(Sebastião no seu melhor):

- Ó mãe... se não houvesse lápis, escrevias com o quê?
- Com uma pena, com tinta.
- E se não houvesse penas com tinta?
- Escrevia com pedras, nas rochas.
- Ah... Eu, se não houvesse lápis, escrevia com caneta.

(Dahhhh!)
A plateia preparada para assistir à festa protagonizada pelo Dudu, o Ginasta, e a Nonô, a Bailarina. A última a sentar-se foi a mamã, algures entre o Elefante e o Rato Mickey... E foi um espetáculo a valer!


Ontem entrevistei um senhor com 91 anos que só começou a usar sapatos e a dormir em casa (longe do gado) quando se casou. Um senhor que, à custa do seu trabalho, construiu um "império" e que não entende porque hoje não se arranja quem saiba trabalhar a terra, quem faça um bom trabalho de carpintaria ou soldagem ou porque é que a palavra e a honra valem tão pouco, o respeito depende do poder que se tem e a sobrevivência exija "chico-espertismo".
Infelizmente, não é só a economia do país que temos que salvar... E o futuro de Portugal depende (muito mais do que pensamos!) da formação que hoje dermos às nossas crianças.
A coleção completa está a 16,75€, na FNAC. Com um laçarote à maneira (bem diferente do meu, preferencialmente, que não tenho jeito nenhum para estas coisas manuais!) vai fazer uma vistaça neste Natal.
Sobrinhos e amiguinhos de palmo e meio... já devem ter ouvido falar da crise lá em casa, do Gaspar, do Coelho e da senhora alemã. É só para vos dizer que este ano vão todos receber livrinhos da tia Sara, ok? E, enquanto assim for, acho que não estamos nada mal...


http://pesquisa.fnac.pt/search/quick.do?posted=false&filter=0&culture=pt-PT&text=leo+o+menino+do+circo&category=book&subcategory=1




Estivemos há umas semanas no Museu do Fado e o Sebastião resolveu colar o autocolante que trouxe de lá na janela do seu quarto. Mas só ontem resolveu intrigar-se com a mensagem que ele contém:

- Ó mãe... porque é que o Fado é cinza?

A mãe também já tinha dado voltas à cabeça, em busca da resposta, e não tinha chegado a nenhuma conclusão brilhante, mas arriscou:

- É porque não é preto nem branco, filho. O fado fala de coisas tristes, ou negras, mas também de coisas felizes, muito branquinhas. Todos nós, no fundo, somos feitos das duas coisas, branco e preto. E se misturarmos branco e preto, o que dá?
- Cinza.

Não sei se ele ficou convencido... Eu também tenho dúvidas. Talvez o cinza seja de algo que ardeu, mas deixou rasto. Os restos de uma fogueira ou de um cigarro apagado, depois de um momento intenso... Vou mandar um mail ao Museu do Fado a perguntar se têm uma interpretação melhor. Aguardo as vossas :)
Todos os dias, às 8.15h da manhã, a caminho da escola, ouvimos a Mixórdia de Temáticas. O meu pequeno Dudu, apesar dos seus singelos 3 aninhos de idade, logo que senta no carro exige imediatamente: "Mamã, quero as 'Temáticas'".
A verdade é que nem sempre a coisa corre muito bem. 90% das vezes terminamos às gargalhadas sonoras, mas em 10% dos casos, quando a coisas mete rabos, mamas ou sexo, a mamã acaba é envergonhada, a dizer aos filhos que aquela mixórdia era para crescidos.
A verdade é que já vou tendo um filho crescido. E ao meu Afonso já não lhe escapa grande coisa... Hoje, por exemplo, o senhor Osvaldo Ribeiro (interpretado pelo Ricardo Araújo Pereira) queria engatar a senhora Merkel com o seu bigodinho português e, dessa forma, sacar-lhe uns tantos mil milhões de euros para pagar a dívida portuguesa. Como não era demasiado explícito (aliás, é raro ser) deixei a Mixórdia correr, a pensar que os meus filhos não estavam a pescar nada do assunto. Mas claro que estava redondamente enganada e, no final, o meu filho mais velho sai-se com esta:

- Ó mãe, o Titão não percebeu nada porque ele não sabe quem é a Merkel!
- E tu sabes, Afonso?
- Claro. É a "presidente" da Alemanha. E o Osvaldo quer fazer sexo com ela para depois lhe pedir dinheiro para ajudar os portugueses. Mas eu acho que a Merkel não vai na conversa dele...

