(Afonso) Eu acho que gostava de ser humorista. Os meus ídolos são o Ricardo Araújo Pereira e o Nilton... Tenho imensas ideias para telefonemas. Se calhar posso ter uma empresa de chamadas anónimas...


Nilton, contrata-me o rapaz, por favor!
Nonô agarradinha à sua Mamã:

(Nonô) Ai, mãe... eu queria tanto que tu fosses a minha gémea...

A.M.O.R.
<3
O trabalho era sobre Salazar e Humberto Delgado - tema escolhido por ele, porque queria "comparar" as duas biografias. Contextos, interesses e mudanças que os levaram a ser como foram.
Sugeri-lhe, a dada altura, que conversasse com pessoas que viveram nesse tempo. Ligou aos três avós. Recolheu diferentes visões e experiências, memórias de outros tempos. Mas nenhum deles tinha sentido na pele, verdadeiramente, o que era a falta de liberdade.

- E se escrevesses também a alguns amigos da mãe? Um ator desse tempo, um escritor e um jornalista?

A mamã escolheu-os e ele, via FB, lá os "chateou". E aprendeu o que era verdadeiramente a censura desse tempo. O que era ter fiscais sentados na plateia a assistir aos ensaios e a cortar o texto das peças. O texto dos livros. E as notícias dos jornais. Aprendeu que se era preso por se dizer o que se pensava, por se criticar o que se achava mal ou injusto. Que se perdia tudo, às vezes até a própria vida. E que a liberdade, mesmo que por vezes ainda não saibamos o que fazer com ela, era e é um bem inestimável...

Obrigada a todos os que me ajudaram a ensiná-lo ao meu filho!


(Texto final do jornalista José João Louro, a quem eu deixo um obrigada especial)
Nonô ao deitar:



(Nonô) Mamã, eu adoro-te, mas não sei porquê...

(Mãe) Se calhar é porque somos Mãe e Filha.

(Nonô) Mas podíamos ser Mãe e Filha e eu não te adorar. Mas eu adoro-te e não sei porquê...

(Mãe) Eu também te adoro e não sei porquê. E acho que isso é bom.

(Nonô) Sim, é giro e é bom...



Abracinho longo, seguido de uma noite tranquila e sonhos cor-de-rosa.

Também não sei o porquê de quase nada, minha filhota. Mas quando é giro e é bom, há que aproveitar.
Pela proteção e sustentabilidade dos mares e oceanos, fonte de vida, lar de inúmeras espécies que é urgente defender...

A Sailors for the Sea - Portugal lançou o apelo, que agora se transforma em livro, para sensibilizar os mais novos para esta causa que deve ser de todos.
Eu escrevi, o João Rodrigues ilustrou, a Dom Quixote/Leya acreditou, mas precisamos de todos vocês, graúdos e miúdos, para fazer a diferença.
Vamos a isto?




(a partir de dia 1 de junho nas livrarias e sede da Sailors for the Sea)
‪

(Afonso) Mãe, tenho uma nova teoria para a nossa existência.


(Eu sei, eu sei... Somos uma família de malucos que discute a existência ao pequeno-almoço. Mas em tudo o resto somos relativamente normais, ok?)


(Mãe) Ai sim? Então qual é?

(Afonso) Acho que, no dia em que morrermos e fecharmos os olhos, acordamos. Ou seja, isto é uma espécie de sonho.

(Mãe) E o que é que te garante que nesse momento não acordas para outro sonho?

(Afonso) Eu acho que vamos andando de sonho em sonho. Resta saber quem é que anda a sonhá-lo...


De leitura imprescindível a todos os pais, professores, educadores, pensadores e legisladores, que sentem dentro si esta necessidade urgente de mudança.
(para ler na "Super Interessante" de Junho 2015)

"Ninguém fugirá da escola e a olhará como um horror no dia em que a deixemos de conceber como o lugar a que se vai para receber uma lição, para a considerarmos como o ponto de condições óptimas para que uma criança efetivamente dê a sua ajuda a todos os que estão procurando libertar a condição humana do que nela há de primitivo."
(Agostinho da Silva)

"Professores preocupados com a sobrevivência e sujeitos a um exercício precário da profissão dificilmente questionarão uma cultura pessoal e profissional que os transforma em instrumentos de reprodução de um modelo escolar obsoleto."
(José Pacheco)

"Acho que a educação tradicional não responde às necessidades da maioria das crianças. Não estou contra o sistema, mas percebe-se que, para um número muito amplo de crianças (e de professores), esta estrutura de ensino gera sofrimento e desinteresse profundo. É a própria vontade de aprender que está em causa, pois as crianças não querem ir à escola."
(Helena Rodrigues)

"A transmissão da informação já não é tão necessária como o foi como missão da escola durante séculos. Um clique na internet e temos acessível quase toda a informação do mundo! O que é fundamental é desenvolver o espírito crítico face a essa informação, a capacidade de questionamento e de formular perguntas, de 'pensar pela própria cabeça' e de ter em conta o bem-estar e os sentimentos dos outros, de ser capaz de levar a cabo uma tarefa ou de fazer perguntas relevantes e de organizar as suas aprendizagens para lhes responder"
(Maria Emília Brederote dos Santos)


... ou as primeiras dúvidas na seleção, aos 6 aninhos apenas.


