Num jantar de Natal com amigos, a mamã ganhou um... elástico!
Pois é, um daqueles elásticos que faziam as delícias da minha infância, ao ponto de a minha professora primária me ter gritado um dia, enquanto eu corria feliz para o intervalo, "pula, filha, faz-te cabra!"

Hoje, coloquei estrategicamente duas cadeiras (como fazia em casa, na minha infância), prendi o elástico nas suas pernas, e ensinei a Nonô a saltar.




"Segunda, Terça, Quarta, Quinta, Sexta, Sábado... Domingo"

Só já me lembro de duas ou três canções, mas percebi que ainda consigo saltar. Já não vou às alturas, tão pouco ao pescoço... mas vou treinar. Ai vou, vou!
Tomam o parque de assalto e viram-no do avesso.

Correm, saltam, trepam, abananam-se, viram-se ao contrário, voam e escorregam. Berram que se desunham, de um lado para o outro. Eu diria que até os pássaros fogem.

Enquanto isso a Mãe respira fundo. Sorri a cada um deles, de olhar atento, e uma vozinha dentro dela sussurra-lhe assim: "Antes aqui do que em casa. Antes aqui do que em casa."

E o Afonso descobriu o primeiro livro de leitura obrigatória que o está a entusiasmar: Ulisses!


Obrigada, Maria Alberta Menéres, por adaptar esta história intemporal para crianças.
E obrigada, Ulisses, por continuares a existir no nosso imaginário e a inspirar-nos para grandes aventuras...

PS - E até no Dentista, não se largaram...

Luís Aguiar-Conraria escreveu na plataforma Maria Capaz sobre um assunto que me parece muito interessante. A desigualdade entre homens e mulheres que ainda existe no nosso país, no plano laboral (e o tema é um dos temas centrais na plataforma), mas colocando uma questão muito pertinente: sujeitas ao mesmo tipo de estímulos, sem condicionamentos sociais e culturais, serão as mulheres "iguais" ao homem? Serão igualmente competitivas e adeptas do risco?
Dá-nos então conta de um estudo realizado por uns colegas seus, que colocaram jovens de 15 anos a jogar o mesmo jogo competitivo, divididos em grupos de 4. Alguns grupos só de rapazes, outros só de raparigas e outros mistos. No final as raparigas revelavam-se menos competitivas e menos adeptas do risco, mas havia alguns detalhes a ter em conta:

"Nas equipas de raparigas, elas são tão competitivas e mostram a mesma atracção pelo risco que os rapazes. De alguma forma, o seu comportamento estava condicionado quando misturadas com rapazes. Houve outro resultado no estudo que sobressaiu. Alguns dos jovens vinham de escolas só de rapazes ou só de raparigas. Independentemente de terem calhado num grupo misto ou não, as raparigas que vinham de escolas femininas tinham a mesma competitividade e o mesmo gosto pelo risco que os rapazes."

Não tenho certezas nesta matéria, até porque tenho uma filha que, apesar de estar inserida numa equipa maioritariamente masculina (3 manos rapazes) não gosta nada de competir nem de correr riscos, ao contrário dos manos. Mas se querem alguém com faro apurado, inteligência emocional e ponderação, falem com ela! E isso fazia falta cá em casa, para o correto equilíbrio de forças. Como faz falta em qualquer contexto laboral, onde esse equilíbrio é igualmente fundamental.

Na tradição oriental existe o Yin e o Yang e cada vez me faz mais sentido pensar as coisas dessa forma. Há duas energias, a feminina (Yin) e a masculina (Yang). A feminina trabalha mais a recepção (ouvir, ponderar, acolher, receber, proteger, cuidar), a masculina o avançar (ir, construir, romper, arriscar). Mas há mulheres com a energia masculina muito desenvolvida e homens com a energia feminina em dominância. E não faz mal algum que assim seja. Desde que se respeite aquilo que essa pessoa tem de bom e de válido, e desde que não se ache que a energia feminina é mais fraca do que a masculina. Para haver quem avance, é necessária haver quem fique. Para haver quem rompa, é necessário haver quem ajeite o pano e quem dê confiança a outros para avançar por ali. Independentemente de ser um homem ou uma mulher. O importante, como defende a tradição oriental, é o equilíbrio. Porque uma sociedade que só avance, pode dar passos maiores do que as pernas e não saber como geri-lo depois. Uma sociedade que não avance, estagna.
Precisamos de uma sociedade com os dois pólos bem desenvolvidos. Um yin yang perfeito. E cada qual que se identifique com o pólo que quiser e dê o contributo que entender. E terá todo o valor por isso.


