Arranca hoje, às 19h, na TVI, a série que tomou de assalto os últimos seis meses da minha vida. Por entre livros e filhos pequenos, estava longe de me imaginar a escrever um produto diário, com toda a “loucura” que isso comporta. Mas as premissas eram irresistíveis: uma história de coragem e superação, uma família numerosa, um colégio real com problemas reais, gap geracional, amor, amizade, optimismo e boa disposição... e foi impossível dizer que não a quem se lembrou de mim para pôr as mãos nesta valente “massa” (obrigada, José Eduardo Moniz!).
“Massa Fresca” roubou-me muitas horas de sono. Muito tempo e paciência para os miúdos. Alguma paz e serenidade. E, só quem tem filhos, sabe o que é tentar trabalhar quando eles têm 12 testes e 4 trabalhos de grupo numa semana, quando eles aparecem em casa com piolhos, quando eles adoecem, quando temos reuniões na escola todos os dias, quando as notas deles descem, quando não há meias nas gavetas e a roupa do treino desse dia ainda está por secar, quando nos ligam da escola a pedir para os ir buscar, quando pedem que os oiçamos quando querem falar dos seus dramas pessoais, quando nos pedem colo, quando esfolam os joelhos e abrem os sobrolhos, quando nos pedem ajuda para decorar a tabuada e perguntar-lhes a matéria de História, quando têm 4 festas de anos e 5 jogos num fim de semana...
Foram os 6 meses mais loucos da minha vida, que só seriam possíveis porque tenho uma equipa de escrita absolutamente fantástica a trabalhar comigo, porque a Plural é uma casa cheia de pessoas dedicadas e com amor àquilo que fazem, e porque o elenco desta série é uma mão cheia de pessoas talentosas a querer dar todos os dias o melhor de si.
Mas estes 6 meses também só foram possíveis porque tenho um marido com uma paciência infinita e 4 filhos que, no meio do caos, me incentivaram e inspiraram todos os dias. O mais velho leu guiões, e ontem até escreveu cenas que eu lhe ia ditando, enquanto conduzia (em troca de carteirinhas do Futebol, vá...). Ele e o irmão do meio fizeram vários brainstormings para me dar ideias para os plots mais jovens. Ajudaram os manos mais novos a estudar. Aprenderam novas tarefas domésticas e ganharam autonomia para outras tantas coisas. E os pequeninos, que se habituaram a perguntar-me todos os dias em que episódio é que a mãe ia, contando pelos dedos quantos faltavam, até já fazem trocadilhos com a “Massa Fresca”, comentam os trailers, gritam quando encontram outdoors na rua... e hoje, às 19h, estarão colados à TVI a ver no que toda esta canseira resultou.
Foram meses de muito trabalho, de muita aprendizagem, e de muita “magia”, que eu espero sinceramente que passe para esse lado do ecrã. Do lado de cá, continuaremos a fazer o possível por isso...

Desafio nº 5 - Como guardar, organizar e reaproveitar as roupas dos irmãos/primos/amigos mais velhos?

Sofia Alves é Inês em "Massa Fresca", uma mãe de 5 filhos que procura, como todos as mães e pais, dar o melhor de si à sua "prole".
Mas ninguém disse que é fácil... Até dia 25, data da nossa estreia (às 19h, na TVI) desafio as mães e os pais que por aqui andam a revelar algumas das suas estratégias para lidar com os seus filhos e a gestão diária de tudo aquilo que, tê-los, implica. Sendo que eu, com maior ou menor sucesso (porque isto de ser mãe e pai é uma aprendizagem constante), revelarei também as minhas...

Desafio nº 4 - O que fazer a todos os trabalhos, desenhos, composições, maquetes... que os filhos fazem ao longo do ano letivo?

Sofia Alves é Inês em "Massa Fresca", uma mãe de 5 filhos que procura, como todos as mães e pais, dar o melhor de si à sua "prole".
Mas ninguém disse que é fácil... Até dia 25, data da nossa estreia (às 19h, na TVI) desafio as mães e os pais que por aqui andam a revelar algumas das suas estratégias para lidar com os seus filhos e a gestão diária de tudo aquilo que, tê-los, implica. Sendo que eu, com maior ou menor sucesso (porque isto de ser mãe e pai é uma aprendizagem constante), revelarei também as minhas...


#massafrescatvi
Desafio nº 3 - Como distinguir as meias de cada filho ou filha?

Sofia Alves é Inês em "Massa Fresca", uma mãe de 5 filhos que procura, como todos as mães e pais, dar o melhor de si à sua "prole".
Mas ninguém disse que é fácil... Até dia 25, data da nossa estreia (às 19h, na TVI) desafio as mães e os pais que por aqui andam a revelar algumas das suas estratégias para lidar com os seus filhos e a gestão diária de tudo aquilo que, tê-los, implica. Sendo que eu, com maior ou menor sucesso (porque isto de ser mãe e pai é uma aprendizagem constante), revelarei também as minhas...


#massafrescatvi
Desafio nº2 - Quais foram as coisas mais estranhas que já colaram no frigorífico por causa dos vossos filhos?

Sofia Alves é Inês em "Massa Fresca", uma mãe de 5 filhos que procura, como todos as mães e pais, dar o melhor de si à sua "prole".
Mas ninguém disse que é fácil... Até dia 25, data da nossa estreia (às 19h, na TVI) desafio as mães e os pais que por aqui andam a revelar algumas das suas estratégias para lidar com os seus filhos e a gestão diária de tudo aquilo que, tê-los, implica. Sendo que eu, com maior ou menor sucesso (porque isto de ser mãe e pai é uma aprendizagem constante), revelarei também as minhas...



