Em tempo de Europeu, o pai perdeu uma tarde a instruir o Afonso e o Sebastião sobre os jogadores da Selecção. Nomes e posições, repetidos diversas vezes com o claro intuito de os pôr mais tarde a fazer boa figura, junto dos amigos (sim... os pais também fazem estas coisas. Não são só as mães. A propósito, já contei que o Afonso diz o abecedário todo e o Sebastião já sabe a lengalenga até ao "l"? Adivinhem quem os ensinou até à exaustão?). Depois da dita conversa, o pai mandou os filhos virem ter comigo para mostrarem o que tinham aprendido.
- Então, Afonso? Quais são os teus jogadores preferidos?
- O Montinho e o Nuno Gomas...
(ai se o Contra-Informação lê isto...)
(conversa entre pai e filho - sem saberem que a mãe estava a ouvir):

- Fazes assim, pai... Primeiro dizes à mamã que ela é muito bonita... Depois ofereces-lhe um presente...
- Que presente, Afonso?
- Hum... Pode ser um desenho. Desenhas a cara dela e dás-lhe.
- E isso é para quê, Afonso?
- Então, pai? É assim que se dá a volta às miúdas...

(enquanto se ficar pelas palavras bonitas e pelos desenhos, posso dormir descansada...)
No outro dia fui dar com o Afonso e o Sebastião de braçadeiras postas (bem cheias!) a lutarem. Como nem sempre consigo encaixar que os rapazes gostam e precisam de lutar, armei-me em mãe chata e disse-lhes para pararem com aquilo. Mas eles não pareciam zangados, nem os seus movimentos pareciam ser executados para aleijar. Percebi então que os meus filhos estavam a simular uma cena de Wrestling, e as braçadeiras eram nem mais nem menos que os músculos. Achei tanta graça que resolvi sentar-me a assistir, mas o Afonso, rapidamente, solicitou os meus préstimos para tornar ainda mais real a brincadeira: “Anda cá, mamã! Tu és aquela loura que anda por aqui e entrega os prémios no final…” (No comments…)
A meio da refeição, na sua mais recente fase que eu chamo de "esticar a corda até rebentar a paciência da mamã", o Sebastião começou a abanar as mãos e os braços com força. Quase voou o prato e o copo e tudo o que estava na mesa. Segurei tudo com a ajuda do pai e lá pedi ao Sebastião que parasse com aquilo (fase 1). Na fase 2 disse-lhe que ia de castigo se não parasse, e na fase 3 lá subi o tom de voz para ele perceber que a mãe também se zanga (a fase 4 é pedir a ajuda do pai, que, não sei porquê :(, é sempre a medida que tem resultados mais imediatos e efectivos). Foi então que ele disse, no seu gaguejo e atrapalhação de 2 anos e meio: "Não posso parar, mamã... Estou a voar..."
- Mamã, tu és a minha melhor amiga porque me tratas muito bem. Quando eu estava na tua barriga não sabia quem tu eras. Pensava que estava numa boca gigante. Mas depois saí e gostei muito que fosses tu a minha mãe...

Foi na casa de banho, e quase esmaguei o meu filho Afonso com um abraço daqueles que só os pais sabem dar. De uma gratidão profunda àqueles seres pequeninos que saíram de nós e dão tanto sentido à nossa vida...
- Afonso, quem é a menina mais bonita da tua escola?
- É a Hao-Hao (menina chinesa). E tu, mãe, também tens uma escola?
- Não, filho, já te disse que não. A mãe trabalha.
- Então quem é o homem mais bonito do teu trabalho?

