... que põem o despertador às 2h da manhã para ver a Guerra dos Tronos;

... que andam de autocarro e de comboio;

... que já não têm festas de anos, têm jantares;

... que já não me deixam entrar pela casa de banho adentro;

... que têm borbulhas e pêlos na cara;

... que me falam com voz grossa e já pesam mais do que eu;

... que tratam das suas refeições quando é preciso, ou rapidamente juntam trocos para pedir um take away;

... que têm toda uma vida paralela no telemóvel;

... que falam em tirar a carta, ir estudar para fora, ter uma vida para além daquela que lhe proporcionámos.


Como isto aconteceu, e tão depressa, também não sei. Mas não é que continua a ser bom?
(Mãe) Dudu, deixa a mãe um bocadinho sozinha, por favor... A mãe precisa de fazer um telefonema.

(Dudu) E eu não posso ouvir porquê? Vais dizer palavrões?
(Dudu) As amigas da Nonô são todas feias.

(Mãe) Todas, todas?

(Dudu) Sim.

(Mãe) E sem ser as amigas da Nonô?

(Dudu) Eu acho as meninas todas feias, mãe. Sou muito exigente!

(Mãe) E os rapazes?

(Dudu) Também são feios.

(Mãe) Tu também és feio?

(Dudu) Não, eu acho que sou bonito. E a mãe também é bonita. Os outros é que são todos feios!


Pronto. Menos mal que a sua exigência lhe dê para isto...
Dudu dá uma espreitadela num guião da mãe (que anda a escrever uma série, e por isso mesmo não tem tido tempo para vir aqui! As minhas desculpas!):

(Dudu) Filho da mãe? Mas isso é um insulto porquê? É por não ser filho do pai? Ou é a mãe que não presta?
A mamã estava cheia de trabalho, o Afonso tinha um teste... mas o desejo de ir para a rua e nos juntarmos aos milhares de jovens que se foram manifestar pelo clima foi mais forte...

A mamã levou o computador atrás e foi apanhar o Afonso e outros colegas a seguir ao teste, para os levar a Lisboa. Trabalhou, sim (vantagens de ser uma profissional "ambulante"), mas num bar que havia ao pé da Assembleia, inspirada pela energia contagiante dos jovens manifestantes.

Falei com muitos adultos, antes da manifestação, e ouvi muitas frases como "vai ser um fiasco", "os jovens portugueses são amorfos", "só vão lá se for para faltar às aulas" ou "vão lá para arranjar confusão". E a verdade é que as ruas se encheram em dezenas de pontos por todo o país, não houve incidentes, e os jovens mostraram o que valiam e as razões que ali os levaram. Ouvi queixas, da parte deles, de algum aproveitamento político, nesta matéria, porque o que eles queriam mesmo era uma manifestação apolitizada. Desconfiam dos políticos, mas exigem mudanças. Também no que toca aos "aproveitamentos".


(foto de Miguel Manso, publicada em https://www.publico.pt/2019/03/15/p3/fotogaleria/para-de-negar-a-terra-esta-a-morrer-as-imagens-da-greve-climatica-em-portugal-393627, onde se encontram outras tantas fotos impressionantes)


O que vi inspirou-me. E inspirou os meus filhos, na manifestação e fora dela. Os cartazes ficaram por casa, e agora tenho de lidar com pequenas manifestações pelos corredores. Os jovens prometeram continuar esta luta na rua. Mas, no entretanto, é preciso aplicar mudanças no seio das famílias, dentro das nossas próprias casas. O que podemos fazer individualmente? Coletivamente? Até onde estamos dispostos a ir para curar o planeta e garantir um futuro para as novas gerações?




Inglês exige muito treino?

Sem dúvida!

Mas nada como esbarrar com ele a toda a hora...


Ou olhar para ele enquanto tomamos banho...


(Dudu) Mãe, tatuei os dedos.

(Mãe) ?????????

(Dudu) Não te preocupes. Por enquanto usei o teu lápis da maquilhagem. Só faço uma tatuagem a sério quando for maior.


Estou muito mais descansada!


NOTA: DD4 é o Aka do meu filho (Duarte Dias Nº 4 - desde sempre o seu número no hóquei). O CR7 que se prepare... A avaliar pela tatuagem, serei a próxima Dolores dos patins!
Enquanto os mais velhos começam a queixar-se de borbulhas na testa, a Leonor-a-caminho-dos-10-anos resolveu pendurar isto na maçaneta da porta do quarto.



SO-CO-RRO!!!

(Dudu) Ó mãe, achas que o presidente Marcelo tem uma daquelas chaves que abre todas as portas do país?


(Dudu) Acho injusto que, para falar, uma criança precise de três anos. Mas para ler e para a escrever, que é mais difícil, a escola só lhe dá um!

A Bárbara é uma psicóloga extraordinária que lida com muitos adolescentes (e já nos deu uma preciosa ajuda!), e acaba de lançar um livro muito giro com todo o tipo de perguntas dos mais novos que tanto angustiam os pais.