Para lerem o artigo completo do Luís espreitem AQUI.
Mais uma sugestão para uma tarde bem passada com a pequenada... é só molhar e moldar. E dar uso à nossa imaginação!


Obrigada, tios, pelo presente original.
A Nonô decidiu que partiu o braço.

Arranjou um tule para lhe servir de suporte. E, com fita-cola, colou um lacinho no tule.


Partiu (falsamente) o braço... mas com muito estilo!
O Sebastião precisa de escrever com menos erros.
O Afonso, de melhorar o seu vocabulário.
A Nonô quer conhecer melhor as letras.
(O Dudu está no hóquei)
E a Mamã quer ocupar os seus filhos numa atividade que lhes seja útil, mas que os divirta ao mesmo tempo...

Veio mesmo a calhar um pequeno joguinho portátil para formar palavras, para 3 jogadores. Mãe, Afonso e Sebastião em competição renhida (o Sebastião vai escrevendo as palavras que se vão formando e o Afonso vai dando significados das que consegue colocar). A Nonô tira as letras que nos faltam, diz qual é e tem de a copiar no caderno.

Nem sempre dá. Nem sempre há imaginação. Mas quando é possível, é mesmo a brincar que eles aprendem com gosto...

Nonô desce as escadas com uma saia de tule, uma coroa de flores, meias pirosas e colares ao pescoço.


(Afonso) Uau! O que é que aí vem? Parece que um arco-íris chocou com uma Princesa...

(Nonô) Estou bonita?

(Afonso) Bonita? Estás linda! Uma mistura de Barbie com Violeta...


Dizem as piores coisas das coleguinhas da escola. São todas feias, parvas, tontas e convencidas. Mas a maninha Nonô... a maninha Nonô é de outra raça. De outra espécie. É sempre linda, faz coisas giras, é fofinha e amorosa. Para vermos como o amor (mesmo o fraternal) é soberbamente cego e ilógico.


(Mãe) Um dia que te apaixones, Afonso, vais ser um romântico.
(Afonso) Eu???
(Mãe) Já te estou a imaginar a escrever poemas de amor...
(Afonso) Blarrrkkkk!

Veremos...

É o novo jogo cá de casa, recebido de presente no Natal, que está a fazer furor entre a filharada. É que levar com um ovo em cima, vestir-se de múmia ou aguentar um cubo de gelo dentro da meia, junto ao pé (quem recusar leva marteladas de um martelo insuflável) é o paraíso do Afonso e do Sebastião, oficialmente na idade da parvoeira.

E explicar-lhes que a mamã já não acha assim tanta graça?
Que os ovos são bens preciosos e que, para vestir um deles de múmia, são precisos 3 rolos de papel higiénico que custam dinheiro?
Eles estão oficialmente na idade da parvoíce... e eu estou oficialmente cota!
(Nonô) Mãeeeeeeeeeee!


O grito era lancinante e o assunto parecia importante.


(Nonô) Eu não quero morrer, mamã!

(Mãe) Filhinha, estás viva. É nisso que tens que pensar.

(Dudu) E depois de morreres, se quiseres, vens para cá outra vez...


O Dudu acredita piamente que vivemos várias vezes. Desde pequenino que o defende, e foi à custa dele que me pus a ler sobre o assunto. Há uns tempos, a avó perguntou-lhe quem lhe tinha falado no assunto. E ele foi peremptório:

(Dudu) Ninguém me falou. Eu sei.


O assunto ainda é tabu para muita gente. Noutros países, fazem-se importantes estudos sobre o assunto, com grandes especialistas. Há muitas histórias que parecem comprová-lo, mas fica sempre a dúvida. Até porque, em última instância, ninguém sabe como poderia a reencarnação funcionar. Na verdade, ninguém sabe como funciona a morte. Se ainda sabemos até tão pouco sobre como funciona a vida...


