(Nonô) Mamã! Pintei a minha casa de banho!

Descobriu um kit de pinturas laváveis e, enquanto a mãe se distraía com o trabalho no computador, fez sozinha esta obra de arte.


Parece-me sempre importante que eles tenham os seus momentos para inventar as suas brincadeiras e desenvolverem as suas ideias, longe dos estímulos que lhe são impostos pela televisão e pelas consolas, e até longe das brincadeiras que nós, como pais, lhes impomos para os ajudar a desenvolver determinadas competências. Mas sempre que a Nonô decide pintar-me a casa (como já aconteceu outras vezes, relatadas neste blog) dou comigo a pensar que hoje é a casa de banho com tintas laváveis, amanhã são as paredes da sala com tintas a sério (o que, na verdade, também já aconteceu algumas vezes... felizmente só com lápis e canetas de feltro).

(Mamã) Está lindo, filhota! Mas antes de pintares as paredes pergunta sempre à mamã se podes, ok?
(Nonô) Ok, mamã!

Aparentemente controlado. Até qualquer outro dia destes...
- Hummm... Canal Panda ou Disney Channel? Estou tão indeciso...

- Meninos... vão buscar almofadas e sentem-se numa rodinha.

A ideia era apenas fazer o balanço do dia, conseguir pô-los a conversar 5 minutos sem disparates (difícil! Muito difícil!), mas dado que eles até se mostraram disponíveis, resolvi arriscar.

- Agora a mamã vai pôr uma música. Vocês fecham os olhos, respiram muito devagarinho e pensam no que vocês quiserem.

Vivaldi no rádio. Filharada acomodada em almofadas, de olhos fechados. Concentrados... durante 5 minutos! Depois começou a galhofa. Um estava a imaginar que era um pássaro e começou a piar. Ela levantou-se e começou a dançar. O Dudu tentava fazer cócegas ao mano com os dedos dos pés. E a pseudo-meditação terminou com tudo a rebolar a rir, num hall cheio de almofadas.

Perfeito, não foi. Mas enquanto eles se forem sentando, ouvindo, desligando e relaxando um bocadinho, já será bem melhor do que nada!

Titão e Afonso a verem com a tia, na internet, como é o London Dungeon. Dudu à coca, acaba por assistir a uma pequena amostra de um filme de 3D, com algumas imagens que ele diz terem sido assustadoras.
Não disse nada a tarde toda, mas à noite recusou-se a ficar na cama dele:

- Não consigo esquecer aquele filme, mamã!

Por mais que lhe dissesse que era só um filme, uma brincadeira, ele dizia que não conseguia tirá-lo da cabeça.

- Onde é que vive o senhor que fez o filme, mamã?
- Não sei, filho. Em Londres, talvez.
- Podíamos ir lá de avião. E dizíamos ao senhor para ele não fazer mais filmes assustadores, senão depois os meninos não conseguem dormir...

Lá andou, para cá e para lá, as horas a passarem...

- Já sei como é que eu vou tirar este filme da cabeça.
- Então como vai ser, Dudu?
- Vou comprar uns jogos na minha cabeça. Ponho os jogos e depois o filme já não aparece!

Ora aí está. Criança tecnológica, teria de ter uma solução tecnológica também...

- Tschek! Pronto. Já está. Comprei o filme da Lego. Ou queres antes que eu compre o filme da mamã e do papá e das coisas cá de casa?
- Sim, filho. Acho que com esse adormeces mais facilmente.
- Tschek. Já está.

Tão simples quanto isto. Não sei quanto lhe custou o filme da nossa cabeça, mas foi de certeza dinheiro bem empregue.

- Como é que vai ser o meu vestido de casamento? E achas que o meu batôn vai ser de que cor?

- Mamã, eu não quero que os meus bebés saiam pela barriga. Como é que eu faço para os meus filhos saírem todos pelo pipi?


Se isto é assim aos 5 anos, imagino aos 15...
12 anos de casamento, no mesmo dia em que os meus pais celebram os seus 41.

Toca a ir buscar os álbuns e os bilhetes trocados, a ouvir as músicas que nos acompanharam, e a recordar todas as coisas boas que se viveram pelo caminho...

Não, recordar não é viver. Viver é muito melhor do que recordar. Mas recordar ajuda-nos a entender o que vivemos. E a dar ainda mais valor a tudo o que temos pela frente.
A preparar um forte para a batalha intergaláctica dos manos...


(mas a verdadeira guerra vai começar quando, terminada a batalha, a mamã os mandar arrumar isto tudo...)
Fruta feia mas saborosa? Venha ela!
Legumes não calibrados, mas produzidos com o mesmo empenho e carinho? Venham eles!