(Nonô) Mamã, eu gosto do M. e do H. O M. é mais forte mas o H. corre mais depressa. Qual é que eu escolho?


(Dudu) Mãe, sabes que a Bisa já não volta aqui...

(Mãe) Pois não, filho. Ela já morreu...

(Dudu) Eu sei. Mas ela agora vai para outro mundo, já não volta aqui para este. Pois é, mãe?

(Mãe) Não sei, filho. A mãe não sabe. Tu parece que sabes mais do que eu...

(Dudu) Então eu digo-te. É assim: quando morremos vamos um bocadinho para o céu, e depois podemos voltar para este mundo ou ir para outro. Para experimentar coisas diferentes, percebes?

(Mãe) Achas que é assim, filho?

(Dudu) Sim. E a Bisa agora já não vem para aqui.


E quem sou eu para o contradizer?
Deixo apenas um beijinho grande para a Bisa, lá onde ela estiver...
(Mãe) Titão, a tua professora diz que andas mais distraído nas aulas.

(Titão) Pois é, mãe... Tenho de trocar de lugar.

(Mãe) Então? Estás ao pé de alguém que te distrai?

(Titão) Não. Estou ao pé da janela... Então começo a olhar lá para fora, a ver o céu e as nuvens, o sol, as pessoas a passar...


... a vida a chamar por ele. E ele enfiado nas 4 paredes de uma sala, a estudar o mundo que estava para lá da sua janela...
Titão prepara-se para matar uma traça.


(Mãe) Não mates... Abre primeiro a janela, para ver se ela sai. Imagina que eras tu a traça e tinha um Sebastião enorme atrás de ti para te matar...

(Titão divertido) Eu... uma traça...

(Mãe) Sabes que há pessoas no mundo que acreditam que nós já fomos, noutras vidas, animais, plantas...

(Titão) A sério?


Mamã anui.


(Titão conversa com a traça) Então esta traça podia ser, para aí, o meu tetravô...


Risos.


(Titão) Isso parece-me um grande disparate. Olha por exemplo uma bactéria. Achas que devíamos deixar de tomar remédios para nos curarmos... não vá ela ser para aí a nossa bisavó?


Mais risos. Muitos.


(Mãe) Eu só disse que algumas pessoas acreditavam nisso. Outras acreditam noutras coisas. Tu podes acreditar no que quiseres. Eu cá não gosto de matar animais porque não gosto de roubar a vida a nada ou a ninguém... só isso.


Titão fica a pensar naquilo em que ele acredita.


(Titão) Eu acho que os homens são os homens e os animais são os animais. Temos vidas à parte.

(Mãe) Sim, é possível.

(Titão) Nós somos seres racionais e eles são irracionais.

(Mãe) Em relação a isso é que eu já tenho algumas dúvidas. Estás a ver a pancadaria na festa do Benfica?

(Titão) Ah, pois! Retiro o que disse...
O Afonso já tinha contado que se tinha entusiasmado a fazer a composição do exame de português e que tinha ultrapassado as 200 palavras impostas como limite (e que seria penalizado por isso mesmo). Mas só à noite tivemos oportunidade de conversar sobre ela.

(Afonso) Acho que a nota vai depender do professor que corrigir. Se for um professor mais sério, é capaz de não achar graça às minhas piadas.
(Mãe) Piadas??
(Afonso) Eu inventei que ia haver um concurso de talentos, eu queria participar mas não sabia qual era o meu talento. Experimentei malabarismo, magia e mais uma data de coisas, mas era um fracasso. Até que, estavas tu a cortar um alho francês..
(Mãe) Ai eu também entro?
(Afonso) Sim. Eu perguntei-te de que era a sopa e tu disseste que era de alho francês. Então eu perguntei: "Porquê? O espanhol não apanhou o avião?". E tu gozaste comigo: "Com piadas dessas, devias ir para humorista." Então deu-se um PLIM na minha cabeça e eu ganhei o concurso a fazer stand-up comedy. Moral da história: o alho francês pode ajudar-nos a descobrir o nosso talento.
(Mãe) Foi assim que terminaste a composição???
(Afonso) Sim. Mas depois fiz um segundo final mais sério... Diverti-me tanto que até me esqueci que estava num exame...


E das duas uma... ou ele tem muito boa nota ou um valente ponto de interrogação!

