Puedes "vir" aqui, mi Madre?


PS - Já valeu de alguma coisa termos passado o jantar todo a hablar en español con el Sebastian, que vai ter teste para a semana...
É a minha última aventura, e gostava muito de contar convosco...


Filhos bombardeados com testes!
Mamã bombardeada com matéria! (perguntem-me o que quiserem sobre o sistema circulatório, as nebulosas difusas e as supernovas, ou o mais variado vocabulário de Espanhol)

E ontem, enquanto estudava com dois dos filhotes num pequeno café junto à pista de atletismo onde treinava um dos outros filhos, meteu conversa comigo a dona do estabelecimento, senhora já dos seus 70 e muitos anos...

(XXXX) Estava a olhar para si e a lembrar-me de quando tinha os meus filhos pequenos... Acompanhei-os até ao 9º ano. As coisas que eu tive de estudar nessa altura! Pena que ninguém nos valorize isso. Como se não desse trabalho!

Eu já defendo há muito que ter filhos - e tudo aquilo que fazemos com eles - devia integrar o currículo e ainda dar-nos créditos! Trabalhar, ser motorista e cozinheiro (valha-me a minha santa Glícia que nos trata da casa e das roupas!), e ainda tentar que 4 miúdos acelerados tenham um bom aproveitamento escolar, é dose! Por isso termino com um beijinho solidário para todas as mães e pais que, por estes dias, se sentem também a enlouquecer! Não tarda, estão aí as férias do Natal...
Ando há algumas noites a ler com os meus filhos o meu novo livro, "Escola das Artes", para que eles cheguem ao dia do lançamento (dia 21 às 18.30h na FNAC do Oeiras Parque, ponham já na agenda!) com a história na ponta da língua. Eles lá se vão manifestando, dizendo de sua justiça, sobre este ou aquele aspeto, mas hoje o Dudu, ao olhar numa papelaria para os jogos da Santa Casa, sai-se com esta:

(Dudu) Se ganhássemos o EuroMilhões, mãe, montávamos uma Escola das Artes!

Querem ver que é desta que começo a jogar? ;)
No início da semana passada avisei os filhotes mais novos:


(Mãe) Agora que vocês já estão mais crescidos, a mãe já não vai andar atrás de vocês, para fazerem os trabalhos de casa. A vossa professora dá-vos vários dias para o fazerem, vocês sabem que atividades têm e quais são os momentos livres... só têm de se organizar.


O problema é que Organização é um palavra que, só por si, enche de pânico o meu caótico Dudu.


(Dudu) Como assim não vais avisar? Como é que nós vamos saber? E se eu me esquecer? Mas não vais mesmo obrigar a fazer?


Andou aflito durante uma semana, com aquele pesado fardo às costas. Até que, esta semana, explodiu.


(Dudu) Ó mãe... acabou! Fazemos assim: tu voltas a mandar-nos fazer os trabalhos de casa e, se nós não formos fazer, pões-nos de castigo e pronto!


O meu pequeno Dudu prefere ser posto na linha e até ser castigado, a ficar com a responsabilidade de ter de saber quando e como fazer os seus trabalhos de casa...
E esta, hein?
A Nonô perdeu hoje mais um dente, e insistiu em pô-lo debaixo da almofada, como quando ainda acreditava na fada dos dentes.

(Nonô) Quanto é que me vais deixar, mãe? Cinco euros? Este dente doeu muito...

(Eu não digo que a minha filha é boa para o negócio?!)

(Mãe) Não, filha. A mãe não te vai deixar nada. Isso era o trabalho da fadinha dos dentes. Tu deixaste de acreditar nela, ela deixou de vir...

(Nonô) Mas eu acredito! Acredito muito nela. Mas ó mãe, conta lá... O que é que tu depois fazes aos dentes?

(Mãe) Tens de falar com a fada dos dentes.

(Nonô) Ó fada dos dentes, o que é que tu fazes aos dentes que levas da almofada? (chocada) Não me digas que os deitas fora...


(Lá tive de desmontar a personagem, ou nunca mais conseguia que ela adormecesse...)