#massafrescatvi
(Nonô) Mãe... quando eu fizer anos quero um skate...

E não é que a princesa acordou para a vida?!
Dudu a ler a história do Pequeno Polegar...

(Dudu) Isto é uma história de terror, não é, mãe?

E, por mais que leia sobre a Psicologia dos Contos tradicionais, há alguns que - desculpem-me os seus defensores - só servem mesmo para ensombrar o sono dos nossos pequerruchos...

Pais que abandonam os filhos na floresta?
Velhotas que querem cozinhar meninos?
Um lobo que come a avozinha?
Bruxas que tentam envenenar princesas?
Ratos que caem em caldeirões a ferver?

Lamento, mas cá por casa preferimos histórias com menos maldade e mais divertidas...

Desafio num manual de Português do 7º ano.
E não é que 90% da turma do meu filho escreveu sobre o Machismo/Feminismo?

Excerto do texto do Afonso (e sim, sou uma mãe orgulhosa!):
"Eu acho que o cartoon critica o machismo, porque dá a entender que o único objetivo da vida das mulheres é "limpar". Em muitos países as mulheres têm muito menos direitos do que os homens, não só por causa das vestes, mas também porque as mulheres não podem sair sem a companhia de um homem, não podem falar com outros homens e muito mais.
Felizmente, há cada vez mais países que deram direitos às mulheres, apresentando argumentos que indicam que as mulheres devem ter os mesmo direitos do que os homens.
(...)
Depois há diferentes problemas por resolver. Por exemplo, porque é que se diz "Homens" quando nos referimos à espécie humana? Devíamos ser antes "Humanidade""
Sofia Alves é Inês em "Massa Fresca", uma mãe de 5 filhos que procura, como todos as mães e pais, dar o melhor de si à sua "prole".

Mas ninguém disse que é fácil...

De hoje até dia 25, data da nossa estreia (às 19h, na TVI) desafio as mães e os pais que por aqui andam a revelar algumas das suas estratégias para lidar com os seus filhos e a gestão diária de tudo aquilo que, tê-los, implica. Contem também com as minhas (nem todas, como sabem, bem sucedidas!)

Desafio nº 1 - Como não esquecer as milhentas atividades dos filhos?


#massafrescatvi
(Nonô) Ó mãe, porque é que, quando tu estás a escrever, vais falando baixinho?

(Mamã) Estou a sentir as palavras. É como se eu estivesse dentro da minha história, a vivê-la, percebes?

(Nonô) Eu também falo sozinha, quando estou a brincar.

(Mamã) Escrever é uma brincadeira parecida. Só lhe juntamos a escrita.


E penso para comigo como tenho a sorte, de facto, de passar o meu dia a "brincar". A ser quem não sou, vivendo histórias e vidas sem as viver de facto. Permitindo-me entender melhor aqueles que estão à minha volta, porque já fui um pedacinho deles, ou pelo menos sei que posso sê-lo sempre em potência, sendo a vida, em larga medida, e dentro de certas balizas (que felizmente não existem na escrita) uma escolha.
De entre as minhas escolhas, sou mais rica porque escrevo, não tenho dúvidas. Com o único senão de que, tentando ser quase tudo, acabo por nem sempre ter a certeza de quem sou...

(Mãe) Quantos abatones levaste ontem para a escola?

(Dudu) 7

(Mãe) Então porque é que só tens aqui 4?

(Dudu) Eu troquei com uns meninos.

(Mãe) Trocar é trazer alguma coisa de volta.

(Dudu) Eles disseram que hoje levavam uns cromos para me dar...

(Mãe) Mas tu só dás os abatones quando te derem os cromos...

(Dudu) Mas eles prometeram... Não posso acreditar neles?


E a mamã fica na dúvida... por um lado quer que o seu filhote acredite que pode confiar nas pessoas. Por outro, sabe que ele não pode confiar em toda a gente. E que a probabilidade de os colegas mais velhos que ficaram os seus abatones não lhe levarem nada em troca é muito grande.


(Mãe) É bom confiar, filho. Mas se eles não cumprirem a sua promessa, não vais poder fazer mais trocas com eles.

(Dudu) E se eles pedirem desculpa?


O Dudu é um bom maroto com uma grande inocência e um coração gigante. Espero, sinceramente, que ele hoje traga muitos cromos de volta, para que não perca já na infância a fé nos Homens. E continue a acreditar que, quem pede desculpa, está arrependido e deseja realmente fazer melhor. Este seria um mundo perfeito que não existe. Mas deixar de acreditar que ele pode ser possível, é roubar-nos um pedacinho da nossa alegria de viver.

Mãe a dar beijinho de boa noite ao filho Afonso.

(Afonso) Não percebo... Chamei-te duas vezes, não vieste. Quando te digo "deixa estar, eu apago a luz sozinho", apareces a correr.

(Mãe) Então regista, filho. Aprendeste uma lição importante sobre o funcionamento das mulheres, que é capaz de te vir a ser útil, num futuro próximo...

Não sei se eles foram para trás, para as proteger, se elas, muito mais matulonas, os chutaram para trás (e é se querem vir!). Já não cheguei a tempo de ouvir a brincadeira. Mas só por aqui, já se percebe como é bem rico o universo dos irmãos gémeos...

Mostrei a promo cá em casa e o papá e os filhotes deitaram olhares uns aos outros.

- Aquele sou eu, não sou?

- Aqueles somos nós?

- Eles vão fazer as coisas que nós fazemos?

- Contaste a história da nossa família, mamã?

Não propriamente, mas terá muito de nosso. Muito (assim espero) de muitas famílias que andam, nos seus dia-a-dias loucos, a tentar dar o melhor de si aos seus filhos.

