Culinária e criatividade... o jeito é que não é muito, mas não se pode ter tudo...

Apareceu a correr, desengonçado, como sempre que tem uma ideia louca qualquer:

(Dudu) Olha, mãe... fiquei sem o meu dedo e pus este penso.
(Mãe) Ficaste sem o dedo como?
(Dudu) Entalei numa porta e ele saltou. Agora o meu dedo tem de ser uma colher...

(Dudu aparece no jardim) Ó mãe... eu comi muitas bananas.
(Mamã) Muitas como?!
(Dudu) Comi três bananas. Agora já sou um macaco?

O que é que eu lhe faço???
Nonô aparece a correr:

- Mamã... vê lá se o meu coração está a bater...

Mamã leva a mão ao coração da Nonô, preocupada.

- Dói-te?
- Não. Mas está a bater ou não?
- Está.
- Ufa! Se não batesse, eu estava "morrida"...
Dudu a correr à volta do jardim com a sua blusa e capa do Super-Homem, crente de que vai voar. A mamã incentiva:
- Força, Dudu! Tu consegue.
Nonô olha-o, descrente...
- Ele não consegue. Precisa de mais vento...

A prima M. resolveu fazer um filme com as amigas e convidar os primitos cá de casa a participar nele. O Afonso era irmão da prima, Benjamim de seu nome, um hippie cool. O Titão era o rapaz da claquete, a Nonô a assistente de realização, e o Dudu... bem, o Dudu era o "penetra" (figura sempre presente numa rodagem...). Os outros primos, irmãos da prima M., também entraram, e o entusiasmo foi tanto, que o universo cinematográfico chegou para ficar, nas suas vidas. Ao ponto de o Dudu, a fazer uma corrida na praia em direção à água, gritar de longe para a Nonô, que ia à sua frente:

- Não vale, Nonô! Eu não disse "Ação"!

Como diz a avó Antónia, "vocês brincavam aos teatrinhos. Hoje brinca-se aos filmes". E o filme, depois de devidamente montado no computador da Maria, será exibido numa televisão das nossas casas, com direito a pipocas e tudo!

Agora com aromas e compotas diversas. Agora é só convencer os filhotes de que os iogurtes da mamã são melhores do que os Yocos e os Actimel...

Deixei a Nonô escolher outra música no Youtube (ver post anterior). Apontou para "Chuva", de Mariza. Aos primeiros acordes, exclama:

- Ah, mamã... é a Fada!
- Não, filho, é o Fado.
- É uma Fada a cantar o Fado.

E ela bem sabe...
Uma Nonô com pesadelos, fruto da febre que lhe chegou hoje sem avisar, está neste momento ao meu colo, a pedir miminhos.

- A mamã conhece uma música que afasta os pesadelos todos...

Olhou-me com os olhinhos inchados, expectante.
Coloquei "Ponto de Luz", da Sara Tavares (http://www.youtube.com/watch?v=R2i_-F8JftE) e ela aninhou-se um pouco mais. Que pesadelo não se vai embora com Sara Tavares?
Mamã atira um beijinho ao Dudu, que lhe aterra em cheio na bochecha. Maroto, o Dudu começa a passar a mão com força na sua bochecha...

(Mamã) Não acredito, Dudu... Já não queres os meus beijinhos?
(Dudu, com ar ainda mais maroto) Quero... só lhes estava a fazer festinhas...
Andava há algumas noites a acordar com um estranho "recado" (que a cabecinha à noite trabalha e não é pouco): andas demasiado agarrada ao telefone! Liberta-te dessas maquinetas todas!
O computador já tinha crashado há uns tempos, mas não houve hipótese senão substituí-lo por um novo, porque o trabalho depende dele. Mas tenho feito por lhe dar descanso mais vezes. Mas, à falta dele, o telemóvel foi eleito o substituto perfeito. Com mail, net, bloco de notas, fotos de qualidade que se podem usar em blogs e redes sociais... desligá-lo parecia tarefa impossível.
Poderemos passar sem ele? A Nonô tratou de me "ajudar" a provar que sim. Sem querer puxou uma blusa, onde ele estava a repousar e, ao embater no chão, o vidro protetor do telemóvel ficou feito em cacos.
Totalmente sem telemóvel não poderei ficar. Mas vou usar, por agora, o do meu filho Afonso, um daqueles baratuchos que lhe comprámos quando foi para uma colónia de férias.
Se isso tem inconvenientes? Claro que tem! Já não sei o que é um telemóvel sem fotos e 3G. Mas, até a filharada voltar para a escola, acho que ter um telemóvel que faz unicamente chamadas vai acabar por nos fazer bem a todos...

PS - Não tenho imagens do telemóvel desfeito pelas razões óbvias: não tinha telemóvel para o fotografar!
Dudu com a Mia ao colo, longe do alcance da vista da mãe:

(Dudu) Mia, é hora do banho...
(Mãe a estranhar) Ela está-se a lamber ao teu colo, Dudu?
(Dudu) Não, eu é que estou a "lamber ela"... Eu também sou um gato.
(Dudu) Mamã, eu queria dormir na lua. Queria dormir sempre na lua!
(Mamã) E dormias lá sozinho?
(Dudu) Sim. Eu não tenho medo.
(Nonô) Não vás, Dudu. Não vês que na Lua está muito frio? Vai antes para o Sol.

Conversa de carro, com os mai'novos:

(Nonô) Mamã, onde está aquele ladrão que levou os meus sapatos?

(leia-se ladrão que, há uns tempos, nos partiu o vidro do carro e levou, entre outras coisas, um saco com uns sapatos cor-de-rosa que eu lhe tinha comprado)

(Mamã) Não sei, filha. Se calhar já foi preso.
(Dudu) Nós devíamos ir ter com ele e roubar as coisas dele.
(Mamã) Não, filho. Porque nós não somos ladrões.
(Dudu) Então íamos só buscar as nossas coisas.
(Mamã) Mas a mamã nem sabe quem ele é...
(Nonô) Então perguntavas-lhe assim: "Olha, como te chamas, se faz favor?"
(Mamã) Mas a mamã não o viu. Quando chegou ao carro ele já tinha levado as coisas.
(Dudu) Podíamos ir ter com ele com uns zoombies...
(Mamã) Ó Dudu...
(Dudu) Ou íamos buscar os animais do jardim zoológico... Os leões e os tigres...
(Mamã) Ele se calhar já se arrependeu, Dudu.
(Dudu) E pediu desculpa?
(Mamã) Se calhar pediu.
(Nonô) E os meus sapatos?
(Mamã) A mamã compra outros.
(Nonô) Então se calhar até podemos ser amigos do ladrão...

