O caderno da mamã é sempre uma caixinha de surpresas. Se sempre guardei os meus cadernos todos, com pena de deitar fora tudo o que pensei, agora muito mais preciso de os guardar, para que estas "surpresas" (neste caso da Nonô) não se percam...

Cucu, mamã...

De braços abertos para abraçar a mamã...
Em casa dos avós é assim... Com uma mãe nada dada a guloseimas, só mesmo em casa dos avós é que os filhotes se deliciam com estas saborosas brincadeiras. Diz quem lá esteve que o Dudu resumiu assim o resultado final de uma tarde de bolos e pudins: "Perfeito!"

(Dudu) Ó mãe, eu quando fizer anos vou fazer uma festa muit'a grande de piratas.
(Mãe) Boa! E convidas-me?
(Dudu) Ó mãe... tu és a mãe e vives nesta casa. Eu não preciso de te convidar.

Dahhhh! Quem é que nos manda a nós tentar ser engraçadinhas?
Depois de a minha filha Leonor se ter tornado fã da formiga Juju (se não conhecem o projecto espreitem aqui) na última Feira do Livro, e de ter aprisionado os dois livros que trouxemos no seu quarto, hoje lemos finalmente o segundo, que nada fica a dever ao primeiro. Com a vantagem que, neste, aprendemos a dizer coisas bonitas e importantes em linguagem gestual. "Eu gosto de ti", em linguagem gestual, será de agora em diante a nossa despedida silenciosa, antes de dormir...

Bravo, formiguinha Juju! Pelo tanto que fazes pelas crianças de Moçambique, e pelo tanto que nos inspiras também, aqui em Portugal.

Sebastião com um amiguinho em casa, em busca de comida no frigorífico:

(Amigo) Na minha casa as coisas doces estão sempre na prateleira de cima.
(Sebastião) Cá em casa, não. Pomos sempre tudo à balda.

Reformulando, "nós, os filhos, vasculhamos tudo e deixamos o frigorífico todo à balda". Amanhã, Sebastião-o-Baldas já tem tarefa...
(Dudu) Mamã, eu lembro-me sempre de tudo?
(Mãe) Sim, filho. Tu tens cá uma memória...
(Dudu) Então se eu não me lembro de estar na tua barriga é porque nunca lá estive.

Se isto é assim com 4 anos, então como será na adolescência?
É minha afilhada e só por isso já merecia toda a publicidade do mundo. Mas a verdade é que faz dos melhores bolos do mundo e acerta em cheio nas bonecadas preferidas da criançada cá de casa.
Ora façam o favor de espreitar e de se deliciarem com os Bolos da Chica:

https://www.facebook.com/Bolos.Chica

Máquina da loiça avariada e uma mãe apostada em arranjar novas formas de fazer o máximo de coisas possíveis ao mesmo tempo...



Mãe 1 - Varizes 0
Hoje foi dia de cortar as 80 unhas dos filhotes (como é possível que elas cresçam tanto nas férias?!). E o Afonso, para variar, foi o mais queixoso. Por mais que os anos passem, sempre que lhe corto as unhas dos pés berra como uma criança pequena.

- Não é possível que te doa, Afonso. São só unhas!
- Eu tenho uma teoria para isso.

Claro! Claro que ele tinha de ter uma teoria...

- Não dizem que o ser humano um dia vai nascer sem unhas dos pés, porque elas já não lhe fazem falta? Eu acho que já estou a evoluir e as minhas unhas já estão muito coladas à pele...

Tem a sua lógica, sim senhor. Até lhe cortei as unhas com mais delicadeza. É que, mais ou menos coladas à pele, continuam a crescer e não é pouco!
- Mamã, desenhas aqui deste lado a mamã?
- Mamã, desenhas a seguir a Nonô? Tem de ser de mão dada.
- Mamã, desenhas a seguir o Dudu? Tem de estar de mão dada comigo.
- Mamã, desenhas a seguir o Titão? Temos de estar todos de mão dada.
- Mamã, desenhas a seguir o Afonso?

Felizmente (para mim, que já perdi o jeitinho de desenhar) o papá já não cabia...

A mamã tinha de sair e pediu ao Afonso que ficasse a entreter os manos. Quando tinha tudo pronto para sair, o Afonso já tinha igualmente pronta uma caça do tesouro para os manos piratas.
Quanto não vale ter um filho criativo...











No top dos chapéus cá de casa...

Mãe em êxtase:

- Afonso, tira uma fotografia à mãe, ao lado do Dostoievski.
- Quem é esse, mãe?
- É um dos meus escritores preferidos.
- Ah, percebo. Eu também estaria assim se encontrasse uma estátua do James Patterson (autor dos livros que ele anda a ler agora)...




E, pelo meio do seu caderno, a mãe descobre as criações do pequeno Dudu...
Com um caderno povoado de Kitties e alliens, e um telefone com um mega-autocolante da Branca de Neve cheio de corações (que a mamã não consegue tirar porque a Nonô diz que é para a mamã se lembrar sempre dela), como é que a mãe há-de parecer uma pessoa credível, nas suas reuniões?

(Mas pronto... à falta de credibilidade, temos sempre as alegrias do reino da fantasia...)



A mãe muito concentrada a tentar descodificar no seu caderno os segredos do universo. Afonso passa por ela, deita os olhos ao caderno e comenta, tranquilo:

- Sabes o que é que eu acho sobre isso? Que já vivemos todos milhares de vezes, só não nos lembramos.

Se ele já começa a formular hipóteses, aos 9 anos, estou para ver os cadernos dele, aos 35 anos...
(Sebastião no seu melhor)

- Mãe... quando eu estava na tua barriga sentia-me numa espécie de cruzeiro.

(Soube-me a elogio, mas trazia água no bico)

- Eu vinha com mil euros e escolhi o cruzeiro da tua barriga, que custava 100. Assim ainda me sobrou muito dinheiro para outras coisas.

Ou seja, ele podia ter escolhido uma mãe com barriga de cruzeiro de luxo, mas escolheu uma mãe com uma barriga de cruzeiro mais modesto, a fim de poder ter mais dinheiro para excursões e souvenirs. Gostei da noção de poupança. Quanto à modéstia do cruzeiro, é conformar-me. Pior seria se ele me chamasse barquinho a remos...
Sim, as férias servem também para ouvir os filhos. Mas há filhos que abusam... Por vontade do meu filho Afonso, os pais eram ouvintes 24 horas sobre 24 horas das suas histórias, que podem ir desde ideias que teve, anedotas intermináveis que inventa, a reprodução de filmes e episódios (na íntegra!).
É muito bom e importante deixá-los expressarem-se, mas não é menos importante explicar-lhes o valor do silêncio. Quem fala o tempo todo não consegue ouvir. Nem observar. Nem avaliar. E, em última instância, torna-se um grandessíssimo chato!