Estreia muito em breve, na TVI, e espero que vos arranque muitos sorrisos como estes...



#massafrescatvi

E não é que, rematado o post anterior, sob o ensino para as novas gerações, me chega às mãos esta notícia sobre um projeto piloto que está a ser desenvolvido em três escolas do Alentejo, recorrendo à tecnologia?

Aqui fica, para a minha e para vossa reflexão/discussão:


Dudu odeia fazer fichas.

Dudu adora fazer jogos de Português e Matemática no computador.

Dudu pertence a uma nova geração que não gosta de papel, de lápis de carvão e trabalhos lentos de minúcia.

Podemos crticá-los. Vaticinar-lhes um futuro horrível.

Podemos preocupar-nos e dizer que no nosso tempo é era.

Mas o tempo não vai voltar para trás.

E que tal, em vez de os desmotivarmos num ensino tão contrário já à sua natureza...

... os motivarmos para o conhecimento através de um ensino adequado àquilo que esta nova geração é?



Não quer isto dizer que devemos pôr as crianças em frente ao computador o dia todo.

Mas para quê obrigá-las a decorar matérias às quais elas podem aceder com um simples click, quando tiverem dela necessidade?

Se lhes queremos explicar a natureza, para quê debitar-lhes horas de matéria (como é expectável, no sistema que temos), se há milhares de vídeos e documentários na internet onde tudo é explorado mostrando realmente a natureza?

E, se queremos dar-lhes mais do que aquilo que existe na net, e é tanto, se calhar temos de ir mesmo à natureza.

Melhor do que o virtual, só mesmo (e desejavelmente) o real.

Agora... um dia inteiro numa sala de aula de papel e lápis na mão, para esta nova geração... é só uma seca monumental!

(Nonô) Fiz-te um coração musculado, mamã. Para te abraçar com muiiiiita força!


Ia-me partindo o pescoço...
(Dudu) Ó mãe, eu acho que a fadinha dos dentes não tem asas.

(Mãe) Então porquê?

(Dudu) Porque não existem pessoas com asas?

(Mãe) Pessoas, não. Mas as fadas têm asas.

(Dudu) Eu acho que as fadas não existem, mãe.

(Mãe) Não?!?! Então e quem é que te troca os dentes por moedas, durante a noite?

(Dudu) Chama-se fada dos dentes mas não é uma fada, é uma pessoa.

(Mãe) Ai é? Mas como é que vai a casa dos meninos todos buscar os dentes?

(Dudu) É uma pessoa... com magia!


Menos mal. Ainda não se perdeu tudo...

Ao acordar, a Nonô descobre debaixo da sua almofada mais uma cartinha da fada dos dentes, com a moedinha do costume.

Fingi-me surpreendida, alegro-me com ela, até que ela, olho no olho, desconfiada:


(Nonô) Eu ouvi um barulho de alguém a entrar no meu quarto...

(Mãe) Então? Devia ser a fadinha...

(Nonô) Mas eu ouvi passos.

(Mãe) Se calhar a fadinha tinha as asas cansadas e veio a voar.

(Nonô) E eu fiquei a pensei se a Fadinha não eras tu...


Sorri. Que chatice não saber mentir...


(Nonô) Mas tu já não acreditas na Fadinha, é? Sabes que, quando deixamos de acreditar, as Fadinhas deixam de nos visitar...

(Mãe) Ah, não. Eu acredito...


E enquanto ela acreditar (mesmo com umas mentirinhas piedosas da mamã, que afinal também mente um bocadinho, e no próximo dente vai deixar a cartinha a voar)... temos Magia!
(Dudu) Ó mãe... tu acreditas em ti?

(Mãe) Acredito. Tu não acreditas?

(Dudu) Acredito. Às vezes não acredito é em mim. Não digo que nada e faço uma cara a fingir que sim... mas eu às vezes não acredito...


E assim se percebe como, por detrás de um suposto ego inflamado, se esconde uma tímida insegurança...

Mamã mostra aos filhos o novo livro da Magda Dias.



(Mamã) Meninos... tenho 21 dias para mostrar o que valho. Ajudam-me?


Filhos entreolham-se, rindo:


(Sebastião) Mãe, desculpa... mas tu ainda não estás preparada para começar isso...

Nonô levanta-se, preocupada.


(Nonô) A fadinha dos dentes não veio, mãe!

(Mamã culpada, a lembrar-se que ficou até às tantas a trabalhar e nunca mais se lembrou) Não ouviste o temporal? Não deve ter conseguido cá chegar...

(Nonô) Coitadinha! Espero que não lhe tenha acontecido nada...


E foi assim que a Mamã se escapou mais uma vez ao atraso da fadinha.
Pelo sim pelo não, já pôs um lembrete no telemóvel...
Nonô ao espelho, a olhar-se de um lado e do outro.

(Mãe) Então? O que tanto olhas?

(Nonô) Estava a ver se esta era mesmo eu... Se estava parecida comigo.

(Mãe) Mas tu conheces-te de alguma maneira sem ser pelo espelho?

(Nonô) Não. Mas às vezes pareço mais "eu" do que outras vezes... É porquê, mamã?


Disse-lhe que somos aquilo que somos, e depois somos aquilo que vemos. Devemos cuidar de ambas as coisas, porque aquilo que somos habita naquilo que vemos, como o caracol escondido na sua casinha. Mas nem sempre achamos que uma coisa e outra bate certo. Há fases da vida em que achamos mesmo que está tudo errado. É normal e não faz mal... Desde que nunca nos esqueçamos que somos mais do que aquilo que vemos. E que os outros também são sempre mais do que aquilo que vemos neles. É preciso aprender a ver com os olhos do coração...