As obras de arte dos meus piolhos mais novos! Só nós mesmo, pais, para nos maravilharmos com os rabiscos mal paridos dos nossos filhos...




Já lá vão 5 anos desde que fiz a adaptação para televisão da 4ª série de "Uma Aventura". Ontem dei com o Afonso agarrado ao "Caminho do Javali" (livro 47) e percebi que chegara a altura de ver os episódios com os meus filhos.
O que é preciso transformar num livro para que ele resulte em televisão?
Como partir os capítulos/cenas?
Como agarrar o espetador?
Que erros a mamã cometeu (porque também os houve)?
Este fim-de-semana vamos ter uma lição de guionismo cá em casa...

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=KxoUXARw3XY







Ena, ena! O que eu descobri na biblioteca!

Não sei se a minha filha vai gostar ou não, mas a mim já me deu um ataque de nostalgia. Sobretudo na página em que as duas amiguinhas deitam os bonecos todos. Naquela altura (devia ter uns 4, 5 anos) dizia que queria ter 100 filhos, e que não iria cansar-me porque, enquanto ia ao meu ballett, e à música, e ao teatro, e escrevia as minhas coisas, a família dava uma ajuda. Ficavam uns 20 filhos com os pais e mais uns 10 filhos em cada tia ou primo. Coisa fácil!
Hoje "só" tenho 4 filhos e grande parte da família está longe. Percebi finalmente o significado das palavras da ruiva Cristina:

"uf, acabou!
ter tantos
filhos cansa!"



(mas eu acrescentaria, vá... "e é tão bom!")
Hoje a Nonô veio comigo a um supermercado novo, com um daqueles talhos apetitosos, cheio de preparados, ideais para mães que, como eu, não têm tempo nem paciência para inventar pratos inovadores ou sofisticados. O talho agradou... mas o que agradou, sobretudo, foi o carrinho pequenino que estava à entrada, pronto para meninas e meninos que, como a Nonô, queriam ajudar a fazer as compras. A Nonô delirou e foi colocando os diferentes produtos que nos faziam falta no seu carrinho. Bem... às vezes também colocava uns que não faziam falta nenhuma, sobretudo chocolates, rebuçados e bolachas. A Nonô punha, a mamã tirava. A Nonô punha, a mãe tirava. E lá ia explicando porquê.
- Faz mal à barriga.
- Ah!
- Faz mal aos dentes.
- Ah!
- É muito caro.
- Ah!
Quando a Nonô estiver um pouco maior, e começar a entender o que é o dinheiro, vou usar o truque da minha amiga Cristiana Resina. Como no supermercado a que ela vai também existem carrinhos para criança, ela deixa que a filha escolha os produtos que quer, para seu consumo e usufruto. No final, avaliam o que levam e o dinheiro que têm. E a filhota dela percebe quanto custam as suas guloseimas, e o que a mãe teria que gastar, se levassem tudo o que ela quer. Fazem uma seleção e escolhem aquilo que faz realmente falta. Assim, a filhota dela entende que, até para os alimentos importantes, é preciso gastar bom dinheiro, por isso é melhor poupar nos que só servem para dar dores de barriga.
Um bom truque!


(Sebastião a ler um texto. Faz a sua milionésima pausa para falar sobre qualquer coisa de que se lembra. Desta vez, felizmente, era pertinente):

- Sabes que eu na escola leio sempre muito baixinho?
- Mas porquê, Sebastião?
- Tenho vergonha.
- E comigo não tens?
- Claro que não, mãe! A ti já te conheço há tantos anos!!!
(conversa do Titão com um amiguinho)

(amiguinho) A tua casa parece aquela série do 41. Também são 3 irmãos e 1 irmã (não sei o que é, mas vou averiguar). Mas eles não têm mãe. Para ser essa série a tua mãe tem que morrer.
(Titão) Ah... Ou então o meu pai tinha que ser solteiro. Mas se for solteiro não pode ter filhos...
(amiguinho) Pode ser "descasado" e a mãe ter saído de casa.
(Titão) Isso não tem lógica. Os filhos ficavam com a mãe, não ficavam com o pai.
(amiguinho) Isso é que não tem lógica! Se eles são três rapazes, têm que ficar com o pai! As mãe não percebem nada de rapazes...