- Afonso... 1 hora de silêncio!

Experimentámos duas ou três vezes, já em desespero (e 10 minutos bastavam para ele respirar fundo e começar a olhar à sua volta). Parece à partida um bocado violento, assim imposto, mas o silêncio é uma aprendizagem importante, para quem não consegue estar calado. E a mãe lá foi falando, no silêncio do filho, para lhe explicar quais eram as suas 3 regras de oiro da conversação:

- Saber ouvir
- Pensar antes de falar
- Avaliar antes de opinar

Valem o que valem. Até porque a espontaneidade também é importante. Mas, como em tudo na vida, é no equilíbrio que está a virtude.
De volta! E absolutamente fascinada com o fomento à natalidade nos países do norte da Europa. Um exemplo da Dinamarca:

- Enfermeiras que visitam as recém-mamãs em casa para lhes dar apoio e lhes transmitir os conhecimentos necessários.
- Constituição de grupos de mães, por zona de residência e interesses comuns, que se reúnem com frequência para troca de experiências, acompanhadas por uma enfermeira.
- 1 ano para acompanhamento dos filhos, a receber o dobro do salário.
- Bolsa para pagar o Jardim de Infância (a partir do 1º ciclo é gratuito)
- Horário habitual de trabalho: das 8h às 15h, porque é possível ser produtivo e simultaneamente ter tempo para si próprio e para a família.

Tudo isto num país onde 55% da população anda de bicicleta (e os atrelados para levar os piolhos são deliciosos!) e onde se vendem nas ruas sumos de fruta fresca e sacos de legumes para trincar.

Adoro o meu rico Portugal, a nossa luz, a nossa temperatura, o nosso calor humano e o nosso sorriso. Mas não há dúvida de que em matéria de dignificação da maternidade e valorização das criança que serão o futuro do país (deixo a ecologia e a alimentação para outras núpcias), estamos a precisar de umas valentes reformas...


... mas de volta dentro de poucos dias, com um caderno cheio de histórias para contar.
E boas férias!
Dudu, no auge das suas patifarias, aparece vestido com o vestido preferido da mana gémea, a sua coroa de princesa na cabeça e uma perna arrancada a uma Barbie. É de o virar do avesso... se o seu sorriso maroto não fosse irresistível!

- Pára, Dudu! Eu é que sou uma princesa!

E a mamã pensa para si que a princesa Nonô ainda vai ter muito que penar, à custa de ter nascido lado a lado com um príncipe...
Para quem não teve oportunidade de ver, aqui fico um pedacinho de nós e de outras famílias que "guardam" (em álbuns, quadros, blogs) a infância dos seus filhos, para mais tarde recordar.
Enfim... Coisas de Pais!

http://www.tvi.iol.pt/programa/voce-na-tv/2015/videos/128760/video/13926322/1
Não sei exatamente qual dos meus filhos desenhou isto, mas um ET tão cheio de amor merece ser partilhado...

Hoje foi mesmo dia de publicidade aqui ao blog dos filhotes! Depois da TVI, foi a vez da madrinha Cristiana Resina dar uma entrevista ao blog Indios e Cowboys e falar de nós. Claro que a reportagem é sobre coisas bem mais giras, da Cristiana e da sua decoração. Ora espreitem em: http://indiosecowboys.blogspot.pt/2013/07/indio-e-cowboy-do-mes-cristiana-resina.html
Hoje, entre as 11h e as 12h, no "Você na TV" (TVI), serei uma das mamãs a falar sobre aquilo que se guarda, dos filhos. No meu caso, guardo as maiores aventuras e conversas mais hilariantes no blog Coisas de Pais (http://coisasdepais.blogspot.com), que nasceu há 7 anos. Era na altura uma mãe de dois filhos a trabalhar em televisão, hoje sou uma mãe de quatro dedicada aos livros. Daqui a outros 7 anos não sei o que serei, e já nem o blog existirá (porque os meus filhos já não me deixarão falar sobre eles), mas espero que cada um deles tenha na mão um livro com tudo aquilo que recolhi, na sua infância, para recordarem sempre que lhes apetecer...
A mamã estava a tentar trabalhar, no silêncio da noite, a ver as estrelas, quando uns passinhos pequeninos se fizeram ouvir, atrás de si.

(Mamã) Vai dormir, Dudu.
(Dudu) Ó mãe... o sol já se foi embora?
(Mamã) Já, Dudu. Então não vês que é de noite?
(Dudu) E porque é que o sol se vai embora de noite?
(Mamã) Ele não se vai embora. O nosso planeta é que gira e ficamos de costas voltadas para o sol.
(Dudu) Então eu quero ir para um planeta onde eu possa ter o sol à noite. Eu quero fazer uma festa à noite, com o sol.
(Mamã) Mas sabes que os outros planetas são muito longe, Dudu... Tinhas de ir numa nave espacial.
(Dudu) Não. Nave espacial, não. Eu prefiro ser um Super-Homem...

E ali ficámos mais um bom bocado, prova provada de que a conversa é como as estrelas... aparece sempre mais uma!
Dudu para uma amiga da mamã, que viu pela primeira vez:

- Olha... tu já morreste ou não?
- Não...
- Ainda não morreste?
- Não...
- Mas pareces mesmo um fantasma...

Se querem elogios, por favor dirijam-se à minha filha Nonô (mas encolham a barriga, please, senão vão ter de ouvir o que não querem...)
A mamã teve de ir ao Chiado tratar de uns assuntos e, claro... levou as suas carracinhas atrás, Dudu e Nonô de seus nomes. Percorram os pombos, compraram um livro na famosa Bertrand, rebentaram bolas de sabão gigantes, deitaram uma moeda num músico que lhes tocou, no seu saxofone, a Pantera cor-de-rosa, distribuíam "hellos" aos turistas todos, e ainda comeram uma fatia de bolo de chocolate no KaffeHause. O Chiado foi deles! E a mamã só ficou com pena de não ter mãos para registar tudo o que eles iam dizendo...

(Nonô apontando para um edifício histórico) Mamã... ali ao fundo já é Paris?

(Dudu apontando a estátua de Fernando Pessoa) Mamã... aquele senhor está preto. Eu acho que ele já está morto.

