Hoje, à hora da história, a propósito de uma personagem chamada "Margarida", a mamã confessou aos seus filhotes que se chamava "Sara Margarida". O Afonso e o Sebastião já sabiam, mas a Nonô ouviu-o pela primeira vez. E ficou a matutar no assunto, enquanto a história se desenrolava. Já quase no final, interrompe a mamã:
- Mamã... a mamã é Ma'ga'ída?
- Sou sim, Leonor.
- Então se a mamã é Ma'ga'ída, eu sou 'eonor Ma'ga'ída, pode ser?
E há alguma hipótese de não a cobrir com beijos?
(Afonso a lavar os dentes)
- Depois de amanhã é feriado de quê, mami?
- É Dia do Trabalhador.
(Afonso desata-se a rir e quase cospe meia pasta)
- Só podes estar a gozar, mami! Se é o Dia do Trabalhador devíamos todos trabalhar ainda mais! Quem é que inventou isso?
(É complicado, meu filho. Mas, como as coisas estão, é melhor mesmo que penses em trabalhar. Neste dia e em todos os outros futuros-ex-feriados).
- Dudu, dá cá isso.
- Não.
- Dudu, vem cá.
- Não.
- Dudu, põe os sapatos.
- Não.
- Dudu, pede desculpa.
- Não.

É um Não convicto. Sério. Não é dito em tom de birra nem em tom de provocação. É um Não de quem não quer fazer o que lhe dizem para fazer e pronto. É um Não que nos apanha desprevenidos. Um Não a que nos apetece achar graça. Portanto, um Não a precisar urgentemente de ser contrariado de alguma forma criativa. Nos próximos tempos, estaremos a trabalhar nos Sins do Dudu.
Tinha tentado uma vez ver a série "Donas de Casas Desesperadas" há uns anos, e há uns filhos atrás. Achei piada, gostei do argumento (na altura ainda conseguia ser guionista), achei as personagens bem construídas, mas não fiquei presa.
Hoje, o meu marido decidiu pôr o Episódio 1, enquanto eu trabalhava no computador: "Não vais achar piada", disse-lhe. "Daqui a 5 minutos estás a dormir".
E, 5 minutos depois, ele estava efectivamente a dormir. Eu é que já não estava a trabalhar. Meu Deus, sou igualzinha à Lynette!!! Até já parei uma vez à beira da estrada e gritei aos meus filhos que, se voltasse a voar algum sapato na minha direcção, mandava-os sair e seguia viagem sem eles! O cabelo desgrenhado! Três terroristas e uma menina. E toda a gente a olhá-la e a pensar "Coitadinha, como é que ela se meteu nisto?".
Não sei como termina a série, mas também não vou querer saber tão cedo. Prefiro imaginar que a Lynette vai conseguir dar uma educação exemplar aos filhos, que lhe serão eternamente reconhecidos, e um dia, um dia, sim, um dia, vai retomar todas as outras coisas que foram ficando pelo caminho (até virem os netosssssssssss!)
(Sebastião para a mamã):
- Já alguma vez elogiaste alguém?
- Claro que sim, Sebastião. Sempre que digo "Boa, Sebastião! És o meu campeão" estou a elogiar-te.
- Ah...
- E tu, Sebastião? Já elogiaste alguém?
- Sim. Acho que já elogiei o papá.
- E por acaso já disseste à mamã que ela é a melhor mãe do mundo?
(Pausa. Pausa verdadeiramente sentida e pensativa).
- Não. Mas por acaso acho que és.
E o "por acaso" fez toda, toda a diferença! És o meu campeão, Sebastião!
(Sebastião a pensar em tudo menos do trabalhos de casa que tem à frente):
- Mamã... porque é que nós temos este altinho na nossa orelha? (leia-se trágus)
- Não sei, filho. Deve ser para impedir que as coisas entrem facilmente para dentro dos ouvidos.
(Sebastião pensa um pouco... em tudo menos nos trabalhos de casa que tem à frente):
- Eu acho que deve ser para, se pusermos um papelinho na orelha, ele não cair.
A natureza, de facto, pensa em tudo... e o Sebastião também! (menos nos trabalhos de casa)
O Afonso estava enrascado para encher meia página com a sua descrição e a da sua família. E o papá resolveu dar-lhe uma ajuda:
- Nonô, quais são as qualidades do teu irmão Afonso? Ele é...
- Fixe!
- E o Sebastião?
- Ma'uco.
- E o Dudu?
- É "ai, ai".
- E o papá?
- É bonito.
E o pai ficou satisfeito com a resposta. Acho que a Nonô não vai ter dificuldades em encher páginas com descrições dos que lhe são próximos. Avizinham-se diários e diários que a mamã um dia vai querer ler (e não vai poder!)
12 Dicas para criar um filho, da blogger e mãe Ligia Pacheco. Subscrevo!