(quem me mandou a mim puxar o raio da conversa? :( )
Num daqueles dias em que se está tão cansado que nem se consegue descarregar nos filhos, deixei-me cair no sofá e resolvi contar-lhes a verdade : "Meninos... portem-se lá bem, por favor. A mamã está muito tãooo cansada..." Normalmente é o Afonso quem se manifesta, pergunta porquê, ou queixa-se que também está cansado, mas desta vez quem resolveu manifestar-se foi o Sebastião, que já vai estando cada vez mais atento ao mundo, saindo de vez em quando do seu egocentrismo natural da idade para tentar descobrir os estados de espírito das pessoas.
Veio até mim, deu-me um abracinho com muita força, e depois perguntou, acentuando os "ssshhh": "E agora, mamã? Já não estás canshshshada?"
"I like to move it, move it!, I like to move it, move it!" - foi assim que, num inglês até bastante perceptível, o meu filho Afonso me recebeu à porta, quando regressei a casa do trabalho. Tentei puxar por ele, saber onde tinha aprendido a música, como e porquê, mas ele sorria com aquele sorrisinho malandro que ele tem e repetia a lengalenga musicada, divertido: "I like to move it, move it!"... Ao deitar, já o pequenote Sebastião tentava repetir as palavras desconhecidas, mas novamente a minha curiosidade não foi satisfeita ("Conta lá, Afonso... Foi a tua professora da escola que te cantou? Algum colega?" - Nada. Não me respondeu). Tive que improvisar para conseguir puxar por ele. Trepei para cima da cama dele e dancei o "I like the move it, move it" como o dancei muitas vezes, há alguns anos (para não dizer muitos). Quebrei o corpo todo num break Dance improvisado e quando tornei a olhar para os meus filhos eles estavam especados, sentados no sofá das histórias a olhar para mim com ar incrédulo. "Afinal também conheces a música, mamã..." - disse o Afonso, ainda boquiaberto. Poupei-os às minhas histórias. Havia tanto por dizer sobre o "I like to move it, move it". Mas inverti o jogo e agora era o Afonso a querer saber onde eu tinha aprendido a música, e quando. Em troca, contou-me que tinha sido o amigo Francisco, lá da escola, que tinha passado o dia a cantar aquela música. E a saga terminou com os três a dançar o "I like to movie it, move it" em cima da cama do Afonso que, qualquer dia, à custa de tanta improvisação, ainda vem abaixo...

Frase da semana do Afonso: "Ó mãe, tu e o pai não vão obrigar-me a ir à tropa, pois não? É que eu só quero ir se os meus amigos também forem..."
Há determinadas características nossas que desejamos que os nossos filhos não herdem. Sejam elas doenças, características físicas que não gostamos em nós, ou defeitos. Mas hoje apercebi-me que o meu filho Afonso herdou de mim os pesadelos. Quem me conhece sabe como são mirabolantes as minhas noites, entre guerras, monstros, mortos e feridos. E hoje o meu filho Afonso, com apenas quatro anos, contou-me que as suas noites não são muito diferentes das minhas:
- Porque é que, quando eu fecho os olhos, sonho sempre com coisas más, mamã?
Comecei por lhe dizer para tentar contrariar os sonhos maus, e pensar em coisas boas antes de fechar os olhos.
- Mas eu faço isso, mamã. Penso no arco-íris e tenho pesadelos na mesma.
Acabei por confessar-lhe que comigo acontecia a mesma coisa. Mas que isso significava que tínhamos uma grande imaginação.
- E a minha "imanigação" não pode pensar em coisas boas?
Acabei por ter que usar o consolo que uso para mim mesma, e explicar-lhe que a grande vantagem de sonharmos com coisas más, é que abrimos os olhos e percebemos que aquilo que vivemos é muito bom.
- E não podemos ficar sempre com os olhos abertos?
Não. Claro que não. Támbém já o desejei muitas vezes. Mas a noite vem e os olhos pesam. E os sonhos aparecem. Felizmente que o dia tem muito mais horas do que a noite e nele, com chuva ou sem ela, os dias são quase sempre tão bonitos como o arco-íris!
Depois da minha alcunha de sempre "Biga", e de ser chamada de "Tia Pompom" pela minha sobrinhita emprestada Mi, chegou a vez do meu filho Sebastião me arranjar um nome alternativo:
- Sebastião, sabes o nome da mamã?
- Sim, sei. Mamã Rodrigues Lagarta Fugida...
O meu filho Afonso anda perito em perguntas difíceis:

- Mamã, é verdade que quando as pessoas estão muito, muito apaixonadas, nascem bebés?