(Angústias de Sebastião nas suas colónias de férias)

- Eu e o S. éramos amigos no primeiro dia. No segundo dia fomos à praia, ele começou a zangar-se comigo, e e blablabla blablabla... Acho que a praia nos separou...
Nonô olha fixamente para uma sem-abrigo sentada à porta de uma Igreja, de olhar fixo no vazio. Corre para o Dudu:

- Dudu, se aquela senhora te oferecer uma maçã, não comas! Pode estar envenenada...

Se calhar já era altura de começar a chamá-la à Terra, não?
Hum... Faz-me lembrar alguém...



Como eu costumo dizer ao meu filho Afonso, ninguém terá respostas para nos dar. Ou melhor, até poderão ter, mas só serão verdadeiramente úteis aquelas que formos nós a encontrar. E uma forma de as procurar... é escrever.


A coroa era uma coroa simples da Barbie. A fotografia era uma fotografia simples de telemóvel. Mas quando a mostrei à Nonô reparei que a coroa tinha ficado brilhante. O fenómeno é também ele simples de explicar, mas aos olhos da minha pequena fadinha houve ali um toque de magia.
- Estou mesmo a brilhar, não estou, mamã?
Impossível dizer que não...


O livro desta noite foi "A Semente sem Sono". Muito fofinha, que deixou os filhotes rendidos à bonequinha sementinha, que um dia cresceu e se tornou uma raiz.

(Nonô) E agora, mamã? Ela não vai sair da terra?
(Mamã) Vai. Os cabelinhos dela vão crescer e aparecer, aqui do lado de fora. Sempre que vocês derem festinhas nas plantas e nas flores, estão a fazer festinhas no cabelo das sementinhas que estão debaixo da terra.

Os rapazolas acabaram a noite aos saltos na cama, mas a Nonô abraçou o livro e levou-o consigo para o seu quarto. Conhecendo-a como a conheço, amanhã vai fazer tantas festinhas nas plantas cá de casa...
A máquina do papá até cortou bem, sempre a direito, ao mesmo nível. O problema foi que o Sebastião resolveu "dar um jeitinho"...

A ideia era ir ao "Humor com Húmus" na Quinta da Regaleira, mas por falta de clientela, o espetáculo acabou por ser cancelado. Confesso que fiquei alguns segundos parada junto à bilheteira, a dizer mal da vidinha. Tinha sido uma trabalheira para os arranjar a tempo, para chegar a tempo, para estacionar a tempo, para os levar estrada fora (sem passeio!) a tempo... e não havia espectáculo?!?
Felizmente, as mães são especialistas em rápidos Plano B. Voltar para casa, depois de tanta trabalheira, não era solução. Portanto, Sintra por Sintra, vamos lá à descoberta de Sintra!

Primeira Paragem: Museu dos Brinquedos. Os rapazes adoraram o piso dos carros e a Nonô o piso das bonecas. Giro. Um nadinha caro para famílias grandes.

Segunda Paragem: Apanhar o autocarro. Bilhete que dá para várias paragens. Compensa. Os miúdos adoraram (sobretudo porque andaram sem cinto!)

Terceira Paragem: Castelo dos Mouros.



Treparam. Desceram. Escorregaram. Rebolaram... Adoraram! A maior desilusão foi quando chegaram ao topo:
(Dudu) Ó mãe... mas o castelo está todo partido!
(Nonô) São só pedras, mamã... E o rei e a rainha?!
Mas valeu todo o trajeto e a recolha de pequenas preciosidades da natureza, como folhas douradas e pedrinhas mágicas.

Quarta Paragem: Palácio da Pena.



Mais uma vez treparam, desceram, escorregaram, rebolaram... adoraram! O palácio já estava inteirinho, só faltou ver o rei e a rainha.
(Dudu) Se calhar estão a dormir a sesta...

A desculpa serviu. Deixámos os reis a dormir e fomos perder-nos nos labirínticos jardins, onde o Sebaatião foi o rei dos disparates:

(Sebastião, abraçado a uma pedra com musgo) Adoro estas pedras "peludas"...
(Sebastião a olhar para um pombo): Se eu pudesse ser um animal, era um pombo. Andava sempre a voar... podia fazer cocó onde quisesse... até em cima das pessoas!

Seis horas depois estávamos de regresso, num autocarro cheio de estrangeiros com quem os meus filhos já metiam conversa, com as palavras em inglês que sabiam, mas sobretudo com outras que iam inventando, a fingir que sabiam. E a Nonô saiu-se com mais umas:

(Nonô, quando o autocarro parou no meio da serra) Porque é que parámos, mamã? Está vermelho?
(Nonô, debaixo do braço de um senhor que devia andar nas mesmas maratonas que nós) Mamã, cheira a comida... Acho que este senhor não tomou banho hoje...

Fechámos o dia a comprar uma caixinha de travesseiros para o papá. E agora só espero que os filhotes durmam... como reis e rainhas!

Acabo de descobrir que tenho cá em casa uma "gaveta das armas". Mas os meus filhos garantem que é só para situações de guerra.



E claro que houve várias situações de guerra durante o dia...

- O que é isto, Nonô?!?!
- É um remédio. Ela não estava a conseguir respirar.
- Nonô... tu pintaste a tua boneca de verde!
- Eu sei... mas teve de ser! Ela não estava mesmo a conseguir respirar através das paredes...

Mas quem é que lhe ensinou este poder de argumentação? Quem?!

Chegou-se ao pé de mim com esta barriga gigante.

- Mamã, vou ter bebés.
- Ai sim? Isso quer dizer que eu vou ser avó...
- Claro!

Pouco depois chamou-me a mim e ao mano Dudu a um cantinho escurinho da casa e deu à luz: da barriga dela saíram uma gatinha e uma ratinha. E ficou numa alegria só!

- Já és mamã, Nonô?
- Já! E tu já és avó! Viva!

Espero que a alegria se repita daqui a uns bons anos, não num cantinho escurinho, mas na cama de um hospital, com a família reunida à espera de ver o mais novo membro da família. E, se possível, que não seja uma gatinha ou ratinha, mas um pedacinho de gente a quem eu possa ensinar coisas sobre a vida e sobre o mundo.
Afonso no seu melhor:

- Às vezes imagino que sou um Aquan e venho de outro mundo. Aterrei na tua barriga e andei a fingir que era um menino normal até começar a ser sugado, durante a noite, para o submundo, onde recupero a minha couraça de escorpião e luto contra o mal.