Não sendo eu alguém que tenha certezas sobre nada (estou sempre como o outro: só sei que nada sei!), sou uma curiosa sobre tudo, até porque, hoje, há informação credível (também não credível, é certo!) sobre quase tudo na internet.
Se houver por aí interessados na matéria, sugiro que espreitem este artigo:

"Recordava como as principais tradições do Oriente, o Hinduísmo e o Budismo, defendiam a reencarnação como um dogma fundamental, e como nessas religiões o conceito de vidas passadas é aceite como um aspecto básico da realidade. Aprendi igualmente que a teoria Sufi do Islão apresenta uma tradição muito bela a respeito da reencarnação, transmitida sob a forma de poesia, dança, e canções.
(…)
No Judaísmo, uma crença fundamental na reencarnação, ou gilgul, existiu durante milhares de anos. Essa crença constituiu uma pedra angular da fé judaica até cerca de 1800-1850, altura em que a urgência de "modernizar" e de ser aceite pelo sistema ocidental mais científico transformou as comunidades judaicas da Europa Oriental. No entanto e até essa altura, portanto há menos de dois séculos, a crença na reencarnação foi fundamental e constituiu um dos conceitos básicos. Nas comunidades Ortodoxa e Chasidic, a crença na reencarnação ainda hoje se mantém inabalável. A Cabala, literatura mística judaica datando de há muitos milhares de anos, está cheia de referências à reencarnação. O Rabi Moshe Chaim Luzzatto, um dos mais brilhantes académicos hebraicos dos últimos séculos, definiu o gilgul, na sua obra The Way of God: "Uma alma individual pode ser reencarnada por diversas vezes em diferentes corpos, e desta maneira pode corrigir o mal causado em encarnações anteriores. De modo análogo, também pode atingir um grau de perfeição que não conseguira em encarnações prévias.
Quando estudei a história da cristandade, descobri que referências primitivas à reencarnação existentes no Novo Testamento haviam sido eliminadas no século IV pelo Imperador Constantino quando o Cristianismo se tornou a religião oficial do Império Romano. Segundo parece, o imperador terá sentido que o conceito de reencarnação ameaçava a estabilidade do império. Os cidadãos que acreditassem que poderiam ter uma outra oportunidade de vida poderiam mostrar-se menos cumpridores da lei do que aqueles que acreditavam num único Dia do Juízo para todos."


Cheguei à cozinha e tinha 4 filhotes colados ao ecrã a ver as imagens terríveis do Tsunami de 2004.

Foi há 10 anos. Destruiu o hotel onde eu e o pai passámos a nossa lua-de-mel, 2 anos antes. Matou mais de duzentas mil pessoas, em poucas horas.


(Nonô) Isto não é no nosso mundo, pois não?

(Mãe) É, filha. Mas já foi há muito tempo. Ainda não eras nascida.

(Dudu) Foi num sítio muito longe, mãe?

(Mãe) Sim, muito longe.

(Sebastião) Mas pode acontecer em Portugal?

(Afonso) Claro que pode! Aconteceu no terramoto de Lisboa.

(Sebastião) Mas pode acontecer em qualquer altura?

(Afonso) Pode. E se continuarmos a destruir a terra, ainda pode acontecer pior...


E a mãe, que mente tão mal, não consegue dizer que não. Não consegue dizer que é impossível. Mas também não consegue dizer que vivemos perto de uma zona de risco e que, efetivamente, a Terra tem muito mais força do que nós, humanos, e não anda nada satisfeita com o que andamos a fazer-lhe.

(Mãe) A Terra já existia muito muito muito muito tempo antes de nós, humanos, existirmos. A Terra tem a sua própria história. Nós temos de a respeitar. E de cuidar da Terra, que é o nosso lar.

Fora disso (que já é tanto), é só esperar que nenhum de nós esteja à hora errada no sítio errado...



Deram-nos as melhores referências, e hoje lá resolvemos meter-nos ao caminho do Carregado...
Ir ao teatro com os 4 é sempre uma aventura, maior ainda quando optamos por um teatro a 50 e tal km de casa, num outlet cheio de gente e confusão. Mas, neste caso, valeu muito bem a pena! O espectáculo está muito giro, muito bem encenado, o cenário enche o olho e o elenco patina e canta muito bem (ainda que a acústica não seja a melhor do mundo). Resultado: a pequenada delirou.
Até ao dia 4 de janeiro. É só arranjarem coragem para se meterem ao caminho...



Depois de um mês com...

- 5 pontos na cabeça do Sebastião
- Batem no carro da mamã
- Afonso parte um dente da frente

... o Sebastião sai-se com esta:


(Sebastião) Eu acho que nós estamos a viver uma onda de azar. Será que há mais alguma coisa preparada para nós?