- Mamã, é verdade que eu saí pelo teu pipi?

. Mamã, tu deitas sangue do pipi?

- Mamã, é verdade que quando eu for crescido tu já morreste?
- Mamãaaaaaaa! (Afonso a chamar-me do seu quarto, já depois de o ter deitado) Tens que vir cá. Tenho um problema.
Lá fui até ao quarto, a olhar para as dez da noite que batiam no meu relógio, pronta para mais uma desanda ao meu filho mais velho que teimava em não adormecer.
- O que é que foi agora, Afonso?
- É que eu às vezes penso nas coisas e acho que elas existem.
- Que coisas, Afonso?
- Coisas feias, como monstros...
Debrucei-me a ele com um sorriso rasgado.
- Sabes o que é que isso quer dizer? Que tens muita imaginação e podes escrever histórias, como a mamã.
- Mas eu ainda não sei escrever...
- A mamã vai ensinar-te. Agora dorme.
Apaguei pela quinta vez a luz do quarto.
- Mamãaaaaa...
- Diz, Afonso.
- Se calhar em vez de bombeiro, quero ser escritor...
E pronto. O Afonso esta noite já não vai sonhar com monstros... e a mãe também vai dormir muito feliz (e babada!)
Se há frase que assusta os pais de filhos em idades inferiores a seis anos (antes dos “Tive nega”, “Dei o meu primeiro beijo”, “Quero uma mota” ou “Iniciei a minha vida sexual”, já para não ir para coisas mais “graves”) é a do “estás a abrir um precedente”... Cada vez que o meu marido, familiares ou amigos me dizem “estás a abrir um precedente”, é sinal que já fiz asneira, que já cedi quando não devia ter cedido e agora vou ter que sofrer as consequências. Se deixo um dia o meu filho mais novo viajar na cadeira do irmão mais velho, abri um precedente e já sei que na semana seguinte ele vai fazer birras diárias para continuar a viajar na “cadeira proibida”. Se meto um dia a sopa na boca do filho mais velho, vou demorar uma semana a convencê-lo a pegar na colher para comer a sopa sozinho. Se deixo o meu filho mais novo dormir com duas chupetas, vai acordar-me, durante dias, vezes sem conta a meio da noite para me requisitar a segunda. E por aí foa... Tudo tem precedentes, como aqueles cadeirões da Faculdade que tinham nomes horríveis seguidos de I e II e III. Sendo que, na Faculdade, tinha que se fazer o I para se seguir para o II e para o III. Na faculdade dos pais, se cedemos a fazer a cadeira/asneira I, já sabemos que temos que levar com as restantes. Felizmente que, na faculdade dos pais, as cadeiras/consequências não duram semestres. Podem durar apenas dias se os pais se esforçarem e se mostrarem firmes a enfrentar as teimosias dos filhos.
Tudo isto para contar que, há dois dias, abri um precedente (uhhh...). O meu filho mais novo saltou da cama, saiu do seu quarto, e foi enfiar-se na cama do irmão mais velho, que fica no quarto ao lado. Chamaram-me os dois, a rir, muito divertidos, e quando lá cheguei o Afonso (que é o mais velho, para quem ainda não sabe) perguntou: “O Sebastião quer dormir comigo. Pode?”. E – confesso – não resisti. Vi aqueles quatro olhinhos a olharem para mim na penumbra, suplicantes, as mãozinhas dadas, e (pronto!) lá abri o maldito precendente: “Querem muito?”. Não queriam eles outra coisa. O Sebastião (mais novo) aninhou-se logo no irmão, mas o Afonso, porque é mais velho e já vai sabendo que os pais tentam não abrir precedentes deste género, ainda não estava bem a acreditar que aquilo fosse a minha palavra final. “Podemos mesmo?”