Há dias bons e depois há dias como o de ontem, cheio de amigos, pequenos, grandes, novos e velhos, da vida toda e/ou para toda a vida, muitos sorrisos e muita festa!
Só por isto, já valia a pena escrever livros...



(com a ilustradora Madalena Bastos, que deu vida às personagens)


Mas há mais! Espero que haja muito mais! Este livro é sobre uma Escola diferente, e é por ela que vamos lutar...
Vamos a isto ;)

#escoladasartes


A convite da pequena-gigante Mafalda Ribeiro, fomos hoje assistir ao espetáculo "Fada Juju e a festa dos sentidos", com texto de Ana Rangel, a partir dos livros da Paula Teixeira, que é também a extraordinária fadinha que dá vida e cor a este espetáculo tão cheio de magia.
E a verdade é que saímos de lá com o coração a bater mais forte! Foi uma verdadeira festa da inclusão, a puxar por todos os nossos sentidos, por um mundo com mais sentido...


Comprámos duas bonequinhas de recordação, uma para a minha filha, outra para oferecer a uma menina muito especial, que conhecemos, a nossa querida L.

(Nonô) Eu gostava de ficar com as duas... mas se eu a oferecer vou ser como a fada Juju e fazer os outros mais felizes!

E é isto! Que cada um de nós encontre em si a sua fadinha, e faça, na medida do que lhe for possível, magia na vida dos outros...

(Nonô) Mamã, estive a pensar... Se calhar, em vez de oferecer à L. a bonequinha da cadeira de rodas, vou oferecer-lhe a fada Juju. Acho que ela tem de ficar é com a fada, que faz a magia. E eu fico com a outra bonequinha, para me lembrar da L.

<3
(Nonô) Mãe... Ó mãe... Podes vir aqui, mãe? Anda cá, mãe... Por favor, mãe. Só mais uma vez, mãe.

Isto de ter filhos mais crescidos, desabitua-nos de ter de ir trinta vezes ao quarto até que eles adormeçam.
É um facto: já não tenho paciência!

(Mãe) Ó Leonor... por favor. É tarde e tu tens de dormir. Não quero ouvir mais nenhum "Mãe"... Entendido?

Afasto-me. Vou à minha vida. Até que oiço:

(Nonô) Madre... Madrecita... Puedes "vir" aqui, mi Madre?


PS - Já valeu de alguma coisa termos passado o jantar todo a hablar en español con el Sebastian, que vai ter teste para a semana...
É a minha última aventura, e gostava muito de contar convosco...


Filhos bombardeados com testes!
Mamã bombardeada com matéria! (perguntem-me o que quiserem sobre o sistema circulatório, as nebulosas difusas e as supernovas, ou o mais variado vocabulário de Espanhol)

E ontem, enquanto estudava com dois dos filhotes num pequeno café junto à pista de atletismo onde treinava um dos outros filhos, meteu conversa comigo a dona do estabelecimento, senhora já dos seus 70 e muitos anos...

(XXXX) Estava a olhar para si e a lembrar-me de quando tinha os meus filhos pequenos... Acompanhei-os até ao 9º ano. As coisas que eu tive de estudar nessa altura! Pena que ninguém nos valorize isso. Como se não desse trabalho!

Eu já defendo há muito que ter filhos - e tudo aquilo que fazemos com eles - devia integrar o currículo e ainda dar-nos créditos! Trabalhar, ser motorista e cozinheiro (valha-me a minha santa Glícia que nos trata da casa e das roupas!), e ainda tentar que 4 miúdos acelerados tenham um bom aproveitamento escolar, é dose! Por isso termino com um beijinho solidário para todas as mães e pais que, por estes dias, se sentem também a enlouquecer! Não tarda, estão aí as férias do Natal...
Ando há algumas noites a ler com os meus filhos o meu novo livro, "Escola das Artes", para que eles cheguem ao dia do lançamento (dia 21 às 18.30h na FNAC do Oeiras Parque, ponham já na agenda!) com a história na ponta da língua. Eles lá se vão manifestando, dizendo de sua justiça, sobre este ou aquele aspeto, mas hoje o Dudu, ao olhar numa papelaria para os jogos da Santa Casa, sai-se com esta:

(Dudu) Se ganhássemos o EuroMilhões, mãe, montávamos uma Escola das Artes!

Querem ver que é desta que começo a jogar? ;)
No início da semana passada avisei os filhotes mais novos:


(Mãe) Agora que vocês já estão mais crescidos, a mãe já não vai andar atrás de vocês, para fazerem os trabalhos de casa. A vossa professora dá-vos vários dias para o fazerem, vocês sabem que atividades têm e quais são os momentos livres... só têm de se organizar.


O problema é que Organização é um palavra que, só por si, enche de pânico o meu caótico Dudu.


(Dudu) Como assim não vais avisar? Como é que nós vamos saber? E se eu me esquecer? Mas não vais mesmo obrigar a fazer?


Andou aflito durante uma semana, com aquele pesado fardo às costas. Até que, esta semana, explodiu.


(Dudu) Ó mãe... acabou! Fazemos assim: tu voltas a mandar-nos fazer os trabalhos de casa e, se nós não formos fazer, pões-nos de castigo e pronto!


O meu pequeno Dudu prefere ser posto na linha e até ser castigado, a ficar com a responsabilidade de ter de saber quando e como fazer os seus trabalhos de casa...
E esta, hein?
A Nonô perdeu hoje mais um dente, e insistiu em pô-lo debaixo da almofada, como quando ainda acreditava na fada dos dentes.

(Nonô) Quanto é que me vais deixar, mãe? Cinco euros? Este dente doeu muito...

(Eu não digo que a minha filha é boa para o negócio?!)

(Mãe) Não, filha. A mãe não te vai deixar nada. Isso era o trabalho da fadinha dos dentes. Tu deixaste de acreditar nela, ela deixou de vir...

(Nonô) Mas eu acredito! Acredito muito nela. Mas ó mãe, conta lá... O que é que tu depois fazes aos dentes?

(Mãe) Tens de falar com a fada dos dentes.

(Nonô) Ó fada dos dentes, o que é que tu fazes aos dentes que levas da almofada? (chocada) Não me digas que os deitas fora...


(Lá tive de desmontar a personagem, ou nunca mais conseguia que ela adormecesse...)


(Mãe) Não deitei nada fora. Está tudo ali para uma gaveta.

(Nonô) Mas como é que sabes que dentes é que são de quem? Guardaste-os em caixas diferentes?


(Mãe cora um bocadinho. Os dentes estão todos para dentro de uma gaveta, ainda enrolados em papel de estanho. Sei lá eu que dentes são de quem!)

(Nonô) Mãe..... tu não me digas que não marcaste os dentes... E agora como é que eu vou saber quais são os meus?

(Mãe) Pensa assim, filha... Se algum dia precisares muito de esmalte para alguma coisa, em vez de meia dúzia de dentes teus, podes levar uns 50!

