Primeiro dia de workshop Inventors, no ISCTE, e chegaram a casa a deitar fumo... de tanto pensarem, claro está. Stop Motion com plasticina, corridas de carros construídos por eles, catapultas, torres de massa...
Não creio que tenha nenhum futuro inventor, cá por casa, mas pelo menos meteram as mãos na massa e desbravaram conceitos de Física aplicada, que nunca mais irão esquecer.




Para quem não conhece estes workshops, espreitem em https://www.theinventors.io/. Duram até ao início do ano letivo, em Lisboa e Cascais.
Miminhos da minha editora, escritora e amiga Rosário Alçada Araújo.



Obrigada, querida Rosarinho. Vamos ler com muito carinho.
O Sebastião retomou os exercícios de escrita, com mais um livro muito giro e divertido, que ensina a imaginar, planificar e concretizar uma história. Mas claro que o Afonso, auto-intitulado escritor de mão cheia, tinha de vir meter o bedelho:

(Afonso) Na escola ensinam-te que as histórias têm de ter um princípio, um meio e um fim, mas não acredites. O que as histórias devem ter é um princípio, um meio... e uma reviravolta!

Ainda vai escrever novelas, este meu filho...
Acabadinhos de aterrar, depois dos últimos dias de férias, eis que chega a nossa casa o caixotão da Wook com os livros escolares para este ano.



- Eia, não, mãe! Nem consigo olhar... - resmungaram os mais velhos.

Não têm outro remédio. Amanhã começam a forrá-los. Entre manuais, livros de atividades, anexos disto e daquilo, um total de 48 livros (os de Educação Física, Visual e Tecnológica, felizmente, transitaram do ano passado. Para o ano tenho mais 6 livros para cada um dos filhos mais velhos) a cheirar a novo, para darem cabo das costas dos meus filhos. Mas primeiro, claro, deram conta da carteira dos pais: 440€ em livros, que os irmãos não vão conseguir aproveitar porque os programas e as metas vão mudar entretanto e lá vêm manuais novos para encher as cabeças dos filhos de conhecimento.

- Há livros destes que eu sei que nem vou abrir!

- Podíamos ficar em casa a fazer isto tudo e só íamos à escola se tivéssemos dúvidas...

Sendo que "isto", ainda por cima, podia perfeitamente estar online, poupava-se em papel, em árvores, em peso e em custos.
E começo a ter poucas dúvidas de que o ensino, pelo menos nos anos mais avançados, vai acabar por passar por aí: pesquisa de informação autónoma, em dispositivos eletrónicos, cabendo ao professor (e isso parece-me tão mais nobre, tão mais importante, tão mais dignificante) orientar, tirar dúvidas, lançar a discussão, motivar e inspirar, na sua área de especialidade, que não pode dissociar-se da formação humana.

PS - Não obstante a condenação do "negócio" que envolve os manuais escolares, aprecio o cuidado com que eles são elaborados e o investimento que é feito, por parte das editoras, para que eles sejam claros, estimulantes e apelativos. Eu própria tenho este ano, pela primeira vez, um texto meu num manual escolar - "A Turma do Pedro", da Livro Direto. O que tem de ser repensada, a meu ver, é toda a lógica do ensino e, por conseguinte, do papel da aula, do professor e do manual em papel (obsoleto a curto prazo) no meio de tudo isto.
Sebastião a fazer palhaçadas na cozinha, entre dança e representação improvisada:

(Mãe) Olha que tu até davas para ator, filho.

(Sebastião) Achas? Eu gostava... Mas depois tenho de trabalhar até à noite, mudar de terra... Depois não tenho tempo para os meus filhos, a minha mulher também vai trabalhar e alguém vai ter de ficar com eles... Se calhar não é boa ideia. É melhor ter uma profissão mais calma.

Ter um filho que, aos 10 anos, já pensa primeiro na família do que na carreira, é algo muito estranho para mim (eu, que ainda hoje tenho dificuldade em dosear uma coisa e outra!). Mas quanto mais observo este meu filho, que dá valor ao estar, ao usufruir, ao ser feliz nas pequenas coisas, mais penso que tenho muito a aprender com ele. E não tenho dúvidas de que, se ele tiver oportunidade para isso, vai ser um pai e tanto!
Os mais novos não querem perder pitada das férias e resmungam, resmungam, sempre que lhes ponho um livro de fichas à frente. Eu compreendo-os, férias são férias, mas como eles precisam de treinar a escrita e a leitura, têm mesmo de trabalhar. Cabe-me a mim tentar ser um pouco mais criativa nas propostas de trabalho que lhes lanço.
E a tarefa de ontem, ao invés de uma ficha, acabou por ser...



- Ó mãe, a nossa família tem muitos nomes da "Massa Fresca"...

Porque será? :)

Primeira aventura a 6 a bordo de um cruzeiro pelo Mediterrâneo. Um verdadeiro corropio, como seria de esperar, cansativo para os pais, hiper-mega-divertido para os filhos. Saldo bastante positivo, por entre visitas culturais, diversão no barco e comida à discrição (que deveria querer dizer comer com discrição... ou será que a comida é à discrição porque ninguém se importa com o que comemos? E podemos, discretamente, comer o que nos apetecer?).
Chegámos ontem à noite, estafados, com 3 máquinas de roupa por fazer, frigorífico vazio e animais a suplicar por festas e companhia. E hoje, quando acordei, dei com os filhos mais velhos a tentar convencer o Dudu de que tudo não tinha passado de um sonho.