1.Tenha clareza dos seus princípios e valores, pois, consciente ou inconscientemente, eles serão a base para a educação do seu filho. O casal deve estar bem afinado, para que ambos eduquem na mesma direção. Caso não estejam, conversem, conversem, conversem.

2. Nunca corrija o marido ou a mulher na frente do filho. Isso abala a autoridade e dá insegurança à criança, que passa a não confiar na educação dada, e buscará outros meios para se educar. Se você não concordou com a ação do seu parceiro para com ela, é importante sim conversar, mas só os dois e a sós.

3. Deixe claro o que é “sim” e o que é “não” e os faça valer. E, desde muito pequeno o seu filho irá tentar fazer você mudar de opinião. Assim, antes de dizer algo, tenha certeza do que você quer. Isso ajuda também a evitar os acordos, que acabam por atrapalhar a confiabilidade da educação dada ao filho.

4. Não diga hoje uma coisa e outra amanhã. Isso confunde a criança e traz insegurança de como ela deve agir. Nem diga uma coisa e aja de forma diferente, pois as ações dizem mais do que as palavras. E são por elas que seu filho irá se espelhar.

5. Quando a criança falar palavrões ou fizer alguma coisa que não seja propícia para a idade, ainda que seja engraçada, contenha-se. Pois, todo ser humano gosta de reconhecimento, e ao rirmos, a criança entenderá que aquela ação a valoriza e assim a repetirá sempre, em qualquer lugar e situação.

6. Quando seu filho contar-lhe algo que fez de errado, tome cuidado com a sua reação, pois você pode fazer com que nunca mais ele lhe conte nada. Comece elogiando-o por estar contando a você. E, então faça a correção necessária com firmeza e ternura.

7. Não defenda o seu filho ou faça vista grossa quando ele estiver errado, pois ele perderá a confiança em você, e o mundo perderá a confiança nele.

8. Não arrume o que ele deixar espalhado ou assuma suas tarefas, erros ou problemas. Ensine-o desde pequeno a ter responsabilidades com as suas ações e obrigações.

9. Elogie as conquistas do seu filho. Mas, não faça elogios falsos ou exagerados, pois isso distorcerá a construção que ele faz de si próprio, além de desmotivá-lo a continuar progredindo.

10. Não dê tudo o que o seu filho pede, nem tenha medo de frustrá-lo ou que ele viva os sacrifícios que você viveu. Ensine-o a analisar o que quer, o por que quer e a conquistar o que se quer.

11. Assuma a educação do seu filho. Caso contrário, alguém o fará. E quem será? É um risco alto, que não vale a pena correr.

12. E, qual a idade em que devo começar? A partir de agora, pois as aprendizagens de hoje, ajudarão seu filho no aqui e agora, e servirão de base para as construções de amanhã. E bem sabemos que um bom alicerce diz da segurança, do equilíbrio e da boa estrutura de uma construção. Assim, ajude o seu filho a estar seguro, preparado e pleno.

Mãos à obra!
(Mãe a abotoar as joelheiras do hóquei ao seu filho Afonso):

- Ai, filho, filho... O que seria da tua vida sem mim?
- Ai, mami, mami... O que seria da tua vida sem os teus 4 filhos? O que seria do teu blog? E do teu facebook? E dos teus livros infantis, que seriam todos "Era uma vez um gatinho que fazia Miau..." e não passavam disto...