Descobri na internet o projeto Fruta Feia (http://www.frutafeia.pt/projecto/funcionamento-da-cooperativa) e fiquei rendida. Amanhã conto ir buscar a minha primeira caixa, que será também uma forma de contribuir para o fim do desperdício. Vale a pena ler o texto que se segue... e, contribuindo, usufruir!

"Cerca de metade da comida produzida no mundo cada ano vai para o lixo. Segundo a FAO, o actual desperdício alimentar nos países industrializados ascende a 1,3 mil milhões de toneladas por ano, suficientes para alimentar as cerca de 925 milhões de pessoas que todos os dias passam fome. Este desperdício tem consequências não apenas éticas mas também ambientais, já que envolve o gasto desnecessário dos recursos usados na sua produção (como terrenos, energia e água) e a emissão de dióxido de carbono e metano resultante da decomposição dos alimentos que não são consumidos. Só em Portugal são desperdiçadas um milhão de toneladas de alimentos por ano - 17% do que é produzido pelo país - de acordo com as conclusões do PERDA apresentadas em Dezembro de 2012.

Os motivos para este desperdício são vários e ocorrem ao longo de toda a cadeia agroalimentar. Modelos de produção intensivos, condições inadequadas de armazenamento e transporte, adopção de prazos de validade demasiado apertados e promoções que encorajam os consumidores a comprar em excesso, são algumas das causas que contribuem para o enorme desperdício actual. Outro problema é a preferência dos canais habituais de distribuição por frutas e legumes “perfeitos” em termos de formato, cor e calibre que acaba por restringir o consumo aos alimentos que respeitam determinadas normas estéticas. Esta exigência resulta num desperdício de cerca de 30% do que é produzido pelos agricultores.

A cooperativa Fruta Feia surge da necessidade de inverter tais tendências de normalização de frutas e legumes que nada têm a ver com questões de segurança e de qualidade alimentar. Este projecto visa combater uma ineficiência de mercado, criando um mercado alternativo para a fruta e hortaliças “feias” que consiga alterar padrões de consumo. Um mercado que gere valor para os agricultores e consumidores e combata tanto o desperdício alimentar como o gasto desnecessário dos recursos utilizados na sua produção.

A cooperativa de consumo Fruta Feia CRL mereceu o 2º prémio do concurso FAZ – Ideias de Origem Portuguesa promovido pela Fundação Calouste Gulbenkian em conjunto com a COTEC em 6 de Junho de 2013 proporcionando o seu arranque a 18 de Novembro de 2013."

(Nonô) Mamã... como é que os meninos fazem aquelas brincadeiras com os sacos?

Estava a tentar enfiar um saco do Continente nos pés e a perceber que, daquela forma, nunca conseguiria saltar.

(Mãe) Espera... Eu arranjo-te um saco maior.

O Dudu juntou-se à festa e, pouco depois, estavam os dois enfiados em dois sacos do lixo, a fazer corridas pela casa fora.
Nunca me lembraria de uma coisa tão simples como esta... A prova de que nós, adultos, é que muitas vezes complicamos tudo!

Os planos de sábado à tarde incluíam o espectáculo Tri-Circos na Fábrica Braço de Pólvora, mas batemos literalmente com o nariz na porta. A revista Estrelas e Ouriços tinha a data e a hora incorreta (culpa de quem não sabemos nem interessa), e o espectáculo... só para setembro!
Felizmente a mamã anda a especializar-se em Planos B...

- E se fôssemos andar de Teleférico na Expo?

Os piolhos mais novos nem sabiam ao certo o que era um teleférico, mas deixaram-se contagiar no momento.

(Dudu) É uma montanha russa?
(Mãe) Não. Mas também anda pelos ares.

E assim lá fomos até à entrada Norte, para um passeio que nos valeu pelo dia todo passado em casa.
Teleférico para lá.
Jardins.
Cascata de água.
Brincadeiras com outras crianças na relva enquanto a mãe lia.
Teleférico para cá.

O calor suave, o rio, os sorrisos das pessoas bem-dispostas, os desportistas animados, muitas crianças, descontração... foi absolutamente contagiante. Voltaremos em breve com as bicicletas e a cadela.