(Ficou feliz e adormeceu. A mãe trapalhona, desta vez, safou-se! Não se vai safar é de ir escrever mais uma cartinha da fada dos dentes, enrolar mais um dentinho em papel de prata... e atirá-lo para dentro da gaveta!)
Sabemos que o filho do meio já entrou na adolescência quando...

... não quer deixar de ouvir a história de boa noite, mas ouve-a a trabalhar os músculos dos braços com flexões e o "six-pack" com abdominais.

(Mãe) Sebastião........

(Sebastião) Coisas da vida, mãe!

(Nonô) Mãe, tu gostas tanto destas bonequinhas... Queres fazer esta caderneta comigo?

(Mãe) Sim, filha, pode ser.

(Nonô) Então, quando fores comprar cromos, compras uma saqueta para mim e outra para ti. E eu, como sou querida e não quero que te canses, que andas muito cansada, posso colar também os teus cromos... Pode ser?

Fez-me um sorriso rasgado, de menina exemplar, mas está-me a sair é uma bela chica-esperta! :)
Já tínhamos feito um puzzle, pesquisado sobre alguns distritos, mas hoje a mãe deu de caras com este jogo sobre Portugal, que é a ferramenta perfeita para eles decorarem os distritos de uma vez por todas!



Estiveram uma boa hora a jogar, saltitaram entre distritos, dizendo o nome deles e visualizando a sua posição, e ainda aprenderam coisas interessantes sobre eles!
Obrigada, EDUCA! Foi uma grande ideia, este jogo...


É um local mega especial e, à noite, é ainda mais mágico!

Fica no estádio nacional e tem uma pista grande cheia de bons desafios em madeira, onde as crianças podem divertir-se durante uma tarde inteira! Grátis e no coração de uma mata.

Fica a sugestão...

(Dudu) Mãe, é verdade que toda a gente já ouviu falar de Portugal?

(Mãe) Toda a gente, não. Mas há cada vez mais pessoas a saber. Portugal está na moda...

(Nonô) Eu sei porque é que Portugal está na moda! É que Portugal já foi dono do mundo.

(Dudu) Ah, Ya! Portugal descobriu muitos países.

(Nonô) Sim, com a Espanha.


Afonso resolve meter o bedelho.


(Afonso) Mas isso foi antes de termos assinado uns acordos que nos deram cabo da vida...

(Dudu) Que acordos? O que é que nós fizemos?

(Afonso) Perdemos tudo, Dudu. Descobrimos tudo e ficámos sem nada.

(Dudu) Mas porquê?

(Afonso) Por causa da droga. As drogas fazem muito mal. Se alguma vez alguém vos oferecer drogas, lembrem-se de Portugal. A droga é horrível, leva-vos tudo.


Pisca-me o olho e sai lampeiro para a sala.


(Afonso) De nada, mãe.


Quem tem irmãos mais velhos, tem tudo!

O meu novo livro "Escola das Artes" chegou no final da semana passada às livrarias, e hoje recebi, em formato de post num blog, a melhor crítica que podia ter recebido!

Madalena Aragão, 12 anos, um talento incrível, deseja tanto esta escola como eu.

Vamos a isto?


https://madalenanaoequeque.wordpress.com/2017/10/10/escola-das-artes-e-a-tia-sara-rodi/



#escoladasartes
(Nonô) Hoje é Dia Mundial da Dislexia? Temos um dia, mamã?

E depois dançou, toda contente, enquanto metia a mochila às escolas.

(Nonô) Tenho de contar aos meus colegas!

Felizmente, tenho uma filha que lida bem com a questão (não foi sempre assim... Por mais que viva não vou esquecer a cara dela, de olhos grandes e tristes, a perguntar-me, com 6 anos, se era burra). Mas depois virão outras escolas, muitos professores, colegas novos, tantas dúvidas e pressões... É preciso mesmo sensibilizar toda a comunidade para esta questão, para que estas crianças, jovens, depois adultos possam pôr cá para fora todo o seu potencial, sem viverem à sombra da sua diferença.

Partilho um texto de uma amiga que explica bem o que a dislexia é, para quem a tem:


"Quem nunca disse - Estou Disléxico… agora quantos sabem do que falam?...

…letras que saltitam nas páginas, que desaparecem, que aparecem noutros sítios…
…palavras que se unem subitamente umas às outras, dificultando ou comprometendo seriamente a sua leitura, e por consequência o seu significado.
…a leitura, que todos dizem ser uma coisa maravilhosa torna-se difícil, desinteressante, frustrante
…a escrita parece demoníaca, se ler é difícil, escrever é hercúleo: …- “RIO” disse a Professora no ditado, e eu vejo um “RIU”, de água cristalina, habitado por peixes que saltitam, rodeado de árvores e claro, a desaguar no mar…mas e se for “RIO “do verbo “rir”? …vou deixar passar, escrevo “riu” e fecho o “U”, assim parece um “O” e assim dá para os dois…aqui já a Professora tinha parado a aula, olhado para mim, e perguntado: “- Estás a acompanhar?”…então não estou?!, claro que estou, até vejo um baloiço pendurado na árvore cujas raízes beijam a água do tal “RIU” e eu estou lá sentado a balouçar e a ver quando os meus pés tocam na água…, só achei estranho quando olhei para o caderno do meu colega e vejo mais umas duas linhas de texto…será que ele já sabe o que a Professora vai dizer a seguir, será bruxo?...bolas, sou mesmo parvo…
…agora conseguem imaginar que aquilo que para uns é um processo natural, i.e. aprender a ler e a escrever é só substituir imagens por palavras, para outros significa trabalho árduo, diário, de consciência fonética, de silabar palavra após palavra, de escrita, de escreve e apaga, de :- Só escreves quando vires a palavra na tua cabeça, sem vacilar…malditos ditados, composições e testes de velocidade de leitura…
…vá, mais um bocadinho de esforço e pensem que todas as aprendizagens de Línguas, e são pelo menos mais duas, à escolha, vão significar reprogramar todos estes conceitos, enfrentar todas estas dificuldades em Inglês, Francês, Espanhol ou Alemão…fácil, não é?
…vá, agora façam só mais um esforço e pensem que todo o Ensino baseia os seus critérios de avaliação maioritariamente na aprendizagem e na avaliação escrita…ainda vos apetece ir à Escola?!
É isto que sente um aluno com dislexia, que é muitas vezes apelidado de mandrião, de calão, de desleixado, e outros.

Mais paridade, mais avaliação oral, menos avaliação escrita, menos penalização do erro ortográfico, quando e para quem ele é inevitável, garanto que é possível escrever cem vezes a palavra “mãe” e à centésima primeira pode aparecer “mai”.
Nem todos os disléxicos serão génios, mas muitos génios foram ou são disléxicos, exemplos: Einstein, Picasso, Da Vinci, Agatha Christie, Van Gogh, Churchill e Spielberg, etc
Deixem que se expressem de outras formas, com a arte, com o corpo, com as mãos, escutem-lhes a imaginação, garanto que se vão surpreender!"

(Titão) Mãe, o D. ofereceu-me este livro...



Pára tudo! Adrian Mole? O livro que todos os adolescentes da minha geração leram? O livro que inspirou tantas páginas do meu diário e dos das minhas amigas, no tempo das borbulhas e das paixões platónicas?