(Mãe) Só podes acreditar que há coisas preparadas para nós se acreditares que o futuro já está escrito.


Ui! O que eu fui falar... Íamos a caminho do Carregado, ainda tínhamos uns valentes 50 kms pela frente... mais do que tempo para explorar o assunto até ao tutano!


(Sebastião) Eu cá acho que o futuro já existe. Nós é que não conseguimos adivinhá-lo.
(Mãe) Mas sabes que há pessoas que parece que adivinham algumas coisas. Sempre houve, na história do mundo. Isso será porquê? Se dá para adivinhar é porque já tem de existir antes de o vivermos.
(Afonso) Eu acho que nós somos uma espécie de marionetas.
(Mãe) Não mandamos nada? Achas que não conseguimos mudar o nosso destino?
(Afonso) Acho que não. Acho que mesmo quando achamos que estamos a mudar alguma coisa, estamos a fazer exatamente o que era suposto fazermos.
(Mãe) Então assim não havia pessoas más... elas só estavam a cumprir o que já estava escrito para elas...

Matrix (que vamos ver nestas férias). Avatar (que vamos voltar a ver, com outros olhos). Cloud Atlas (que não nos cansamos de ver). Interestelar (que nos recomendaram muito). E fumo (fuminho bom!) de tanto pensarmos.




(Afonso) Eu acho que a história do mundo já está escrita. E nós vimos aqui experimentar alguns papéis.
(Mãe) Sim... eu também gosto dessa hipótese. Mas acho que nós não somos só personagens dessa história. Acho que também somos seus co-autores, e podemos ir mudando essa história com pequenos ou grandes contributos. Quando um escritor escreve uma história também tem uma ideia estruturada, mas depois, quando escreve, há personagens que ganham mais força, outras que surpreendem o próprio autor pela negativa... Como se as personagens ganhassem vida própria. E a história vai-se moldando.




Reflexão. Ai, o que eu gosto disso!

(Dudu) Eu cá acho que vivemos todos num sonho.
(Mãe) Também pode ser, Dudu. E quando é que acordamos? Quando adormecemos?
(Dudu) Hum... Eu acho que nunca acordamos. Ou só acordamos quando morremos.

É a minha cabecinha pensadora de 5 anos...

(Dudu) E eu gostava de conhecer o Dudu do futuro... Ai, espera! Eu já sei como é o Dudu do futuro! Eu vi-o hoje num filme!

Estava a referir-se ao protagonista do "Sozinhos em Casa". Lourinho, de olho azul... e maroto como tudo! E não é que eu também acho que ele vai ser mesmo assim daqui a 2 ou 3 anos?


O Afonso partiu um dente.
Sim, um daqueles dentes grandes e fortes chamados de definitivos, ficou irremediavelmente rachado ao meio, depois de uma valente bolada num treino de hóquei.
Felizmente, o problema é só estético, e o Afonso até brincou ao espelho, achando-se cada vez mais parecido com o corcunda de Notre Dame (uma risota!!!)




Numa outra casa da nossa rua vive outro Afonso que sofreu um acidente grave e está há mais de um mês internado no hospital, com as funções motora e cognitiva afetadas. Felizmente, com pequenas melhorias diárias (grandes vitórias!), tornando cada dia um mais um dia especial.
Olho para a janela dos meus vizinhos e penso que cada um de nós cá de casa daria um dos seus dentes com gosto, se eles ajudassem quem precisa bem mais do que nós. Sinto-me pequenina e penso nas vezes que damos tanto valor a coisas que não têm valor algum. Preocupamo-nos por nada, zangamo-nos por nada, revoltamo-nos por nada. Quando a vida é preciosa demais para a desperdiçarmos com aquilo que não o merece.

O nosso Afonso há-de ganhar um dente falso. (e nunca mais vai jogar sem a proteção dos dentes!)
E o nosso vizinho Afonso há-de melhorar e ainda nos vamos rir todos deste ano tão atribulado, de tantas formas.
Vamos lá todos acreditar que sim!

Natal com:

- teatrinhos
- canções de Natal
- conversas saborosas
- miminhos
- e vá... também alguns bons presentes ;)


Foi um Natal bestial!
Claro que também houve muita confusão, muitas chamadas de atenção, muitos disparates gastronómicos (e consequentes dores de barriga)... mas a primeira lista compensou largamente a segunda. E, quando assim é, o saldo é bastante positivo.