E ainda me perguntam como é que eu me perco tantas vezes a conduzir...
A primeira geração de iogurtes caseiros cá de casa... Aceitam-se receitas e sugestões!

Afonso nos seus bons delírios:

- Eu acho que sou muito parecido com o protagonista do livro "A Escola". Ele também está sempre a gabar-se como eu. A diferença é que ele sonha com o irmão que morreu, e eu sonho que tenho monstros no meu quarto e tenho de usar a colcha vermelha da cama como escudo protetor.

Sem comentários...
Primeiro telefonema depois de ter deixado a filharada toda em casa dos corajosos avós:

- Divertimo-nos muito. Encontrámos umas canas e brincámos às lutas medievais. Nós os três (três manos) éramos gloriosos guerreiros. Foi difícil porque não tínhamos escudos, mas ninguém se magoou. Só a Nonô é que não lutava porque era rainha.

Às vezes temos vontade de lhes dizer: "E se fossem ver televisão, para não se magoarem?" Mas não há dúvida de que as "lutas" (sem se magoarem, de preferência) fazem parte desta idade. E andarem a sujar-se na terra e a pendurarem-se nas árvores é do melhorzinho que lhes podemos desejar...

A minha Nonô não decora nomes! Sabe tudo o que tem, tudo o que já visitou, tudo o que fez... mas decorar os nomes das pessoas com quem se cruza não é com ela. As meninas são "meninas" ou "amigas", os meninos são "meninos" (raramente "amigos") e até a gata é "gatinha" e acabou-se. Como eu sou igual (não me peçam nomes, por favor!), fico a pensar como se transmitirá esse "defeito" de pais para filhos. Imagino que se herde a boa ou a fraca memória, mas agora a boa memória para umas coisas e a fraca memória para outras já me parece uma herança muito detalhada...
Com o Dudu e o Titão nos avós, e um Afonso que já tem leituras próprias, hoje a Nonô teve (finalmente) direito a ouvir a mamã contar, do princípio ao fim, sem lutas, sem assobios nem gozos, uma história de meninas. E a eleita foi... a "Anita mamã".


As ilustrações continuam a deliciar. O texto é ternurento como tudo. Mas claro que, nos dias de hoje, as perguntas impõem-se:

- Mas quantos anos tinha a Anita, para ficar com o seu mano sozinha, um dia inteiro, em casa?
- Então e os pais não ligaram uma única vez, a saber se estava tudo bem?
- Deixaram a Anita levar o mano a passear sozinha?
- A Anita deixou o mano sozinha no terraço - onde pelos vistos havia o perigo de aparecerem ratos - e foi para dentro de casa?

A Anita sobrevive, com toda a sua beleza e ternura. Mas não há dúvida de que os tempos são outros...
Nonô aproxima-se da mamã com uma braçadeira do mano:

- Mamã, se eu puser assim a braçadeira tenho o 5...


- Se eu virar ao contrário tenho o 2.


Não é lá muito verdade, mas para 4 anos eu diria que já foi uma grande conclusão.
(Afonso) Lembras-te de falarmos sobre o portal do tempo e sobre se havia ou não um futuro?
(Mãe) Sim.
(Afonso) Eu acho que existe um futuro. Mas nós podemos mudá-lo a todo o momento.
(Mãe) E como é que sabemos se a decisão que tomamos, a cada momento, é a decisão desse futuro ou se estamos a mudá-la?
(Afonso) Sei lá, mãe! Eu não conheço o futuro! Só os videntes é que podem saber se estamos a mudar o futuro ou não.

E pronto. A mamã está sempre a aprender...
Nonô e Mamã em frente ao espelho, a pentearem o cabelo.

(Nonô) Ó mamã... eu queria ser como tu...
(Mamã) E a mamã também queria ser como tu.
(Nonô) Mas tu já foste como eu. Só estás crescida. Eu é que ainda não fui como tu. Eu é que queria ser a tua mãe!

Eu até lhe satisfazia o desejo, se soubesse como. Mas parece que a única solução é mesmo tomarmos conta uma da outra, cada uma no papel que nos está destinado.

Gatinha a miar desalmadamente. Nonô aparece desesperada:

- Mamã, ela está a dizer "Mãe, mãe..."
- Se calhar está com saudades da mãe dela...
- Mãe... agora a mãe és tu! Tens de ir lá!

E hoje fiquei com a certeza de que as crianças percebem melhor do que nós (ou pelo menos do que eu) os animais..
O seu primeiro Tereré...
Ai, ai... miúdas!

Mãe e Pai a discutir política. Salta o Afonso:

- Estão outra vez a discutir aquela coisa da esquerda e a direita?! E se falássemos antes do quanto eu sou fantástico no tiro às latas?

De facto, é um assunto que merece bem mais a nossa atenção...
Numa feira, o Afonso descobriu que era um ás na pontaria. Com uma pistola de chumbinho acertou em quase todas as latas que tinha de derrubar, e, claro... passou a noite a gabar-se.

- Vou-te explicar uma coisa, filho. Quando alguém se gaba muito, os outros fartam-se e afastam-se. O teu amigo já não te podia ouvir...
- Não te preocupes, mãe. Para ele não ficar triste, eu disse-lhe que eu até podia ser o ás do mundo real, mas que ele era o ás do mundo virtual...
A pensar sobre isto...

"A educação que tem prevalecido no passado tem sido insignificante, incompleta, superficial. Só ensina as pessoas ganhar dinheiro para viverem, mas não abre os horizontes sobre a vida em si mesma (...). Não só é incompleta como daninha... Porque está baseada na competição. Qualquer tipo de competição tem uma raiz violenta e cria pessoas que não sabem amar... Naturalmente, têm de lutar e estar em conflito com elas mesmas. Isso destrói as suas alegrias e destrói as suas amizades."