A história tem milhentos outros pormenores, mas não vou contar porque o meu filho prometeu transformar estas suas aventuras em livro. Teremos bestseller?
Acabo de descobrir uma forma de conseguir ler com a filharada à volta: faço de Bela Adormecida! Enquanto devoro umas páginas eles lutam com dragões, pedem poderes às fadinhas, trepam a castelos, transformam-se em pedras... e só quando conseguem finalmente chegar junto a mim, é que levo uma beijoca e finjo "acordar". Não sei quanto tempo vai durar. Mas hoje já consegui ler umas valentes páginas do meu livro no sossego do meu feitiço...

Nonô vem ter comigo, angustiada. Senta-se ao pé de mim e sai-se com esta:

- Mamã, como é que eu posso ser a Branca de Neve a sério?
Guerra ao pequeno-almoço:

(Mamã) Come, Dudu, por favor! Não vês que assim vais ficar pequenino?
(Dudu) Não faz mal. O Mickey também é pequenino, como eu.
Transformou a senhora da caixa registadora em sapo, mas foi só para lhe dar um beijinho e transformá-la em princesa. E a senhora ficou feliz...

Viva a fadinha Nonô!


Os meus gémeos andam a suplicar por uns óculos de sol. Esteticamente, percebo o seu entusiasmo (sobretudo o da minha pirosinha Nonô), mas ontem testaram uma argumentação mais forte:

(Dudu) Se eu não tiver uns óculos, não consigo olhar para o céu. E eu quero ver as nuvens...
(Nonô) Quando eu olho para o céu, o sol olha para mim e eu tenho de fechar os olhos...

Parece-me uma argumentação poderosa e irresistível...
Mãe e Nonô numa loja:

(Vendedora) Que linda menina... És portuguesa?
(Nonô) Não. "Hello"...

É que é mesmo do contra...
Nasceu um blog dedicado ao ensino, da Ana Soares (professora) e da Bárbara Wong (jornalista), que vale a pena conhecer: http://www.educaremportugues.com/2013/07/resultados-dos-exames-nacionais.html

Eu não me contive, e lá estive a rabiscar umas coisas (muitas coisas... desculpem!), em busca de ver respostas para as minhas inquietações de mãe, que agora resumi nestas questões, que acho urgentíssimo discutirmos:


- Para que serve exatamente o ensino?
- Que tipo de alunos estamos a formar e para quê?
- Que modelo de sociedade queremos construir e de que forma estamos a contar com os nossos jovens?
- Quais são exatamente as funções (para além da pedagógica) dos professores? (sendo que cada vez mais os pais não têm tempo para formar os seus filhos)
- Que responsabilidade têm os pais, na formação daqueles que são o futuro do país e do mundo?
- Deverão também os pais, a par dos professores, ter formação para criarem a geração do futuro?
- Qual é o perfil dos alunos de hoje? Estará o tipo de ensino adequado aos tempos que correm e às suas mentes hoje tão rápidas, irrequietas e estimuladas? Qual a melhor forma de lhes dar vontade de aprender?
- O que pode ser verdadeiramente interessante e útil ensinar-lhes, para a sociedade que queremos construir? E de que forma podemos rentabilizar os seus dons e talentos?

Estejam completamente à vontade para responder (se quiserem, só àquilo que vos interessar). Acho mesmo que temos de fazer este debate, e nós, pais, não podemos assistir a ele "de fora", porque os alunos são nossos filhos e estão à nossa responsabilidade. E o que fizermos deles será aquilo que o país será, daqui a uns anos...
Dudu e Nonô vêm ter comigo, com a pergunta bem estudada:

(Dudu) Ó mãe... porque é que nós temos um cartão de cidadão?
(Mamã) Porque vocês são cidadãos. Sabem o que é ser cidadão?
(Dudu e Nonô) Não.
(Mamã) É fazerem parte deste mundo.

Dudu e Nonô olham um para o outro, desconfiados:

(Mamã) Vocês fazem parte deste mundo?
(Dudu e Nonô, imediatamente) Não!
(Mamã) Não?! Então fazem parte de qual mundo?
(Nonô) Do mundo encantado!

Ah, pois claro. A mãe, de facto, não percebe nada disto... Acho que hoje vamos fazer um cartão de cidadão especial para cidadãos do mundo encantado. Com fadinhas, duendes, princesas e super-heróis.
A Nonô geralmente desenha princesas e bailarinas muito felizes. Mas hoje saiu-se com esta menina triste.



- Ela portou-se mal e está de castigo, mamã.
- E não podemos tirá-la do castigo, para ela ficar feliz?
- Ela é feliz. Só está triste. Mas já passa.

No desenho seguinte, a Nonô voltou a fugir à regra e desenhou esta coisa horrível.




- O que é isto, Nonô?!
- É um astronauta. Tu também desenhavas astronautas quando tinhas 4 anos, mamã?
- Hum... se calhar. Não sei bem. Vou perguntar à avó. Mas o teu astronauta não tem olhos.
- Não. Ele está lá dentro.
- Ah! Isso é uma nave espacial.
- Sim.
- E o que são estes riscos à volta?
- São os ângulos.
- Os ângulos?! O que é que tu achas que são os ângulos?
- São uma espécie de cabelos. Têm muitas cores.
- Ah...

Enfim... estamos sempre a aprender...
Nova tarde de artistas:



- O que é isto, Dudu? És tu?
- Não, é um Cardeal.
- Um Cardeal?!
- Sim. Um Cardeal que fala inglês. Assim: "zabsfhesmfprmmslsws ssçlsijfkjfbdj"

Mas onde é que este miúdo vai a estas ideias?!
Afonso, para variar, hoje comeu depressa e perguntou se podia levantar-se da mesa para ir ler o seu livro (anda completamente viciado na "Escola", de James Peterson).

- Oh, filho... Fica na mesa. Estamos todos juntos a conversar...
- Não estamos, não. Estamos a ver notícias sobre pessoas que morreram com touros e em acidentes.

Deixei-o ir. Amanhã começarmos a almoçar sem o Jornal da 1.
O Duarte estava sossegado ao meu colo, num raro momento de serenidade, quando se sai com esta:

- Sabes que tu eras a mãe da avó? Mas ela era muito pequenina...
- Não, filho. A avó é minha mãe.
- Isso foi depois. Primeiro tu foste mãe dela. E estavas a ralhar com ela porque ela chorava muito.
- Mas eu tinha esta cara?
- Não. E eras baixinha.
- Então como é que era eu?

Riu-se, encolheu os ombros e fez-se à vida. Mais uma daquelas tiradas que ninguém explica...
Depois de uma boa meia hora a brincarem aos polícias e ladrões, o Dudu apareceu ao pé de mim a chorar.