Toma lá que já almoçaste, Mami!
Ontem, às portas do 25 de Abril, morreu Miguel Portas, uma figura incontornável da política portuguesa. E hoje, o meu filho Afonso ouviu na televisão uma breve biografia dele, de onde constava a "façanha" de ter sido preso aos 15 anos:
(Afonso) O quê, mami? Dantes era bom ser-se preso?
(Mami) Tens de perceber que eram outros tempos, filho. Portugal vivia em ditadura.
(Afonso) E na ditadura quem ia preso ganhava muito dinheiro e os pais ficavam muito contentes?
Constatei, então, tristemente, que o meu filho mais velho não percebia nada do assunto. O 25 de Abril, para ele, era o dia em que não tinha aulas, tinha TPCs a dobrar e um torneio de hóquei em Alverca.
Lá lhe expliquei então, da melhor forma que sabia (porque também eu nasci já na era da liberdade) o que era viver em ditadura. E como nasceu o 25 de Abril e a razões de, hoje, algumas pessoas usarem um cravo ao peito. Conclusão do meu filho:
(Afonso) Ainda bem que eles escolheram os cravos, mami. Se escolhessem rosas, podia haver mortos e feridos, por causa dos picos. E era o fim da picada...
Até ao final do dia, o meu filho vai levar mais umas quantas ensaboadelas de história do país, ai vai, vai!
(Papá para a Nonô):
- De quem é a Princesa Nonô?
- É do Papá.
- E de quem é o coração do Papá?
- É da Nonô.

O papá veio-me mostrar, satisfeito, o que tinha ensinado a Nonô a dizer. E não é que a mãe, no meio da emoção, também ficou com uma pontada de ciúme? Então a Nonô também não é minha? E, pior do que tudo... o coração do Papá também não é da Mamã?! Estou bem arranjada com estes dois...
O meu Dudu andava há quatro dias a piscar o olho. E a mãe, de repente (porque estes repentes são quase sempre das mães) lembrou-se que ele tinha apanhado um choque. E começou a ligar uma e outra coisa, a imaginar cenários, projectar lesões, conceber tragédias. E, logo nessa tarde, pôs o pai a marcar uma consulta de urgência, para que ele fosse visto por um oftalmologista.
- Dudu, vais com a mamã ao médico.
- E a Nonô?
- A Nonô não precisa. É só o Dudu e a mamã. Boa?
Estranhou, mas depois achou piada. A mamã tinha dois olhos para eles. Dois olhos inteirinhos! As duas mãos vagas... ele só tinha que escolher. E os ouvidos... todinhos, todinhos abertos para eles. Um inédito!
Por isso, hoje, a mãe regista as gracinhas do Dudu e só do Dudu, como ele tem direito:

(Dudu para o médico)
- Ó shenhora? Shenhora?
(Mãe corrige, baixinho)
- Não é senhora, é senhor. Senhor doutor.
- Shenhora... O Dudu não quer luz amarela. Quer azul. Amarela é da Nonô.

(Dudu para um senhor que estava a construir um muro, à saída do consultório)
- Ó shenhora? Shenhora?
(Mãe corrige, baixinho)
- Não é senhora, Dudu. É senhor.
- Shenhora... o que 'tá a fazer? É Lego?