(Acho que é hoje que começo a jogar PSP e faço um wrestling em cima da cama...)
(Dudu, o criativo)

- Mamã, mamã... sou o gato das botas!


(Afonso a ler um livro que trouxe da biblioteca)

- Estás a gostar, filho?
- Nem por isso. Vou na página 63 e ainda não aconteceu nada de excitante.

(Com leitores exigentes destes, os escritores que se ponham a pau! Os miúdos de hoje em dia têm a escola dos filmes, onde os primeiros 10 minutos são para os segurar ao ecrã. Um livro que não os agarre nas primeiras 10 páginas... já foi! Um desafio para quem escreve, mas também para quem educa, entretém, motiva e ensina esta nova geração. Agarrá-la exige velocidade... e é, sem dúvida, um grande desafio à nossa criatividade!)


Hoje de manhã, quando acordaram, os filhotes encontraram o prémio em cima da mesa. Se eu não estava à espera de ganhar, eles muito menos. Houve surpresa. Houve alegria. Mas também algumas observações mais cómicas...

(Afonso) Ganhaste isto por causa de qual livro, mami?
(Mãe) Acho que foi por causa de todos, filho.
(Afonso) Então há uma parte dessa prémio que é minha. Não dizes que fui eu te inspirei para o livro das "100 Histórias"?

O Sebastião reivindicou a coleção "Maria & Sebastião". O "Frio" é dedicado ao papá. Os gémeos não reivindicaram nada, mas também têm a sua quota parte, pela inspiração. E todos aqueles que votaram terão também o seu bocadinho, pelo incentivo. Não me resta, portanto, grande coisa... :) Fico com a samarrinha e já não é mau!

PS - E OBRIGADA!

Ontem a campainha tocou logo de manhã, ainda a criançada estava toda de pijama. "Doces ou travessuras", ouviu-se pelo intercomunicador. E o Afonso e o Titão ficaram em êxtase! Os pequeninos também, mas sem perceber propriamente porquê. A correr, fomos ao armário onde costuma haver uns restos das festas e descobrimos meia dúzia de caixas de Pintarolas.
- Damos todas?
- Não, Afonso! Temos de guardar para os outros meninos que nos vierem visitar.
Lá foram eles a correr para a porta, mesmo em pijama, para ver que espécie de "monstro" ou feiticeiro nos visitava. Mas nem uma coisa nem outra. Era um rapaz com uns 13 ou 14 anos, vestido normalmente, com um saco de plástico vazio na mão. Nada assustador. Nem sequer despenteado! E com todo o ar de quem iria mandar as nossas Pintarolas à fava...
Os meus filhos depositaram-nas no saco do Continente e voltaram para casa, desapontados. Ninguém mais voltou a tocar à nossa campainha, no resto do dia. As Pintarolas ficaram intactas. E nós, intactos ficámos, porque também não fomos bater à porta de ninguém. De Halloween, só mesmo os filmes que deram na televisão. Acho que andamos todos sem pachorra para festejos, é o que é! Vamos ver se o Natal nos anima.....





Hoje vamos ler isto cá em casa. Vamos criar um nome para o nosso país, arranjar um hino e uma bandeira, decidir quem manda e como manda, as regras e os limites, os direitos e as obrigações. E, com sorte, construir um país um bocadinho melhor do que o nosso...
Hoje nasceu a primeira lista de presentes de Natal. Só para as crianças, claro está, que a crise e a crise e a crise, blablabla. Mas as crianças já são taaaaaaantas! Num instante enchi uma folha A5 de um lado e de outro com os nomes das crianças a quem não posso mesmo deixar de dar presente. E não é obrigação, é mesmo porque me dá prazer e elas merecem, por serem quem são e/ou terem os pais que têm.
Chamei-lhe primeira lista porque é certo e sabido que esta lista ainda terá muito que crescer, até ao Natal, porque falham sempre alguns nomes e aparecem sempre outros de última hora. É bom sinal! Mas sendo que cá em casa não sabemos o que é o subsídio de Natal (ou melhor, até sabemos, porque o pagamos à nossa empregada, o que transforma o conceito, que era suposto ser agradável, numa grandessíssima dor de cabeça!), temos de começar a pen$ar nos presentinhos com alguma antecedência, para dosear os gastos até meados de Dezembro.
As promoções também já começaram, aqui e além, e aproveito para pedir já a todos os leitores deste blog a minha prendinha de Natal :). Se andam à procura de livros para oferecer, lembrem-se dos meus... Aqui vos deixo as melhores promoções online, numa assumidíssima estratégia de marketing, que espero que os meus filhos, um dia, quando lerem finalmente este blog, venham a perdoar :).