Se disse certo ou se disse tudo, não sei. Vou tentar ser "eu" mais um bocadinho.

Filhos a teorizar sobre a Humanidade - Parte II:

- Nós somos Huma-Nus. Todos nus, somos mais parecidos uns com os outros. O que estragou isto tudo foi a moda. Se nunca tivéssemos inventado as roupas, se calhar ainda vivíamos todos como Um.

Nos miminhos antes de ir deitar:

(Dudu) Sabes o que é que me acontece na escola? A professora diz muitas coisas. E quando ela diz a última eu já não me lembro das outras. É que entretanto pensei em muitas coisas e esqueci-me. Eu não quero ser um cabeça no ar…

Aconselhei-o a dizer isto mesmo à professora, amanhã, assim mesmo com aqueles seus olhos sinceros e cheios de vida que ele tem.
A conversar é que a gente se entende, não é verdade?

É pena que as metas não se compadeçam com a conversa e com aquilo que estes meninos sentem e precisam que mude, para se sentirem felizes no lugar onde passam, pelo menos, 8 horas por dia...

Ah, ensino, que tu precisas de levar uma volta tão grande!




Estreou hoje no Disney Channel, e já tenho uma filhota apaixonada pela personagem e pela história, ou não fosse ela também uma pequena patinadora cheia de sonhos.
Levei-a a assistir à ante-estreia, que teve direito a uma exibição de patinagem no final... e a uma aula de patinagem a todas as crianças presentes. Ora, de aulas a minha filha já tem quase um ano inteiro, levou os seus patins e foi só aproveitar. Com a vantagem de receber umas valentes dicas da atual campeã nacional, Mariana Mateus.



(Nonô) Mãe, os meus patins podem ter as cores dos patins da Luna?

Isso é mais difícil. Os dela são branquinhos e assim terão de se manter. Mas não tardará a pedir-me para ir aos treinos vestida como a Luna, e hoje, pelo sim pelo não, já levou os pins que nos ofereceram na jardineira.


"De segunda a quinta–feira, às 20.30 no Disney Channel, poderemos acompanhar a história de Luna, que vê a sua vida mudar radicalmente quando os seus pais decidem aceitar uma nova proposta de trabalho e deixarem o país.

Ela, que passava a maior parte do tempo a patinar em frente ao mar da sua amada cidade, no seu país, e, a ouvir as canções que o seu melhor amigo, Simón, escrevia para ela, vai ter de se adaptar a uma nova vida, a novos amigos e a uma nova escola onde descobre um mundo de elites que têm pouco a ver consigo.

Luna refugia-se nos seus patins e, graças a eles, descobre um ringue de patinagem que lhe abre um novo mundo sobre rodas. Mas, será que Luna vai ser capaz de adaptar o seu estilo de street skating ao estilo livre e de dança do Jam & Roller?"

(Filhos a inventar anedota)
O que é que uma pessoa da Terra é a outra da Terra?
É Hu-Mano.

E se "Hu-mano" fosse mesmo sinónimo de irmão?
E se todos os "Hu-manos" se tratassem realmente como manos?
Simples como uma anedota de criança...

A pintura é cada vez mais encarada como uma terapia, mas mandalas e flores não é o forte dos rapazolas cá de casa, que estão naquela fase em que acham que têm de ser muito machos, e em que tudo aquilo que cheire a feminino (seja lá isso o que for), deve ficar a alguns quilómetros de distância.

Valeu-nos este fantástico livro do Wally, sem género, que já me valeu umas boas horas de silêncio...
Recomendo!


Chegou-me no final das férias, tive que recorrer a métodos mais arcaicos (confiscação de telemóveis, controlo parental com horário nos computadores e horas obrigatórias de "sol"), mas vai certamente ajudar a desligar 4 filhos nas férias grandes...

Obrigada pelo miminho, Marcador!

E depois de uma tarde a escolher lápis e canetas, preparar bolsas, encontrar os manuais perdidos na confusão, deixar tudo arrumado nos quartos, e as mochilas preparadas.... vezes 4!... a mamã já se esqueceu que estava doida por que começassem as aulas.
Voltem férias, estão perdoadas!

Excelente entrevista sobre défice de atenção e hiperatividade, com o neuropediatra Luís Borges, que conclui, acertadamente, que todos os professores (e eu incluiria os pais) deviam ter conhecimentos de neurologia:

http://www.noticiasmagazine.pt/2016/luisborges/

E, porque me toca a mim, e vejo dois filhos de 6 anos a serem avaliados por metas rígidas, sem qualquer respeito pelos seus tempos, pelas suas diferenças, pelas suas necessidades de brincar, deixo aos pais que por aqui andam e lidam com o mesmo problema, este importante parágrafo:

"Os dois primeiros anos devem ser para aprender a ler. Para depois a criança poder passar a ler automaticamente e a compreender. Mas não. Se ao fim do primeiro ano o miúdo não está a ler vai começar a ter problemas e começa o seu insucesso. E depois a exigência da matemática, do cálculo… Nós aprendíamos coisas no sexto ano que hoje são dadas no quarto e o cérebro dos miúdos não melhorou de um dia para o outro. Há coisas que não estão de acordo com as capacidades das crianças. Eles conseguem, mas com grande esforço, grande stress e sem alegria. Ao nível do cérebro, quando a criança faz uma conta bem feita e tem sucesso, é libertada uma substância que gera bem-estar, a dopamina. Já o insucesso liberta as hormonas de stress, a adrenalina, que muitas vezes bloqueiam a capacidade de raciocínio. Se a criança tem medo de errar, não está em boas condições para aprender. Depois, o stress acumula-se e a motivação que é o motor para aprender não existe, a escola torna-se «uma seca»."
Escrevi o meu primeiro livro infantil há 13 anos, grávida do meu filho mais velho.
Seguiram-se muitos livros, muitas visitas às escolas, mais filhos, e muitas, muitas alegrias, vividas com muitas crianças de todo o país, que me fizeram rir, chorar, fazer caretas, calos no indicador, e sobretudo me ensinaram muito sobre o que é a magia da infância.