"O Livro da Criança", Osho

Chegámos a casa e fomos a correr para o nosso sótão, abrir a janelas e procurar as prometidas estrelas cadentes. Mas nem uma... As luzes da cidade eram tantas, que mal se via a Ursa Maior e mais um punhado de estrelas ténues, daquelas que vemos todos os dias.
A vontade era tanta, que terei de arranjar para breve um programa com estrelas a sério, num céu escurinho, incluídas!

A mamã cantava esfuziante o "Que seja agora" dos Deolinda:

http://www.youtube.com/watch?v=pjACOG_loM0

"Tem de acontecer, porque tem de ser
e o que tem de ser tem muita força
E sei que vai ser, porque tem de ser
Se é pra acontecer, pois que seja agora"

Salta o Afonso, gozão, do banco de trás:

- Mãe... sabes que esta música é imprópria para pessoas com tendências suicidas...
Voltinha de carrossel em Cascais. A senhora da bilheteira diz-me que os meus filhos podem dar uma voltinha.

(Mamã) Que sorte, meninos!
(Afonso) Porque é que ela nos deixou dar mais uma volta?
(Mamã) Se calhar achou-vos piada.
(Afonso) Eu acho é que ela teve pena de ti, mãe... Sozinha a passear com 4 filhos...

Perspicaz, o rapazola!
Brincadeiras favoritas do Dudu com a gata Mia:

- Levantá-lo no ar e deixá-la cair para ver se ela cai sempre de pé.
- Enfiar-lhe o dedo na orelha para ver onde vai dar.
- Ajudá-la a fazer cambalhotas para a frente e para trás.
- Puxar-lhe o gato e os bigodes.

Adora a sua pequena gatinha. Mas um ninja é um ninja. É esperar que a pequena Mia ganhe defesas contra o outro felino que temos cá em casa...
Depois de 4 anos de farda, o meu filho mais velho vai começar a ir para a escola com roupa "normal". Nunca fui grande adepta de fardas e outras padronizações, mas entendo a lógica e, mais do que isso, vivi 4 anos muito satisfeita por não ter de me preocupar com as roupas dos meus filhos. Durante a semana, farda. Ao fim-de-semana, equipamento do hóquei. Mais duas ou três mudas de roupa, uma fatiota para casamentos, e estava feito. A partir de Outubro haverá toda uma semana com roupa por vestir...

- Afonso, a mãe vai ter de te comprar umas roupas. Queres alguma coisa ou algum estilo em particular?

Afonso deixa-se rir.

- Podes escolher tu, mãe.
- Diz-me só o que é que preferes... calças de ganga, camisas, camisolas de capuz...
- Posso ser sincero, mãe? Eu quero lá saber...

Talvez, mais lá para a adolescência, venha a chamar-lhe vaidoso, mas por enquanto tenho um filho que não consegue compreender o mistério da moda...
É a nova habitante cá de casa. Chama-se Mia e, avaliar pelas primeiras horas cá em casa (entre festas e apertões), vai dar muita matéria para este blog...


- Afonso e Sebastião, o que é que levam aí?
- Sandes de atum.

E assim de repente, para matar um ratinho a meio da manhã, marcharam duas latas de atum e meio pacote de pão de forma.
Começo seriamente a pensar que a melhor forma de dar conta das despesas de alimentação que se avizinham (porque isto ainda só agora começou!) é mesmo abrir um supermercado...
Nonô ao lado da mamã, na borda da piscina, a imitar o seu balouçar das pernas, intrigada:

- Tu não usas braçadeiras, como as sereias. Tu tocas no fundo da piscina, como as sereias. Mas não podes ser uma sereia porque tens pernas. Pois não?

Poderia tê-lo dito a tentar comprovar-me que eu não era uma sereia. Mas não. A minha filha gosta mesmo é de olhar para mim e tentar perceber se há alguma hipótese de eu ser a fada, a princesa ou a sereia que ela gostava que eu fosse.
Até agora não tem tido muita sorte. Resta-lhe a Mãe-Bailarina, e mesmo assim é quando o Rei faz anos...
E o que eu temia aconteceu...

O Afonso hoje saiu-se com mais uma das suas teorias brilhantes, e quando viu os olhinhos da mãe a piscar, foi peremptório:

- Mãe, não quero que ponhas isto no blog.
- Mas porquê, Afonso? Não tem nada de mal. É uma ideia tão gira.
- Mas eu não quero.

Andei a namorá-lo mais um bocado, mas nada. Não quer que a mãe publique, e a mãe prometeu que respeitaria, no dia em que ele o dissesse. Posto isto, caríssimos leitores, receio que a sua pré-adolescência e adolescência fique um dia mais tarde como um grande vazio de situações, ideias e piadas por contar, porque a mamã não irá fazê-lo sem a sua autorização. É o começo da sua Idade Média. Com sorte, cá estarei para dar conta do seu Renascimento (ou, melhor ainda, ele dará conta dele por si próprio).
O caderno da mamã é sempre uma caixinha de surpresas. Se sempre guardei os meus cadernos todos, com pena de deitar fora tudo o que pensei, agora muito mais preciso de os guardar, para que estas "surpresas" (neste caso da Nonô) não se percam...

Cucu, mamã...

De braços abertos para abraçar a mamã...
Em casa dos avós é assim... Com uma mãe nada dada a guloseimas, só mesmo em casa dos avós é que os filhotes se deliciam com estas saborosas brincadeiras. Diz quem lá esteve que o Dudu resumiu assim o resultado final de uma tarde de bolos e pudins: "Perfeito!"

(Dudu) Ó mãe, eu quando fizer anos vou fazer uma festa muit'a grande de piratas.
(Mãe) Boa! E convidas-me?
(Dudu) Ó mãe... tu és a mãe e vives nesta casa. Eu não preciso de te convidar.

Dahhhh! Quem é que nos manda a nós tentar ser engraçadinhas?
Depois de a minha filha Leonor se ter tornado fã da formiga Juju (se não conhecem o projecto espreitem aqui) na última Feira do Livro, e de ter aprisionado os dois livros que trouxemos no seu quarto, hoje lemos finalmente o segundo, que nada fica a dever ao primeiro. Com a vantagem que, neste, aprendemos a dizer coisas bonitas e importantes em linguagem gestual. "Eu gosto de ti", em linguagem gestual, será de agora em diante a nossa despedida silenciosa, antes de dormir...