(Titão) Deve ser giro, mãe...

Pois deve. Mas quem o vai ler primeiro, sou eu!
Afonso no carro a dizer disparates sobre tudo o que eu fazia ou dizia:


(Mãe) Tu nas aulas também estás sempre a dizer piadas?

(Afonso) Não, nas aulas, não. (corrige) Às vezes. Mas com a mãe é irresistível. É que a mãe parece a série do Lost! Está cheia de pontas soltas, há sempre por onde pegar...

(Mãe) E com jeitinho, no final da minha temporada, ninguém vai perceber nada do que isto foi...


Afonso corrobora, divertido.

Não sei se rie, não sei se chore...

É o novo livro da escritora (e amiga!) Rosário Alçada Araújo, com uma linda história sobre uma manta especial, que transporta uma menina para o tempo da sua bisavó.
E o que os meus filhos riram do nome "ardina" e do penico de loiça debaixo da cama... E, quando viram um aparelho preto ligado à parede, com uma roda e números para discar, disseram logo: "É um telemóvel de parede!"

Parabéns Rosarinho, e parabéns Patrícia Furtado pelas ilustrações. Cá em casa foi um sucesso!

É a Academia do namorado da Barbie?

Uma universidade sénior?

Não! É uma plataforma gratuita cheia de vídeos sobre imensas matérias, onde os alunos podem ir progredindo à medida das suas capacidades e interesses.

Claro que não podia ser tudo perfeito... A plataforma já está em 60 e tal países, mas em Portugal ainda só estão disponibilizados os conteúdos de Matemática. Foi esses que o Sebastião experimentou hoje, e foi só muito a custo que o arranquei da frente do computador para o mandar para a cama. É certo que ele é, dos meus filhos, o que mais gosta de Matemática... mas daí a ver ficar a ver vídeos para perceber curiosidades sobre potências e raízes quadradas...

Os vídeos estão realmente interessantes e confesso que até eu também fiquei presa... Perguntem-me o que quiserem sobre potências que eu respondo! E não tenho matemática há... 25 anos. (Ui! Era escusado ter feito as contas!)

https://www.khanacademy.org/

Amanhã será a vez do Dudu, que agora anda convencido que não é bom a Matemática...

Cooperação e Paciência são duas competências que os filhotes cá de casa precisam de trabalhar, e não é pouco, e um bom puzzle é o jogo ideal para isso.

- Já pus mais peças do que tu!
- A minha parte é muito mais difícil do que a tua!
- Se não fosse eu, não tinhas feito nada!

E a mãe respira, e repete até à exaustão que a ideia não é competir, mas cooperar.

Ainda assim, no final, faltam sempre umas peças que eles escondem debaixo do rabo, para ver quem é aquele que põe a peça decisiva!

(Mãe) Cooperar, meninos! Trabalho de equipa!

Mais uns puzzles, e havemos de lá chegar...
Oficialmente diagnosticada, a minha filha Leonor tem este ano direito a um apoio especial na escola e a um olhar diferente na correção e avaliação do que escreve.
Aceitou perfeitamente a ideia (aliás, ficou bem mais descansada depois de saber que a sua dificuldade tinha um nome e ela não era limitativa), e fala com entusiasmo das suas sessões com a psicóloga. Muito embora...

(Nonô) Eu só acho que ela faz mal uma coisa, mãe. Ela deixa-me ver o texto e depois é que mo dita. Ora, se eu olho para ele, decoro logo as letras e palavras mais difíceis. Depois ela fica muito intrigada porque eu tenho zero erros... Não devia deixar-me ver o texto, pois não?

A verdade é que, como diz o mais recente Prémio Nobel da Química - Jacques Dubochet, disléxico - os disléxicos têm, felizmente, outros sistemas de compensação (ler entrevista AQUI). E, se memória visual não falta à minha filha, esperteza para se safar nas situações de aflição, também não!


É a nova loucura cá de casa...


Oferecemo-lo ao Sebastião, que sempre teve muito jeito para empilhar, organizar, encaixar, montar e imaginar... mas a ideia era também ajudar o Dudu, que tem mais dificuldade nestas áreas. Espacialmente troca-se muito, tem dificuldade em fazer simetrias e analisar sólidos, para além de ter muita falta de paciência para fazer ou descobrir encaixes. Temos apostado nos puzzles, mas este jogo veio diversificar um bocadinho a brincadeira...


(Dudu) Mãe, já está!

Claro que, ao fim de tentar encaixar umas vezes as peças no tabuleiro, optou por empilhá-las à sua vontade, na vertical.
Ordem e paciência, definitivamente, não são com ele! (Já a criatividade...)
Mamã põe o despertador, depois de uma pequena noitada, para pôr os filhotes mais novos a fazer os TPC.

Mãe leva o mais velho ao treino.

Vai ao encontro da MEL falar sobre o movimento Por Uma Escola Diferente.

Vai apanhar o mais velho ao treino.

Vai apanhar o mais novo ao treino.

Vai dar almoço a 3 dos 4, a correr, mas percebe que não tem chave de casa.

Pai, que anda com um dos 4, sai de um treino para ir a casa levar a chave e sai para um jogo.

Mãe consegue dar almoço a 3 dos 4.

O mais velho entorna um prato cheio de esparguete à bolonhesa por cima das mochilas da escola.

Mãe leva mais nova a um ensaio geral.

Mãe leva mais novo e amigos a uma festa de anos.

Mãe vai limpar o chão e as mochilas cheias de comida, pôr máquinas a fazer e deixar o jantar pronto.

Mãe escreve este post.

Faltam mais umas quantas linhas a este post, de leva e trás, antes do dia chegar ao fim.

Amanhã há mais, do mesmo calibre.

E vivam as Segundas-feiras!
8 anos e um instinto maternal tão apurado...


(bem, depois os filhotes caíram uma ou outra vez, mas como ela diz: "Ainda tenho tempo para melhorar...")
Hoje acordei com uma ideia: desafiar os mais velhos a escolherem um tema qualquer que gostassem de aprofundar. Um por mês, para descobrirem coisas novas que não têm oportunidade de conhecer na escola.

O Afonso "escolheu" (forçado-a-mas-com-jeitinho-lá-se-decidiu) a escrita de humor e vai fazer um workshop sobre o tema.

O Sebastião escolheu o Parkour. Vai pesquisar e fazer uma sessão num armazém em Alvalade. Mas até lá...



Às vezes arrependo-me tanto de acordar com ideias...

(e a minha casa nunca mais será a mesma!)
(Dudu) Ó mãe, agora a E. trabalha contigo?

(Mãe) Mais ou menos, filho. Nós colaboramos num projeto. Sabes que ela tem três filhos, também trabalha em casa como a mãe. É freelancer.

(Dudu) Ah, então por isso é que ela tem umas olheiras como as tuas...


Tudo explicado!
Era só uma simples carta de TPC. Remetente, destinatário, data, saudação, cumprimento final, e qualquer coisa simples lá pelo meio.

Mas com o Dudu, alguma coisa lá pode ser simples?


