1 mês e meio de escola...



E quem adivinha qual é, neste momento, a sua cor preferida?
... quando são todos diferentes!


Depois de um domingo com:

- 2 trabalhos de grupo cá em casa, um sobre Viagens Espaciais outro sobre o Xisto.

- 3 fichas de TPC para cada um dos gémeos (para fazer com eles, separadamente!)

- 2 jogos de hóquei em Torres Vedras (tarefa delegada ao santo Pai das crianças, felizmente)

- Mudança substancial dos 5 armários de roupa (parece que chegou finalmente o frio!)

- 2 máquinas de roupa e 2 de louça

- Bicharada tratada

- Almoços, jantares e lanche para esta gente toda


Vou finalmente sentar-me ao computador a fazer o meu trabalho.

(sim, porque cuidar dos filhos e da casa e dos animais não é considerado trabalho. Irónico, não?)
Afonso a roer uma maçã, pensativo.

(Afonso) Se eu pudesse agora mudar o mundo, sabe o que é que eu fazia? Em primeiro lugar, acabava com tudo o que é tecnologia.

(Mãe) Não acredito que me estás a dizer isto... Tu adoras a televisão, o teu computador e o teu telemóvel!

(Afonso) Mas se era para consertar o mundo, tinha de ser, mãe! Sem tecnologia, voltava a haver mais emprego, acabavam-se as fábricas e a poluição...

(Mãe) Mas se calhar não precisamos de ir tão longe, não? Isso era um grande retrocesso. A tecnologia também cria emprego. Precisamos é de encontrar mais fontes de energia limpa...

(Afonso) Mas a tecnologia também isola muito as pessoas. A segunda coisa que eu fazia era organizar as pessoas em comunidades que se sustentassem sozinhas. Até podia ser uma comunidade grande, mas tinha de produzir aquilo que precisava.

(Mãe) Nisso concordo em absoluto contigo, e há já muitas comunidades dessas a nascer. Algumas no nosso país. Acho que o futuro tenderá para aí. Por isso é que a mãe anda a teimar que temos de refazer a horta cá em casa. Temos de arranjar forma, em família, de sermos mais autosustentáveis.


(Afonso) Ya... Mas eu acho que sou melhor a pensar do que a fazer...


À parte a sua preguicite aguda, fico sempre muito satisfeita quando o vejo a pensar sobre o futuro, e em formas de a Humanidade se reorganizar, que garantam uma vida melhor e mais sustentável. Aos 4 anos dizia-me que ia criar uma nave para salvar a Humanidade. Talvez um dia possa mesmo vir a ajudar a espécie Humana a recomeçar, do zero, lá num planeta distante. E aí, sim, precisaremos de toda a (sua) criatividade...

PS - Vou levá-lo a Tamera! Está decidido...
No carro, a caminho da primeira escola onde todos os meus filhotes andaram:

(Mãe) Meninos, hoje vocês vão rever as vossas primeiras professoras. Se calhar já não se lembram, mas elas foram as primeiras a aturar-vos!

(Nonô) Não foram, não. A primeira foste tu!

(Dudu) Pois foi. Tu é que foste a nossa primeira professora de todas. E continuas a ser. És uma professora-mãe!


E é isto...

Afonso vê umas quantas notícias no telejornal sobre o que vai por aí no mundo. Desgraça, desgraça e mais desgraça. E a dada altura não se contém.

(Afonso) O mundo vai de mal a pior! Sinceramente, acho que o ser humano nunca devia ter passado da fase recoletora...
De cada vez que o meu filho Afonso resmunga que o ensino está obsoleto, desajustado, ilógico e ineficaz, desafio-o a pensar em modelos alternativos. E as ideias surgem-lhe. E as ideias são pertinentes. Arrojadas, mais ajustadas, lógicas e, quem sabe, eficazes.
Outra mãe americana fez o mesmo com o seu filho, e acabou a criar um projeto que estimula os jovens a idealizarem o seu próprio modelo de ensino...


"Quando Sam chegou em casa reclamando de achar suas aulas desinteressantes e sem propósito, sua mãe provocou: “Bom, então porque você não cria sua própria escola?”.