- Campanha 50% da coleção "Leo, o Menino do Circo" (7 volumes) - 2,50€ cada livro; 1,50€ cada livro de atividades:
http://www.leyaonline.com/pesquisa/pesquisa.php?chave=Leo+-+o+menino+do+circo

- Campanha 50% "100 Histórias do Outro Mundo", com ilustrações da Carla Nazareth - 7,19€
http://www.leyaonline.com/catalogo/detalhes_produto.php?id=25848

- Campanha 10% "Frei Livrinho de Sousa" da coleção "Clássicos a Brincar" - 10,98€
http://www.wook.pt/ficha/frei-livrinho-de-sousa/a/id/11449719

- Campanha 10% coleção "Portal do Tempo" - 10,71€
http://www.wook.pt/product/facets?palavras=portal+do+tempo

- Campanha 10% "D. Estefânia - Um Trágico Amor" (para os crescidos) - 18,90€
http://www.wook.pt/ficha/d-estefania-um-tragico-amor/a/id/13043277

- Para os restantes, sem campanha:
http://www.wook.pt/product/facets?palavras=clássicos+a+brincar
http://www.wook.pt/product/facets?palavras=%22maria+e+sebastião%22
http://limivi.blogspot.pt/p/livros.html


Pronto. Custou mas foi! É a prova provada de que a necessidade aguça o engenho :).
Hoje descobri uma crónica de Eduardo Prado Coelho, de 2007, que dizia assim:

"Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá.
(...)
Qual é a alternativa ?
(...)
Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer.
Está muito claro… Somos nós que temos que mudar."

(http://aventar.eu/2009/09/25/eduardo-prado-coelho-in-publico/)

Eu sei que sou suspeita para falar... Mas não acredito numa alternativa que não passe pela educação das nossas crianças. Se há forma de endireitar isto, há-de ser através delas!
Todas as noites, depois da história de Boa-Noite, coletiva, o Dudu pede-me mais uma "história pequenina". É já no quarto dele, com uns miminhos associados, e uma duração máxima de um ou dois minutos. Nada de especial, a não ser para ele (e para mim também, que todos os dias tenho que improvisar uma mini-história diferente). Mas hoje o Sebastião que, como já se viu, anda armado em jornalista, resolveu inquirir-me sobre o assunto:
- Mas o que é isso da história pequenina?
- A mãe inventa uma história muito rápida onde o protagonista é o Duarte.
- Podes experimentar comigo?
Ajoelhei-me ao pé dele e fiz-lhe festinhas na testa.
- Era uma vez um Sebastião, que era rei do universo. Ele adorava saltitar de planeta em planeta, e não gostava de ver nenhuma criatura triste. E um dia encontrou uma estrelinha que estava a chorar. Perguntou-lhe o que ela tinha e ela disse-lhe que estava sozinha no universo. Não tinha um só planeta que fosse a girar à volta dela. Então o Sebastião convidou-a a sentar-se em cima da sua cabeça. Às vezes o Sebastião andava a passear por buracos negros muito escuros... Com a estrela na cabeça, ele teria sempre luz a iluminá-lo. A estrela, assim, ficou muito satisfeita. E o Sebastião também. Vitória, vitória, acabou-se a história.

Ficou feliz o Sebastião, Rei do Universo, e feliz o Sebastião, filhinho. E, ou muito me engano ou, às custas desta pequena improvisação, vou ter que começar a contar duas "Histórias Pequeninas" todas as noites, em vez de uma...