- Uau, Dudu! Sonhaste mesmo com isso tudo? Quem me dera que fôssemos todos num cruzeiro... Que sonho bom, Dudu.

Pobre criança, à mercê de dois pré-adolescentes sabidões...
Pelo sim, pelo não, fui abrir o frigorífico. Não havia mesmo nada para comer e a gata enroscava-se nas minhas pernas, mais dengosa do que nunca. Confirma-se. Fomos mesmo. E já viemos. Para o ano há mais...


- Mãe, porque é que não estás a sorrir?
- Aconteceu uma coisa má na Alemanha?
- Que coisa má?
- Anda, vamos dançar.

Sinto-me, nos últimos tempos, como o Roberto Benigni n’A Vida é Bela, fingindo que este mundo ainda é o da paz e da liberdade, dos sonhos e da democracia, que se tem vindo a esboroar nos próximos tempos (se é que alguma vez existiu, para além da minha inocência).
E recuo aos meus 15 ou 16 anos, quando conheci um rapaz bósnio que me olhou demoradamente e depois me disse que eu só sorria como sorria porque não sabia o que era a guerra. Rapidamente engoli o sorriso, mas ele pediu-me que não o fizesse:
- Enquanto sorris, eu sorrio contigo.

E danço com os meus filhos, pensando no mundo que lhes deixo, tão longe do mundo que gostaria de lhes deixar. E nos sorrisos que, esteja o mundo como estiver, preciso de lhes sorrir, para que os deles nunca esmoreçam, e sorriam também a quem lhes vier ao caminho...


Há três dias que tiramos um bocadinho do dia para irmos em busca de Pokemons. Ou melhor (versão da mãe), há três dias que consigo arrancar os meus filhos do sofá para irmos passear a cadela e conhecermos um pouco melhor as ruas da vizinhança. E, nisto, consigo ver inegáveis vantagens:

- nunca eles se prontificaram tão alegremente para vir passear comigo;
- a cadela nunca deu passeios tão compridos (sou eu que os interrompo porque tenho de voltar ao trabalho);
- pelo caminho vou-lhes explicando quem são as pessoas homenageadas nos nomes das ruas, e que monumentos são aqueles a que eles agora chamam de "spots".

Mas claro que, pelo meio, ficam as conversas "do outro mundo", que dariam uma bela comédia (ou tragédia?):

- Mãe, não te mexas... Tens um Pokemon no vestido!


- Mãe, tu evoluíste.
- ??
- Dei o teu nome ao Pokemon que estava no teu vestido. Evoluíste e agora és a Sara 0.2... uma lagarta amarela!



alguém vai receber uma cartinha estas férias...
Alguém que lê este blogue.
Quem será?

Quem se lembra?
Alguém escreve uma frase e passa ao outro, que continua a história e dobra o que está em cima. E assim nasceu a primeira história imbecil dos meus 3 rapazes...

Eu não vou poder, com uma gigantesca pena minha, mas mais ninguém tem desculpa para faltar. Para além da Susana Tavares, guionista na novela e co-autora de mais esta aventura, estarão por lá também a Maria (Mafalda Marafusta), o tio Francisco (Duarte Gomes) e os manos Elias, para os autógrafos e afins.
#massafrescatvi


(com a Rosário Araújo, editora da Oficina do Livro-Leya, escritora e amiga, que embarcou connosco nesta aventura...)



Este ano foram vários os ataques da bicharada (muita cabeça passei eu a pente fino!), mas estes piolhos não são desses. São dos bons, daqueles que causam comichão desejável, inquietante. Podem sugar-nos tempo e energia, mas mal de nós quando deixarmos de nos coçar.

Obrigada, Rita Correia, pela oferta! Ando cheiiinha de comichões :)



A checar as profissões com o Mr. Dudu.


(Mãe) E esta, filho?

(Dudu) Fácil! É o senhor do Pingo Doce...


Depois de um dia passado a resmungar com os filhos por causa da agressividade que eles usam para com os outros, a história de boa noite só podia ser esta. A de um pequeno livro muito especial, que me foi oferecido pela Paula Alves, da Fazedores de Mudança. Ou não fosse uma mudança, aquilo que a mãe estava a tentar pedir aos filhos.



(Mãe) Percebem, meninos? A comunicação é como o andebol. Mas vocês, em vez de atirarem a bola uns aos outros, de forma a que os outros a apanhem... atiram-na com toda a força contra a cara do outro!

(Afonso) Pois é, mãe... Em vez de andebol, andamos a jogar ao Mata!

Riram muito, divertidos, mas a analogia não podia estar mais correta.

(Mãe) Vocês não deviam estar a jogar para se eliminarem uns aos outros. Têm de aprender a jogar em equipa!

E com esta se foram, cada um para a sua cama. Falar é fácil. O difícil é fazer. Mas é como diz o ditado: água mole em pedra dura, tanto dá até que fura! Esperemos...


Resmunga, argumenta, amua, explode... mas é na verdade um gatinho a tentar ser um leão.

Lá chegarás, meu filho. Mas a selva é dura. Aprende primeiro a galgar telhados e a saber distinguir a mão que te faz festas daquela que te apanha pelo pescoço.

Hoje ainda és o meu bichinho. Um dia, não me terás para encher de água e comida as malgas onde comes. Terás de ser tu a correr em busca do teu alimento. E a reaprenderes a ser meigo, para cuidares dos teus.

