Titaneco com 8 anos... e a mamã deu por ela a ir espreitar o blog, para recordar os primeiros posts escritos sobre o Filhinho Segundo. O percentil 95, o espectáculo da Floribella, os primeiros passinhos, os cocós à la Sebastian, o primeiro corte de cabelo... Como "voaram" estes 8 anos, nem sei bem. Raramente sinto vontade de voltar atrás, não tenho por hábito arrepender-me (ou não fossem as asneiras grandes aprendizagens). Mas fazendo o balanço do passado, desejo mais tempo para o futuro, para que o tempo avance, mas não sem o saborear convenientemente.
Parabéns, meu Titaneco! Obrigada pelo sorriso doce, pelos beijinhos demorados antes de dormir, pelas gargalhadas contagiantes. Amo-te muito, meu filhote. Que a vida nos dê ainda muitos e saborosos anos para ensinarmos um ao outro o melhor que sabemos.
Sempre que vai na rua e vê um cão, o Dudu corre a abraçá-lo.

- Pode ser perigoso, filho...
- Não é, mãe. Eu conheço todos os cães do mundo.


Ai, ai, que isto também dava uma história tão bonita...
(Afonso) Mãe, já estão a ser escolhidos os delegados de turma.
(Mãe) E tu és delegado de alguma coisa?
(Afonso) Achas? Eu nem me candidatei... Já viste a responsabilidade? Depois tinha que me estar sempre a chatear... Mas tinha imensas ideias para uns cartazes, para convencer a turma a votar no Z. A professora é que não deixou...

Sem espírito de liderança, mas criativo. Não se pode ter tudo...
Titão no regresso a casa:

(Titão) Hoje fizemos uma composição em que tínhamos de imaginar que éramos o rei e podíamos fazer o que nós quiséssemos.
(Mãe) Uau! E tu querias o quê?
(Titão) Endireitar a torre de Pisa. Ah, e também que Portugal só tivesse um distrito, para eu não ter de decorar tantos nomes...

Dudu no seu habitat natural...

Brincadeira no jardim, sem zangas, confusões, gritos... a mãe começou a estranhar e foi tentar perceber a razão do silêncio.

(Sebastião) É assim, mãe... Trepamos ao muro, depois descemos por este poste, agarramos nas raquetas e vamos de skate até à torneira.
(Mãe) É uma espécie de circuito?
(Sebastião) Não, mãe. Estamos a brincar aos bombeiros.

Ah, infância...
Afonso sentado à secretária a tentar equilibrar um porta fita-colas num dedo.

(Mãe) Afonso... podes-me explicar porque é que não estás a fazer os trabalhos de casa??!
(Afonso) Isto é física quântica, mãe. Não estás preparada para ter um filho Alpha...

Pois. Definitivamente não estou...
Afonso prepara a mala de viagem, o estojo dos lápis...

- Já acabaste os trabalhos de casa, Afonso?
- Diz aqui para eu pintar os 5 continentes. Não vai ser fácil... Mas vou-me fazer à estrada, mãe...

E a sorte dele é que eu acho-lhe graça...
(Titão) A minha escola está cheia de fúria, mãe. Quando os meus colegas vão jogar futebol, começam a soltar sons de fúria... Depois começam a gritar uns com os outros, às vezes andam à luta e as coisas acabam mal.
(Mãe) Então e tu, filho?
(Titão) Eu cá, não. Mas é verdade que no hóquei jogo melhor se estiver com a fúria.
(Mãe) Não precisas, filho. Podes jogar com garra sem ser com fúria. Basta que uses bem a tua concentração e a tua focagem.

A coisa saiu-me sem querer, mas fiquei a pensar nela e acho que faz sentido. Nunca gostei de competir, exatamente porque nunca gostei de lidar com a fúria dos outros. A competição apela facilmente à fúria que há em nós. Mas não posso condenar a competição. Acho que ela pode ser saudável se for um exercício de concentração, focagem e (no caso dos desportos coletivos) de espírito de grupo. Pela sua natureza, acho que dificilmente o Titão norteará a sua vida pela competição (ao contrário de outros filhos meus) mas sendo este (ainda) um mundo competitivo, cabe-me a mim ensinar-lhe a retirar o melhor que existe nela, para conseguir vingar à sua maneira.
Podia ter desenhado um castelo. E uma coroa. E um sol normais. Mas o Dudu nunca desenha nada "normal"...


- O que é isto, filho?
- Um zombie a ir para um castelo. A coroa (à esquerda, em baixo) ficou caída no chão. Aqui (canto superior direito) é um passarinho a dar um beijinho ao sol. E este aqui é um mosquito.

Se ele um dia tiver de fazer uma avaliação psicológica através dos seus desenhos, temo seriamente os resultados...
Depois de perseguir o Dudu pela casa toda para que ele experimentasse a roupa e os sapatos para um baptizado, a Nonô (que já tinha experimentado a dela sem reclamações) saiu-se com esta:

- Eu experimento as coisas do Dudu, mãe. Eu e ele nascemos ao mesmo tempo. Nós somos gémeos!