"Esquadra de P.A., 5 de outubro de 2017,

Senhor Joaquim,
escrevo para agradecer a pista que nos deu sobre o ladrão Alberto Leosebe. A pista foi boa e ajudou a encontrá-lo no meio de um corte de cabelo.
Pela ajuda que nos deu, ganhou 1000 euros. Quando puder, venha à esquadra buscar o dinheiro.
Cumprimentos e obrigado.

Duarte"


Menos um ladrão na reino da sua imaginação...
Um parque enorme, cheio de espaços concebidos para as crianças brincarem... e ele continua a preferir as árvores!

Foi votar comigo, observou tudo, viu as campanhas na televisão, as campanhas na rua... e aguardou pacientemente pelos resultados, na noite do dia 1.

(Nonô) Então quem ganhou, afinal?

(Mãe) O Isatino.

(Nonô) O quê?!?

(Mãe) Achas que ele não devia ter ganho?

(Nonô) Queria tanto que continuasse o outro tão simpático... Aquele que faz as feiras do livro e dá mergulhos no mar...


Pois, esse continua connosco, sim. Connosco e com todos os portugueses, felizmente.
Vamos ver como se portam os outros...
Dudu doentinho em casa, "esparramado" em cima de mim, a solicitar miminhos vários.


Não há hipótese: por feitio mais complicado que revelem, por mais discussões que tenham com as suas mamãs, quando ficam doentes saltam logo para os seus colinhos...
(Dudu já na cama, luz apagada) Ó mãeeeeeeeeee!

Mãe acorre ao quarto, aflita.

(Mãe) O que foi, Dudu?

(Dudu) Eu acho que ouvi o som do mundo...

(Mãe) :))))))

(Dudu) Estou a falar a sério. Eu estava de olhos fechados, e parece que ouvi o barulho da terra a mexer. Achas que pode haver um terramoto?

(Mãe) Acho que não, Dudu. Acho que ouviste só um carro a passar, ou um avião mais próximo...

(Dudu) E se houver um terramoto, mãe? Achas que o tecto me cai em cima?

(Mãe) Acho que não, filho. Mas também acho que agora não deves pensar nisso. Há coisas que nós não podemos prever, não podemos viver com medo delas.

Voltou a enroscar-se nos lençóis. Mas, ou muito me engano, ou alguém vai aparecer na minha cama esta noite...
(Nonô) Mãe, hoje demos o Hino Nacional!


E já se está mesmo a ver qual foi a "história" desta noite...


(Dudu) Como é que será o Hino do Butão?


A mãe sacou do portátil... e não é que, numa pesquisa rápido no Google, me surgiram os hinos de todos os países de que nos poderíamos lembrar?

(Afonso) Eu quero ouvir o de Inglaterra...

(Nonô) E eu o do Brasil!



E estivemos uma boa meia hora a ouvir (e às vezes a rir a bom rir, tenho de confessar) os hinos dos diferentes países de que eles se iam lembrando.
Mas terminámos, claro está, todos de pé, de braço ao peito, a cantar de forma muito séria o nosso hino português... (ou quase! É que a mamã resolveu pôr a tocar ESTA VERSÃO do Coro do Teatro de São Carlos com a soprano Elisabete Matos, que canta maravilhosamente bem... mas também nos ia furando os tímpanos! Mas que noite de galhofa!)

Foge dos meus beijinhos como uma enguia, e franze o nariz quando lhe chamo "meu docinho de coco"... Mas continua a ser o meu filhote meigo e tranquilo, que sabe apreciar como ninguém as coisas boas da vida.
"Sem stress" é o lema... E tanto que eu tenho a aprender com ele!

Parabéns, Titão! 12 anos de coisas boas já cá cantam!

A Nonô, à semelhança de algumas mulheres da família, é uma mulher de negócios!

De dia, abriu um centro de estética na escola: levou amostras de cremes para fazer massagens (e inventou massagens com dados, com fitas, com borrachas...) e escovas e elásticos para o salão de cabeleireiro. Amanhã uma auxiliar faz anos e vai ter direito a um tratamento completo num dos intervalos. (Eu tenho vindo a escapar-me, mas no fim de semana não me livro de uma boa "esfrega"!)


À noite, apareceu-me com vários dossiers cheios de fichas antigas:


(Nonô) Mãe, vou abrir um centro de estudos! Se aceitares ser a aluna, eu deixo-te ser também a diretora...


Vai ser um looooongo fim de semana!




(Dudu) Mãe, sabes que os meus colegas, de vez em quando, falam em ti.

(Mãe) Ai é? Mas falam bem ou mal?

(Dudu) Falam bem, por causa dos livros. Mas às vezes acho que falam mal...

(Mãe) Então o que é que dizem?

(Dudu) Chamam-me filho da mãe...
Dia 1 os papás vão às urnas, mas amanhã é dia de os filhotes mais novos votarem nos delegados de turma.

Da turma, só três alunos se candidataram - duas raparigas e um rapaz - mas foi o bastante para uma semana de grande confusão, entre campanhas nos intervalos e amizades desfeitas ("Não estás comigo, estás contra mim!").
Mas, apesar das atribulações, a semana tem permitido grandes aprendizagens acerca do processo democrático... E a prova disso foi a conversa de hoje, ao jantar.

(Nonô) Deixa-me adivinhar, Dudu... Vais votar no S., só porque é rapaz.

(Dudu) Achas? Isto não tem nada a ver com amizades. Vou ouvir os discursos finais e depois decido qual deles é o melhor. E o voto é secreto, por isso também não vais saber em quem votei!

(Nonô) As raparigas fizeram muita confusão. Zangaram-se todas, dá-me vontade de não votar em nenhuma!

(Mãe) E tu não te candidataste, Nonô?

(Nonô) Até acho que era uma boa candidata. Pelo menos não fazia tanta confusão...

(Mãe) Então não te candidataste porquê?

(Nonô) São as primeiras eleições. Se fizesse asneira, ninguém votava em mim. Prefiro ver como é que isto vai funcionar, e depois candidato-me no próximo período...


Dudu, o cidadão justo. Nonô, a política cautelosa.
Sendo que depois ainda tenho cá em casa um Sebastião sem aspirações políticas (para quê ter cargos, quando o que interessa na escola são os intervalos com os amigos?) e um Afonso disruptivo, sem paciências para coisas demasiado humanas.
E eu, com um bocadinho de todos, a aprender com todos eles...
Afonso comenta, aborrecido, que tem de ir ler um texto obrigatório para Português.

Depois fica em silêncio, pára, relê, ri-se, intriga-se, devora o texto e inquieta-se.


(Afonso) Como é que este Lobo Antunes ainda não ganhou o Prémio Nobel, mãe?


Ui! Grande questão. A mãe lá contou o que sabia: a novela Saramago-Lobo Antunes, o alegado mau feitio do escritor, mas sobretudo o seu talento inequívoco, e o Nobel que, no entender da mãe, já lhe devia ter sido atribuído.


(Mãe) Sabes que ele é Médico Psiquiatra.