(Mãe) Não deitei nada fora. Está tudo ali para uma gaveta.

(Nonô) Mas como é que sabes que dentes é que são de quem? Guardaste-os em caixas diferentes?


(Mãe cora um bocadinho. Os dentes estão todos para dentro de uma gaveta, ainda enrolados em papel de estanho. Sei lá eu que dentes são de quem!)

(Nonô) Mãe..... tu não me digas que não marcaste os dentes... E agora como é que eu vou saber quais são os meus?

(Mãe) Pensa assim, filha... Se algum dia precisares muito de esmalte para alguma coisa, em vez de meia dúzia de dentes teus, podes levar uns 50!

(Ficou feliz e adormeceu. A mãe trapalhona, desta vez, safou-se! Não se vai safar é de ir escrever mais uma cartinha da fada dos dentes, enrolar mais um dentinho em papel de prata... e atirá-lo para dentro da gaveta!)
Sabemos que o filho do meio já entrou na adolescência quando...

... não quer deixar de ouvir a história de boa noite, mas ouve-a a trabalhar os músculos dos braços com flexões e o "six-pack" com abdominais.

(Mãe) Sebastião........

(Sebastião) Coisas da vida, mãe!

(Nonô) Mãe, tu gostas tanto destas bonequinhas... Queres fazer esta caderneta comigo?

(Mãe) Sim, filha, pode ser.

(Nonô) Então, quando fores comprar cromos, compras uma saqueta para mim e outra para ti. E eu, como sou querida e não quero que te canses, que andas muito cansada, posso colar também os teus cromos... Pode ser?

Fez-me um sorriso rasgado, de menina exemplar, mas está-me a sair é uma bela chica-esperta! :)
Já tínhamos feito um puzzle, pesquisado sobre alguns distritos, mas hoje a mãe deu de caras com este jogo sobre Portugal, que é a ferramenta perfeita para eles decorarem os distritos de uma vez por todas!



Estiveram uma boa hora a jogar, saltitaram entre distritos, dizendo o nome deles e visualizando a sua posição, e ainda aprenderam coisas interessantes sobre eles!
Obrigada, EDUCA! Foi uma grande ideia, este jogo...


É um local mega especial e, à noite, é ainda mais mágico!

Fica no estádio nacional e tem uma pista grande cheia de bons desafios em madeira, onde as crianças podem divertir-se durante uma tarde inteira! Grátis e no coração de uma mata.

Fica a sugestão...

(Dudu) Mãe, é verdade que toda a gente já ouviu falar de Portugal?

(Mãe) Toda a gente, não. Mas há cada vez mais pessoas a saber. Portugal está na moda...

(Nonô) Eu sei porque é que Portugal está na moda! É que Portugal já foi dono do mundo.

(Dudu) Ah, Ya! Portugal descobriu muitos países.

(Nonô) Sim, com a Espanha.


Afonso resolve meter o bedelho.


(Afonso) Mas isso foi antes de termos assinado uns acordos que nos deram cabo da vida...

(Dudu) Que acordos? O que é que nós fizemos?

(Afonso) Perdemos tudo, Dudu. Descobrimos tudo e ficámos sem nada.

(Dudu) Mas porquê?

(Afonso) Por causa da droga. As drogas fazem muito mal. Se alguma vez alguém vos oferecer drogas, lembrem-se de Portugal. A droga é horrível, leva-vos tudo.


Pisca-me o olho e sai lampeiro para a sala.


(Afonso) De nada, mãe.


Quem tem irmãos mais velhos, tem tudo!

O meu novo livro "Escola das Artes" chegou no final da semana passada às livrarias, e hoje recebi, em formato de post num blog, a melhor crítica que podia ter recebido!

Madalena Aragão, 12 anos, um talento incrível, deseja tanto esta escola como eu.

Vamos a isto?


https://madalenanaoequeque.wordpress.com/2017/10/10/escola-das-artes-e-a-tia-sara-rodi/



#escoladasartes
(Nonô) Hoje é Dia Mundial da Dislexia? Temos um dia, mamã?