Algumas semanas depois, o “Projeto Independente”, uma escola-dentro-da-escola projetada e dirigida pelos próprios alunos, na Monument Mountain Regional High School, em Great Barrington, nordeste dos Estados Unidos, iniciava seu semestre piloto."

E o resultado aqui está...




E AQUI o artigo, em Português.

(Mamã) Meninos, se algum dia acontecesse alguma coisa à mamã, e me vissem aflita, o que é que vocês faziam?

(Afonso) Uma festa??

(Mamã) Estou a falar a sério!

(Afonso) Ligava para o 114!

(Mamã) 114?!

(Afonso) Para fazer uma chamada anónima, a gozar com alguém. Só depois é que ligava para o 112.


Mãe ignora o Afonso e volta-se para os outros filhos.


(Mamã) Perceberam, meninos? Se estiverem sozinhos com a mãe ou o pai, e nos virem aflitos, chamam o 112.

(Nonô) Chamamos como? Vamos à janela e gritamos "Cento-e-doooooze"?


Bem... o melhor é nunca nos acontecer nada!
(Mãe) Então, filho, como é que te correu o teste de Espanhol?

(Afonso) Era fácil. Mas já sei que errei uma coisa.

(Mãe) Então?

(Afonso) Pelos vistos era preciso saber o nome dos reis de Espanha...

(Mãe) E tu não estudaste isso?

(Afonso) Não, passei à frente. Achei que isso era imprensa cor-de-rosa...
Chega um livro novo a casa. Mamã dá pulinhos de contente.



(Afonso) Outro livro, mãe?

(Mãe) Não é um livro qualquer...

(Afonso) Não sei como dizer-te, mãe... Mas tu estás adicta. Tens um vício por livros. Tens de ser forte... deixa os livros, mãe!


PS - Mas este não é mesmo um livro qualquer! (ou todos os adictos dirão isto?) Uma edição limitada da Guerra & Paz, com textos de Fernando Pessoa sobre as Mulheres, o Casamento e a Solidão...
(Nonô) Mamã, hoje vais à reunião na minha escola?

(Mãe) Vou, sim.

(Nonô, ansiosa) E tu sabes a regras? Não te podes pôr a conversar com as outras mães. E se não vires o quadro, avisa a professora. Não te empoleires na cadeira. Nem te ponhas a mexer nas caixas que estão por baixo, ou ainda perdes o material.

Registei tudo e acho que não me saí mal.
Bolinha azul para o comportamento da mamã.

(Nonô) Mamã, hoje na escola disseram que davam docinhos a quem comesse a sopa rapidamente...

(Mãe) Não acredito!

(Nonô) Mas não te preocupes, mamã... Eu sei que os doces fazem mal, por isso disse que não queria.

(Mãe) Muito bem, Nonô.

(Nonô) E comi a sopa bem lentamente...


Percebi então que as minhas "ensaboadelas" sobre alimentação saudável começam a dar os seus efeitos.
Já enquanto mãe que consegue que os filhos comam em tempo útil, continuo um zero à esquerda...

(Nonô) Mamã, a M. da minha sala leva sempre bolinha vermelha. Mas eu acho que ela não se deve importar muito. É do Benfica!

Felizmente a cor escolhida para o melhor comportamento foi o azul... e a minha filha é do Porto!
(Nonô) Mãe, vou ali para a cama ler um bocadinho...


Dantes, quando o dizia, escolhia um livro, folheava-o e imaginava a história que as imagens revelavam.
Agora, cruza letras, procura desvendar palavras, ler o nome das personagens... Ainda lhe custa, ainda falta um bom bocadinho para conseguir ler uma história do princípio ao fim. Mas, devagarinho, o milagre da leitura começa a acontecer, cá por casa...
Estava para levar os meus filhos há semanas. Aproveitámos uma tarde de chuva, no fim de semana, e deliciámo-nos com "A Viagem de Darwin", a exposição que está agora patente no Templo da Poesia do Parque dos Poetas, em Oeiras.