(Afonso) Sim. Eu se calhar também gostava de ser. Para me entender.

(Como eu te entendo, Afonso... Hoje, se voltasse atrás, nem sei se não faria a mesma coisa...)

(Mãe) E depois podes sempre escrever, como ele...


Sorriu. Só faltou dizer-lhe que o mau feitio já ele o tinha, mas não foi preciso. Ele também o sabe, e daí a graça toda...


(Mãe) Mas é preciso ter grandes notas para entrar em Medicina.

(Afonso) Eu conseguia...


E, se conseguir, fico a dever esta ao Lobo Antunes!
(Nonô) Ó mãe, sabes que a mãe da M. todos os dias lhe deixa um presentinho na mochila?

(Mãe) Ai é, filha? Mas tu sabes que a mãe não pode estar a comprar presentes todos os dias. Vocês são quatro... E mesmo que fosses só tu. Que sentido é que faz estares a receber presentes todos os dias?

(Nonô) Mas a mãe dela deixa coisinhas especiais que não valem muito: uma conchinha, uma florinha... Só para ela se lembrar da mãe durante o dia!

E a mãe da M. acaba de me meter em trabalhos...
Primeiro trabalhinho para casa dos manos mais novos!
Quem sou eu, como sou, como é que os outros me vêem... e, lá pelo meio, a nacionalidade, o distrito, concelho e freguesia onde nasceram. Depois terão de pesquisar sobre a sua terra, sobre a evolução do seu corpo ao longo do tempo... E se aprende, criando laços emocionais ao conhecimento!

E quando o pequeno e endiabrado Dudu resolve inventar que a mãe tem uma outra família com outro homem, e repete a invenção a vários dos seus amiguinhos do hóquei?
E o papá liga à mãe, do clube, a perguntar: "Quem é o Jorge"?

Penduro-o no tecto ou ponho-o já a escrever novelas?

No ano passado não tinha lá ido, mas este ano fui duas vezes, e das duas vezes que fui, com a filhota Nonô como companheira, cumprimentei o nosso Presidente Marcelo, grande anfitrião do evento.

Hoje à noite, quando cheguei ao quarto dela, tinha tudo preparado para uma surpresa: ela era a Presidente da República, eu a "curiosa" que queria ir assistir à sua partida de avião. Tive de passar por um check in rigoroso, à porta, (ela era a funcionária que me pedia os objetos de metal e me dava a credencial), depois ficar a bater palmas enquanto a Presidenta Nonô subia umas escadas de almofadas para a cama, onde assumiu o seu lugar no avião. Depois tive de esperar pelo voo presidencial e ver o avião pousar novamente, acenar à presidente e bater-lhe palmas enquanto ela descia.

Escritora, já não quer ser (a dislexia atrapalhou-lhe os planos, anda um bocadinho zangada com as letras). Mas hoje parece ter descoberto uma nova vocação...

Obrigada, professor Marcelo!
Em que escola é que eu gostaria de andar? Se eu criasse uma escola, que escola seria?



Foi com esta ideia em mente que escrevi "Escola das Artes", onde toda a aprendizagem das mais variadas disciplinas é feita em torno de projetos artísticos. Cada aluno tem um desafio pessoal (uma superação) por cumprir, existe uma tenda de circo para ir relaxar (inspirada no Projeto Âncora, dirigido pelo professor José Pacheco), um bosque para inspirar, e momentos de celebração com música e dança para tornar cada dia de esforço numa festa. Entre muitas outras coisas que não vos posso contar...
Quando 4 irmãos aterram nesta escola, por causa de um infeliz acontecimento, vão entrar num mundo novo de aprendizagens e relacionamentos que hão-de virar as suas vidas do avesso. Afinal, como diz Tatá, a diretora, o objetivo da escola é, antes de tudo o mais, preparar os alunos para o palco da vida...

Espero que gostem! Que partilhem os livros com os mais jovens e se divirtam todos tanto quanto eu. E enviem-me também as vossas críticas, sugestões, e até, quem sabe, vídeos dos musicais que prepararam com as dicas que estão no final do livro.

Vamos a isto! :)

Uma semana sem empregada numa casa grande com 4 filhos e papás cheios de trabalho... Consegue-se! Mas, se dúvidas houvesse, já só restam certezas: só consigo ser a mãe que sou (carregadinha de defeitos e contradições, mas esforçada, otimista e sorridente) porque tenho capacidade económica para pagar a alguém para fazer aquilo que me tira do sério.

(Afonso a procurar numa pilha de roupa uma camisola de desporto) Ó mãe, diz lá... ainda falta muito para a G. chegar?
Na segunda aula de Competências Sociais dos meus filhos mais novos, falaram-lhes sobre o funcionamento do cérebro, para que eles se conheçam melhor e tenham mais consciência dos seus talentos, dificuldades e emoções... assim como dos outros.

O Dudu resmungou um pouco, estava com receio que aquilo que a psicóloga lhes explicou saísse em algum teste...

(Dudu) E ela falou de nomes tão esquisitos, mãe!

Quando lhe expliquei que não, não era para avaliação (o grande terror do meu filho), mas que saber como é que a cabeça dele funcionava até podia ajudá-lo a ter melhores notas - ou, pelo menos, a relaxar mais, face a elas - ficou mais interessado. E ao deitar saiu-se com esta:

(Dudu) Acho que o lado direito do meu cérebro funciona melhor do que o esquerdo, mãe. O esquerdo anda um bocadinho avariado...
Os filhotes ainda andam entusiasmados com a escola.
Digo ainda porque os últimos anos têm sido tão penosos, que estou sempre à espera que este "estado de graça" tenha um fim...
A verdade é que a flexibilização curricular tem conseguido, até ver, esse milagre de conseguir devolver os meus filhos com entusiasmo, ao invés de mos mandarem para casa com um ódio de morte à escola, que eles depois confundem com um ódio ao saber.
Mas não é que o saber pode mesmo ser um prazer?
E não é que, com pequenas mudanças no ensino, conseguem-se logo melhores resultados?
Depois é claro que nós, pais, também podemos dar uma ajudinha...

(Sebastião na sua primeira tarde livre) Adorei as experiências que fizemos. A professora tinha lá uma massa que parecia líquida, mas que se lhe tocássemos com força ficava rija de repente e não nos sujava as mãos.

Filho a gostar de experiências?
Vamos a elas!
Felizmente não nos faltam kits da Science For You cá casa, acumulados dos aniversários. Só tínhamos de escolher o certo. E o certo, neste caso, era o da "Ciência Viscosa", onde por acaso conseguimos encontrar a experiência da massa que mais o tinha entusiasmado, na escola.
Meteu os óculos de cientista... e mãos à obra!


Não ficou tão consistente como a da professora, mas já deu para nos surpreendermos com o resultado (sobretudo porque esta, ao contrário da da escola, teve o dedo do Sebastião).

Seguiu-se a da plasticina moldável, que não ficou tão bonita, mas ainda deu para moldar algumas coisas...