Já lá vai o tempo em que os meus filhos mais velhos viam os Pokemons na televisão e brincavam com os bonequinhos coloridos e umas bolas que se abriam para combates inexplicáveis (para mim, pelo menos).

Mais inexplicável ainda é o Pokemon Go, o novo jogo para telemóveos que já tem uma verdadeira legião de fãs por todo o mundo. Os meus filhos mais velhos inscreveram-se e, se antes tinha a casa cheia de pokemons de plástico, agora tenho-a cheia de pokemons... virtuais!

- Mãe, encontrámos mais um na casa de banho!

Real ou virtual, continuará a ser para mim um fenómeno inexplicável...

O pai andava com os rapazes, e a mãe fez uma noite especial com a filha. Um jantar à luz das velas, onde o tema, conversado de mãos dadas, foi a Paz e a Confiança. Confiança em nós. Confiança nos outros. Como ser uma pessoa de confiança? Devemos confiar nos outros ou desconfiar sempre, à partida? Se todos os homens fossem de confiança, haveria paz? E se houvesse paz, já não seria preciso desconfiar de ninguém? O que podemos fazer em nossa casa, para cultivar a paz e a confiança? E o que podemos fazer pelo mundo?
Jantámos, conversámos e fomos enroscar-nos na cama, num silêncio bom, longe de imaginarmos que, em Nice, mais um brutal atentado abalava a paz e a confiança de tanta gente.
Ontem foi a França, mas todos os dias, em muitos cantos do mundo, há homens, mulheres e crianças a assistir à guerra, à tortura, à perseguição, à fome e à escravidão. É urgente refletir sobre isto. O que pode ser realmente eficaz na promoção de uma cultura de paz? Estará a política a ser um exemplo, na promoção da paz? E a nossa economia? Fomenta a confiança ou a desconfiança? Estará a escola, como a conhecemos, a formar cidadãos para a paz? E as famílias? E a televisão? Os jogos? As redes sociais, onde a agressividade e o ódio são uma constante. Será tudo isto o resultado de um contexto? Ou este é um problema de base do ser humano? Estudem-se as comunidades mais pacíficas! O cérebro daqueles que são incapazes de fazer mal a uma mosca. É preciso mudar a alimentação? Os hábitos? O modo de vida? A escola? A economia? A política? Talvez seja preciso mudar tudo. Mas então tenhamos a coragem de mudar. Mudarmos nós primeiro. Mudarmos a nossa casa. Mudarmos a escola. Mudarmos os nossos locais de trabalho. E exigirmos a mudança daqueles que, acima de nós, terão de ser o exemplo desta mesma mudança.

- Filha, a mãe confia em ti para transformares o mundo num lugar melhor.
- Eu também confio em ti, mamã.

Vamos a isto?


(S) E então, como é que te sentes?
(T) Muito feliz. Já tive oportunidade de felicitar as minhas congéneres francesas, que invadiram o campo para incentivar a nossa seleção.
(S) Onde é que vais? Espera! Não te vais embora! Eu hoje não te faço mal. Estamos juntas por Portugal!
(T) Tenho que ir a Belém. Com jeitinho, ainda consigo pousar no nariz do Cristiano Ronaldo...


Não há condições! Eu bem tento trabalhar, mas toda a criatividade vai dar à seleção...
Viva Portugal!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

(by Rita Correia)
A "Massa Fresca" é a primeira ficção portuguesa que a minha filha vê. Vive a história intensamente, e nem sempre é para ela clara a fronteira entre a ficção e a realidade.

Primeiro, viu uma imagem com a Isabel Figueira numa loja de roupa:
- Ó mãe... porque é que está aqui uma fotografia da professora Bárbara?!

Hoje, a picar canais, deparou-se com uns episódios antigos de "Campeões e Detetives".
- Ó mãe... está aqui a professora Carla!
- Isto é antigo, filha.
- Foi antes de ela ir para o Colégio do Mocho?


Nonô na casa de banho da biblioteca:

(Nonô) Ó mãe, eu já posso ir a esta casa de banho da esquerda?

(Mãe) Podes. Se estiver livre.

(Nonô) É que eu acho que é só para leitores...
Enquanto a mana mais nova resolvia umas Palavras Cruzadas de um livro de férias, os mais velhos construíam as suas próprias palavras cruzadas:

(Afonso) Se conseguires resolver, tens pelo menos a inteligência de um esquilo...



Falhei algumas. Sou uma nulidade em super-heróis. Acho que nem para esquilo sirvo...
Éramos 15 e fizemos uma verdadeira invasão ao estúdio, que por pouco não vinha abaixo. Mas ver a alegria da pequenada, que sabia a história na ponta da língua, a descobrir cenários e a recolher assinaturas dos atores, foi impagável.

Aqui fica a prova! Foi um verdadeiro sonho concretizado!


#massafrescatvi
A mãe resolveu que, nesta semana, vamos todos fazer um jornal em família. Cada um pode contribuir com o que quiser, desde anedotas, até artigos de opinião ou de fofocas, entrevistas realistas ou imaginárias... o que quiserem!