(Dudu) Ó mãe, o Sebastião não me deixa ser dos bons!!!
(Mamã) O que é que se passa, Sebastião? Se o teu mano quer ser polícia, deixa-o ser.
(Sebastião) Os bons não são os polícias, mãe. São os ladrões! O Dudu quer ser ladrão...

Digamos que as imagens que inundaram as televisões em dias de manifestação não ajudaram muito... mas sim, tenho um trabalhinho "de casa" para fazer!

O fim de tarde foi a desafiar a arte... a mamã só lhes pôs a coroa. Parabéns aos meus reizinhos mais novos.

Estava a mãe a barafustar alto e em bom som com o novo programa da SIC, o "Olé", onde famosos experimentam pegar um touro, quando o Afonso resolveu descansar-me:

- Mãe... desafiar a morte a enfrentar um touro só para ver quem é mais forte... podes ficar descansada... eu nunca vou ser forcado!

Nonô, no Continente, grita o ver o meu novo livro.

- Mamãaaaaaa! O teu livro!!!!!!!

Pega nele, folheia-o, orgulhosa. E eu orgulhosa com ela.

- Foste tu que escreveste, não foste?
- Fui sim, filha.
- E quando é que eu posso começar a escrever livros, como tu? Eu queria tanto ser escritora!

Eu sei, eu sei. É coisa de mãe babada. Mas tinha mesmo de o partilhar...
Gémeos com falta de sesta, a fazerem birras descomunais para vestirem o pijama e lavarem os dentes. Mãe já com os cabelos em pé, capaz de os virar o avesso. Afonso aproxima-se, suavemente, completamente indiferente à gritaria e à confusão:

- Ó mãe... tu não ficas preocupada com o degelo dos glaciares?

Sim, filho. E com a paz no mundo, e o fim da crise, e o combate à fome e à desigualdade. Deixa-me só conseguir primeiro ser uma boa mãe, que a gente depois conversa sobre isso, ok?
Depois de um dia "daqueles", em que os meus filhos conseguiram tirar-me do sério um número de vezes acima do suportável, recorri ao já recorrente sistema cá de casa: toca a escrever um compromisso para as férias! O Afonso teve de fazer um compromisso com 5 pontos, o Sebastião fez apenas um, mas sempre que falharem em qualquer coisa terão de se dirigir ao frigorífico e recordar, em voz alta, o compromisso que cada um deles escreveu. Costuma funcionar... uns dias. Logo penso noutra coisa qualquer a seguir...



Ps - Passo a explicar as contas no canto inferior direito: o Afonso, entre um compromisso e outro, ficou com receio de já não se lembrar de fazer contas, e lá improvisou umas, pelo meio... parece que ainda se lembra da coisa. Mas ainda faltam dois meses de férias.....
Há dias que o meu filho Afonso me pedia para lhe contar o mito da caixa de Pandora. Eu só sabia a história por alto e hoje, finalmente, pesquisámos juntos sobre o mito.

"A história conta que após Pandora receber o jarro, recebeu uma ordem de Zeus dizendo para jamais abri-la. Dia pós dia, Pandora ficava cada vez mais curiosa, e um certo dia, decidiu que iria abri-la para ver o que havia dentro. Quando a abriu todos os males foram libertados, exceto um, que ali dentro permaneceu: a esperança."

- Ó mãe... mas a esperança não é um mal!!!

Não é, não... Era o único bem que estava na caixa e que não foi libertado (e como precisamos dele, nos dias que correm...) Mas há muito deste mito por reescrever. Há muitas culpas por libertar e muita carga por limpar, da figura feminina, de forma a colocar Pandora no seu lugar devido, longe de todas as culpas e todos os males dos Homens...
Ajudas-me, Afonso?
(Sebastião) Mãe, quando tiramos a camisola, no hóquei, fico com a minha barrigota à mostra...

O Sebastião tem uma barrigota, é verdade. Foi o meu bebé mais gorducho, agora de gorducho não tem nada, só a bochecha e uma barrigota que se faz notar sobretudo depois de comer.

(Mamã) Fica descansado, que a mãe vai arranjar maneira de acabar com a tua barrigota.

Sebastião fica com cara de pânico e coloca as mãos em posição de súplica:

(Sebastião) Por favor... não me mandes para o Peso Pesado!!!

O Afonso acaba de regressar da sua primeira semana fora de casa (sem contar com as semanas em casa dos avós). Foi a uns torneios de futebol e regressou a casa todo contente. Ao fim de meia hora de conversa, já tinha feito o meu balanço enquanto mãe dos aspetos positivos e negativos desta primeira experiência.

Positivos:
- Diz que se foi lembrando da longa conversa que tivemos antes dele ir, sobre liberdade/responsabilidade. A mãe é uma chata do pior, mas enquanto ele se for lembrando das coisas chatas que a mãe diz, não estamos mal...
- O pai tinha arranjado com ele uma estratégia de manter a roupa arrumada na mala e guardar a roupa suja. Chegado lá tinha um cacifo minúsculo para guardar as suas coisas. Digo que é positivo porque o obrigou a desenrascar-se e a improvisar uma estratégia de dobrar, arrumar e separar o sujo do limpo.
- Percebeu que há amigos e há aqueles com quem temos de saber lidar.

Negativos:
- Trouxe todo um novo rol de palavrões que fez questão de me "ensinar".
- Descobriu o que é o Facebook e agora quer ter um... para jogar.
- Pediu para ir a uma livraria comprar um livro para os tempos mortos, e chamaram-lhe nerd. Não foi comprar o livro, mas felizmente também se borrifou para o comentário.

E é assim. O rapaz está a começar a fazer-se à vida... E eu, prestes a ter de deixar de falar nele neste blog, porque o mais certo é ele qualquer dia criar o seu...
Mais um desenho do Dudu a revelar a sua falta de jeito para o desenho. Felizmente a revelar também a sua grande criatividade...



- O que é isto, Dudu?!?
- É um menino que deixou cair o chapéu e todos ficaram a ver que ele tinha orelhas de rato. Gozaram muito com ele. Ele estava na praia a molhar os pés e depois viu ao longe um golfinho, que era amigo dele.

Dava uma linda história, não dava? "O menino com orelhas de rato e o seu amigo golfinho"...
Os dias não andam a chegar às encomendas, mas aqui fica um pequeno best-off dos gémeos, desta semana:

(Dudu) Mamã, parece que estamos a viver num forno...