Quando os irmãos mais novos chegaram a casa, entusiasmaram-se com o entusiasmo do irmão (porque o desânimo é contagiante, mas o entusiasmo, felizmente, também o é) e quiseram fazer também a sua experiência. Construíram um vulcão, que agora vai ficar a secar 2 dias para depois o fazermos explodir.



Não decoraram os distritos nem decoraram a tabuada (e bem precisam!), mas acabaram o dia a pensar que ser cientista deve ser uma coisa bem gira. Já valeu a pena...
Depois da revolta ditatorial imposta ontem pela mamã (AQUI), o dia de hoje encheu-se de sol, de paciência e vontade de fazer melhor.

E hoje, no regresso a casa, a mamã lançou um desafio:

(Mãe) Vamos arranjar em nossa casa um espaço que seja o cantinho da Calma. Sempre que começarem a perder o controlo, vão lá acalmar-se um bocadinho e depois voltam.

(Afonso) E se não quisermos ir?

(Mãe) Ficam de castigo!!!


Pronto, a mãe esteve a pensar numa solução para pôr fim à sua própria ditadura, mas ainda não é nenhuma santa...


(Mãe) O que têm de fazer hoje é pensarem em objetos ou atividades que vos acalmem, para depois montarmos o nosso cantinho.


A Leonor foi a mais participativa. Adora estas coisas! E, rapidamente, foi buscar um cesto para pormos as coisas de cada um, e fez uma lista dos seus objetos "calmantes":

- Almofada em forma de coração
- Livro de mantras para pintar
- Porta-chaves peludo
- Rádio e CDs de meditação
- Puff
- A nossa gata

Os rapazes demoraram mais tempo a decidir-se, mas as ideias começaram a aparecer:

- Uma bola para mandar à parede
- Saco de boxe
- Nerf para mandar uns tirinhos


Desporto e ação, portanto. Quanto mais físico, melhor.
Se calhar vou ter de arranjar 2 cantinhos da calma... Ou deixar os rapazes dar murros no saco de boxe ao som de uma música para meditar. Jogar futebol com a almofada em forma de coração... Ou mandar tirinhos com bolas peludos...

Ai, Sara, Sara... Quem disse que a democracia era fácil?




(Mãe) Meninos, vamos fazer uma experiência... qual é o som que vocês acham que se assemelha mais ao som do universo?


Experimentámos copos, panelas, vento com folhas... até que o Dudu se lembra de ir buscar um objeto mágico...




(Dudu) Dahhhhh! Este é que faz o som do universo!


E não é que parece mesmo?
Palmas para o hoverboard!


PS - E se não sabem qual o som do universo, toca a ir ao Google, que está cheio de vídeos com sons reais.
Por circunstâncias várias, todos os meus filhos tiveram este fim-de-semana uma noite fora, em casa de amigos.
E claro que uma noite fora é sinónimo de noite mal dormida... e um humor de cão no dia seguinte!

Elétricos, quezilentos, impossíveis. Implicaram tanto uns com os outros, teimaram tanto, chatearam-me tanto, que a dada altura a mãe também perdeu a paciência.

(Mãe) Vão todos escrever dez vezes "Não vou chamar nomes aos meus irmãos".

Ah, e tal, isso é uma parvoíce, castigo parvo, não faz sentido...

(Mãe) Tu escreves 20. E tu 30!

Resmungaram mais um bocadinho, mas como o castigo ia acumulando, acabaram mesmo todos sentados a escrever o que lhes impus. Parvo e sem sentido, é certo, mas a mãe também tem os seus limites.

(Afonso) A mãe, com o cabelinho preto curtinho, passava bem por Kim Jong-Un...

(Mãe) Isto é assim, meninos: a democracia só funciona quando as pessoas são conscientes e cumprem as regras. Quando a democracia se transforma numa anarquia, sabem o que é que acontece?

(Afonso) Aparece um maluco qualquer a impor uma ditadura.

(Mãe) Ora aí está! Eu sou a maluca e esta casa só volta a ser uma democracia quando vocês se souberem comportar.

E foi a maluca da mãe que escolheu a história da noite, e foi a maluca da mãe que a leu sem interrupções, distribuiu mais meia dúzia de berros e outros tantos beijinhos.
E, com jeitinho, amanhã acorda tudo mais sereno (mãe incluída), a ditadura volta a ser uma democracia e a maluca da mãe pode deixar de fazer coisas parvas e sem sentido para impor à força a ordem e o respeito...
(Mãe) Filhote, amanhã já tens aulas o dia todo... Queres que a mãe te vá buscar, para vires almoçar a casa?

(Titão) Hum... Hã... É que eu já combinei com uns amigos meus, vamos almoçar todos juntos.

(Mãe) Amigos? Mas é o terceiro dia de aulas. Já se combinaram?


Pois claro que sim.
Ah, que saudades do meu 7º ano! Da escola nova, dos portões abertos, da liberdade conquistada...


(Mãe) Sabes a regra, não sabes? Liberdade exige...

(Titão) Responsabilidade!

(Mãe) Se não houver responsabilidade acaba-se a...

(Titão) Liberdade!


Pelo menos em teoria a lição está sabida. Vamos ver na prática...
E quando o nosso filho mais velho (9. ano, supostamente nem abrangido pelas mudanças) chega a casa a contar que nas aulas de hoje teve de se descrever criativamente, e responder a um questionário sobre quem era, o que mais o tinha orgulhado até agora, o que era para ele o sucesso, o que esperavam do professor e da disciplina, etc, etc. Auto-conhecimento e espírito crítico no seu melhor, fomentando ainda os laços entre professores a alunos, tantas vezes inexistentes, nesta fase.
E não é que a escola está mesmo a mudar?

(Afonso) Depois ainda perguntavam qual tinha sido a coisa mais criativa que eu fiz até hoje...

(Mãe) E o que é que respondeste?

(Afonso) Quando estivemos a recriar quadros famosos! Fizemos coisas bem criativas nestas férias, mas acho que esta bateu todas...

E a mamã até corou um bocadinho :)
(Dudu) Mãe, se tu e o pai se separassem, eu ia querer ficar contigo, mas também com o pai.

(Mãe) Claro, filho. Quando as pessoas, por alguma razão, se separam, os filhos são sempre filhos dos dois pais. E eles organizam-se para que os filhos estejam com a mãe e com o pai.

(Dudu) Mas os pais vivem na mesma casa?

(Mãe) Não, geralmente vão viver para casas separadas. E os filhos, é como se ficassem com duas casas... Pode ser confuso, ao início, mas depois, com muito amor, tudo se resolve.

(Dudu) E depois os pais e as mães arranjam outros namorados?

(Mãe) Sim, é possível que sim. Podem apaixonar-se outra vez e até casar...


Dudu fica pensativo durante algum tempo.


(Dudu) Se vocês se separassem e arranjassem outros namorados, eu acho que ia gostar de os conhecer. Eu gosto de conhecer pessoas diferentes...