. A palavra “precedente” começou logo a martelar-me na cabeça, mas a imagem dos meus dois filhinhos de mãos dadas, muito amigos e mais unidos do que nunca, satisfeitíssimos por dormirem pela primeira vez na mesma cama foi mais forte do que qualquer coisa. Ainda me armei em “mãe” e soltei um “Mas se ouvir um pio que seja, levo logo o Sebastião para o quarto dele!”. Mas qual quê! Nem piaram. Desci as escadas com o “precedente” a martelar-me a consciência, e o pai dos dois reizinhos lá soltou a frase penalizadora em voz alta: “Olha que estás a abrir um precedente...”. E o precedente lá estava. No dia seguinte, ainda não tinha acabado de descer as escadas, depois da história, lá ouvi os “tique-tique” dos pezinhos do Sebastião a escaparem-se para a cama do mano. Hoje foi o terceiro dia, ralhei, disse que era só para ocasiões especais, mas ainda vai demorar mais 2 ou 3 dias até voltar tudo ao normal...
Se há algo de que as crianças beneficiam com o facto de terem irmãos, é que aprendem rapidamente a argumentar. Não sei se Platão ou Aristóteles eram filhos únicos, mas se tinham irmãos, certamente que lhes davam facilmente a volta. Ou se calhar a sua sofística foi apurada exactamente porque eram um entre outros irmãos, e tiveram que conquistar o seu espaço não só argumentando com os pais, mas também com aqueles que queriam patilhar os seus brinquedos, brincadeiras e atenções.
Desde que o Sebastião (irmão mais novo) se tornou gente e começou a ter voz para reivindicar o seu espaço, que insisto com o Afonso (irmão mais velho) para não resolver as suas divergências com o irmão à pancada. É verdade que os irmãos mais velhos têm sempre vantagem sobre os mais novos, pelo menos enquanto mais idade é sinónimo de mais força ou mais esperteza (depois a balança equilibra-se e os mais novos, se mais fortes ou mais espertezos, costumam até vingar-se desse período de desequilíbrio forçado). O Afonso é mais alto que o irmão, mais ágil, tem mais força e corre mais depressa. Se quer um brinquedo que o Sebastião tem na mão rapidamente lho tira e desaparece com ele. Se o Sebastião tenta tirar-lhe alguma coisa, bate-lhe e recupera à força o que acha que lhe pertence. Isto, claro, quando eu não estou presente (ou quando estou mas eles acham que não estou a reparar neles. Mas os pais têm sempre um olho escondido para ver os disparates dos filhos...). Quando estou, insisto para que todos os assuntos de posse ou decisões de brincadeiras sejam decididas... argumentando. “Se é isso que queres, Afonso, convence o teu irmão”. E ele lá tece argumentações infindáveis, a que normalmente o irmão acaba por ceder por exaustão. Se não cede, é só eu virar as costas e lá volta o Afonso ao sistema do costume, que acaba sempre com o Sebastião a chorar. Mas pronto... Platão com 4 anos também deve ter dado uns calduços nos mais novos até perceber que podia ganhar mais com as palavras...
Quando acordam, os meus filhos costumam ir ter comigo à cama, e antes de me arrancarem nela, aninham-se um pouco ao meu lado a contarem os sonhos que tiveram durante a noite. O pai já se levantou há muito, mas deixou a caminha quente para os miminhos matinais que troco com os meus dois piolhos. E os sonhos de hoje foram assim:

