E quando damos com a nossa filha pequenina com o "Anita no Ballett" aberto, a imitar os passos?
E percebemos que esta caganita de gente é igualzinha à mãe dela e faz o que ela fazia quando tinha a sua idade? Até os cestinhos de plasticina com os ovos... Os desenhos das princesas e das rainhas...
É assustadoramente bom.
E hoje a mamã, já sem aguentar a "baba", resolve mostrar-lhe uma foto sua quando era mais nova. E a pequena Nonô exclama, sorridente:
- Oh! A mamã é como mim! A mamã é como mim!

Hoje o Afonso deu comigo a falar com uma mãe de uns meninos que adquirira uns livros meus infantis. E estava, muito simpaticamente, a contar-me como tinha sido a leitura de um deles. Quando se afastou o Afonso olha para mim com o seu ar de maroto e sai-se com esta:
- Não te safas nada mal, mami. Espero que depois também vendas assim os meus livros...

Agora digam-me como é que eu consigo levar a minha profissão a sério, com esta maltinha a dizer-me estas coisas..
A Nonô adora brincar às professoras com o Dudu. Hoje fui dar com ela com um livro aberto a apontar um aquário.
- Onde está isto, Dudu?
E o Dudu aponta esse mesmo aquário:
- Está aqui.
Nonô aponta então uma televisão no outro canto do livro.
- Não, Dudu. Agora está aqui.

A minha filha é uma professora muito "à frente". Aos 3 anos ensina já ao seu irmão gémeo que nem tudo é o que parece...
Depois de 3 dias seguidos com testes, o meu Sebastião ontem desabafou:
- Ó mãe... eu estou tão cansado de ter sempre que estudar, estudar, estudar...
Ouvir isto da boca de um menino de 6 ano, a estudar no 1º ano, é no mínimo angustiante. Como explicar-lhe que ele vai ter mais 12 anos de ensino obrigatório, das 8.30 da manhã às 16.10 todos os dias (fora as actividades extra e os trabalhos de casa), e se quiser um emprego aceitável ainda o esperam mais 4 ou 5 anos de intenso estudo e trabalho?
Eu sou a favor da educação. Já não estudo na escola, mas todos os dias estudo muito coisas que gosto para poder escrever os meus livros. Claro que é importante ter cultura geral, aprender, saber, conhecer, formar.
Mas eu organizava a escola de uma maneira tão diferente. Eu organizava a sociedade de uma maneira tão diferente! Não questiono o nosso paradigma político e social. Estou mesmo em dilema é com o nosso paradigma civilizacional.
Hummmm... Acho que estou a precisar de escrever outro livro. Mas primeiro vou buscar os meus filhos... e vou BRINCAR!

Como os meus filhos são uns desbocados e contam tudo na escola, só lhes falo sobre os meus livros quando eles estão prontos e nas bancas, e já não há secretismo nenhum a defender.
Mas a minha vida tem andado tão confusa, que por estes dias recebi os primeiros exemplares do romance que vou lançar em breve, e nem me lembrei de contar aos meus filhos a novidade. Até que hoje o meu filho mais velho dá com um exemplar em cima da mesa, e olha para mim, indignado:
- Foste tu que escreveste?
- Ah, fui sim, filho. A mãe esqueceu-se de contar. É a histórica da Rainha Estefânia de Portugal.
Afonso olha, vira, espreita, folheia, e depois diz, com aquele seu ar crítico que me tira do sério (e me faz amá-lo!):
- Of! Ainda se fosse sobre o rei D. Afonso...

(O lançamento será dia 4 de Junho às 18.30h, na FNAC do Chiado, com apresentação de Maria Filomena Mónica. Considerem-se todos convidados)
O Dudu, num acto de puro disparate, atira as mãozinhas em direcção à Nonô, que chora e olha para ele, indignada:
- Ó Dudu... a Nonô é mana. O Dudu não p'ecisa de bater na mana!

É certo que estou a enlouquecer, a tentar trabalhar com eles em casa, adoentados. Mas só para ouvir estas coisas, vindas de duas criaturas tão fofinhas, já valem a pena todas as loucuras.
- Ó mãe, ensinas-me a fazer uma contra-capa?
O meu filho Afonso anda a escrever um novo livro com um amigo, que tem autorização para levar o seu Magalhães para a escola (o meu filho não tem, pelo menos até ser menos cabeça no ar e deixar de perder tudo). Aos intervalos rumam a uma sala anexa à sala do Directora (a misteriosa SSPB - Sala Secreta do Professor Bruno) e escrevem mais umas páginas. O Afonso dá ideias. O amigo escreve. A dupla funciona, por isso já me deixei de preocupar com a ideia de que o meu filho possa vir a ser um criativo preguiçoso.
- Na contra-capa normalmente aparece um texto apelativo, Afonso, para as pessoas ficarem com vontade de ler o teu livro.
- Ah... tipo: Eu era um rapaz normal. Até ao dia em que decidi fazer um viagem e tudo aconteceu...