E porque é dia dos avós, é dia de lembrar que tudo nasce, tudo cresce, tudo se multiplica, envelhece e morre um dia. Por mais longo ou mais curto que seja o processo, vale pela sua beleza, vale pelo milagre que é a vida. E nós, humanos, vivemos ainda o milagre da interação com os outros. Crescemos, multiplicamo-nos e ajudamos a crescer aqueles que estão à nossa volta. Na medida das nossas possibilidade, aconchegamos a terra, fortalecemos as raízes, suportamos o caule. Brindamos ao sol e acolhemos juntos a chuva. Aprendemos com aqueles que, antes de nós, já o fizeram, e procuramos, à nossa forma, dar o nosso melhor. Pode ser duro. Pode implicar sofrimento. Às vezes sentimos que falhamos. Às vezes assistimos, impotentes, às intempéries que nos ultrapassam. Mas será sempre vida. Será sempre um milagre. Valerá sempre a pena.

https://www.facebook.com/photo.php?v=741112692611499&set=vb.226260414096732&type=2&theater
(Daniel Csobot é um incrível cineasta e fotógrafo que conseguiu capturar essas lindas imagens mostrando a completa germinação de sementes)

PS - E um abraço enorme aos avós dos meus filhos, que tanto me ajudam e ajudam os seus netos. É dia de recordar também o avô que eles já perderam, e também os meus 4 avós que já partiram, mas que por aqui deixaram as suas sementes e esse desejo de que encontrem boa terra, vinguem e se multipliquem também.
Mamã com a malta toda no carro, a uma hora de caminho do destino.

(Titão) E se cantássemos a árvore da montanha?

Numa viagem anterior, valera-nos uma boa meia hora de cantoria (http://coisasdepais.blogspot.pt/2014/06/coisas-de-estrategia-para-viagens.html). Mas desta vez tínhamos no carro o Afonso-o-competitivo.

(Afonso) O quê? A vossa árvore só tinha 13 elementos? Aposto que consigo chegar às 20.

Chegou às 20. Depois às 30. Depois às 40. E a canção só terminou quando a mãe estacionou. Foi assim que a pequenada cantou a canção do:

Diabo Feio
Ao lado Do Filho
Do Estripador de Lisboa
Do Bin Laden
Do Hitler
Do Inferno
Ao lado do Paraíso
Onde está Deus
E os Anjos
No céu
Dos universos paralelos
Ao lado do universo
Da Via Láctea
Do Sistema Solar
Da Terra
Do continente
Do país
Do distrito
Do concelho
Da freguesia
Do bairro
Da rua
Do prédio
Do corredor
Do laboratório
Da platina
Do núcleo unicelular
Da célula
Do ser unicelular
Do líquido
Do núcleo
Da célula
Do micróbio
Do piolho
Dos filhos
Das minhocas
Da fruta
Das flores
Das folhas
Dos galhos
Dos ramos
Do tronco
Das raízes
Da árvores da montanha!
Mamã a conduzir. Uma pequena mosca de roda dela.

(Mamã) Ai, que mosca chata!

Dudu salta do banco de trás, assertivo.

(Dudu) A mosca não é chata, mãe. Eu gosto quando ela pousa nos meus braços.
(Mãe) Mas ela não te faz cócegas?
(Dudu) Sim! Por isso ela não é chata. É brincalhona. Ela só quer brincar connosco às cócegas...

De facto, é tudo uma questão de perspetiva...
Nova manhã cultural, desta vez rumo a... Belém!
A ideia era começar pelo Planetário, mas as sessões eram às 11h e, entre as confusões do vestir e do sair, chegámos 10 minutos atrasados e já não nos deixaram entrar...
Ao lado tínhamos o Museu da Marinha, como já não íamos voltar para casa, teria de servir. Receei que fosse um bocadinho cansativo para os mais novos, mas aguentaram-se muito bem, entre os barcos, canhões, aposentos dos reis e aviões.


A volta poderia ter ficado por aí, mas o Sebastião vira em frente ao rio umas "máquinas de desporto" na relva e ficou curioso em saber o que era. De modo que o passeio da manhã fechou com chave de ouro: desporto ao ar livre com uma vista privilegiada sobre o Tejo.


Amanhã há mais! (e como diriam os meus filhos... arroz com pardais!)
Os pratos da mamã...


... ou arranjo forma de lhes dar um aspeto atrativo, ou nunca na vida vou conseguir que os meus filhos experimentem aquilo que a mãe come com tanto apetite...
Primeiro dia de duas semanas com a filharada toda e o carro levou-nos... até ao Castelo de São Jorge. Nunca me tinha atrevido a visitá-lo com os pequenotes, mas dado que no verão passado andámos pelo Castelo dos Mouros em Sintra e não correu mal, no de Lisboa não haveria de correr pior. Ainda mais turistas e mais carros, mas a oferta de atividades também era maior, e a paisagem ainda melhor.



A caminho espreitámos miradouros e a filharada trepou às árvores da cidade. Tivéssemos ficado por aí e já não estaríamos mal. Mas o objetivo era o castelo, e lá fomos nós.