Afonso:
Estava a sonhar que tinha feito uma ovelha de corda. Mas a corda era amarela, então a minha professora apareceu e disse-me para pôr papel higiénico para a minha ovelha ficar branca...

(Até hoje, o Sebastião limitava-se a ouvir as histórias do irmão e a responder um redondo "Não" quando lhe perguntava se ele também tinha sonhado. Mas como cada vez mais não quer ficar atrás do mano, hoje também resolveu contar o seu sonho. Se o sonhou de facto, ou não, só ele o saberá...")

Sebastião:
Sonhei... com... borboleta. Depois apareceu o Panda. E comeu-a...
O tempo voa, não me tem sobrado tempo para nada, mas as frases dignas de registo são diárias e, pelo menos essas, não posso deixá-las escapar pelo ar:

Afonso, o sonhador
- Mãe, não consigo adormecer...
- Pensa em coisas boas, Afonso.
- Mas se eu pensar em coisas boas... vou voar! (para quem não se lembra... Peter Pan!)

Sebastião, o sádico
(trouxe a filha de uma amiga para minha casa, enquanto a mãe ia às compras)
Sebastião: Madalena... a tua mamã... fugiu!
(Madalena quase a chorar. Sebastião a rir)
Sebastião: Madalena... fugiu, fugiu!
(Madalena a chorar)
Eu: Não fugiu nada, Sebastião! Só foi às compras mas já volta.
Sebastião: Não volta, não... Ih, ih, ih!
(faz raccord com Sebastião a apertar passarinho caído do ninho até ele sufocar, enquanto Afonso gritava: "Estão-lhe a sair os olhinhos! Estão-lhe a sair os olhinhos!")
Afonso acabado de acordar:

- Ó mãe, quando eu estava na tua barriga pensei que não gostava que chovesse. Mas depois tu bebias água e chovia-me em cima...
Não sei se foi da semana em casa do avô engenheiro , mas o meu filho Afonso anda com tiradas de engenhocas:
"- Ó mãe, podes pôr a Disney?
- Não dá, filho. Só na televisão da sala.
- E a Disney não pode passar da outra televisão para esta?
- Passar como?
- Pela parede.
- Pela parede? Como?
- Então, mãe... pela electricidade..."

Ou será que, aos 4 anos, o meu filho já tem aulas de físico-química no infantário?
- Mãe, hoje perdi no jogo das Cadeiras mas disse à Carla que o importante não era ganhar nem perder. Era ter amigos...
Fiquei toda orgulhosa do meu filho Afonso. Afinal as lições de moral que lhe impinjo todas as noites, na sequência das histórias que lhe leio e que, às vezes, de moralistas não têm nada, servem para alguma coisa. O pai passou a tempo de ver o meu orgulho e proferiu um "quem é que te disse isso, Afonso? Claro que o importante é ganhar! Tens sempre de tentar ganhar!". Lá fui atrás dele discutir as miudezas da educação dos nossos filhos e fiquei a perguntar-me se a minha tentativa para os ensinar a serem boas pessoas é compatível com a selva em que vivemos todos os dias, em que é importante, de facto, fazer tudo para ganhar. Não digo que tenha que os ensinar a passarem por cima de tudo e de todos para o conseguirem (nem era isso que o pai queria dizer), mas às vezes também me pergunto se a minha lógica de "às vezes deixa o teu amigo ganhar, assim ele fica feliz, e como o fizeste feliz também ficas feliz" seja a mais prudente. Será que também tenho que os ensinar a serem sobreviventes?
Tal como a dinâmica faz toda a diferença, na música, também a dinâmica com que falamos com os nossos filhos faz toda a diferença na forma como eles reagem ao que lhes dizemos. Entoação, vibração, linguagem corporal, expressividade, e tudo o mais que dê dinâmica ao nosso discurso pode ajudara que os nossos filhos nos dêem atenção e reajam positivamente ao que pretendemos deles. Quando estou para aí virada, encarno o Duarte das Pistas da Blue e falo a cantar, com uns versos pelo meio, faço caretas e movimento o corpo, é garantido que os meus filhos vão ficar a olhar para mim, que mais não seja a perguntarem-se o que é que me deu que fiquei patética de repente. Mas sem ser preciso chegar a este exagero (desculpa Duarte, mas eu própria ficava a olhar para as Pistas da Blue e a pensar como é que podias estar a fazer uma figura tão patética), se falarmos de tudo com entusiasmo e dermos ordens recheadas de motivação, a vida em casa e na rua pode ficar muito mais facilitada. Se em vez de "come já a sopa!" dissermos "Uma corrida para ver quem se transforma mais depressa no Monstro da Barriga Cheia de Sopa", se em vez de "Ninguém se levanta da mesa" dissermos "Tenho o rabo colado à cadeira! As vossas cadeiras também têm cola?" e se em vez de "Não quero cá gritos" dissermos "Vamos falar como os fantasmas. Baixinho para não assustarmos as pessoas... e o primeiro a acabar vai assustar o pai" é garantido que, pelo menos à refeição, vai tudo ser um bocadinho (se calhar só mesmo um bocadinho) mais calmo.