Tem sido uma saborosa aprendizagem, que agradeço a uma vasta equipa que torna cada um dos meus livros possível, aos pais e professores que despertam hábitos de leitura nos mais novos, e sobretudo aos pequenos leitores que vibram comigo em cada aventura.

Feliz Dia do Livro Infantil!







Andamos viciados nesta música, mãe e filhos cantando em loop... até o pai nos mandar calar, que já não nos aguenta!

Agora não sei é como explicar aos meus rapazes que... bem... os vagabundos não se safam sempre. Patricinhas, Isabelinhas, Mariazinhas... também gostam de rapazes com juízo. Nada errado... mas se for tudo certo, tanto melhor. Boa?
Quando os filhotes se lembram de nós em casa dos avós:



É caso para dizer: "Até vos comemos!"
Dois filhos nos avós, dois filhos às voltas com o pai, a mamã com os gatos (a trabalhar... claro!) e na tv e nos jornais e por todo o lado espalha-se a ameaça que conquista audiências, vende papel e ganha visualizações: ameaça do Daesh, Portugal na rota do terrorismo.
E penso nos filhos que estão em Évora, nos filhos que andam com o pai, nos pais, no pai, e no maldito trabalho que me tranca em casa com os gatos e afasta de mim a família que nesta hora queria mais perto.
E se acontece aqui?
E se acontece ali?
Acolá? Por cima? Por baixo? Ao lado? Ao centro? Bota para dentro.
E sei que qualquer coisa pode acontecer em qualquer parte e por qualquer motivo.
E que não, nunca os poderei proteger de tudo. Nunca me poderei proteger de tudo. E é possível que qualquer um de nós, um dia, esteja na hora errada à hora errada e não possamos fazer nada contra isso.
O que me custa e me dá medo não é isso. É só, se esse dia chegar, não ter vivido com eles e comigo e com todos e com tudo, tudo o que podia ter vivido.
Os mais velhos, felizmente, já os fazem sozinhos, e só dou conta deles se por acaso algum deles se esquece e traz o bom do recado na caderneta.
Mas com os mais novos é o inferno.
Felizmente, nestas férias, o único trabalho que trouxeram foi ler um livro. Ms já temos tantos anos, semanas e noites de TPCs, que estou absolutamente solidária com todos os pais que por AQUI se queixaram.
Afonso a devorar "O Homem que Mordeu o Cão", do Nuno Markl.

(Afonso) Mãe... isto é o meu ideal de vida! Eu quero ser como este Nuno Markl e passar os meus dias a tentar saber o mais possível sobre coisas que não interessam a ninguém!

Para alguém que tem andado às turras com aquilo que os outros acham que devem ser os seus objetivos de vida, foi de louvar!
Obrigada, Nuno Markl!


PS - Sebastião a olhar desconfiado para a capa do livro que o irmão está a ler: Ó mãeeeeeeeeee! O livro do Afonso diz "enormes seios"!!!

9 piolhos nas cabeças dos meus filhos...

Sem mais comentários.
(Dudu, perante as notícias dos atentados) O mundo está em guerra, não é, mãe? Se nós tivermos de fugir, vamos para onde? Depois nós também somos refugiados, não é? E também não vamos ter o que comer e o que vestir?

Dói-me a crueza com lhes apresento o mundo. A verdade que não consigo esconder-lhes. Às vezes penso em desligar a televisão, pegar nos meus filhos e fugir para um lugar onde a inocência ainda consiga perdurar... Mas tenho vindo, pouco a pouco, a perder a ilusão de que esse lugar exista. Pelo menos que ele exista fora dos nossos corações. Por isso hoje mostro-lhes o mundo. Este nosso mundo de ódio, de guerra e violência sem razão. Mas abraça-os depois e digo-lhes que lhes cabe a eles descobrir a beleza no meio deste caos. O amor no meio deste dia-a-dia cruel. A paz possível, dentro de nós, para depois a semearmos em cada abraço que dermos. Num mundo em guerra, será essa (pelo menos essa) a nossa maravilhosa missão.

(e obrigada, Vera Sacramento, por esta música, que hoje nos tem serenado: O Sabor da Maçã)


Os pais não se querem perfeitos. Precisamos de aprender com eles a importância das quedas. Aceitar as suas contradições, para entender as nossas. Precisamos de os ver rir, tanto quanto precisamos de os ver chorar. Precisamos de os ver ter vontade de desistir, para percebermos como é sempre possível reiventarmo-nos. Precisamos de pais humanos, que nos ensinem a lidar com a nossa própria humanidade.
Amo o meu pai por todas as coisas maravilhosas que ele é e que ele faz, mas também por todos as suas teimosias, as suas falhas e as suas quedas. Amo-o por tudo isso que é profundamente belo, como amo o pai dos meus filhos pelo tanto que ele lhes dá e lhes ensina (assim como me dá e me ensina a mim), mesmo quando erra ou se questiona.
Ano após ano tenho vindo a elogiar as virtudes, que felizmente são muitas, nos dois pais que tenho tido a sorte de ver crescer e envelhecer. Se hoje enalteço as falhas, não é porque sejam agora maiores do que antes. É antes porque, confrontada com as minhas próprias falhas, entendo-as cada vez mais necessárias. Em mim e nos outros. E é importante que nos amemos com noção do pacote inteiro...