(Nonô) Mamã, posso pôr potalco nas minhas bonecas?
(Mamã) Não, filha. O potalco é só para os meninos a sério.
(Nonô) Mas se for uma boneca que fala, já posso?
Mais uma grandessíssima verdade de senhor Afonso:

- Ó mãe, sempre que me disseres "Eu já te conheço, Afonso", devias lembrar-te que eu também já te conheço, mãezinha...
Dudu no seu melhor:

- Ó mãe... tu e o pai agora morriam e eu ficava em casa dos avós.
- Querias ficar em casa dos avós para sempre??
- Não. Era só poucos dias. Depois tu e o pai deixavam de estar "morridos", iam lá buscar-nos e vínhamos todos para casa.
- Eu e o pai não podemos só ficar a trabalhar, enquanto tu vais para lá?
- Hum... Sim, está bem.

Sempre me parece um bocadinho melhor...
Afonso a brincar com os seus bonecos, "bichanando" conversas imperceptíveis entre eles. De repente, olha-me e aproxima-se:

- Ó mãe, o que é que tu pensas quando escreves os teus diálogos? É que eu, quando estou a brincar, para imaginar o que os bonecos dizem, finjo que estou no lugar deles...

E eu diria que está no bom caminho. Agora só tem de sentir o prazer de o pôr no papel...
Mamã a passear com o Dudu e a Nonô pela mão.

(Dudu) Mamã... quando é que eu e a Nonô somos crescidos?
(Mamã) Qualquer dia, Dudu. Tu já querias ser crescido?
(Dudu e Nonô ao mesmo tempo) Simmmmm!
(Mamã) E porquê?
(Dudu) Para irmos pela rua sem a tua mão...
(Nonô) E para usar sapatos de salto alto.

Coisas muito importantes da vida de um crescido...
Primeiro foi a Nonô que saiu de casa de manhã, olhou para o céu, abriu os braços e gritou:

- Bom dia, sol! Estás bom?

Hoje, o Afonso olhou o céu, através do vidro do carro, e contou-me, triste:

- Sabes, mãe... o sol às vezes chora. Ele fica triste porque não gosta das nuvens. E também chora à noite, quando tem de se ir embora...

Quem sabe, sabe...
A responder a uma entrevista enquanto leio o "Auto da Barca do Castigo" com o meu filho Sebastião. Calharam-me as falas dos professores.

- Mãe... lembra-te que combinámos que íamos ler a cantar...
- Ah, pois é!

Vai sair uma coisa esperta...
Nonô chega da escola, com o papá, e ouve a mamã a chamá-la.

- Nonôoooooo!
- Mamãaaaaaa!

A voz era de uma alegria imensa e a Nonô entrou-me pelo quarto adentro com um sorriso de orelha a orelhas.

- Ainda bem que estás em casa, mamã. Pensei que tinhas morrido.

E seguiu-se um abraço daqueles que valem tudo. Sabemos lá nós o que passa pela cabecinha destes nossos pequerruchos...


(Dudu) Toma, mamã. Fiz para ti.
(Mamã) E o que é?
(Dudu) Uma formiguinha a fugir dos lobos, na floresta. Ela tem tanto medo...

Nada a fazer. O rapaz herdou os pesadelos da Mamã.
Adoro os 4 anos!!! Não dá para cristalizar os filhos nesta idade? Só assim mais uns 20 anos?

(Dudu) Mamã, quando tu eras pequenina o Pai tomava conta de ti? Era ele que te dava a sopa?


(Nonô aparece com brinquedo na mão)
- Mamã, quem é que me deu isto?
- Não sei, filhota.
- O quê? Não perguntaste "Olha lá, quem és tu?"


(Dudu na Casa de Banho)
- Mamã... eu queria ser um peixinho e viver aqui na água da nossa sanita...


A mamã a (tentar) estudar a matéria para uma entrevista que vai dar. A cabeça já não anda boa para dizer coisas de jeito. E descobrir Kitties nos seus apontamentos, fá-la mesmo temer o pior...

- Então conte lá sobre o que é o seu livro...
- Olhe, para lhe dizer a verdade já não me lembro. Sabe que depois de o escrever os meus filhos mais velhos tiveram testes e exames, festas de final de ano e festas das atividades. Estive uma porção de tempo sem empregada e tive que desdobrar-me em trabalhos vários para ver se conseguimos levar esta malta toda de férias. Pelo meio também houve febres, viroses e várias noites sem dormir. E, enquanto tentava preparar-me para vir aqui falar consigo, a minha filha colou-me Kitties no caderno. Por isso olhe... não sei bem que lhe diga... Se calhar é melhor ler o livro, enquanto eu durmo ali uma soneca, no canto do estúdio.

Ia parar ao Youtube, seguramente :)
Depois de me fazerem a cabeça em água e de só se deitarem quase às 23h, o Dudu chama-me ao quarto.

(Mãe já com voz de trovão) O que foi agora?!
(Dudu) Ó mãe... desculpinha...

E como continuar zangada? Como?!
Depois da Mamã mandar a Leonor sentar-se umas 20 vezes (sem sucesso) o Afonso sacou de toda a sua ironia e saiu-se com esta:

- Não está a resultar, mãe... Queres ver como é que se faz? (tossica) Leonor, sabes quem é o Pai Natal?
- Sim.
- Ele está a ver tudo o que tu fazes. Se não te vieres sentar agora, não vais ter presentes no Natal...

E a Leonor correu para a mesa, aflita.

- Vês, mãe? Tens de ler o meu livro sobre Psicologia Avançada para Crianças...

Teve muita graça... Mas durante as horas que se seguiram o Afonso foi obrigado a aplicar a sua Psicologia Avançada e obrigar a irmã a comer a sopa, o segundo, a fruta, a lavar os dentes e a deitar-se sem resmungar. É que a Psicologia é muito bonita, mas na prática dá uma trabalheira desgraçada!
6,60€ um bilhete de cinema?! 33€ para 1 hora e meia de filme com as crianças?!

- Ó mãe, nós não íamos ao cinema?
- Não. Viemos só ao Continente comprar pipocas, para vermos um filme em casa...
O Afonso foi a cobaia. Enquanto a mãe foi buscar os manos mais novos à escolinha, ficou com a tarefa de escrever o seu compromisso para estas férias, com base nos 7 Hábitos para crianças felizes. Resultado...

(começou de cima para baixo, mas o rapaz também não é muito dado à ordem)

6º - TRABALHA EM EQUIPA
Passar mais (a bola) no hóquei.

5º - PRIMEIRO TENTA COMPREENDER E SÓ DEPOIS SER COMPREENDIDO
Prestar mais 25% de atenção às coisas chatas que a mãe diz. (dentro do género já não me parece mal...)

4º - PENSA VENCER
Esforçar-me no hóquei

3º - DÁ PRIORIDADE AO PRIORITÁRIO
Fazer o que está lá escrito (no Hábito)

2º ESCOLHE O OBJETIVO ANTES DE COMEÇAR
Pensar antes de fazer... e de falar.