Eu fiquei curiosa. E vocês?
O coração de uma Mãe vive em sobressalto. Ora são os acidentes, ora as asneiras, ora os deveres da escola, ora os momentos emotivos... Um coração de Mãe tem de se preparar para ser forte. E exercitar-se todos os dias com Amor.

É este o novo artigo que escrevi para o blog da Consulta Click, e que podem ler em:

http://consultaclick.pt/blog/2012/05/29/as-4-cavidades-do-meu-coracao/




Mais uma noite, mais uma aventura...
Hoje foi a vez do Dudu. Chamou por mim por volta das 3 da manhã, muito alto, aflito, e a mãe saltou da cama para ir ver o que se passava. Correu para o quarto dele e PUMBA! Choque frontal em pleno corredor, quando um e outro corriam para os braços do outro.
- Ai, Dudu, desculpa!
- Dudu quer ir para o quarto da mamã...
Depois de um choque frontal, não tive como dizer que não. Lá o mimei um bocadinho, festinhas e abracinhos, e quando ele já estava mais calminho fui levá-lo à cama.
Uma meia hora depois:
- Mamãaaaaaaaaaaa!
Mamã correu novamente para o quarto do Dudu, desta vez já com mais cuidado para evitar o choque frontal, mas assim que chego à porta sinto os meus pés empastelarem-se numa mistela viscosa que estava no chão.
- Mamã... Dudu vomitou.
Pois... a mamã entretanto percebeu. Toca de tirar as meias e a levá-lo a correr para a casa de banho, onde saíram mais umas golfadas de restos de comida.
- Dudu quer ir para o quarto da mamã...
E quem consegue dizer que não a uma criança que vomita?
Lá o deixei mais um bocadinho, entre miminhos e festinhas e voltei a deixá-lo na cama. Mas como não há duas sem três, passado algum tempo o Dudu voltou a chamar:
- Mamãaaaaaaaaaa!
Corri para lá. Agora já evitando o choque frontal e o pisar do vomitado. Mas sem paciência para resistir a mais um:
- Dudu quer ir para a cama da mamã.
Lá foi ele outra vez. E com isto tudo, às 5 da manhã a mamã ainda não tinha adormecido. Ontem a Nonô. Hoje o Dudu. Se o Afonso ou o Sebastião se lembram de me roubar o sono esta noite, juro que vou dormir para a casota do cão.
Depois de um fim de tarde de estudo (testes, testes e mais testes), ralhetes, chamadas de atenção, estudo de guitarra, noite sem história porque já não houve tempo, o Afonso e o Sebastião resolvem retaliar e preparar-me uma armadilha. No meu regresso da casa de banho, depois de mais uma dúzia de berros porque os gémeos resolveram comer pasta de dentes, o Afonso atira-se à minha perna esquerda. O Sebastião à direita. E não descansaram enquanto, divertidos, não me deitaram ao chão. Ainda levei com um Dudu em cima, e valeu-me só a minha Nonô que, no Wrestling caseiro, fica sempre do meu lado, a tentar libertar-me dos manos marotos.
Mãe sofre... Foi uma risota pegada, mas amanhã vou descobrir umas tantas nódoas negras e arranhões.
(Nonô para uma das nossas tartarugas, quando esta estava em pleno acto de libertação dos seus dejectos nojentinhos no aquário):
- Ah! Não, "tataúga"! Não é aqui. É na sanita...
Depois de deitar os filhotes, a mamã vai tomar o seu banho relaxante, antes de ir fazer companhia ao pai, ao computador ou à almofada. Mas ontem, talvez por mal terem dormido a sesta (o que é um contrasenso, mas é assim que funciona), os meus pequenos gémeos não queriam ir para a cama nem por nada. E, depois já de me ter chateado com eles e os ter obrigado a ficar nas caminhas, lá rumei ao chuveiro, para me entregar 5 minutos à água quente.
Foi quando ouvi os primeiros passinhos. Pé ante pé, o Dudu entrou na casa de banho, foi buscar o baldinho do lixo e sentou-se em frente à porta de vidro do duche:
- O que estás a fazer, Dudu?
- A ver a mamã a tomar banho.
Logo em seguida apareceu a Nonô.
- Se não ficarem sentadinhos e quietinhos, a mãe chama o papá para vos pôr na cama.
É horrível a técnica do "vou chamar o papá", mas estando eu molhada e ensaboada, foi a única solução.
E os gémeos lá ficaram sentadinhos, a ouvir a água a correr e a ver a mamã a banhar-se, esfregando de vez em quando o vidro para lhes fazer caretas.
Só depois foram para a cama. Bem... o Duarte ainda teve de ter uma conversinha com o papá... (que teve mesmo de entrar em cena, e lá o convenceu a dormir com um coelho de peluche). E a Nonô... chamou-me tantas vezes a meio da noite, que acabou na minha cama.