Os mais pequeninos gostaram sobretudo de ver os animais que Darwin foi encontrando pelo caminho, na sua viagem à volta do mundo. Os mais velhos já procuraram perceber as questões que Darwin colocou e que deram origem à sua Teoria da Origem das Espécies.


Cá em casa gostamos muito de aventar hipóteses, de estudar curiosidades e pôr muita coisa em causa. Darwin, com toda a sua genialidade, deixou umas quantas pontas soltas por explicar, e a arqueologia continua a descobrir provas de que ainda há muito por relacionar e perceber. Mas a exposição é uma boa inspiração para inquietar ainda mais (no melhor sentido possível) as cabecinhas inquietas dos adultos e dos graúdos que a visitam. Ou não fosse a inquietação o melhor ponto de partida para a... Evolução!


(Afonso) Eu podia ser um aluno que adoraria Português. Adoro ler, escrever, analisar textos, inventar poemas, lendas... Mas estou há um mês e meio a dar gramática que não sei para que é que me serve, em aulas de 45 minutos que são a maior seca do mundo. Graças a quem imaginou esta distribuição da matéria, eu sou agora um aluno que odeia Português.

(Mãe) Tu sabes que já há muitos países a reformular o ensino, Afonso... O Brasil tem inúmeras escolas inovadoras. Na Finlândia e na Suécia estão a acabar com as disciplinas...

(Afonso) E não dava para nos mudarmos para um desses países?

(Mãe) Sabes que não é propriamente simples, filho. Mas eu espero que, no tempo dos teus filhos, o ensino em Portugal já seja totalmente diferente.

(Afonso) Nasci antes do tempo, portanto.

(Mãe) Ou talvez tenhas nascido no tempo certo. Se calhar vais ser tu a mudar o sistema...


Sorriu. Não era propriamente a resolução que ele queria para o seu problema, mas quem sabe, do seu problema, não nasça a solução para as futuras soluções...
Mãe a fazer perguntas de Ciências ao filhote Sebastião, que já deitava matéria pelos olhos.


(Mãe) E o solo é afetado por agentes atmosféricos e agentes...

(Sebastião) Imobiliários!


É bom que acorde com as ideias no sítio, ou este teste... já ERA!
Domingo. Dudu acorda e vem enfiar-se na minha cama. Calminho, tranquilo, mimoso.

(Mãe) Acordaste agora, meu amor?

(Dudu) Já acordei há um bocadinho. Mas ainda fiquei na cama algum tempo, a respirar fundo.

Abracinho bom.

(Dudu) Eu queria que fosse sempre assim. Acordar devagarinho. Deitava-me aqui contigo e depois é que nos levantávamos para ir tomar o pequeno-almoço...

E como eu queria também! Até porque o Dudu que acorda devagarinho e respira fundo antes de se levantar é muito diferente do Dudu que é arrancado da cama às 6.45 da manhã todos os dias, com pressa e confusão matinal.

E pergunto-me porque é que, sabendo nós como funciona o nosso corpo, o que nos faz bem e nos faz mal, inventámos uma vida que não o respeita. Que é corrosiva e stressante logo desde a infância. E que, por mais que os pais queiram contrariá-lo, estão eles próprios enredados num ritmo de vida que também não lhes faz bem.

E o Dudu, que queria viver numa aldeia, hoje fez-me pensar que talvez não fosse mesmo má ideia...
(Dudu) Mamã, quero escrever uma carta à Tia Inês.

Não sei de onde lhe veio a ideia, mas quem era eu para dizer que não...
Dobrou uma folha em forma de envelope e fez uma pinta "para ficar bonito".
Depois cortou uma folha até ela ficar com o tamanho que ele queria, fez-lhe linhas e pediu-me que escrevesse num caderno o que queria dizer à tia Inês. Estava preocupado com os primos gémeos que nasceram há pouco tempo e queria pedir à tia que tomasse bem conta deles.
Escrevi exatamente o que ele ditou e ele copiou. Agora é só pôr na caixa do correio da tia... e esperar pela sua resposta!