Bravo, formiguinha Juju! Pelo tanto que fazes pelas crianças de Moçambique, e pelo tanto que nos inspiras também, aqui em Portugal.

Sebastião com um amiguinho em casa, em busca de comida no frigorífico:

(Amigo) Na minha casa as coisas doces estão sempre na prateleira de cima.
(Sebastião) Cá em casa, não. Pomos sempre tudo à balda.

Reformulando, "nós, os filhos, vasculhamos tudo e deixamos o frigorífico todo à balda". Amanhã, Sebastião-o-Baldas já tem tarefa...
(Dudu) Mamã, eu lembro-me sempre de tudo?
(Mãe) Sim, filho. Tu tens cá uma memória...
(Dudu) Então se eu não me lembro de estar na tua barriga é porque nunca lá estive.

Se isto é assim com 4 anos, então como será na adolescência?
É minha afilhada e só por isso já merecia toda a publicidade do mundo. Mas a verdade é que faz dos melhores bolos do mundo e acerta em cheio nas bonecadas preferidas da criançada cá de casa.
Ora façam o favor de espreitar e de se deliciarem com os Bolos da Chica:

https://www.facebook.com/Bolos.Chica

Máquina da loiça avariada e uma mãe apostada em arranjar novas formas de fazer o máximo de coisas possíveis ao mesmo tempo...



Mãe 1 - Varizes 0
Hoje foi dia de cortar as 80 unhas dos filhotes (como é possível que elas cresçam tanto nas férias?!). E o Afonso, para variar, foi o mais queixoso. Por mais que os anos passem, sempre que lhe corto as unhas dos pés berra como uma criança pequena.

- Não é possível que te doa, Afonso. São só unhas!
- Eu tenho uma teoria para isso.

Claro! Claro que ele tinha de ter uma teoria...

- Não dizem que o ser humano um dia vai nascer sem unhas dos pés, porque elas já não lhe fazem falta? Eu acho que já estou a evoluir e as minhas unhas já estão muito coladas à pele...

Tem a sua lógica, sim senhor. Até lhe cortei as unhas com mais delicadeza. É que, mais ou menos coladas à pele, continuam a crescer e não é pouco!
- Mamã, desenhas aqui deste lado a mamã?
- Mamã, desenhas a seguir a Nonô? Tem de ser de mão dada.
- Mamã, desenhas a seguir o Dudu? Tem de estar de mão dada comigo.
- Mamã, desenhas a seguir o Titão? Temos de estar todos de mão dada.
- Mamã, desenhas a seguir o Afonso?

Felizmente (para mim, que já perdi o jeitinho de desenhar) o papá já não cabia...

A mamã tinha de sair e pediu ao Afonso que ficasse a entreter os manos. Quando tinha tudo pronto para sair, o Afonso já tinha igualmente pronta uma caça do tesouro para os manos piratas.
Quanto não vale ter um filho criativo...











No top dos chapéus cá de casa...

Mãe em êxtase:

- Afonso, tira uma fotografia à mãe, ao lado do Dostoievski.
- Quem é esse, mãe?
- É um dos meus escritores preferidos.
- Ah, percebo. Eu também estaria assim se encontrasse uma estátua do James Patterson (autor dos livros que ele anda a ler agora)...




E, pelo meio do seu caderno, a mãe descobre as criações do pequeno Dudu...
Com um caderno povoado de Kitties e alliens, e um telefone com um mega-autocolante da Branca de Neve cheio de corações (que a mamã não consegue tirar porque a Nonô diz que é para a mamã se lembrar sempre dela), como é que a mãe há-de parecer uma pessoa credível, nas suas reuniões?

(Mas pronto... à falta de credibilidade, temos sempre as alegrias do reino da fantasia...)



A mãe muito concentrada a tentar descodificar no seu caderno os segredos do universo. Afonso passa por ela, deita os olhos ao caderno e comenta, tranquilo:

- Sabes o que é que eu acho sobre isso? Que já vivemos todos milhares de vezes, só não nos lembramos.

Se ele já começa a formular hipóteses, aos 9 anos, estou para ver os cadernos dele, aos 35 anos...
(Sebastião no seu melhor)

- Mãe... quando eu estava na tua barriga sentia-me numa espécie de cruzeiro.

(Soube-me a elogio, mas trazia água no bico)

- Eu vinha com mil euros e escolhi o cruzeiro da tua barriga, que custava 100. Assim ainda me sobrou muito dinheiro para outras coisas.

Ou seja, ele podia ter escolhido uma mãe com barriga de cruzeiro de luxo, mas escolheu uma mãe com uma barriga de cruzeiro mais modesto, a fim de poder ter mais dinheiro para excursões e souvenirs. Gostei da noção de poupança. Quanto à modéstia do cruzeiro, é conformar-me. Pior seria se ele me chamasse barquinho a remos...
Sim, as férias servem também para ouvir os filhos. Mas há filhos que abusam... Por vontade do meu filho Afonso, os pais eram ouvintes 24 horas sobre 24 horas das suas histórias, que podem ir desde ideias que teve, anedotas intermináveis que inventa, a reprodução de filmes e episódios (na íntegra!).
É muito bom e importante deixá-los expressarem-se, mas não é menos importante explicar-lhes o valor do silêncio. Quem fala o tempo todo não consegue ouvir. Nem observar. Nem avaliar. E, em última instância, torna-se um grandessíssimo chato!

- Afonso... 1 hora de silêncio!

Experimentámos duas ou três vezes, já em desespero (e 10 minutos bastavam para ele respirar fundo e começar a olhar à sua volta). Parece à partida um bocado violento, assim imposto, mas o silêncio é uma aprendizagem importante, para quem não consegue estar calado. E a mãe lá foi falando, no silêncio do filho, para lhe explicar quais eram as suas 3 regras de oiro da conversação:

- Saber ouvir
- Pensar antes de falar
- Avaliar antes de opinar

Valem o que valem. Até porque a espontaneidade também é importante. Mas, como em tudo na vida, é no equilíbrio que está a virtude.
De volta! E absolutamente fascinada com o fomento à natalidade nos países do norte da Europa. Um exemplo da Dinamarca:

- Enfermeiras que visitam as recém-mamãs em casa para lhes dar apoio e lhes transmitir os conhecimentos necessários.
- Constituição de grupos de mães, por zona de residência e interesses comuns, que se reúnem com frequência para troca de experiências, acompanhadas por uma enfermeira.
- 1 ano para acompanhamento dos filhos, a receber o dobro do salário.
- Bolsa para pagar o Jardim de Infância (a partir do 1º ciclo é gratuito)
- Horário habitual de trabalho: das 8h às 15h, porque é possível ser produtivo e simultaneamente ter tempo para si próprio e para a família.