Dia 13, lá estaremos!
Parabéns, Bárbara.

Anda a precisar de ganhar uns troco, por isso resolveu montar um espetáculo. Por 2€, pediu que nos sentássemos nas escadas e apareceu-nos nestes preparos...


A atrás dele vinha a Leonor, que resolveu enfrentá-lo com uma espada romana de plástico e, passando sobre a sua cabeça, tirou-lhe o escalpe. E o Titão caiu no chão com a careca à vista - com a preciosa ajuda de uma cabeleira de Santo António - e começou a sufocar. Quase nos atirávamos a ele para o salvar, mas felizmente era só talento para o teatro.

(Titão) Se forem à minha escola e perguntarem quem é que tem mais jeito para se fingir sufocado, todos dizem que sou eu!

Haja talento... (seja para o que for!)
Mereceu os 2€.

Esbarrei com este pack na bomba de gasolina de Alcácer do Sal, mas parece que há muitas outras por aí, para quem quiser aproveitar...

(Mãe) Leonor... mas que penteado é esse?

(Leonor) É estilo Égua. Não parece mesmo a crina de um cavalo, cheia de totós?

(Mãe) E tu vais ter coragem de sair assim para a rua?

(Leonor) Se eu não estou preocupada, tu estás preocupada porquê?


E assim foi, estilo égua, a dar-a-dar.
Mai'nada!
(Sebastião) Mãe, se o Saramago pôde criar um estilo, eu também vou criar o meu... Vou dizer à prof. de Português que, sempre que ela vir erros ortográficos, não são erros, na verdade. É o meu estilo que é mesmo assim. Quando me apetece, escrevo erros, para as pessoas andarem atentas!

(Mãe) Sebastião... tens um trabalho para acabar. Anda lá, não percas tempo.

(Sebastião) Perder tempo?! Desde quando fazer a fotossíntese é perder tempo?!
(Dudu) Mãe, qual é o teu escritor favorito?

(Mãe) José Saramago, filho. Devorei todos os livros dele.

(Dudu) Mas tu és uma escritora melhor do que ele, não és?

(Mãe) Ó filho... ele ganhou um Prémio Nobel!

(Dudu) Tu também podes ganhar. Eu acho que as pessoas ainda não te descobriram...


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(Nonô) Mãe, porque é que tu apresentas um programa num canal que ainda pouca gente vê? Tu devias estar todos os dias num canal com milhões de espetadores!

(Mãe) Achas, filha? A mãe nunca quis ser apresentadora.

(Nonô) Mas tens muito jeito. Precisas de um bom programa!



É possível que cheguem à adolescência e se desencantem com os dotes da sua mamã. Mas por enquanto, sabe tão bem ouvi-los a puxar pela minha autoestima!
E quando levamos a nossa filha a uma festa do pijama e nos deparamos com...



... isto?



Obrigada, querida M.!
Obrigada, Pillow Party!



Há uns que têm o coração na boca.
A Nonô tem-no no pé...


Miúdas...
E quando procuramos a nossa filha pela casa e a encontramos a fazer uma espargata no ar?


(Mãe) Leonor?!

(Leonor) Sim, mãe?



Respondeu-me com um alongamento.

Coração de mãe tem de ser messssssmo flexível...

O nosso gatinho mais novo tem vindo a revelar-se um verdadeiro pestinha! Rói tudo, espalha tudo, morde, rouba-nos os ralos da cozinha para ir brincar em parte incerta, e faz a vida negra à nossa gata mais velhota, que acho que não me perdoa o facto de ter trazido este diabrete cá para casa.

Eu sou a que mais gosto dele. Gosto de pestinhas, pronto. E o pequeno gato, assim como rói o sofá e persegue a gata, é capaz de, logo a seguir, me saltar para o colo e aninhar-se em mim como o gato mais carinhoso à face da terra.


(Mãe) Este gato lembra-me o Dudu.


Já o disse a várias pessoas. É um pestinha delicioso, com um feitio tramado, mas um coração gigante. A mim, pelo menos, conquista-me todos os dias.

E, como seria de esperar, aquele que, para além de mim, mais gosta do gatito, cá em casa, é o Dudu.


(Dudu) Sabes, mãe... eu acho que o Pantera se porta mal porque já teve uma vida difícil.

(Mãe) Tu não tiveste uma vida difícil e às vezes também te portas um bocadinho mal.

(Dudu) Pode ser difícil de muitas maneiras. Mas não te preocupes que eu vou ensinar o gatinho...


Desapareceu, e fui dar com ele algum tempo depois deitado no chão, a conversar com o Pantera.


(Dudu) Quando te irritas, não podes morder! Tem calma... Respira. Ninguém aqui em casa te quer fazer mal.


Ou muito me engano, ou não vai ser só o gato a aprender coisas importantes com o o Dudu. O Dudu também vai ter muito a aprender com ele ;)