E na viagem de casa dos avós, no Alentejo, até à nossa, com 40º à sombra e uma fila interminável, a mãe resolveu desafiá-los a testarem o formato entrevista. À vez, um deles era o entrevistado e os outros colocavam perguntas. O mais engraçado (e ainda diz ele que não tem imaginação! Como é possível?!) foi o Sebastião, que resolveu imaginar que era um treinador de futebol dos Jumentos, equipa cheia de bêbados e drógados (como ele dizia, também ele meio bezano), manetas e pernetas, e tinha muitos torneios malucos para contar... No último, a equipa tinha ganho 0,5 de uma Taça.
- 0,5??
- Na verdade ganhou a taça toda, mas o capitão de equipa estava tão bêbado que caiu e a taça partiu-se. Só levámos 0,5 para o clube...

Temos artigo para o jornal!
O pai e o mano mais velho não estavam, e a mamã aproveitou para um jantar diferente. Por entre garfadas, cada um dos filhos tirava uma peça do puzzle dos países e tinha de dizer o que sabia (se soubesse) sobre esse país. A mãe dizia também o que sabia, e depois íamos perguntar o Google o que ele sabia. E não é que ele sabia sempre mais do que nós?

Com as doses certas, divertidas, de História e Geografia, adoraram a brincadeira... e amanhã há mais!


(Sebastião) Mãe, fiz uma teoria. Não é o teu caso...

Ufa, já me escapei!

(Sebastião) ... mas se as pessoas passam a vida a mentir, era melhor termos um Dia da Verdade, em vez de um Dia das Mentiras...


Teoriza pouco. Mas quando o faz, solta verdadeiras pérolas!
A vantagem de ter colaborado em tantos livros com profissionais de saúde e pessoas ligadas ao bem-estar, é que tive acesso a informação pertinente e fidedigna, livre de todo o "negócio" em que tantas vezes se transforma a Saúde, e a partir dela pude fazer as minhas escolhas. Comer aquilo que eu acho que faz realmente bem ao meu corpo. Levar um estilo de vida (quando posso) adequado às minhas reais necessidades. Compreender que a saúde não é só física, mas depende também das minhas emoções, que têm de ser tão cuidadas como tudo o resto. E que, para além de mim, existem os outros e um planeta que é a minha casa, e que precisa que cada um daqueles que o habita procure um estilo de vida mais sustentável.
Hoje discute-se no Parque das Nações o que deve ser feito ao nível da Informação para termos e sermos Cidadãos mais informados, que possam também fazer as suas escolhas de forma mais consciente. Estarei por lá a dar o meu contributo, certa de que essa Consciência deve começar na primeira infância, e devemos ser nós, Pais e Educadores em geral, os primeiros a incuti-la nos mais novos, ajudando-os a conhecer o seu corpo, o seu país e o seu planeta, e ensinando-os a pensar (mais do que dizer-lhes o que devem pensar) no que é o melhor para eles e para todos.
Vamos a isto! :)


Quem é que não joagava ao "Desconfio" na infância?

Um jogo de cartas onde ganhava quem conseguisse fazer mais "Bluffs"?

Eu nunca fui boa a jogá-lo, mas eram sempre partidas muito divertidas.

Hoje foi a vez dos meus filhos mais novos aprenderem a jogar. Os mais velhos ensinaram, mas uma coisa é explicar as regras, outra é ensinar a mentir.

"3 oitos", dizia o Duarte enquanto, vermelho da mentira, até se atrapalhava e depositava, ao contrário, 1 oito e 2 noves...
A Leonor jogava tal e qual como eu jogava... tentava jogar sempre a verdade, até não dar mais... e depois era um enrascanço pegado!
O Afonso é um bluffer profissional, e o Sebastião, que também não tinha jeito para mentir, já não se safa nada mal. Não é propriamente a melhor lição do mundo, mentir. Já aprender a perceber de quem se deve desconfiar, é uma lição e peras, essencial para se viver neste mundo!


PS - Para quem não se lembra como jogar, podem espreitar AQUI.
- Meninos, a mãe vai dar-vos umas aulinhas de dança!

Sozinha com os mais velhos, pus a música a tocar (Natiruts com Mónica Ferraz).
Os filhotes estão crescidos, já falam em namoradas, e saber dar um pezinho de dança é sempre importante para a fase das conquistas.

Afonso, pé de chumbo, marca pontos com as coreografias engraçadas que inventa.
Sebastião sai à mãe. Fecha os olhos e dança como gente grande.

- E agora? O que é que vamos dançar?

Escolheram eles. Anaconda de Nicki Minaj, pelos vistos um dos vídeos mais vistos entre os amigos.

- E então, mãe? Isto já não sabes dançar, pois não?

Boquiaberta, a ver o vídeo, desisti de lhes tentar ensinar o que quer que fosse. O generation gap existe e ainda bem! Há coisas que é mesmo melhor os pais não saberem nem tentarem compreender...


... e, se possível, ainda pô-los a trabalhar algumas competências!

E o dia começou com... Batalha Naval!


(as folhinhas que fazíamos no nosso tempo eram óptimas. Mas estas já feitas, em que é só rabiscar, também dão muito, muito jeito!)


Seguiu-se um jogo do Stop, essas com os rabiscos tradicionais:



Agora vamos ao Puzzle... mas o dia ainda vai a meio!

Aceitam-se boas sugestões...


PS - O filho da Carolina Deslandes já nasceu. Um beijinho de parabéns!
A Carolina Deslandes está grávida (ou já nasceu? Tenho de ir ao cabeleireiro atualizar-me...) e escreveu um texto lindo sobre o que é a gravidez e sobre o nascimento de um filho... e, com ele, o nascimento de uma Mãe!