Tudo isto num país onde 55% da população anda de bicicleta (e os atrelados para levar os piolhos são deliciosos!) e onde se vendem nas ruas sumos de fruta fresca e sacos de legumes para trincar.

Adoro o meu rico Portugal, a nossa luz, a nossa temperatura, o nosso calor humano e o nosso sorriso. Mas não há dúvida de que em matéria de dignificação da maternidade e valorização das criança que serão o futuro do país (deixo a ecologia e a alimentação para outras núpcias), estamos a precisar de umas valentes reformas...


... mas de volta dentro de poucos dias, com um caderno cheio de histórias para contar.
E boas férias!
Dudu, no auge das suas patifarias, aparece vestido com o vestido preferido da mana gémea, a sua coroa de princesa na cabeça e uma perna arrancada a uma Barbie. É de o virar do avesso... se o seu sorriso maroto não fosse irresistível!

- Pára, Dudu! Eu é que sou uma princesa!

E a mamã pensa para si que a princesa Nonô ainda vai ter muito que penar, à custa de ter nascido lado a lado com um príncipe...
Para quem não teve oportunidade de ver, aqui fico um pedacinho de nós e de outras famílias que "guardam" (em álbuns, quadros, blogs) a infância dos seus filhos, para mais tarde recordar.
Enfim... Coisas de Pais!

http://www.tvi.iol.pt/programa/voce-na-tv/2015/videos/128760/video/13926322/1
Não sei exatamente qual dos meus filhos desenhou isto, mas um ET tão cheio de amor merece ser partilhado...

Hoje foi mesmo dia de publicidade aqui ao blog dos filhotes! Depois da TVI, foi a vez da madrinha Cristiana Resina dar uma entrevista ao blog Indios e Cowboys e falar de nós. Claro que a reportagem é sobre coisas bem mais giras, da Cristiana e da sua decoração. Ora espreitem em: http://indiosecowboys.blogspot.pt/2013/07/indio-e-cowboy-do-mes-cristiana-resina.html
Hoje, entre as 11h e as 12h, no "Você na TV" (TVI), serei uma das mamãs a falar sobre aquilo que se guarda, dos filhos. No meu caso, guardo as maiores aventuras e conversas mais hilariantes no blog Coisas de Pais (http://coisasdepais.blogspot.com), que nasceu há 7 anos. Era na altura uma mãe de dois filhos a trabalhar em televisão, hoje sou uma mãe de quatro dedicada aos livros. Daqui a outros 7 anos não sei o que serei, e já nem o blog existirá (porque os meus filhos já não me deixarão falar sobre eles), mas espero que cada um deles tenha na mão um livro com tudo aquilo que recolhi, na sua infância, para recordarem sempre que lhes apetecer...
A mamã estava a tentar trabalhar, no silêncio da noite, a ver as estrelas, quando uns passinhos pequeninos se fizeram ouvir, atrás de si.

(Mamã) Vai dormir, Dudu.
(Dudu) Ó mãe... o sol já se foi embora?
(Mamã) Já, Dudu. Então não vês que é de noite?
(Dudu) E porque é que o sol se vai embora de noite?
(Mamã) Ele não se vai embora. O nosso planeta é que gira e ficamos de costas voltadas para o sol.
(Dudu) Então eu quero ir para um planeta onde eu possa ter o sol à noite. Eu quero fazer uma festa à noite, com o sol.
(Mamã) Mas sabes que os outros planetas são muito longe, Dudu... Tinhas de ir numa nave espacial.
(Dudu) Não. Nave espacial, não. Eu prefiro ser um Super-Homem...

E ali ficámos mais um bom bocado, prova provada de que a conversa é como as estrelas... aparece sempre mais uma!
Dudu para uma amiga da mamã, que viu pela primeira vez:

- Olha... tu já morreste ou não?
- Não...
- Ainda não morreste?
- Não...
- Mas pareces mesmo um fantasma...

Se querem elogios, por favor dirijam-se à minha filha Nonô (mas encolham a barriga, please, senão vão ter de ouvir o que não querem...)
A mamã teve de ir ao Chiado tratar de uns assuntos e, claro... levou as suas carracinhas atrás, Dudu e Nonô de seus nomes. Percorram os pombos, compraram um livro na famosa Bertrand, rebentaram bolas de sabão gigantes, deitaram uma moeda num músico que lhes tocou, no seu saxofone, a Pantera cor-de-rosa, distribuíam "hellos" aos turistas todos, e ainda comeram uma fatia de bolo de chocolate no KaffeHause. O Chiado foi deles! E a mamã só ficou com pena de não ter mãos para registar tudo o que eles iam dizendo...

(Nonô apontando para um edifício histórico) Mamã... ali ao fundo já é Paris?

(Dudu apontando a estátua de Fernando Pessoa) Mamã... aquele senhor está preto. Eu acho que ele já está morto.

(Angústias de Sebastião nas suas colónias de férias)

- Eu e o S. éramos amigos no primeiro dia. No segundo dia fomos à praia, ele começou a zangar-se comigo, e e blablabla blablabla... Acho que a praia nos separou...
Nonô olha fixamente para uma sem-abrigo sentada à porta de uma Igreja, de olhar fixo no vazio. Corre para o Dudu:

- Dudu, se aquela senhora te oferecer uma maçã, não comas! Pode estar envenenada...

Se calhar já era altura de começar a chamá-la à Terra, não?
Hum... Faz-me lembrar alguém...



Como eu costumo dizer ao meu filho Afonso, ninguém terá respostas para nos dar. Ou melhor, até poderão ter, mas só serão verdadeiramente úteis aquelas que formos nós a encontrar. E uma forma de as procurar... é escrever.