Moral da história: Não leves o alho francês para o exame!
(ou, em alternativa, usufrui do prazer da escrita, sim, que é muito mais importante do que qualquer nota que possas vir a ter no exame)
Da lista que coisas que só o Dudu poderia dizer:

(Dudu) Ai, mãe, este mundo é difícil...
(Mãe) Porquê, filho?
(Dudu) Às vezes cansa-me um bocadinho.
(Mãe) Mas achas que há outro mundo mais fácil?
(Dudu) Sim.
(Mãe) E como é que é?
(Dudu) Hummm... Há o mundo dos instrumentos. Somos todos peças e coisas dessas.
(Mãe) Mas este mundo também é tão giro! Já viste a quantidade de coisas giras que podemos fazer, com este corpo e esta cabeça cheia de ideias? E, sempre que nos cansamos, podemos descansar!

Deu-me um valente abracinho e foi para a cama todo contente.
E a mamã foi pensar nesses outros mundos por onde o Dudu já terá passado. De facto... que canseira!
FOOD REVOLUTION DAY!

Por uma geração mais saudável, mais preparada para os grandes desafios que terão pela frente...


Afonso acabadinho de sair do exame de Português, liga a contar como correu:


(Afonso) Correu bem. Mas já sei que, pelo menos dois pontos, me vão descontar.
(Mãe)???
(Afonso) Entusiasmei-me muito com a composição, até me esqueci que estava num exame...
(Mãe) Mas isso é bom!
(Afonso) Mas com isso ultrapassei as 200 palavras. Fiz para aí umas 250. E acima das 200 os professores descontam dois pontos...


Anda uma mãe a estimular a criatividade de um filho, para isto...
Na cadeiras de jornalismo que tive na faculdade, aprendi a escrever a metro. Nos jornais trabalha-se por caracter, o espaço é limitado. Foi uma aprendizagem importante, e acredito que o poder de síntese possa ser útil, em muitos casos.

Mas impor limites de palavras a uma criança de 11 anos??? Obrigá-la a contar as suas palavras? A conter-se, para não se exceder? Qual o objetivo?
E porque 6 anos não se fazem sem bolo, aqui ficam os da "Bolos dos Anjos", que fizeram as delícias dos nossos pequenotes.



E toca a espreitar o site, que é, no mínimo, delicioso...

http://www.bolosdosanjos.com

A professora tinha decretado o domingo como dia oficial de descanso, sem pensar em provas, nem exames, nem notas, nem coisa que o valha.
Achei um bocadinho exagerado e perguntei a mim mesma: mas será que as crianças estão mesmo em stress?
O Sebastião descansou, com umas perguntinhas da mãe pelo meio, entre um mergulho e uma partida de basket, só para consolidar algumas coisas que eu sabia que ele trocava com frequência. À noite levou um abraço apertadinho: "É um teste como centenas de outros que já fizeste. Não estás preocupado, pois não?".
Respondeu-me que não e deitou-se bem cedo, para descansar o suficiente.

Mas às 3 da manhã, estava eu ainda a trabalhar (porque a mãe também anda com os stresses do trabalho), aparece-me na sala.


(Sebastião) Já está na hora da prova, mãe?

Não, não estava...

(Sebastião) Mas falta muito? Acho que já não tenho sono...


Tive de o levar para a minha cama e dormir abraçadinha a ele. "A vida é muito mais do que testes, filho. Tenhas a nota que tiveres, a mãe vai amar-te sempre..."

Hoje de manhã era um menino feliz. Ele é sempre um menino feliz e calmo, apenas acusou a pressão.


(Sebastião) E o que é que eu vou fazer na escola até à hora do exame?

(Mãe) O que fazes sempre. Jogar à bola!


Mas se até ele stressou, como estarão os meninos mais ansiosos? Os das dores de barriga e das insónias mais violentas? Os das unhas roídas e do lábio mordido?
Eu sei que antes também havia exames e que todas as pessoas têm de aprender a ser avaliadas, porque o serão a vida toda. Eu percebo o sentido de se aferirem os resultados. Mas então na escola devia aprender-se também a gerir o stress, a controlar a ansiedade, com práticas meditativas e exercícios. Uma grande, grande parte da população, neste momento, sofre de stress e ansiedade. Toma ansiolíticos e comprimidos para dormir. Tem ataques de pânico. Faz terapia. Se já percebemos que o stress e a ansiedade nos destrói, porquê sujeitar as nossas crianças, desde tão novas, a algo que sabemos que é tão corrosivo para a nossa sanidade mental?
Se entendem que os exames são, de facto, importantes, então que se perca tempo a ensinar a lidar com eles...
Como me explicou um dia o Dudu: "Tu pediste para nós virmos e nós viemos."
Vieram e revolucionaram a nossa vida, com trabalhos redobrados, mas também (e isso compensa tudo!) alegrias desmedidas e aprendizagens constantes.

Já lá vão 6 anos...

Obrigada, meus piolhos lindos!



Vale mesmo a pena conhecer este blog!
E este post é para todas as mães que têm de ficar longe dos seus filhos, mas que conseguem transformar a distância numa presença constante, muito especial.

http://amniotico.blogspot.pt/2015/05/quando-as-maes-trabalham-longe-when.html