E depois dançou, toda contente, enquanto metia a mochila às escolas.

(Nonô) Tenho de contar aos meus colegas!

Felizmente, tenho uma filha que lida bem com a questão (não foi sempre assim... Por mais que viva não vou esquecer a cara dela, de olhos grandes e tristes, a perguntar-me, com 6 anos, se era burra). Mas depois virão outras escolas, muitos professores, colegas novos, tantas dúvidas e pressões... É preciso mesmo sensibilizar toda a comunidade para esta questão, para que estas crianças, jovens, depois adultos possam pôr cá para fora todo o seu potencial, sem viverem à sombra da sua diferença.

Partilho um texto de uma amiga que explica bem o que a dislexia é, para quem a tem:


"Quem nunca disse - Estou Disléxico… agora quantos sabem do que falam?...

…letras que saltitam nas páginas, que desaparecem, que aparecem noutros sítios…
…palavras que se unem subitamente umas às outras, dificultando ou comprometendo seriamente a sua leitura, e por consequência o seu significado.
…a leitura, que todos dizem ser uma coisa maravilhosa torna-se difícil, desinteressante, frustrante
…a escrita parece demoníaca, se ler é difícil, escrever é hercúleo: …- “RIO” disse a Professora no ditado, e eu vejo um “RIU”, de água cristalina, habitado por peixes que saltitam, rodeado de árvores e claro, a desaguar no mar…mas e se for “RIO “do verbo “rir”? …vou deixar passar, escrevo “riu” e fecho o “U”, assim parece um “O” e assim dá para os dois…aqui já a Professora tinha parado a aula, olhado para mim, e perguntado: “- Estás a acompanhar?”…então não estou?!, claro que estou, até vejo um baloiço pendurado na árvore cujas raízes beijam a água do tal “RIU” e eu estou lá sentado a balouçar e a ver quando os meus pés tocam na água…, só achei estranho quando olhei para o caderno do meu colega e vejo mais umas duas linhas de texto…será que ele já sabe o que a Professora vai dizer a seguir, será bruxo?...bolas, sou mesmo parvo…
…agora conseguem imaginar que aquilo que para uns é um processo natural, i.e. aprender a ler e a escrever é só substituir imagens por palavras, para outros significa trabalho árduo, diário, de consciência fonética, de silabar palavra após palavra, de escrita, de escreve e apaga, de :- Só escreves quando vires a palavra na tua cabeça, sem vacilar…malditos ditados, composições e testes de velocidade de leitura…
…vá, mais um bocadinho de esforço e pensem que todas as aprendizagens de Línguas, e são pelo menos mais duas, à escolha, vão significar reprogramar todos estes conceitos, enfrentar todas estas dificuldades em Inglês, Francês, Espanhol ou Alemão…fácil, não é?
…vá, agora façam só mais um esforço e pensem que todo o Ensino baseia os seus critérios de avaliação maioritariamente na aprendizagem e na avaliação escrita…ainda vos apetece ir à Escola?!
É isto que sente um aluno com dislexia, que é muitas vezes apelidado de mandrião, de calão, de desleixado, e outros.

Mais paridade, mais avaliação oral, menos avaliação escrita, menos penalização do erro ortográfico, quando e para quem ele é inevitável, garanto que é possível escrever cem vezes a palavra “mãe” e à centésima primeira pode aparecer “mai”.
Nem todos os disléxicos serão génios, mas muitos génios foram ou são disléxicos, exemplos: Einstein, Picasso, Da Vinci, Agatha Christie, Van Gogh, Churchill e Spielberg, etc
Deixem que se expressem de outras formas, com a arte, com o corpo, com as mãos, escutem-lhes a imaginação, garanto que se vão surpreender!"

(Titão) Mãe, o D. ofereceu-me este livro...



Pára tudo! Adrian Mole? O livro que todos os adolescentes da minha geração leram? O livro que inspirou tantas páginas do meu diário e dos das minhas amigas, no tempo das borbulhas e das paixões platónicas?

(Titão) Deve ser giro, mãe...

Pois deve. Mas quem o vai ler primeiro, sou eu!