A coroa era uma coroa simples da Barbie. A fotografia era uma fotografia simples de telemóvel. Mas quando a mostrei à Nonô reparei que a coroa tinha ficado brilhante. O fenómeno é também ele simples de explicar, mas aos olhos da minha pequena fadinha houve ali um toque de magia.
- Estou mesmo a brilhar, não estou, mamã?
Impossível dizer que não...


O livro desta noite foi "A Semente sem Sono". Muito fofinha, que deixou os filhotes rendidos à bonequinha sementinha, que um dia cresceu e se tornou uma raiz.

(Nonô) E agora, mamã? Ela não vai sair da terra?
(Mamã) Vai. Os cabelinhos dela vão crescer e aparecer, aqui do lado de fora. Sempre que vocês derem festinhas nas plantas e nas flores, estão a fazer festinhas no cabelo das sementinhas que estão debaixo da terra.

Os rapazolas acabaram a noite aos saltos na cama, mas a Nonô abraçou o livro e levou-o consigo para o seu quarto. Conhecendo-a como a conheço, amanhã vai fazer tantas festinhas nas plantas cá de casa...
A máquina do papá até cortou bem, sempre a direito, ao mesmo nível. O problema foi que o Sebastião resolveu "dar um jeitinho"...

A ideia era ir ao "Humor com Húmus" na Quinta da Regaleira, mas por falta de clientela, o espetáculo acabou por ser cancelado. Confesso que fiquei alguns segundos parada junto à bilheteira, a dizer mal da vidinha. Tinha sido uma trabalheira para os arranjar a tempo, para chegar a tempo, para estacionar a tempo, para os levar estrada fora (sem passeio!) a tempo... e não havia espectáculo?!?
Felizmente, as mães são especialistas em rápidos Plano B. Voltar para casa, depois de tanta trabalheira, não era solução. Portanto, Sintra por Sintra, vamos lá à descoberta de Sintra!

Primeira Paragem: Museu dos Brinquedos. Os rapazes adoraram o piso dos carros e a Nonô o piso das bonecas. Giro. Um nadinha caro para famílias grandes.

Segunda Paragem: Apanhar o autocarro. Bilhete que dá para várias paragens. Compensa. Os miúdos adoraram (sobretudo porque andaram sem cinto!)

Terceira Paragem: Castelo dos Mouros.



Treparam. Desceram. Escorregaram. Rebolaram... Adoraram! A maior desilusão foi quando chegaram ao topo:
(Dudu) Ó mãe... mas o castelo está todo partido!
(Nonô) São só pedras, mamã... E o rei e a rainha?!
Mas valeu todo o trajeto e a recolha de pequenas preciosidades da natureza, como folhas douradas e pedrinhas mágicas.

Quarta Paragem: Palácio da Pena.



Mais uma vez treparam, desceram, escorregaram, rebolaram... adoraram! O palácio já estava inteirinho, só faltou ver o rei e a rainha.
(Dudu) Se calhar estão a dormir a sesta...

A desculpa serviu. Deixámos os reis a dormir e fomos perder-nos nos labirínticos jardins, onde o Sebaatião foi o rei dos disparates:

(Sebastião, abraçado a uma pedra com musgo) Adoro estas pedras "peludas"...
(Sebastião a olhar para um pombo): Se eu pudesse ser um animal, era um pombo. Andava sempre a voar... podia fazer cocó onde quisesse... até em cima das pessoas!

Seis horas depois estávamos de regresso, num autocarro cheio de estrangeiros com quem os meus filhos já metiam conversa, com as palavras em inglês que sabiam, mas sobretudo com outras que iam inventando, a fingir que sabiam. E a Nonô saiu-se com mais umas:

(Nonô, quando o autocarro parou no meio da serra) Porque é que parámos, mamã? Está vermelho?
(Nonô, debaixo do braço de um senhor que devia andar nas mesmas maratonas que nós) Mamã, cheira a comida... Acho que este senhor não tomou banho hoje...

Fechámos o dia a comprar uma caixinha de travesseiros para o papá. E agora só espero que os filhotes durmam... como reis e rainhas!

Acabo de descobrir que tenho cá em casa uma "gaveta das armas". Mas os meus filhos garantem que é só para situações de guerra.



E claro que houve várias situações de guerra durante o dia...

- O que é isto, Nonô?!?!
- É um remédio. Ela não estava a conseguir respirar.
- Nonô... tu pintaste a tua boneca de verde!
- Eu sei... mas teve de ser! Ela não estava mesmo a conseguir respirar através das paredes...

Mas quem é que lhe ensinou este poder de argumentação? Quem?!

Chegou-se ao pé de mim com esta barriga gigante.

- Mamã, vou ter bebés.
- Ai sim? Isso quer dizer que eu vou ser avó...
- Claro!

Pouco depois chamou-me a mim e ao mano Dudu a um cantinho escurinho da casa e deu à luz: da barriga dela saíram uma gatinha e uma ratinha. E ficou numa alegria só!

- Já és mamã, Nonô?
- Já! E tu já és avó! Viva!

Espero que a alegria se repita daqui a uns bons anos, não num cantinho escurinho, mas na cama de um hospital, com a família reunida à espera de ver o mais novo membro da família. E, se possível, que não seja uma gatinha ou ratinha, mas um pedacinho de gente a quem eu possa ensinar coisas sobre a vida e sobre o mundo.
Afonso no seu melhor:

- Às vezes imagino que sou um Aquan e venho de outro mundo. Aterrei na tua barriga e andei a fingir que era um menino normal até começar a ser sugado, durante a noite, para o submundo, onde recupero a minha couraça de escorpião e luto contra o mal.

A história tem milhentos outros pormenores, mas não vou contar porque o meu filho prometeu transformar estas suas aventuras em livro. Teremos bestseller?
Acabo de descobrir uma forma de conseguir ler com a filharada à volta: faço de Bela Adormecida! Enquanto devoro umas páginas eles lutam com dragões, pedem poderes às fadinhas, trepam a castelos, transformam-se em pedras... e só quando conseguem finalmente chegar junto a mim, é que levo uma beijoca e finjo "acordar". Não sei quanto tempo vai durar. Mas hoje já consegui ler umas valentes páginas do meu livro no sossego do meu feitiço...