- Não acredito... A fila é isto tudo???

10.30h da manhã e a fila para comprar o bilhete tinha mais de 100 pessoas. Respirei fundo. Já os tinha arrastado até ali, não sairia dali sem ver o castelo.

- Desculpe... a senhora está sozinha com estes 4 meninos?
- Sim, estou.
- Então venha comigo, por favor, antes que desespere.

Um vigilante simpático passou-nos à frente de toda a gente e lá entrámos nós, 5 minutos depois, por 7,5€ (preço para toda a família). Não sei que ar de desespero seria o meu, para o vigilante dar por mim no meio de 100 pessoas, mas valeu a pena. Lá fomos nós subir e descer pedras, andar atrás dos pavões, tirar fotos com os falcões e corujas...

- Coruja da Lapónia? Então ela deve conhecer o Pai Natal...

... e, claro, tentar conhecer Lisboa, de uma das suas colinas, e imaginar como seria a cidade muito séculos atrás. Quem por ali andaria e porquê, em que batalhas e com que dificuldades.


O Afonso foi o que mais resmungou de manhã, antes de sair de casa, mas era o mais entusiasmado no regresso. Os outros mal se ouviam de cansados, mas os sorrisos diziam tudo. Às vezes preciso de respirar fundo três vezes antes de os arrancar para estes passeios maiores, mas no regresso o sentimento é sempre o mesmo: por mais confuso que tenha sido... valeu bem a pena!

Nonô com a sua mãe no cabeleireiro, uma em cada ponta, sem conseguirem ver-se uma à outra. A cabeleireira estava incumbida de lhe cortar três dedos, mas a Nonô apareceu junto da sua mamã não só com o cabelo cortado, como ainda com uma trança bem montada no alto da cabeça. Um belíssimo apanhado que a mamã nunca conseguiria fazer na vida.

- Estou linda, pois estou? Ninguém pode estragar a minha trança...

À tarde foi um ai-jesus para os manos não lhe mexerem... mas a trança resistiu.
À noite os papás tiveram um jantar e quando chegaram, a Nonô estava deitada na sua cama... com uma touca de plástico na cabeça.

Sendo que ontem pintou os lábios antes de ir para uma festa e, quando a mãe sugeriu que ela tomasse um iogurte antes de sair, ela disse que não podia porque assim estragava o baton... eu diria que ela aprendeu cedo demais que a beleza feminina implica cuidados e sacrifícios.

Desafio do Afonso: fazer uma banda de desenhada.

Encheu uma página e veio mostrar-me, satisfeito.




(Afonso) É a história de uma fábrica de bonecos palitos...


Claro... Bonecos palitos para não ter trabalho a desenhar bonecos com tronco e membros!


(Afonso) As máquinas avariam e fica tudo num caos.
(Mãe) Hum... E agora?
(Afonso) E agora o quê? Acaba assim...
(Mãe) Não, Afonso. Tens de lhe dar um final feliz.
(Afonso) Um final feliz depois de eu ter explodido a fábrica toda????


Voltou ao seu lugar, pensativo. Mas algum tempo depois tinha encontrado a solução.



(Afonso) Há uma paragem no tempo e aparece Deus. Este boneco que ia a cair é salvo por Deus e Deus até o transforma no patrão da fábrica.
(Mãe) E o patrão?
(Afonso) Esse morre. Não se podem salvar todos...


Apelar a Deus no meio da catástrofe.
Os pobres tornam-se ricos.
Um clássico, portanto.
Desafio do Sebastião: escrever aquilo de que não se quer esquecer quando crescer.


Diz que vai recordar as viagens, os brinquedos, a televisão, a família... e o carinho da mamã. Não é de o cobrir de beijos?
E quando o pequeno Dudu, a meio de um treino de hóquei, se cansa e resolve gritar pela sua mamã. Ou melhor, GRITAR pela sua mamã! E, como não pode sair e a mamã não o pode ir buscar, começa a espernear, a atirar tudo ao ar e faz a sua mamã passar a maior vergonha de todos os tempos.
A prova de que, mesmo no quarto filho, ainda podemos sentir que não sabemos ser mães, que falhámos algures no processo, que a partir de agora vamos fazer isto e aqueloutro e mais outro.

Gosto de registar neste blog as coisas boas e divertidas que nos acontecem, mas às vezes é bom também lembrar que nem tudo é fácil. Que gerir e ajudar a crescer 4 filhos tão diferentes tem coisas absolutamente maravilhosas mas também dá uma trabalheira desgraçada e, às vezes, umas valentes dores de cabeça...