Não resisto a ver os meus gémeos a brincar na casinha, aos pais e às mães. A Nonô é a mamã e toma conta dos bebés. Faz sopinha, dá-lhes de comer, adormece-os, tapa-os... Enquanto isso o Dudu papá arranja a casa com as suas ferramentas. E é delicioso perceber como, por mais iguais que tentemos ser, somos naturalmente diferentes desde que nascemos, e é quando usufruímos destas diferenças e nos completamos nas tarefas para as quais estamos mais talhados (sejam elas quais forem... o Dudu também é muito bom a lavar a casinha com toalhetes!) que a vida se torna numa agradável brincadeira, sem zangas nem discussões.

(Nonô) A Nonô vai dançar ballett, não vai, mamã?
(Mamã) Vai, sim.
(Dudu) E o Dudu?
(Mamã) O Dudu vai jogar hóquei.
(Dudu triste)
(Nonô) Ó Dudu, não faz mal. O Dudu vai com a Nonô ao ballett. Dudu vai sentar e vê a Nonô a dançar...

É oficial. Não lhes resisto...

- Dudu, o que estás a fazer?!?!?
- A ajudar a mamã a lavar a loiça.
O pequeno Dudu é um grande ajudante. Não vos digo é como é que ficou a cozinha e a roupa dele...
- Mamã, quero fazer xixi!
- Rápido, Nonô! A correr.
- A correr, não, mamã! A voar! Nonô é uma borboleta...
As borboletas cá em casa fazem xixi na sanita. Ou, pelo menos, deviam. Na maioria dos casos fazem pelas asinhas abaixo...
E pronto. O dia chegou. Tirei aos meus gémeos a fralda da manhã e pus em cada um umas cuecas e uma roupa velha. E o saldo da primeira hora foi:
- Nonô já foi à sanita algumas dez vezes. Em nenhuma delas fez xixi.
- Dudu já foi à sanita algumas dez vezes. E as duas vezes que já fez xixi foi fora dela, pelas perninhas abaixo. Pontaria...
- Numa das vezes em que a Nonô foi à casa de banho ("Sozinha, mamã. A mamã fica lá fora") voltou de lá com um penso higiénico meu enfiado nas cuecas.
Estou a 5 minutos de lhes voltar a pôr as fraldas.......
(Afonso na sanita):
- Mami, podes lavar-me os dentes enquanto faço cocó?
- ?!?!?!?
- É para pouparmos tempo...

Eu sei que tento incutir nos meus filhos o multitask, mas há limites...
Mamã à pressa, a despachar um trabalhinho ao computador antes de ir visitar a última escolinha do ano.
Mamã à pressa, não foi ao cabeleireiro, nem à manicure, nem à pedicure, atou o cabelo, escolheu os sapatos fechados, e depois pintalgou as unhas de cor-de-rosa, enquanto mandava os últimos mailes.
Eis se não quando a pequena Nonô repara no pequeno frasquinho de verniz. E grita.
- Ahhhhh! Nonô também queíiii!
- Ai, filha, outro dia. A mamã está à pressa.
- Ó, mamã. Nonô quer. É cor-de-rosa...
E quem é que lhe resiste? E assim, entre segue mail entra mail, ainda lhe pintalguei as unhas. Foi a primeira vez. E de cor-de-rosa! E ela dizia, em êxtase:
- Uau, mamã. É lindo, mamã!
- Agora não podes mexer, Nonô. Tem de secar. Põe as mãozinhas no ar. Isso.


E estava tudo a correr muito bem quando chegou o Dudu.
- Ah, mamã... Dudu também quer!
- Não podes, Dudu. É só para as meninas.
- Não, mamã. Dudu quer. Pinta de azul...
Ainda bem que não havia, ou não sei se resistiria a pintalgar-lhe também as unhitas...
(Dudu e Nonô acordam, bem-dispostos. A Nonô mais bem-disposta do que o Dudu, que acordou todo picado)
- Bom dia, Dudu. Sonhaste com alguma coisa?
- Sim, mamã. Com a mosca. A mosca mordeu o Dudu.

(Passados alguns minutos, a Nonô vê uma mosca no ar)
- Olha, Dudu, a mosca.
(Nonô e Dudu enfrentam a mosca, furiosos)
- Vai embora, mosca.
- Embora daqui!
- Ai, ai, mosca!

Não é de andar o dia todo atrás deles a registar o que eles dizem?