Paizão e maridão, um feliz dia para vocês.
Pais que por aqui andam, e que eu admiro também... sejam muito felizes com os vossos filhos.

E depois de muito me queixar do excesso de trabalho, do cansaço e das noites sem dormir, aqui fica revelada a razão do caos que se instalou em minha casa, nos últimos meses.

Vai chamar-se "Massa Fresca" e vai estrear em Abril, na TVI. Uma série familiar que vai passar de segunda a sexta, entre as 19h e 20h, e cujo trailer já podem espreitar por aqui:

Começamos hoje a levantar um pouco do véu do novo projeto de ficção nacional «Massa Fresca». http://goo.gl/YZEQDv

Publicado por TVI em Segunda-feira, 14 de Março de 2016

«Um ato de coragem pode mudar o destino. E o de Maria muda quando se cruza, literalmente, com a vida dos irmãos Elias. Maria encontra uma família, uma missão e o amor. Porque quem salva uma vida salva o mundo inteiro, nada será como dantes.»

Pelo caminho houve coisas más: muitas diretas, novas rugas, falta de exercício físico e de alguma serenidade. Casa em polvorosa e muita falta de tempo para as coisas boas da vida.

Mas há também coisas boas que surgiram deste caos:

- Afonso adora ler guiões e dá-me dicas preciosas
- Sebastião tornou-se perito em ajudar os manos mais novos nos TPC
- Leonor faz planos à sexta-feira, como fazem os manos mais velhos, para organizar o estudo do fim de semana
- Duarte já avisa sempre quando tem TPC
- Houve notas menos boas pelo caminho, mas os filhos tornaram-se autónomos e arranjaram estratégias próprias para estudar
- Continuamos unidos e prontos para as curvas do caminho. Numa família grande, é tudo o que se pode desejar...
(Afonso) O pai arranja sempre forma de ficar com o dinheiro que a avó me dá nos anos.

(Mãe) Não, filho. O pai aplica o dinheiro em coisas que são importantes para ti.

(Afonso) Eu acho que isso se chama corrupção. O pai é tipo a Dilma... mas em homem. E sem cabelo...

Pergunta do dia:

Que credibilidade terá uma mãe apanhada pelos seus filhos pré-adolescentes a dançar o "She Bangs" do Ricky Martin enquanto mexe o bacalhau do jantar?

Amanhã, quando os mandar ficar quietinhos a estudar, sem abanar as pernas, logo terei a resposta...

(Afonso) Porque é que nos obrigam a decorar aquelas coisas todas na escola, se existe o "Google"? É que depois esquecemo-nos, e temos de ir ao Google outra vez...
Sabemos que o nosso filho de 10 anos gosta de nós quando...


... ele nos faz uma espera no seu quarto, com um bastão de plástico e uns boxers pretos enfiados na cabeça, a fazer de ninja.



Quero realmente acreditar que este ataque, cheio de gargalhadas à mistura, é a sua manifestação de amor possível...
Mamã, sem alternativas, leva consigo a sua Nonô à depilação.

Cansada, de pernas no ar, desabafa com a sua esteticista:


(Mamã) Ando mesmo a precisar de mudar de vida...


Nonô, do alto dos seus quase 7 anos, solta alto e em bom som:


(Nonô) Não podes, mamã. Tens quatro filhos. Tens de ficar lá em casa...


A mamã só estava a pensar em arranjar um trabalho que lhe desse mais tempo. Mas é bom saber que ela continua a querer-me por lá, a pôr ordem na casa...
Sexta-feira à noite já foi, para a mamã, a noite da Salsa Latina.

Agora, a mamã chega à cozinha com um rádio rosa shock da Minnie e um CD de Compay Segundo, que põe a tocar.


(Mamã) Meninos, toca a dançar enquanto a mãe faz o jantar.


E não é que dançaram?

(e o problema, está bom de ver, foi depois pô-los a jantar...)

Nonô salta pelos sofás, a rir à gargalhada. A mãe persegue-a:

(Mamã) Não estou a achar graça nenhuma, Leonor!

(Nonô) Mas isso é porque tu já não és criança. E os adultos já deixaram de saber o que é que tem graça ou não...
Numa semana de intenso trabalho, com os filhos a terem 12 testes, TPC e trabalhos de grupo, desafiando os vírus que andam por aí e o desânimo que é o pior dos nossos males, procurando driblar a falta de tempo e o cansaço para não perder o melhor que uma família nos dá... sabe muito bem receber em casa estes miminhos, que ajudam, com dicas práticas, ao nosso dia-a-dia.

A mãe que sou agradece muito!

Obrigada, editora Manuscrito!

Caiu mais um dentinho à Nonô, mas a Fadinha dos Dentes ontem deixou-se dormir ao computador e esqueceu-se de ir lá deixar a moedinha...


(Nonô) Ó mãe... porque é que a fadinha dos dentes não veio?

(Mãe) Deve ter apanhado muito trânsito, filha.

(Nonô) Ou será que ela se enganou e foi ter a casa da avó?

(Mãe) Também pode ser...

(Nonô) Coitadinha. Ela deve andar cansada. Com tantos meninos com dentes a cair...


Mas hoje, a Fadinha dos Dentes não vai falhar. Já tarde e a más horas, depois de uma noitada a trabalhar, vai deixar a moedinha e a cartinha do costume... e assim será até os filhotes acreditarem!
(Nonô) Ai, mãe... o que eu queria mesmo era inventar um robot para me fazer os trabalhos de casa...

Pode ser que, desta nossa guerra com os TPC, ainda nasça uma inventora...
(Afonso) Sabes o que é que eu faço para conseguir ter mais resistência a correr? Vou falando comigo e criando discursos de motivação...