Nonô vem ter comigo, angustiada. Senta-se ao pé de mim e sai-se com esta:

- Mamã, como é que eu posso ser a Branca de Neve a sério?
Guerra ao pequeno-almoço:

(Mamã) Come, Dudu, por favor! Não vês que assim vais ficar pequenino?
(Dudu) Não faz mal. O Mickey também é pequenino, como eu.
Transformou a senhora da caixa registadora em sapo, mas foi só para lhe dar um beijinho e transformá-la em princesa. E a senhora ficou feliz...

Viva a fadinha Nonô!


Os meus gémeos andam a suplicar por uns óculos de sol. Esteticamente, percebo o seu entusiasmo (sobretudo o da minha pirosinha Nonô), mas ontem testaram uma argumentação mais forte:

(Dudu) Se eu não tiver uns óculos, não consigo olhar para o céu. E eu quero ver as nuvens...
(Nonô) Quando eu olho para o céu, o sol olha para mim e eu tenho de fechar os olhos...

Parece-me uma argumentação poderosa e irresistível...
Mãe e Nonô numa loja:

(Vendedora) Que linda menina... És portuguesa?
(Nonô) Não. "Hello"...

É que é mesmo do contra...
Nasceu um blog dedicado ao ensino, da Ana Soares (professora) e da Bárbara Wong (jornalista), que vale a pena conhecer: http://www.educaremportugues.com/2013/07/resultados-dos-exames-nacionais.html

Eu não me contive, e lá estive a rabiscar umas coisas (muitas coisas... desculpem!), em busca de ver respostas para as minhas inquietações de mãe, que agora resumi nestas questões, que acho urgentíssimo discutirmos:


- Para que serve exatamente o ensino?
- Que tipo de alunos estamos a formar e para quê?
- Que modelo de sociedade queremos construir e de que forma estamos a contar com os nossos jovens?
- Quais são exatamente as funções (para além da pedagógica) dos professores? (sendo que cada vez mais os pais não têm tempo para formar os seus filhos)
- Que responsabilidade têm os pais, na formação daqueles que são o futuro do país e do mundo?
- Deverão também os pais, a par dos professores, ter formação para criarem a geração do futuro?
- Qual é o perfil dos alunos de hoje? Estará o tipo de ensino adequado aos tempos que correm e às suas mentes hoje tão rápidas, irrequietas e estimuladas? Qual a melhor forma de lhes dar vontade de aprender?
- O que pode ser verdadeiramente interessante e útil ensinar-lhes, para a sociedade que queremos construir? E de que forma podemos rentabilizar os seus dons e talentos?

Estejam completamente à vontade para responder (se quiserem, só àquilo que vos interessar). Acho mesmo que temos de fazer este debate, e nós, pais, não podemos assistir a ele "de fora", porque os alunos são nossos filhos e estão à nossa responsabilidade. E o que fizermos deles será aquilo que o país será, daqui a uns anos...
Dudu e Nonô vêm ter comigo, com a pergunta bem estudada:

(Dudu) Ó mãe... porque é que nós temos um cartão de cidadão?
(Mamã) Porque vocês são cidadãos. Sabem o que é ser cidadão?
(Dudu e Nonô) Não.
(Mamã) É fazerem parte deste mundo.

Dudu e Nonô olham um para o outro, desconfiados:

(Mamã) Vocês fazem parte deste mundo?
(Dudu e Nonô, imediatamente) Não!
(Mamã) Não?! Então fazem parte de qual mundo?
(Nonô) Do mundo encantado!

Ah, pois claro. A mãe, de facto, não percebe nada disto... Acho que hoje vamos fazer um cartão de cidadão especial para cidadãos do mundo encantado. Com fadinhas, duendes, princesas e super-heróis.
A Nonô geralmente desenha princesas e bailarinas muito felizes. Mas hoje saiu-se com esta menina triste.



- Ela portou-se mal e está de castigo, mamã.
- E não podemos tirá-la do castigo, para ela ficar feliz?
- Ela é feliz. Só está triste. Mas já passa.

No desenho seguinte, a Nonô voltou a fugir à regra e desenhou esta coisa horrível.




- O que é isto, Nonô?!
- É um astronauta. Tu também desenhavas astronautas quando tinhas 4 anos, mamã?
- Hum... se calhar. Não sei bem. Vou perguntar à avó. Mas o teu astronauta não tem olhos.
- Não. Ele está lá dentro.
- Ah! Isso é uma nave espacial.
- Sim.
- E o que são estes riscos à volta?
- São os ângulos.
- Os ângulos?! O que é que tu achas que são os ângulos?
- São uma espécie de cabelos. Têm muitas cores.
- Ah...

Enfim... estamos sempre a aprender...
Nova tarde de artistas:



- O que é isto, Dudu? És tu?
- Não, é um Cardeal.
- Um Cardeal?!
- Sim. Um Cardeal que fala inglês. Assim: "zabsfhesmfprmmslsws ssçlsijfkjfbdj"

Mas onde é que este miúdo vai a estas ideias?!
Afonso, para variar, hoje comeu depressa e perguntou se podia levantar-se da mesa para ir ler o seu livro (anda completamente viciado na "Escola", de James Peterson).

- Oh, filho... Fica na mesa. Estamos todos juntos a conversar...
- Não estamos, não. Estamos a ver notícias sobre pessoas que morreram com touros e em acidentes.

Deixei-o ir. Amanhã começarmos a almoçar sem o Jornal da 1.
O Duarte estava sossegado ao meu colo, num raro momento de serenidade, quando se sai com esta:

- Sabes que tu eras a mãe da avó? Mas ela era muito pequenina...
- Não, filho. A avó é minha mãe.
- Isso foi depois. Primeiro tu foste mãe dela. E estavas a ralhar com ela porque ela chorava muito.
- Mas eu tinha esta cara?
- Não. E eras baixinha.
- Então como é que era eu?

Riu-se, encolheu os ombros e fez-se à vida. Mais uma daquelas tiradas que ninguém explica...
Depois de uma boa meia hora a brincarem aos polícias e ladrões, o Dudu apareceu ao pé de mim a chorar.

(Dudu) Ó mãe, o Sebastião não me deixa ser dos bons!!!
(Mamã) O que é que se passa, Sebastião? Se o teu mano quer ser polícia, deixa-o ser.
(Sebastião) Os bons não são os polícias, mãe. São os ladrões! O Dudu quer ser ladrão...