Só acrescentava, Carolina, que mesmo quando os filhos começam a querer crescer mais do que tu, e já não tens vontade que a tua barriga cresça, continua a ser cheio de medos, de percalços, de opiniões alheias, de livros com conselhos, de sonhos que ficaram pelo caminho, de NÃOOOOS!!!... e indiscutivelmente maravilhoso, todos os dias, um de cada vez, até ao fim.

Que corra tudo bem, Carolina!

"
"Tens a certeza?" É a pergunta que mais se ouve quando descobres que estás grávida. Perguntam-te tantas vezes que às tantas já nem tu sabes! Depois, antes de te darem os parabéns (porque é isso que se faz e toda a gente sabe) começam as perguntas : "Mas e agora?" "Sabes que isso muda a vida para sempre não sabes?" "E a tua carreira?" E fala-se daquela viagem de mochila às costas que ias fazer e do curso de fotografia que querias tirar e daqueles meses que ias viver fora e do ano de trabalho que tinhas pela frente. Fala-se de tudo.

Vais sentir medo, não vou mentir. Vais-te questionar e vais pensar "Será que estou preparada para isto?" Mas isso é tudo normal, afinal de contas tens uma vida a crescer dentro da tua barriga e vais ser MÃE. Vais ser aquela mãe que acalma os pesadelos, que corta o bife aos bocadinhos, que dá o xarope a meio da noite e que apanha o filho da relva depois de ele esfolar os joelhos. Vais ser crescida, oficialmente!

Depois quando contares a toda a gente que estás "à espera de bebé" vais descobrir que toda a gente neste mundo tem uma licenciatura em medicina escondida dentro da gaveta da cozinha, porque toda a gente parece saber mais que tu e que a tua médica! Toda a gente tem um "livro que tens de ler", umas "aulas a que tens de ir", "um vídeo que tens de ver" e prepara-te para as caras de recriminação quando fores comer alguma coisa e ouvires "podes comer isso?". A verdade é que a ajuda é muito bem-vinda e preciosa,até. Mas escolhe bem as pessoas que queres ouvir e não te deixes baralhar nem consumir pelas opiniões de toda a gente senão quando deres por ti tens 52 livros, 10 biberons diferentes (um que não faz cólicas, outro que não deixa passar o ar), e só comes sopa e pescada durante 9 meses.

Vais descobrir que 9 meses é imenso tempo. Principalmente porque crescemos a ver filmes e novelas em que as actrizes aparecem grávidas num episódio e dois episódios a seguir têm o filho. O processo é demorado! Tem vários, muitos, milhares de dias!! Vais começar a passar muito mais tempo sozinha, e vais ter dias em que acordaste muito bem disposta e depois de almoço sem razão aparente tens um ataque de choro de soluçar só porque sim. (Ou porque viste aquele vídeo do YouTube que alguém partilhou no facebook do pai que revê o filho ou do panda que encontra a mãe). Vais descobrir também que, na maioria dos casos, não existem as "gravidezes modelo". Há pessoas que as têm, mas não são todas, calma! É o máximo ver as fotografias da barriga perfeita e do corpo que ficou igual, parece que só plantaram lá um bebé, mas se fores como eu prepara-te para ficares grávida da ponta do cabelo à ponta do pé. Isto é: vai haver dias em que vais acreditar que trocaste de pés com o shrek e os teus tornozelos são dois troncos de árvore, vais ficar com um mini queixo por baixo do teu (pelo menos no último mês) e vais descobrir que por mais creme gordo que ponhas e por muito que esfregues há sempre um gang de estrias que aparece para te fazer bullying. Apesar de todas estas coisas, vais ganhar um amor e um sentido de protecção enormes pela tua barriga. Vais querer vê-la crescer todos os dias, vais pousar em frente ao espelho e a partir de certa altura vais querer usar vestidos com aquele vinco por baixo do peito só para passear de barrigão! Vais perceber que cada corpo reage à gravidez de maneira diferente, que todas elas têm beleza e vais aprender a amar e aceitar o teu corpo.

Vais descobrir que há muita gente com falta de noção que mete automaticamente as patas na tua barriga e quando já a estão a esfregar perguntam "posso?". Não tenhas vergonha de dizer que não. Há pessoas e pessoas e não é por teres uma barriga que tens de concordar que toda a gente lhe mexa, principalmente se isso te fizer sentir desconfortável. Vais começar a repelir certo tipo ambientes, vais descobrir que há sítios que te transmitem má energia e vais começar a mudar os teus hábitos sem que dês por isso.
Acima de tudo, vais começar a respeitar a tua mãe de outra maneira e vais começar a dar valor a coisas que nem te passavam pela cabeça. Vais começar a admirar as mulheres que vês chegarem aos sítios com 3 crianças e vais pensar "Uau! Como é que ela faz?" E vais compreender todas as vezes em que a tua mãe não te deixou fazer aquele programa perigoso com os teus amigos. Vais, pela primeira vez na vida, ter medo!! Ele ainda nem nasceu e eu já tenho medo!! Eu que achava que ia ser a mãe relaxada e liberal já dou por mim a pensar na quantidade de coisas a que vou dizer "Nãooo!!!".

Não há palavras que expliquem o que é sentires um pontapé, veres a tua barriga mexer, ouvires o coração do teu filho pela primeira vez. Nasce um filho, nasce uma mãe.