Felizmente, não havia lesão nenhuma, e é pouco provável que o piscar seja do choque. À partida uma conjuntivite alérgica que se resolve com gotas... e com muita atenção da mamã.
A ver o filme "Inteligência Artificial". Tinha-o visto uma única vez, quando estreou, ainda não era mãe. Já era um dos filmes da minha vida. Não sabia era que, a vê-lo na qualidade de mãe, passados estes anos todos, conseguiria chorar tanto...
(Mami para Afonso, a 3 semanas da sua 1ª Comunhão): - Afonso, a mãe quer que tu leias um livrinho que escrevi no dia da minha 1ª Comunhão, a contar tudo aquilo que senti quando comunguei. - Ah! Tipo se a hóstia te ficou colocada no céu da boca, e essas coisas? (Definitivamente, acho que o meu filho anda a ler "Diários de um Banana" a mais!)
Esta noite, o livro "Francisca e os Irmãos Alces" transformou-se em "Nonô e os Irmãos Alces... Afonso, Titão e Dudu". A pequena Nonô não tinha irmãos e decidiu adoptar três alces, que levou para o seu quarto. O problema é que os Alces comiam os seus legos, estragavam as suas roupas, não sabiam pintar com os seus lápis... e a Nonô acabou por expulsá-los de sua casa. Claro que, na nossa versão, a Nonô aceita-os de volta, mas obriga-os a portarem-se melhor. E, sobretudo, a não encher o seu quarto de caganitas de alce!! E a risota foi tanta, que a seguir foi bem difícil sossegar os alces e a Nonô, para aquele que se queria um soninho descansado. Há livros muito giros, e este é um deles. Mas, não desfazendo, as versões cá de casa são bem mais divertidas!
E enquanto a mami ajuda o Afonso a descrever uma formiga em inglês, e o Sebastião bodega o caderno de ZZZZ, o Dudu e a Nonô despejam uma bisnaga de creme anti-rugas (carooooo!) numa boneca despida. Calma, Sara. Respira fundo. Só já faltam 30 horas para terminar o fim-de-semana...
Dantes despachava as 80 unhas dos meus filhos à noite, depois do banho. As unhas ficavam mais molinhas, e tal. Mas era sempre um desgaste tão grande, que quando ia para a cama ainda tinha nos ouvidos os berros deles, e nos olhos o seu espernear. Agora mudei de estratégia: as unhas cortam-se de manhã. Quando a mãe ainda tem energia para lhes segurar as pernocas, ainda tem voz para mandar uns berros mais audíveis do que os deles e, sobretudo, quando ainda não tomou banho. É que, depois de cortar 80 unhas a 4 diabretes, o suor é tanto, que tenho mesmo de ir para dentro da banheira!
Cada vez os jovens lidam pior com a frustração de não terem o que querem e revoltam-se contra os pais. São cada vez mais os episódios de violência denunciados na APAV, vindos sobretudo da classe média e alta, e teme-se o futuro desta nova geração onde estão os adultos do amanhã. Ouvi a reportagem na SIC Notícias e fiquei colada ao ecrã. Cada vez mais vemos pais sem tempo, que tentam compensar os filhos com bens materiais (porque é para isso que trabalham tanto). Pais que estão cansados demais para dizer Não e querem ser pais bacanos no pouco tempo que têm. Compreendo-os perfeitamente, porque é difícil fugir ao modelo do consumo imposto, é difícil ter tempo, é difícil gerir a paciência e ser pai "carrasco" no tempo que nos sobra! Penso que só não me incluo neste grupo de pais porque tive 4 filhos assim meio de repente, o que me obrigou a adaptar a minha profissão de forma a trabalhar em casa (e ter mais tempo), e a encarnar uma versão "militar" de mim mesma, para não perder o controlo das hostes. O pai, exigente e autoritário quando é preciso, também ajudou. E as suas chamadas de atenção para os meus momentos de permissividade, também. Hoje, acho que sou carinhosa e amiga, mas não tolero faltas de respeito nem o incumprimento das regras. Os presentes são controlados (ai de mim, que não ganhava para isso!) e ai deles que não se mostrem agradecidos pelo esforço dos pais. Estou longe de ser um modelo perfeito de mãe, mas acho que a quantidade de filhos me aguçou o engenho. Não sei se verei neles os resultados que gostaria, porque a dada altura há muitos outros factores que nos ultrapassam. Mas pelo menos não me revi na notícia da Sic Notícias. Revejo-me mais no exemplo dos meus pais, de quem hoje entendo cada ralhete, cada apre, cada não e cada castigo. Se conseguir seguir o seu exemplo, já me darei por muito satisfeita!
Na semana internacional da alergia, escrevi mais um artigo para o Consulta Click, a contar as aventuras cá de casa. Felizmente a minha experiência na matéria é pouca... mas a que tive bastou-me para hoje transmitir a minha força a todos os pais e a todos os filhos que têm que viver com ela: http://consultaclick.pt/blog/2012/04/20/coisas-de-alergias/
E por fim convenci o meu filho Afonso (8) a ditar-me a letra da música que ele fez sobre não desistir: Não posso parar/ Nunca desistir/ Tenho que alcançar/ Tenho que conseguir/ Com bola no pé/ Raquete na mão/ Eu vou conseguir/ Ao som desta canção/ A melodia também é simples, mas fica no ouvido. O pai não quer, mas acho que este nosso filho vai mesmo sair artista :).