Digamos que as imagens que inundaram as televisões em dias de manifestação não ajudaram muito... mas sim, tenho um trabalhinho "de casa" para fazer!

O fim de tarde foi a desafiar a arte... a mamã só lhes pôs a coroa. Parabéns aos meus reizinhos mais novos.

Estava a mãe a barafustar alto e em bom som com o novo programa da SIC, o "Olé", onde famosos experimentam pegar um touro, quando o Afonso resolveu descansar-me:

- Mãe... desafiar a morte a enfrentar um touro só para ver quem é mais forte... podes ficar descansada... eu nunca vou ser forcado!

Nonô, no Continente, grita o ver o meu novo livro.

- Mamãaaaaaa! O teu livro!!!!!!!

Pega nele, folheia-o, orgulhosa. E eu orgulhosa com ela.

- Foste tu que escreveste, não foste?
- Fui sim, filha.
- E quando é que eu posso começar a escrever livros, como tu? Eu queria tanto ser escritora!

Eu sei, eu sei. É coisa de mãe babada. Mas tinha mesmo de o partilhar...
Gémeos com falta de sesta, a fazerem birras descomunais para vestirem o pijama e lavarem os dentes. Mãe já com os cabelos em pé, capaz de os virar o avesso. Afonso aproxima-se, suavemente, completamente indiferente à gritaria e à confusão:

- Ó mãe... tu não ficas preocupada com o degelo dos glaciares?

Sim, filho. E com a paz no mundo, e o fim da crise, e o combate à fome e à desigualdade. Deixa-me só conseguir primeiro ser uma boa mãe, que a gente depois conversa sobre isso, ok?
Depois de um dia "daqueles", em que os meus filhos conseguiram tirar-me do sério um número de vezes acima do suportável, recorri ao já recorrente sistema cá de casa: toca a escrever um compromisso para as férias! O Afonso teve de fazer um compromisso com 5 pontos, o Sebastião fez apenas um, mas sempre que falharem em qualquer coisa terão de se dirigir ao frigorífico e recordar, em voz alta, o compromisso que cada um deles escreveu. Costuma funcionar... uns dias. Logo penso noutra coisa qualquer a seguir...



Ps - Passo a explicar as contas no canto inferior direito: o Afonso, entre um compromisso e outro, ficou com receio de já não se lembrar de fazer contas, e lá improvisou umas, pelo meio... parece que ainda se lembra da coisa. Mas ainda faltam dois meses de férias.....
Há dias que o meu filho Afonso me pedia para lhe contar o mito da caixa de Pandora. Eu só sabia a história por alto e hoje, finalmente, pesquisámos juntos sobre o mito.

"A história conta que após Pandora receber o jarro, recebeu uma ordem de Zeus dizendo para jamais abri-la. Dia pós dia, Pandora ficava cada vez mais curiosa, e um certo dia, decidiu que iria abri-la para ver o que havia dentro. Quando a abriu todos os males foram libertados, exceto um, que ali dentro permaneceu: a esperança."

- Ó mãe... mas a esperança não é um mal!!!

Não é, não... Era o único bem que estava na caixa e que não foi libertado (e como precisamos dele, nos dias que correm...) Mas há muito deste mito por reescrever. Há muitas culpas por libertar e muita carga por limpar, da figura feminina, de forma a colocar Pandora no seu lugar devido, longe de todas as culpas e todos os males dos Homens...
Ajudas-me, Afonso?
(Sebastião) Mãe, quando tiramos a camisola, no hóquei, fico com a minha barrigota à mostra...

O Sebastião tem uma barrigota, é verdade. Foi o meu bebé mais gorducho, agora de gorducho não tem nada, só a bochecha e uma barrigota que se faz notar sobretudo depois de comer.

(Mamã) Fica descansado, que a mãe vai arranjar maneira de acabar com a tua barrigota.

Sebastião fica com cara de pânico e coloca as mãos em posição de súplica:

(Sebastião) Por favor... não me mandes para o Peso Pesado!!!

O Afonso acaba de regressar da sua primeira semana fora de casa (sem contar com as semanas em casa dos avós). Foi a uns torneios de futebol e regressou a casa todo contente. Ao fim de meia hora de conversa, já tinha feito o meu balanço enquanto mãe dos aspetos positivos e negativos desta primeira experiência.

Positivos:
- Diz que se foi lembrando da longa conversa que tivemos antes dele ir, sobre liberdade/responsabilidade. A mãe é uma chata do pior, mas enquanto ele se for lembrando das coisas chatas que a mãe diz, não estamos mal...
- O pai tinha arranjado com ele uma estratégia de manter a roupa arrumada na mala e guardar a roupa suja. Chegado lá tinha um cacifo minúsculo para guardar as suas coisas. Digo que é positivo porque o obrigou a desenrascar-se e a improvisar uma estratégia de dobrar, arrumar e separar o sujo do limpo.
- Percebeu que há amigos e há aqueles com quem temos de saber lidar.

Negativos:
- Trouxe todo um novo rol de palavrões que fez questão de me "ensinar".
- Descobriu o que é o Facebook e agora quer ter um... para jogar.
- Pediu para ir a uma livraria comprar um livro para os tempos mortos, e chamaram-lhe nerd. Não foi comprar o livro, mas felizmente também se borrifou para o comentário.

E é assim. O rapaz está a começar a fazer-se à vida... E eu, prestes a ter de deixar de falar nele neste blog, porque o mais certo é ele qualquer dia criar o seu...
Mais um desenho do Dudu a revelar a sua falta de jeito para o desenho. Felizmente a revelar também a sua grande criatividade...



- O que é isto, Dudu?!?
- É um menino que deixou cair o chapéu e todos ficaram a ver que ele tinha orelhas de rato. Gozaram muito com ele. Ele estava na praia a molhar os pés e depois viu ao longe um golfinho, que era amigo dele.

Dava uma linda história, não dava? "O menino com orelhas de rato e o seu amigo golfinho"...
Os dias não andam a chegar às encomendas, mas aqui fica um pequeno best-off dos gémeos, desta semana:

(Dudu) Mamã, parece que estamos a viver num forno...


(Nonô) Mamã, posso pôr potalco nas minhas bonecas?
(Mamã) Não, filha. O potalco é só para os meninos a sério.
(Nonô) Mas se for uma boneca que fala, já posso?