Aquilo que quero dizer com isto é, não é tudo um mar de rosas como nos filmes mas vale tudo a pena, cada segundo. Vivemos num mundo em que só se fala do "eu" e já não se ouve ninguém falar de dar, criar, construir. Parece que és retrógrada ou conservadora se ambicionares ter uma família tua! Podem existir muitas aventuras, podes saltar de muitos aviões, mas acredita que não existe maior aventura que esta.
Se descobrires que tens uma semente dentro de ti, tira o tempo necessário e conversa contigo antes de tomares qualquer decisão. Sei que existem muitas pessoas que não têm condições de ter as crianças, sei que todas nós temos o direito de decidir.Mas por favor pensa, não sejas leviana. É o maior milagre do mundo sermos capazes de trazer e criar uma vida no ventre ❤️ let's do this
"
- Mãe, a praia está uma seca.
- Mãe, não tenho amigos meus na praia.
- Mãe, não quero ir à água.
- Mãe, não vou tirar a camisola.
- Mãe, estou ali à vossa espera.
- Mãe, a praia é uma seca.


Costumava pensar que, chegados a uma certa idade, os adolescentes (ou a caminho disso) deixavam de ter vontade de sair com os pais. Bem, isso não deixa de ser verdade. O que eu não sabia é que os pais TAMBÉM deixam de ter vontade de sair com os filhos!
(ainda estou a ganhar coragem para a próxima ida...)
Não sei se, por esse lado, continuam a acompanhar a "Massa Fresca"... mas, a propósito das cenas em que a Teresinha vai à floresta brincar com as fadas, a minha filha foi passar um dia inteirinho com elas, na zona de Sintra, a procurar pegadas de animais e a fazer tesouros para os passarinhos. E, claro... a brincar com fadas de carne e osso, que têm um projeto muito especial chamado Movimento Bloom, que não devem mesmo deixar de conhecer! AQUI


E agora o vídeo da Massa Fresca, dedicado a todos os meus amigos que, como eu, ainda acreditam na magia das fadas...

https://www.facebook.com/massafrescatvi/videos/907687619354304/?pnref=story

"O contacto com a Natureza é muito importante para crianças e adultos. Foi com a ajuda da magia da floresta e das Fadas que a Teresinha conseguiu expressar o que sentia. Partilha este vídeo para lembrar o quanto é importante brincar ao ar livre e descobrir a magia das pequenas coisas!"
#massafrescatvi
- Sonos em dia - check!
- Carteira vazia de papeladas - check!
- Armários dos filhos arrumados - check!
- Restante casa arrumada - quase check!


5 dias sem filhos e a mamã está como nova! Preparada para 3 meses intensivos de filharada ao rubro...
Porque de nada vale um movimento sem o outro...

As férias ainda não começaram, mas entre fins de semana mais folgados e feriados, a Mãe já sentiu necessidade de começar a estabelecer os compromissos para os longos meses que se avizinham.
Este ano, as regras foram decididas pelos filhos (cada um escolheu duas, e a mãe outras duas), escritas por eles e assinadas, em jeito de compromisso. Agora vão para o frigorífico, substituir os horárias das aulas, as datas dos testes e outros recados da escola.
Se vão cumprir ou não, eis a questão...

Desafio do dia: tentar despachar telefonemas de trabalho enquanto passeio o cão e levo os filhos a passear de bicicleta.

Resultado: Muitos latidos e berros meus a gritar pelos filhos que teimam em violar as regras de trânsito, por entre "Sim, sim, conte comigo", "Estou disponível", "Não vou falhar".

Sinceramente, não sei como é que ainda vão acreditando quando eu digo que sou capaz.
Sinceramente, não sei é como é que ainda vou sendo capaz!
Família a ver o "Música no Coração", para os filhotes perceberem de onde veio:
1) parte da vontade da mãe em ter uma família numerosa;
2) parte da inspiração para "Massa Fresca".

No final:
(Filho) Não percebo porque é que, nestes filmes, põem sempre mulheres a tomar conta das crianças.
(Mãe) Achas que é uma visão machista? Escolher sempre a Mulher para esse papel?
(Filho) Não, acho é que é uma visão femista (não confundir com feminista). Partem sempre do princípio que os homens, ou fazem mal, ou não dão conta do recado...
Os meus filhos fizeram uma festa - "Temos a nossa mãe de volta!" - e a lista de tudo o que deixei pendente, pessoal e profissionalmente, durante estes seis meses, encheu-me duas folhas do caderno. Ainda assim, acordei com um daqueles sorrisos parvos estampados no rosto, de quem terminou uma maratona esgotante por uma causa. Correr por gosto também cansa, mas chegar ao fim com a certeza de que, por um conjunto variado de razões (resultados, aprendizagens, amizades) valeu bem a pena, é qualquer coisa...

Obrigada, TVI! Obrigada, Plural! Obrigada, Actores.
E obrigada à minha Equipa-maravilha, que talentosamente se aventurou comigo nesta tarefa louca de tentar "mudar o mundo" através das palavras. O que mudámos, ao certo, não sei. Mas demos o nosso melhor...

Dia 20 à noite:

(Afonso) Mãe, desculpa... esqueci-me de te mostrar isto. Mas este fim de semana tenho uma visita de estudo em Madrid. Vamos amanhã e voltamos no domingo.