E não é que ele descobriu o segredo sem precisar que ninguém lho dissesse?
(Dudu) Mãe... eu acho que há formigas falantes.

(Mãe) Ai sim? Então já ouviste algumas?

(Dudu) Não... olha lá o tamanho delas. Elas falam tão baixinho que nós não conseguimos ouvi-las!
Nonô foge pela décima vez da cadeira onde deveria estar sentada a fazer os seus trabalhos de casa.


(Mãe) Onde é que vais agora?

(Nonô) Vou beber água.


A mãe revira os olhos, saturada de desculpas.


(Nonô) Desculpa lá, mãe, mas sem água não sobrevivemos. A água é muito mais importante do que a escola...


E não é que é mesmo?
(Dudu) Mãe, eu acho que há uma magia qualquer que faz com que nós nos esqueçamos de tudo, quando nascemos aqui na Terra.

(Mãe) Achas, filho?

(Dudu) Eu já nasci para aí umas cinco vezes e nunca me lembro de nada! (pensa) Mas também, se me lembrasse, era difícil, não era?


Nestas matérias a mamã ouve, a mamã não comenta. O Dudu é que sente, o Dudu é que sabe...
Os meus filhos mais velhos andam, como tantos outros pré-adolescentes, a tender para o comportamento compulsivo em relação aos jogos. Em casa somos mais ou menos rigorosos com os tempos de jogo, mas começámos a perceber que eles nos tentavam trocar as voltas. Tinham o telemóvel escondido na casa de banho (e passavam horas na sanita!), punham-no debaixo do livro quando supostamente estavam a ler, de cada vez que iam ao quarto buscar qualquer coisa, demoravam horas... e portanto, sendo os telemóveis a maior fonte de obsessão... decidimos que os telemóveis fixes, cheios de distrações, iam pura e simplesmente acabar.

(Afonso) Mas os meus colegas passam os intervalos a jogar!

(Mãe) Vivem alienados, Afonso!

(Afonso) Mas se eu não jogar com eles (porque eles jogam uns com os outros), o alienado sou eu!

Dantes, para se pertencer a um grupo, tinha de se demonstrar a valentia. Agora, tem de se ter um telefone fixe e jogar em rede. Em todos os buraquinhos possíveis.
E é esta geração, efetivamente alienada, que está a crescer debaixo dos nossos olhos, sem que consigamos fazer nada por ela. A escola não lhes diz nada. A realidade virtual é atraente e viciante. Muito melhor do que a realidade efetiva, cheia de coisas chatas e com poucas vidas para gastar.
E se deixamos, somos cúmplices dessa alienação. Se proibimos, alienamos. Mas, entre um e outro caso, estou em crer que a segunda opção ainda é aquela onde reside a esperança, sobretudo se, à proibição, conseguirmos adicionar alternativas interessantes e saudáveis.

(Nonô) Eu quando crescer quero ser uma empregada. Eu gosto de ajudar a mãe a fazer as coisas.

(Dudu) Eu quando crescer quero ser um pai preguiçoso...


Pois.....

E quando o nosso filho mais reguila, que nos tira do sério tantas vezes, nos oferece um papelinho destes com uma flor?

Um dia, quando a Nonô se sentiu inferiorizada por os manos jogarem melhor à bola do que ela, e serem mais rápidos, chamei-a à parte, abri-lhe muito os olhos e sussurrei-lhe algo de que ela nunca mais se esqueceu:

(Mãe) Eles podem ser mais fortes, Nonô. Mas nós somos mais espertas. Quando não puderes vencê-los pela força, usa a cabeça.

Ainda hoje, quando se vem abaixo por alguma razão (é que os maninhos fazem-lhe mesmo a vida negra!), pisca-me o olho e diz-me "Eu não me esqueci do nosso segredo..."

Mas hoje, dissertando sobre o tema - até porque ela está uma bela desportista e os manos já não lhe fazem assim tanto frente quanto isso - saiu-se com esta:

(Mãe) Eu estive a pensar, mãe. E acho que já sei no que é que nós, as miúdas, somos diferentes dos rapazes. Nós somos melhores nas coisas que importam!

Mai'nada!
Nonô a ver televisão:

(Nonô) Ó mãe... eles na televisão estão sempre a dizer que nós temos que tomar o Calcitrim, o Cálcio Mais, o Libidium Fast, e mais uns... Nós temos mesmo de tomar aquelas coisas todas para ficarmos saudáveis?

(Mãe) Dudu, agora tens de fazer a cópia deste texto.

(Dudu) Podes fazer tu, mãe, por favor?

(Mãe) Eu?! A cópia tem de ser feita por ti, filho!

(Dudu) Mas tu mexes melhor na impressora...


Quando lhe expliquei que ele tinha mesmo de passar o texto todo para o caderno, quase chorou! De facto, para que é que servem as impressoras copiadores?
(Nonô) Mãe... podemos organizar um lanchinho cá em casa para as minhas amigas?

(Mãe) Podemos sim, filha.

(Nonô) Mas vai ser um lanchinho muito saudável...


E percebo que, por mais que eles se queixem que eu sou chata e fundamentalista, alguma coisa lá vai ficando... E quando assim é, já valeu a pena.
Manhã de segunda-feira!


Duarte estava a dormir.
Achava eu...

(Dudu) Ó mãeeeeeeeeeee!

(Mãe) O que foi, Dudu?

(Dudu) Se um avião tiver um acidente no ar, e uma pessoa estiver na casa de banho do avião... o cocó deve ficar todo espalhado pelo céu.