1º TOMA A INICIATIVA
Ou é aquilo que eu disse ("A vida é minha, faço tudo o que eu quero", o que a mamã contestou) ou nada. (Temos um problema de raiz por resolver, mas pronto...)


Faltou-lhe o 7º, o do EQUILÍBRIO. Mas sendo esse aquele que falta a quase toda a gente, tudo o resto parece-me já um bom começo...


- Leonor, estás tão crescida... Já tens 4 aninhos!
- Não tenho nada. Estás sempre a enganar-te, mamã. Já tenho 6. Como tu. Tu também tens 6, pois é?
- Oh... não, Nonô. A mamã tem um bocadinho mais.

(Nonô olha para os dedos e mostra-mos todos)

- Tens estes todos?
- Um bocadinho mais ainda...
- Mas não tenho mais dedos... Só se contarmos com a cabeça.

(Resumindo, tenho 11 anos bem contados. Quanto não vale a inocência das crianças...)
Os 7 Hábitos para estas Férias...
Cultivaremos um por semana, durante três loooooongos meses...
Depois olha... é esperar que a semente lá fique!

De volta dos livros e cadernos dos meus filhos, que estão desde o dia 15 empilhados na secretária, descubro a última composição do meu filho Afonso: uma continuação de um excerto de "O Sol e o Menino dos Pés Frios", de Matilde Rosa Araújo. Dois irmãos resolveram entrar numa casa abandonada em busca de um tesouro, e o meu filho escreveu assim:

(parte cómica)
"Uma onda de medo soava no corpo das crianças. Mas, pouco a pouco, foram perdendo o medo. Às duas da tarde já não tinham medo nenhum..."

(parte emocionante)
"Começaram a andar pelo corredor dos quartos. E lá viram uma fotografia a dizer que o tesouro está no nosso coração. (...) E depois um texto a dizer 'Devemos aproveitar a nossa vida. Tentar descobrir o nosso motivo de estar aqui. Nunca desistam dos vossos objetivos. Assinado, Teresa Pereira.'. Eles nem podia acreditar! Era da sua mãe, há muito perdida!


(e, por fim, a parte trágica)
"Desde então, nunca mais desistiram dos seus objetivos, mesmo que fossem ridículos. E prometeram um ao outro que iam tentar encontrar a mãe, até que a morte os separasse."


Vou ali buscar um lencinho e já volto...

Consequência de uma semana em casa dos avós:

(Mamã) Come a sopa, Nonô!
(Nonô) Pode ser uma colher pela Mãe (aponta para mim), pelo Pai (aponta para o pai), pelo Filho (aponta para o Afonso), pelo Espirito Santo (aponta para o Duarte) e pelo Amén (aponta para o Duarte)?

O certo é que comeu a sopa toda num instante. Abençoados avós...
Depois de 4 noites sem que a fadinha dos dentes aparecesse, para vir buscar o seu molar, o Afonso resolveu ser mais explícito:

- Mãe... podes por favor avisar a fadinha esquecida de que vou deixar o dente pela última vez em cima da minha secretária?

E a fadinha esquecida apareceu, com uma boa desculpa... Vamos ver se o Afonso cai nesta!

Afonso e Sebastião no carro:

(Afonso) Sebastião, sabes que vamos passar um terço da nossa vida na escola?
(Sebastião) yá!
(Afonso) Yá?!? Sabes o que é que isso quer dizer?!?
(Sebastião) Sei. Quer dizer que, se dividirmos a nossa vida em três, uma delas é passada na escola.

A prova clara de que tenho duas cabecinhas completamente diferentes. E que a filosofia e a matemática se entendam!
Mamã no carro com os filhotes mais novos. Avistamos cavalos selvagens.

(Mamã) Se a mamã fosse um animal, gostava de ser um cavalo selvagem. E vocês?

Quando os pais fazem estas perguntas, estão à espera de ouvir cavalos, golfinhos, cães, gatos, leões... Pois. Mas com estes meus filhos tenho de me habituar a não esperar coisa nenhuma que os outros pais esperam:

(Sebastião) Eu cá gostava de ser um bichinho da conta. Andar a fazer túneis debaixo da terra... rebolar quando alguém me tocava...

(Afonso) Eu cá gostava de ser um vampiro. Era a única forma de ser imortal...
O meu filho mais velho é finalistaaaaaa!

Calma... não acabou a universidade, não. Também não acabou o liceu. Nem o 9º ano. Só acabou a 4ª classe, mas como a vida é para ser celebrada o mais possível, comemorou-se a ocasião com pompa e circunstância. Houve direito a chapéu de finalista, fitas da família, diplomas, apresentações no auditório e discursos de despedida, vídeos com fotos dos melhores momentos... e livro de finalistas, com frases e desenhos deles sobre os mais diversos assuntos ligados à escola, aos professores, às matérias... (que me deu um gozo particular porque teve o dedo do Livro da Minha Vida... Obrigada, Ana Correia Tavares!)


A meio de toda esta azáfama, dei por mim a pensar que se calhar estávamos a exagerar na dose das surpresas e das recordações. Mas ver a alegria deles, o orgulho, a amizade, a ternura com que olhavam os professores destes 4 anos (e nós com eles), justificou tudo! Não, eles não vão fazer o 5º ano a Marte. Vão até continuar na mesma escola, só mudam de ala. Mas vão seguramente começar uma nova etapa das suas vidas, para a qual precisam de toda a energia, toda a confiança, toda a certeza de que os apoiaremos nas suas vitórias e nas derrotas.

Já agora, filhote Afonso... tenho muito orgulho em ti!
Tenho orgulhosamente mais uma afilhada!
Eu bem aviso que sou uma madrinha assim a dar para o desnaturado, sem muito tempo livre (nem dinheiro para grandes prendas), à custa de uma casa cheia de filhotes que lhe roubam o tempo todo (e o dinheiro também), mas é sempre bom dizer que "sim" a um convite tão carinhoso da minha sócia e amiga Ana Tavares.
Vou escrever a cartinha da praxe (aquela onde faço as recomendações possíveis, dentro da minha ainda limitada experiência, para uma vida bem vivida) e visitar a minha querida M., para lhe dar umas beijocas repenicadas nas bochechas gorduchas e fazer umas coceguinhas nos minúsculos pezinhos.