Para o ano há mais!

Boas festas!

Há dias o Dudu perguntou-me qual tinha sido o meu Natal mais especial de todos.
Lembrei-me das festas em família, dos teatrinhos que fazia, dos presentes mais marcantes que recebi, dos mais marcantes que dei, da alegria dos meus filhos a abrir a nossa lareira... As memórias eram felizmente muitas e boas. Tantas!

(Dudu) Mas assim o mais especial, qual foi?

E veio-me à memória o ano em que, ainda muito pequenina, fiz de Menino Jesus num presépio da Igreja. A minha irmã era a Nossa Senhora e eu, de cabelo à tigela, era o seu filho. Lembro-me de não gostar de ser o centro das atenções, de ficar um bocadinho incomodada com tantos beijinhos no final. Mas a forma como as pessoas olhavam para o presépio tinha algo de mágico. De especial. Éramos paz, naquele momento, mesmo para quem não a tinha no seu dia-a-dia. Éramos amor, mesmo para quem sofria por falta dele. Éramos alento e esperança, mesmo para quem tinha todas as razões para já não conseguir acreditar em mais nada.

Independentemente das nossas crenças e opções, celebramos nesta época o Amor fraterno e o Amor incondicional. O olhar terno de uma Mãe de um Pai para uma criança que lhes traz a esperança de um novo mundo. Que os faz acreditar numa outra forma de viver onde "o essencial é invisível aos olhos". Só se vê com o coração.
Essa criança é Jesus, mas podem ser todas as crianças que nos ajudem a voltar a acreditar, a ter esperança, a viver no essencial, mesmo quando tudo o resto falha.
E essa criança, podemos ser nós também, em cada dia que decidirmos levar essa esperança aos outros. Essa alegria e esse coração cheio de tudo aquilo que realmente importa.

Um Feliz Natal a todos!

E lá fomos, finalmente, ver o Principezinho ao Politeama...
Já andávamos há muito atrás dos bilhetes, éramos literalmente "mais que as mães" (10 crianças, 5 adultos), mas lá arranjámos uma fila inteirinha para nós, para vermos esta história mágica transformar-se numa peça com gente de carne e osso.
Gostámos muito. Mantém o estilo metafórico (deixando algumas interrogações às crianças), mas a ideia é mesmo essa: o essencial é invisível aos olhos. Parte da peça só pode ser entendida com o coração...

Os meus filhotes mais velhos já tinham ouvido o livro (contado pela mamã, há uns anos, ainda eles não sabiam ler). Depois leram os pequenos livros que foram feitos sobre esta história (editados pela ASA). Mas os mais novos não conheciam. Vou ter de lhes ler o livro como fiz com os manos deles. E talvez nessa altura o Dudu perceba porque lhe chamo às vezes "Meu Principezinho".

(Dudu) É por causa do cabelo em pé?
(Mãe) Não, filho... é porque eu acho que tu vieste lá de um planeta distante.

Dudu sorri com ar maroto.

(Dudu) Pois é. ;)



Família de saída. Nonô aparece não com a sua malinha de pôr a tiracolo (onde ela costuma leva o baton, os lenços de papel e o porta-moedas sem moedas, sabe-se lá porquê), mas com uma mala que quase parece de viagem.


(Mãe) Nonô, que mala é essa?

(Nonô) Levo só umas coisinhas, posso precisar.

(Mãe) Que "coisinhas", Nonô?

(Nonô) É só o livro de pintar com os lápis... posso ficar sem nada para fazer. Uma bonequinha... posso querer brincar. Umas bolachinhas... posso ter fome. As minhas moedas... posso querer comprar qualquer coisinha...


E por aí fora, para o caso disto e daquilo e do outro.
A mamã olhou então para a sua mala. Para o livro que lá tinha... não fosse apetecer-lhe ler. Para o caderno... não fosse apetecer-lhe escrever. As bolachinhas... não fosse apetecer-lhe comer. As moedas para o estacionamento. E ainda brinquedos perdidos dos filhos, para o que desse e viesse.
Nada a fazer... tal mãe, tal filha!
Nonô no miminho da noite:


(Nonô) Mamã, tu gostavas de ser eu?

(Mãe) Sim. E tu, gostavas de ser a mamã?

(Nonô) Sim!


Pensa melhor.


(Nonô) Mas ainda gostava mais de ser a Violeta...


Oficialmente trocada por uma jovem atriz argentina...