Claro! Só mesmo a minha Nonô para mo lembrar. Assim lá experimentou ela (sem reclamações) os calções, a camisa, os sapatos... Mais meio quilo menos meio quilo, não há dúvida de que a forma é a mesma. E acho que, enquanto assim for, me vai dar muito jeito!
Dudu e as perguntas que só ele se lembraria de fazer:


- Ó mãeeeeee! Porque é que a gata pode andar nua e eu não?
Um dos "desportos" favoritos do Dudu é saltar no trampolim e mandar bolas, por cima do muro, para o jardim da nossa vizinha.
Ou melhor, "era" o desporto favorito do Dudu, porque a mãe zangou-se a sério com ele depois de, a seguir a uma bola, ter voado também um sapato seu.
Hoje - já volvida uma semana - o sapato voltou. A vizinha não tem trampolim, mas felizmente teve força suficiente para o fazer regressar à base.
Obrigada.

Existe alguma coisa melhor do que, após uma hora e meia de correria para conseguir deixar a malta toda na escola a tempo e horas, calçar as sapatilhas e esquecer as zangas, as pressas, os raspanetes e os atrasos numa corrida à beira-mar?
É este o segredo da minha (ainda) sanidade mental :).

Dudu a caminho da escola:

- Ó mãe... como é que o sol aparece? São as nuvens que o chamam? "Ó Sollllll"?
- Não, filho. O sol está parado no mesmo sítio. O nosso planeta é que vai girando à volta dele.
- E o sol é uma bola ou um quadrado?
- É uma bola, filho.
- Uma bola com picos?
- Não, Dudu. Nós é que lhe desenhamos picos porque o sol lança os seus raios.
- E o que é que o sol come? Come o céu?
- Acho que ele não precisa de comer nada, filho. As pessoas é que precisam de comer.
- Sabes que o sol, à noite, esconde-se na casa dos avós.
- Ai é?
- Sim. Eu já vi. E o avô também.

Depois de uma gigantesca birra matinal para comer o pão, brinda-me com poesia ao virar da esquina. É isto, o meu Dudu.

E quando chegamos a casa e temos quatro filhos aos pulos, à nossa volta, a querer contar-nos o que fizeram na escola? É maravilhoso! Pena que a mãe só tenha 2 orelhas e uma boca, e ouvir histórias em duplo stereo me queime os fusíveis todos (aqueles que ainda sobram...). Ainda tentei sentá-los numa roda e pedir a cada um que contasse uma coisa que quisesse. Mas era preciso que eles só tivessem uma coisa para contar... e tinham muitas! Acho que no fim de semana vou agendar horas de atendimentos personalizadas, para conseguir dar a atenção que cada um merece, à vez.
Famílias de 10 filhos... expliquem-me por favor como é que fazem!
21.15´. Melhorámos a média em 5 minutos. Por este andar, em três dias atingimos os 21.00'. Mas é preciso não esquecer que a motivação ainda está em alta. Conquistar os primeiros minutos é fácil. Os problema são os últimos... Mas vamos trabalhar para isso... (pelo menos enquanto eles não começarem a trazer quilos de trabalhos de casa e começarem os testes... Uf! É melhor não sofrer por antecipação! Amanhã está tudo na cama às 21.10'!)
Desde que a Mia, a gata, aterrou cá em casa, que a nossa Cuca, a cadela, e vigia do lado de fora da casa, intrigada.
Hoje, deixou-nos um pequeno ratinho morto à entrada, onde uma e outra cruzam olhares através do vidro.
Fazem-se apostas: foi um presente para a Mia? Uma armadilha para fazer a gata sair de casa? Uu uma prova de que também ela, apesar de cadela, sabe caçar ratos (o que alegadamente nos permitira prescindir de um gato)?
Seja o que for, é a prova de que os animais, de parvos, têm tão mas tão pouco...
Primeira reunião na Pré e sou brindada com os desenhos dos meus gémeos, que eles trataram de me explicar em casa:


- Quem é, Nonô?
- É a mamã. Está triste porque eu me portei mal.


- Quem é, Dudu?
- É a mamã. Veio-me buscar e as flores cresceram.


- Quem é, Nonô?
- É a mamã.
- Desenharam sempre a mamã, foi? (e o que eu gosto do fenómeno da mãe-ó-dependência nesta fase... é aproveitar enquanto dura!)


- Não, aqui é o papá. E o mano Afonso a comer a sopa.
- Mas porque é que o sol está no chão... e o papá está ao contrário?
- Ó mãe... porque o desenho está ao contrário!

Dah!!!

Mega birra do Dudu, à saída do ballett da mana. Meninas a dançar numa sala com as janelas abertas, ao som... do Dudu! Olhares pregados aqui na mamã, que não conseguia sequer que o seu filho (que meteu na cabeça que tinha de ir ao parque àquela hora) se sentasse e pusesse o cinto. Lá se foi a calma e a pedagogia e a mamã começou a soltar as ameaças em surdina, com os olhos bem abertos. "Nunca mais vens comigo", "Vais ficar de castigo até amanhã", "Não há televisão"... mas nada. O Dudu (que agora já não dorme sesta na escola, o que explica parte do cenário) estava decidido a gritar e espernear como se não houvesse amanhã.
Foram dez tortuosos minutos que só passaram quando a mãe entregou os filhotes ao pai e foi "descansar" para a reunião de pais.

No regresso, tinha um Dudu sorridente à minha espera:
- Mamã, eu já não estou a chorar.
- Pois, já percebi.
- Desculpa, mamã. Eu não vou fazer mais birras. Vamos dar um abraço?

Se já me tinha esquecido entretanto da birra, naquele momento o Dudu pareceu-me um pequeno e carinhoso anjinho, que eu diria incapaz de qualquer acto que pudesse tirar do sério a sua mamã. E assim é a memória dos pais. Tão cheia de amor, que fica sem espaço para memórias negativas...