Mãe engole em seco. Já? Como? Madrid?

(Afonso) Mas só avisaste agora? Onde é que é o ponto de encontro? Onde é que vão dormir? Tenho que ver mais informação, deves ter recebido mais alguma coisa.

Afonso puxa de uma cadeira e senta-se ao meu lado, impressionado.

(Afonso) Fogo, mãe... era uma partida. Eu estava à espera de te ver histérica, a dizer que nunca na vida deixarias o teu filho de 12 anos ir para Madrid um fim de semana. E tu só te mostraste chateada por eu não ter avisado antes.

É que a mamã lembrou-se de todas as viagens que sempre desejou fazer, da sua sede de correr o mundo e aproveitar tudo até ao tutano, e de aos 16 anos ter chegado a casa com a notícia de que tinha ganho um prémio de escrita sobre os Descobrimentos... e uma viagem de 9 dias a Hong Kong e Macau com mais 100 jovens. Ir a Madrid um fim de semana, com meia dúzia de colegas e dois professores, nem me pareceu nada de especial.

(Afonso) Passaste no teste. Estás preparada para ser mãe de um adolescente...

Mas, felizmente, era só um teste, que ele preparou com as folhas do colégio e a letra certinha de uma colega... Vamos ver quando for a sério!
O ringue de patinagem parecia enorme, o coração da mãe ficou pequenino. E, na relatividade de todas as coisas, cresceu o meu respeito pela pequena-grande filha que se exibia à frente do grande-pequeno júri. A minha teimosinha endiabrada tem garra e não se fica.
Haja muitos ringues na vida onde ela possa deslizar sem medos, aprender com as quedas e, tanto quando possível... brilhar!

Do nada:

(Nonô) Ó mãe, se uma pessoa estiver a fazer o exame de código e bater com o carro, tem de pagar?

(Mãe) Eu acho que não, filha. À partida o carro está à responsabilidade da escola.

(Nonô) Ufa!

É que é mesmo uma questão pertinente para uma miúda de 7 anos...
Resultado do cansaço da mamã: 3 dias sem voz!

Lado bom da coisa (sim, há sempre um lado bom para tudo!): nunca se bateram tantas palminhas cá em casa...
Há 7 anos, sensivelmente a esta hora, olhava pela primeira vez para as duas pequenas criaturas que tinham crescido dentro de mim durante longos 8 meses. Como era possível que tivesse cabido tanta gente nas minhas entranhas, é ainda hoje, para mim, uma pergunta sem resposta. Em questão de minutos, passava de mãe de 2 para mãe de 4, e se o sorriso era de emoção, por dentro havia um turbilhão de dúvidas: o que é que eu vou fazer da minha vida? Nunca mais vou conseguir escrever uma linha! Como é que eu vou conseguir ajudar esta gente toda a crescer? Como é que vai ser quando começarem a comer? E a andar? E a escola? E os namoricos? E as noras e os genros? E os netos?
E depois respirei fundo. Um dia de cada vez. Porque, a par de todos os sonhos que ficam pelo caminho, há todos um mundo de novas oportunidades que se nos abrem. A maternidade, não sendo a única fonte de alegrias, é uma escola poderosa de autoconhecimento, liderança, desenrascanço e organização. Tenho cada um dos meus filhos no meu currículo. E, mesmo não tendo (ainda) podido escrever todas as histórias que gostaria, sei que eles tornaram infinitamente mais rico o Livro da Minha Vida.



(Dudu) Mãe, desenhei o Egipto. Com um bocadinho de guerra...


Depois pede-me para lhe falar sobre o fim da poluição no Butão. E para lhe mostrar como vivem os meninos pobres da Índia.

Traquina e de mau feitio, nasceu com a consciência de que é um cidadão do mundo, com tanto, mas tanto por transformar.
E um feliz Dia da Família também à Família Massa Fresca, e a todos aqueles que têm escrito, dado corpo, imagem, cor, som e visibilidade a esta série familiar, que se propôs, desde o primeiro momento, a sentar filhos, pais e avós num mesmo sofá, à mesma hora.
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#‎massafrescatvi‬
Falta aqui um gato e um cão. Falta a família que nos viu nascer e nos ajudou a crescer. A que já partiu. E aquela que, não sendo de sangue, se foi juntando.
Imaginei-me muitas vezes uma guerreira solitária. Independente, vagueando pelo mundo sem precisar de ninguém. E tem sido tão bonito o desmontar desta ideia, o despontar em mim de um sentimento de pertença, de união, de trabalho de equipa e força tribal... Serei sempre, em certa medida, quando a noite cai e as palavras me invadem, um lobo solitário. Mas sei que sou um lobo mais feliz por toda a alcateia que me acompanha, apoia, defende e à qual eu também vou tentando dar o meu melhor.

Feliz Dia da Família!

Quando a minha filha chegou a casa com um pedaço de tecido elástico e percebeu que eu também sabia jogar este jogo, até deu saltinhos de alegria.





Mas o giro, giro, foi ver os rapazes a tentarem imitar-nos. Ah, mãozinhas de fada! Em matéria de motricidade final, não há dúvidas de que rapazes e raparigas (salvo boas excepções) estão nos antípodas!

PS - E alguém sabe como se chamava este jogo no nosso tempo?
Para juntar à lista de vantagens de ter 4 filhos:

(Mãe para os e filhos mais velhos) Meninos, os manos têm uma lengalenga enorme para decorar. Façam duas equipas e voltem daqui a meia hora com a lengalenga decorada. Quem conseguir ganha carteirinhas do Futebol!