Parabéns aos pais, agora com uma rica prole de 4 meninas. (quem é o maluco que hoje em dia tem 4 filhos? Quem?? :))
No meu próximo romance, que é coisa de gente crescida, escrevi assim:

"Por último, deixo um obrigada também muito especial ao Pedro, que me traz “à vida” quando a imaginação me leva. E aos meus filhos – Afonso, Sebastião, Duarte e Leonor - que, pelo contrário, me levam a viajar pela sua imaginação quando a vida me aborrece. Uns e outros são pilares daquilo que sou, fundamentais também para aquilo que sonho ser e fazer. Espero estar sempre à altura de vos retribuir na mesma medida."

Cansada como ando, nem sempre me tenho sentido à altura, é certo. Mas prometo fazer por isso...

Dia 21 nas livrarias.
(Nonô no seu melhor)

- Mamã, eu nasci da tua barriga?
- Claro, filha.
- Oh... Mas eu não queria!
- Não querias?!!
- Não. Estava muito frio.
- Tinhas frio, quando estavas na barriga da mãe?
- Tinha. Eu queria ter nascido... numa cebola!

(Trocada por uma quentinha cebola... Não sei como vou digerir isto...)
No mesmo dia do "penteado de artista" (http://coisasdepais.blogspot.pt/2013/06/coisas-de-dudu-e-o-seu-penteado-de.html), fui dar com o Dudu sozinho no quarto do irmão mais velho a tocar guitarra e a cantar uma música inventada por si. Dizia mais ou menos assim:

Eu adoro-te!
Eu namoro-te!
Eu adoro-te!
Para seeeeeempre!
És feia.
Mamããã



Parto do princípio que ele encontrou uma namorada muito feia e está a gritar por ajuda da mamã. É isso, não é?
(Dudu no banho)

- Mamã... fiz um penteado de artista! Posso ficar com este penteado para sempre?



Estando ele há três dias fechado em casa, doente que mete dó, não consegui dizer-lhe que não.

- A mãe faz-te dois carrapitos com os elásticos da Nonô. Queres?
- Não, senão o pai diz que eu sou uma menina.

Ufa! Pensei que me livrava do penteado de artista e já me preparava para lhe secar o cabelo com uma toalha, quando ele sacou de mais uma ideia da cartola:

- Já sei, mamã! Seguramos o cabelo com pauzinhos de Perna De Pau...

Este meu filho tem um pirolito a menos. É melhor estar preparada para as loucuras que aí virão...
(Dudu para a Nonô) Ó Nonô, sabes que a mamã dormiu comigo esta noite?
(Nonô para o Dudu) Não, não. A mamã esta noite dormiu comigo.

Se perguntarem ao papá, ele também dirá que dormiu com a mamã. É o maravilhoso dom da omnipresença das mães: todos acordam com a sensação que dormiram com elas. As mães, coitadas, é que para dar conta dessa omnipresença, mal pregam o olho!
Depois de uma noite e um dia de febres, vomitados e choros de dois gémeos doentes e carentes, o Dudu abraçou a mamã com força e saiu-se com esta:

- Tu és um bocadinho médica, mamã. E eu gosto de ti.

E há cansaços que não desapareçam com frases destas?


Desceu-me nestes preparos para jantar.

- O que é isso, Nonô?
- Sou a Carochinha. Quem quer casar comigo?

O Sebastião alinhou logo e fez de João Ratão. Mas, depois da brincadeira, a Nonô veio falar comigo.

- Mamã, quando for grande vou casar contigo.
- Não podes, filha. Eu sou tua mamã.
- Ah, está bem... Então vou casar com o papá.
Numa semana em que perdeu dois dentes, o Afonso não conseguiu deixar de pensar na fadinha dos dentes, aquela em quem ele deixou de acreditar e que, por isso mesmo, deixou de aparecer.

- Mas posso continuar a deixar os dentes debaixo da almofada?
- Podes... mas de manhã eles ainda vão lá estar. As fadinhas só vão aos quartos dos meninos que acreditam.

Ficou a remoer aquilo e, à noite, apareceu ao pé de mim com os dois dentes enfiados num envelope.

- Se calhar vou deixar os dentes aqui na secretária, dentro deste envelope...

Fingi ignorar o assunto e deixei-me rir para dentro. O certo é que, na manhã seguinte, nem havia envelope, nem havia moedas, nem nada!

- E agora, mãe? Fico sem dentes e sem moedas?
- A fadinha está a pregar-te uma partida. Ou então mandou cá os duenes, que são mais marotos.

Ficou contrariado, mas à noite a fadinha resolveu consolá-lo. Quando ele chegou a casa e tirou as almofadas da cama para se ir deitar, tinha lá um livro (o que ele andava a pedir) e um recado... da fadinha, claro! Vale ou não vale a pena acreditar?

Não caberá a nós, pais (a par dos professores e educadores), formar novos líderes? Incutir espírito de grupo? Levar os nossos filhos a trabalhar em equipa? A voltar a confiar nos outros?

Gostava que o pensassem comigo.
A minha opinião em:

sararodi.blogspot.pt/2013/06/sobre-lideranca.html
No dia do último teste do ano (dos meus filhos e meu... Férias à vista!!!) - História - perguntei ao meu filho mais velho se se sentia preparado.

- Não te preocupes, mãe. É teste de consulta.
- Podes ir consultar datas e nomes que não saibas. Mas a História é para ser compreendida.
- E eu compreendo. É muito fácil. Havia uns homens muito valentes que queriam ter um país e andaram a lutar com os outros povos todos até criarem Portugal. Às vezes também lutavam uns com os outros. Depois fizeram-se ao mar e conquistaram o mundo. Eram valentes mas não sabiam gerir as coisas e perderam tudo. E agora estamos nesta crise...

Com algumas lacunas pelo meio, mas sim... é esta a História do nosso Portugal.
Mamã da cozinha:

- Nonô, vem tomar o pequeno-almoço.
- Não posso. Tenho muitas letras para ler!

Tive de ir espreitar o que era, já suspeitando que dali não viria boa coisa...



"Uma lagoa tranquila na Floresta". Que livro tão adequado para uma menina de 4 anos...

- E estás a gostar de ler?
- Sim. Posso ficar com este livro, mamã?
- Podes.
- Gosto muito deste menino que está aqui de lado.

O "menino" é um mestre budista, mas tudo bem. Que tem sorriso de criança, ninguém pode negá-lo... Sempre quero ver que ensinamentos tira a Nonô do seu livro...

E quando pendem lianas do primeiro andar?



E quando a mamã quer evitar que um Tarzan salte lá de cima mas tem uma armadilha à sua espera?



Esta casa, ao fim de semana, vira uma animação. E a mãe tem de respirar fuuuuuuuuuuuundo para não a virar do avesso!