Não é um assunto que se fale, habitualmente, cá em casa, mas as crianças lidam, diariamente, com colegas filhos de pais divorciados. É natural que se questionem. Alguns podem preferir não imaginar o que seria, se os pais se divorciassem. Outros, como o Dudu, gostam de colocar em cima da mesa todas as hipóteses. Quando assim é, não vale a pena dizer-lhe que os pais nunca se vão separar e que vamos ser a família "perfeita" para o resto da vida (who knows?). É preferível explicar-lhe que, independentemente daquilo que vier a acontecer, ele será sempre muito amado, e vamos fazer o possível por descomplicar tanto quanto ele próprio já descomplicou, na sua cabecinha de 8 anos...
As escolas dos meus filhos aderiram à flexibilização curricular, e o dia de hoje foi passado entre reuniões numa e noutra, a ouvir o que vai mudar e os resultados que os professores esperam obter com essas mudanças.

Nem tudo vai ser perfeito. Nem tudo vai funcionar como gostaríamos (alunos, pais e professores). Mas começar o ano com espírito de mudança e entusiasmo contagiante, só pode resultar em coisas boas.

Amanhã o meu filho do 7º vai passar o dia em workshops sobre alimentação saudável e cidadania. No dia a seguir tem um peddy paper. Depois começa a ter aulas "a sério", mas pelo meio haverá semanas temáticas e interdisciplinares com jogos, apresentações, teatros, arte... e um ensino mais centrado no aluno e no seu desenvolvimento de competências essenciais (mais do que conteúdos descontextualizados).

Na escola dos mais novos, agora no 3º ano, aposta-se em aulas de projeto, Expressão Dramática, Assembleias de Escola e aulas de Competências Sociais. E hoje o Dudu e a Nonô já regressaram a casa entusiasmados com um papelinho cheio de elogios, colado nas costas.

(Nonô) Cada um de nós tinha de escrever um papel a outro colega, com elogios. Escreveram coisas tão bonitas, mamã!


Perguntarão alguns para que serve perder tempo a escrever elogios, com tanta Matemática e Português para aprender?
É que hoje, felizmente, a Neurociência conhece melhor o funcionamento do nosso cérebro, e crianças com boa auto-estima aprendem melhor. Assim como crianças entusiasmadas com uma escola que fomenta relacionamentos saudáveis e espírito de grupo.

Força, professores! Para a frente é o caminho...


"Estou aqui para ensinar umas coisas e aprender outras. Ensinar, não: falar delas. Aqui e no pátio, e na rua e no vapor, e no comboio e no jardim, e onde quer que nos encontremos..." (frase de Sebastião da Gama, partilhada hoje numa das escolas)
Começou a escola, retomaram os treinos desportivos... e começou a correria para conseguir pôr os filhotes na cama a tempo e horas, sem
perder um momento de brincadeira e a história de boa noite, e os 1001 beijinhos... Ufa!


(Dudu) Mãe, podemos jogar à bisca a seguir ao jantar?

(Mãe) Já não vai dar tempo, Dudu.

(Dudu) Bolas, agora já não há tempo para nada!


Estávamos só nós os três (eu e os gémeos), o papá com os manos mais velhos no treino, por isso havia ainda espaço na mesa para uns quantos disparates.
Não há tempo para jogar a seguir à refeição? Muito bem... coma-se enquanto se joga!

E foi assim que, entre uma garfada e outra, deitávamos cartas e vencíamos ou perdíamos a jogada.

Se o ideal é comer tranquilamente, com boa postura e os talheres alinhados? Sem dúvida!
Mas nem sempre o ideal é o melhor...

E já agora... a mãe ganhou :)
O jornal Público organizou um Festival - o Festival P - para pôr jornalistas e convidados à conversa com os leitores.
A jornalista Bárbara Wong, que escreve amiúde sobre temáticas ligadas à Educação e Parentalidade, convidou-me a participar num dos painéis - "Os pais, os filhos e a escola" - com a nutricionista Alexandra Bento, Bastonária da Ordem dos Nutricionistas, e o resultado foi uma hora e tal de boa conversa (com este Coisas de Filhos e o Coisas à Pais à mistura) e até muitas gargalhadas!



Esta foto é do fotógrafo Nuno Ferreira Santos, mas as restantes foram da minha filha Leonor, que adora participar nestas coisas e ainda me dá sempre dicas preciosas sobre o que vestir, como me pentear, sobre o que falar... (eu bem digo que ela vai ser minha agente um dia destes!).
Pelo meio, ainda participou num workshop de ilustração com a Teresa Cortez, a provar que o Público também pensa nas famílias e não as esquece na hora de informar e debater (às vezes também de entreter!)


Obrigada, Bárbara Wong!
Go on, Público!
... primeiro ao sol, a "sorver" os bons ares do mar.


Depois no Oceanário, um dos tópicos da lista feita por eles para as nossas férias, que ainda ficara por cumprir.



Dudu suspira, a ver os peixes:


(Dudu) Ai, mãe... Se eu fosse um peixe, amanhã não tinha de ir à escola.


E hoje, ao acordar, saiu-se com outra:


(Dudu) Mãe, vê lá se não está a never. Se estivesse, podia ser que as escolas fechassem e não houvesse aulas para ninguém!


Não tenho filhos que sejam fãs da escola. Pelo menos deste modelo de ensino. Passaram as férias a passear, a aprender, a jogar, a visitar, a interagir, a descobrir, a criar. São fãs de tudo isso. Aulas expositivas durante um dia inteiro é que estraga a magia do Saber.
E este ano, no entanto, as escolas onde eles estudam (um colégio privado e uma escola secundária) integram a lista das 200 e quarenta e tal escolas que vão experimentar coisas novas, em 25% do tempo. Workshops, área de projeto, horas interdisciplinares, competências sociais, teatro, cidadania, são algumas das excelentes novidades. E eu faço votos para que corra tudo muito bem, e os meus filhos (a par de tantas outras crianças e jovens), cheguem a meio de setembro sem vontade de serem peixes...

Um bom ano letivo para todos!
Mamã a tentar despachar um livro ao computador:

(Nonô) Mãe, tu gostavas de ganhar mais dinheiro?

(Mãe) Gostar, gostava. Mas a mãe também gosta de ter tempo para estar com vocês... Enquanto vocês ainda são pequenos, a mãe prefere não trabalhar tanto, para vos poder acompanhar...

(Nonô) Fazes muitos sacrifícios por nós, não fazes?

(Mãe) São opções, filha. Há pais que não podem fazê-lo, a mãe pode e quer fazer. Vocês também me dão tantas coisas boas...


Nonô fica pensativa:


(Nonô) Sabes que mais? Quando eu ganhar dinheiro e tu fores velhinha, também vou cuidar de ti. E se não tiveres dinheiro nessa altura, vou dar-te algum, para tu poderes fazer as coisas de que gostas...


Palavras para quê?
<3
Dia 9 de setembro, o Público chama o seu público a debater, partilhar, conviver, saborear os grandes e pequenos temas do nosso dia-a-dia. Em 4 palcos diferentes, vai acontecer se tudo um pouco, para todos os interesses, todos os públicos.
Às 12.30h, eu estarei num desses palcos com a jornalista Bárbara Wong e Alexandra Bento, bastonário da Ordem dos Nutricionistas, para falarmos sobre o arranque do ano letivo e o que nós, pais e educadores em geral, podemos fazer para ajudar e motivar os mais novos, em todas as frentes.
Se quiserem e puderem, apareçam! Dia 9, no Pátio da Galé em Lisboa.