Tenho meia hora para trabalhar...
Vou aproveitar!
A Nonô anda em grandes dúvidas existenciais... sobre a existência da fadinha dos dentes.

Hoje, com mais um dente debaixo da almofada, voltou às perguntas:


(Nonô) Eu, por um lado, acho que a fadinha és tu... mas depois acho que não! Tu não tens asas! Como é que tu podias ir a casa de todos os meninos do mundo?!


Mantive a esperança. Mas, algum tempo depois, ela veio ter comigo, muito aflita.


(Nonô) Eu estive a pensar... e se todas as mães do mundo forem as fadinhas dos dentes dos seus filhos?!


Tão perto da verdade... Tão perto de crescer...
Aquilo que só é possível ouvir de um filho de 12 anos quando a nossa vida está mesmo um caos:

(Afonso) Mãe, se eu acordar às 3 ou às 4 da manhã, for lá abaixo e tu estiveres tombada em cima do computador, queres que te deixe dormir ou que te acorde para tu acabares o episódio?
(Nonô e Mamã a pular no trampolim) Mamã, tu és a melhor mãe do Passado, do Presente e do Futuro!

Já me contentava com o Presente, mas tudo bem... :)
E quando o presente do Dia da Mãe do nosso filho mais velho é o desafio para a escrita de um livro a 4 mãos?

Vai ser um loooooongo verão!


O cenário pode parecer idílico mas, desmanchada a fotografia, há birras por controlar, travessas de comida por fazer, quilos de matéria para estudar, valores para lhes incutir, e muita paciência, sagacidade, abnegação e resiliência que as mães (e os pais também, naturalmente, mas hoje é o nosso dia) têm de, dentro de si, descobrir.
Que ninguém se iluda: não é uma aventura fácil! Mas é seguramente uma aventura que nos faz crescer todos os dias. Que, se às vezes nos faz chorar, também é responsável pelos nossos maiores sorrisos.
A todas as Mães lutadoras que eu conheço, que tentam, para além de todas as quedas, transformar os seus filhos em pessoas capazes e pessoas felizes, o meu obrigada! Espero ainda viver num mundo em que as Mães são devidamente valorizadas por isto mesmo...

22.30 da noite. Dudu chama-me, com dificuldade em adormecer:

(Dudu) Ó mãe... se a minha professora tivesse agora aquela doença da menina da "Massa Fresca", que não podia apanhar sol... eu não ia ter mais aulas nem testes, pois era?

#massafrescatvi
(Sebastião a lavar os dentes) Mãe... não vais mesmo dizer-me o que é que vai acontecer à Maria no episódio de Segunda-feira?
(Mãe) Não.


(Sebastião na cama) Mãe... não vais mesmo dizer-me o que é que vai acontecer à Maria no próximo episódio?
(Mãe) Não.


(Sebastião já deitado há um bom bocado) Ó Mãe...
(Mãe) Diz, Sebastião.
(Sebastião) Eu tenho três hipóteses: 1. A Maria morre, mas acho que esta não pode ser, porque senão acabava a série; 2. O Jota acerta-lhe perto do coração, mas ela não morre. 3. A polícia chega a tempo e eles salvam-se.
(Mãe) Não te posso dizer nada, Sebastião. Dorme bem.

(Sebastião a acordar hoje de manhã) Mãe... já me podes dizer o que é que vai acontecer à Maria? Eu faço o que tu quiseres...

E ainda só vamos no episódio 5... Como dizia um coleguinha dele, que por acaso também veio a correr perguntar-me o que é que ia acontecer à Maria: "Ó Sara... isto é mesmo a novela da tua vida, não é?"

#massafrescatvi

(Filhotes) Estamos a jogar ao peixinho, como a avó Miquinhas da "Massa Fresca"...

Deixei-me rir. E lembrei-me da outra avó Miquinhas, a verdadeira, embora "emprestada" para mim, porque era somente a vizinha que ficava comigo quando a minha mãe ia trabalhar. Devia ter uns 2/3 anos e o meu pai, por circunstâncias profissionais, vivia a 400 kms. A avó Miquinhas tinha uma perna toda negra, que eu insistia em trincar, porque o genro me segredava baixinho que era uma perna de chocolate. Fazia rissóis e pescadinhas de rabo na boca, e tinha uma mesa de jogo que servia, entre outras coisas, para desafiar os mais novos para o Peixinho.

Para ela, onde quer que esteja, o meu beijinho.
(Mãe) Sabes, Titão... eu acho que tu me vais seguir as pisadas...

(Titão) Txiii, mãe! Não sei se quero. Vou ter tanto que para pisar...


Dentro do género, vou pensar que isto até é um elogio..
- Mãe, eu não sou livre. Tive de passar o dia todo a estudar!
E a mãe a trabalhar...

Com filhos-filosóficos como os meus, acabamos sempre o 25 de abril a discutir o que é isso, afinal, da liberdade.
Nenhum de nós soube, felizmente, o que era uma ditadura política (e um obrigada profundo a quem lutou para lhe pôr fim). Mas sabemos que há muitas outras ditaduras, ainda, por derrubar, políticas, sociais e pessoais. Contra todas elas, da maneira que pudermos e com as armas que tivermos... marchar!