Podem consultar o programa completo AQUI


A revista Pais & Filhos deste mês é dedicada ao arranque do ano letivo, e a jornalista Ana Sofia Rodrigues desafiou-me a falar um bocadinho sobre aquilo que eu sentia que faltava ao nossos sistema ensino, e o que andava a fazer para o compensar.
Falei do projeto "Coisas de Pais", do movimento "Por Uma Escola Diferente, e de algumas aventuras cá de casa, que me levaram a apaixonar-me pela área da Educação.

Outro artigo que não podem perder é a visão de quatro crianças sobre a Escola que desejavam ter.

Já nas bancas!
E obrigada pelo desafio, Ana Sofia :)


Hoje tentei que os meus filhos fizessem mais uma fichinha de Português e de Matemática, para relembrarem matérias e o que é estar sentado durante um bocado, com concentração.

(Dudu e Nonô) Fichas, mãe?!?!? Não, por favor!


Insisti. Zanguei-me. Insisti mais um pouco. Não tiveram outro remédio.
Passado algum tempo chamei o Dudu para ver o que tinha feito.



(Mãe) Que gatafunhos são estes, Duarte?!

(Dudu) Estou a fazer uma experiência... a ver se consigo fazer contas com estes óculos que põem tudo desfocado...


Se calhar devíamos ter trabalhado menos a criatividade, nas férias, e ter feito mais fichas!
(ou talvez não... Mas que estou com pena da santa professora deles, ai isso estou!)


Primeiros 6 livros forrados.

Só faltam para aí uns 40 e tal...


Os filhos já ajudam (mesmo com muitas bolhas pelo meio).

Ainda assim... SO-COOOOO-RRO!!!


Com a ajuda dos avós, a nossa hortinha ressuscitou! Agora dividida em 4 lotes, uma para cada filhote, que terá como obrigação regar e zelar por ela.
Vamos ver se é desta...
O ano letivo aproxima-se a passos largos, e com ele as rotinas que abandonámos ou desleixámos a partir de meados de junho.

Uma delas: trazer, semanalmente, da biblioteca, os melhores livros que por lá encontrarmos.

E a seleção desta semana, escolhida com a minha Nonô, foi:


Começámos hoje com o "Adoro Chocolate", a pedido dos dois gulosos mais novos. Chocolate é coisa que apanham só de vez em quando, ao ponto de o Duarte me perguntar há dias: "Mãe, quando eu fizer anos - o que vai ser daqui a uns meses - podes oferecer-me um pacote de Oreos?" Mas a leitura foi saborosa, não estragou os dentes nem a saúde. Mesmo exagerando, a leitura só faz bem :). Ficámos consolados. Venha a próxima!
O desafio de hoje do "Coisas de Pais" consistia em recriar um ou mais quadros famosos, com os adereços que se tivesse à mão.

Fizemos duas equipas, uma com os gémeos (que escolheram "American Gothic", de Grant Wood) e outra com os mais velhos (que escolheram "O Filho do Homem", de René Magritte).

E o resultado não podia ter sido mais hilariante...

O original:

O recriado:

O original:

O recriado:

Prova superada!
Amanhã há mais :)


(Titão) Mãe, qual é a atividade para hoje?

Não temos seguido diariamente o Coisas de Pais, mas as ideias que lá coloco são ideias que já experimentei com os meus filhos, outras que desejo experimentar. E, desde que viemos de férias que, diariamente, os filhotes experimentam uma delas. De tal modo que, hoje, quando a mãe chamou a filharada toda à cozinha, o Titão apareceu logo bem-disposto: "E então, Mãe, qual é a atividade para hoje?"

Ontem criaram países imaginários...

(partilho o da Nonô, em que a mamã é presidente. Só é pena ser um país... de galinhas!)


Hoje inventaram uma máquina que fosse útil cá em casa (http://www.coisasdepais.pt/inventores-um-dia/)...


E foi assim que o Afonso inventou um dispensador de papel higiénico, e o Sebastião um robot que corre atrás de nós, nos treinos, para irmos mais rápido e não perdermos a motivação.

Vamos ver o que se segue amanhã...



O desafio do Coisas de Pais para hoje (e, se ainda não conhecem este meu novo projeto, vão lá espreitá-lo, pf!) consistia em tentar imitar alguns autores portugueses, nos seus estilos inconfundíveis (http://www.coisasdepais.pt/escritores-do-pais/).

Escolhemos José Saramago, Valter Hugo Mãe e Joana Bértholo. E os filhotes mais velhos aderiram tão bem ao desafio, que estivemos a rir que nem uns perdidos durante uma boa meia hora (o que, para um exercício de escrita, com filhos adolescentes, é uma proeza!)

Aqui ficam alguns excertos das "pequenas obras" dos meus escritores:


Afonso Saramago:

"Lá ia o Jorge a passear na floresta amazónica quando viu um macaco, e virou-se para ele e disse então, por aqui, onde se arranja um bom hotel e o macaco disse-lhe uahahahahahá e o Jorge disse-lhe ok."

Sebastião Hugo Mãe (ainda com letras minúsculas e sem dizer a palavra "Não", como no seu livro "Homens imprudentemente poéticos":

"o sebastião vira-se para o afonso e pergunta:
- és parvo?
e o afonso diz:
- eu queria dizer o contrário de sim, mas eu até sou, portanto vou dizer sim..."

Afonso Hugo Mãe:

"lá ia o jorginho mãe a passear quando o manel lhe perguntou:
- quer ir pentear macacos comigo?
e o jorge mãe disse:
- eu gostava de dizer que sim mas de momento apecete-me fazer o contrário do que está a sugerir pelo que vou ter de dizer que, de momento, parece-me uma ideia que me vai desfavorecer.
(devia ter dito logo que não, que velho irritante!)

Sebastião Bértholo (todas as frases começadas por "Havia" - como no livro da Joana, com esse nome, onde todos os contos começam por "Havia" - e vírgulas entre todas as frases, como noutro conto desta autora):

"- Havia, algo, aí? - perguntou, a, Joana, Bértholo.
- Havia. Havia, banana, pizza, laranja, pão, cereais."

Afonso Bértholo:

"Havia, uma, vez, um, professor, de, matemática, que, me, perguntou, porque, raio, é, que, eu, escrevo, assim. Eu, disse, que, era, só, divertido, e, o, professor, farto, de, ler, deu, um, tiro, na, cabeça.
Havia, uma, vez, um, professor.


(Mãe) Meninos, querem experimentar o estilo de mais algum escritor?

(Afonso) Sim. O estilo da Sara Rodi...

(Mãe) Ó, filho... Mas a mãe não tem assim nada que a distinga dos outros autores...

Mas ele já estava a rabiscar qualquer coisa no papel...


Eles sabem que a mãe, sempre que pode, mete uns alliens ao barulho :). Entre os filhos, pelo menos, já é famosa por isso...