E é nisto que ele pensa antes de dormir!
(e agora já percebo porque é que ele custa a adormecer...)
Na semana antes do Carnaval, os meus filhos tiveram 12 testes e 3 trabalhos por elaborar.
Matéria para estudar, fichas para treinar, powerpoints por criar, quilos e quilos de coisas por preparar que os pais, necessariamente, precisavam de acompanhar.
Não, não tiveram tempo para brincar.
Os pais, também sem tempo, só conseguiram desesperar.
E os professores, pressionados, com tantas metas por alcançar...

E eu, no meio de toda esta luta diária, sou obrigada a perguntar:
- Que tipo de cidadãos estamos mesmo a preparar?
- Que espécie de seres humanos estaremos nós a criar?

Não valia realmente a pena parar para pensar?

Raquel Varela, este fim de semana... vamos brincar!
https://raquelcardeiravarela.wordpress.com/2015/07/07/deixem-as-criancas-brincar/
Ortopedista. Consulta de desenvolvimento. Raio x ao punho. Medições de 6 em 6 meses. Dar ou não dar vitaminas. Óleo de fígado de bacalhau.

O Afonso é pequenote. O mais baixinho da turma. E claro que nós, pais, avós, pediatra, lá procuramos saber porquê, se está tudo bem, se tem falta de qualquer coisa.

O Afonso tem assistido a tudo, feito os exames todos... e hoje saiu-se com esta:

(Afonso) Ó mãe, não te preocupes. Eu não preciso de ser grande. A minha popularidade até vem das piadas que eu invento por causa de ser baixote...

E é isto! Sempre a aprender com eles...
(Nonô) Mamã, eu tenho dois meninos da minha sala que querem namorar comigo...

(Mãe) Ai é?

(Nonô) Mas eu ainda não sei qual vou escolher. Vou ver primeiro o que é que eles me oferecem no Dia dos namorados...
Dudu, 6 anos, após ver um bocadinho de telejornal:

(Dudu) Ai, mãe... eu acho que no dia em que eu morrer, as pessoas ainda se vão estar todas a matar umas às outras...
Nonô, do alto dos seus 6 anos:

- Mamã, se tu não tivesses emprego e eu não tivesse escola, podíamos passar o dia todo juntas, e assim já sabias tudo o que se passava na minha vida...
Sebastião, o filho fofo:

- Mãe, tu podias receber o prémio da escritora com mais filhos...

Não creio que serei. Nem sequer mereço nenhum prémio. Mas passar pela cabeça de um filho que o merecemos é qualquer coisa de especial...
(Nonô, a arrumar o quarto) Mãe... porque é que não pegamos em todas as coisas que já não queremos, cá de casa, e vendemos? Assim tínhamos mais dinheiro...


(Nonô, a varrer a cozinha) Mamã... se ficar eu a nossa empregada, já não pagamos a ninguém. Ficamos com mais dinheiro. Mas o dinheiro é para mim, ok?
Agora que começo a ouvir falar de namoricos cá por casa, e começo a aperceber-me, pela primeira vez, de que um dia destes (e passa tão rápido!) terei três noras e um genro... há que deixar alguns alertas aos potenciais candidatos:



Não se preocupem, não sei assim tão má...
(mas eu se fosse a vocês não arriscava!)
Alguém sabe como é que se mantém a sanidade mental quando os filhos têm 12 testes na semana seguinte?

Aguardam-se dicas realistas.

Obrigada.

Nonô dá um sonoro punzinho.

Mãe olha-a, interrogativa.


(Nonô) Não ralhes comigo, mamã. Foi um punzinho do Amor.


Desconhecia que havia esses punzinhos. Mas estamos sempre a aprender...
A Nonô anda fascinada com Peludim e Peludão.
Não, isto não acontece com todos os livros da mamã (infelizmente!), mas este despertou-lhe particular atenção por falar da maternidade, dos bebés, da amamentação... tudo temas que a deixam com os olhinhos fora de órbitra!

Hoje, resolveu pegar numa caixa que me chegou com livros e começar a "transformá-la". Estava embrenhada no trabalho, não percebi logo o que ela estava a fazer, até surgir a pergunta:

(Nonô) Mãe, ponho uma ou duas antenas?
(Mãe) Tu é que sabes, filha.



Para quem não sabe, Peludim, o extraterrestre de "A Viagem de Peludim", vem à Terra porque não sabe se é como a mamã (que tem duas antenas) ou como o papá (que só tem uma). Em Peludão não se sabe logo à nascença, só algum tempo, quando começam a nascer as antenas na cabeça.

(Nonô) Pronto, é miúda como nós!

Estava decidido! Decidido ficou!
Apresento-vos a Peludim, a nova extraterrestre cá de casa...

Acordei com os gémeos, no início do ano, que eles escreveriam três frases que eu ditasse todos os dias. Correu bem nos dois primeiros dias. Depois começaram a fartar-se... e hoje, a maneira de os fazer sentar-se, foi ditar-lhes uma frase que eles tivessem mesmo, mesmo vontade de escrever!

(Mãe) O Nuno fez... fez cocó!

Riram que se fartaram e escreveram logo.
Depois arriscou o Sebastião:

(Sebastião) Podem escrever que o Sebastião...
(Dudu) Leva Tau-tau!

Pisquei o olho ao Sebastião. Valia tudo. E o Sebastião (que dará um excelente professor, embora ele continue a negar) ainda preparou umas contas que depois lhes corrigiu.



A pedagogia não é a melhor, não, aceito todas as críticas. Mas experimentem pôr dois filhos gémeos avariados da cabeça e com dois irmãos que não são melhores, a ler e a escrever em tempo recorde...

(Mãe) Dudu, sabes quem é esta?

(Dudu) É uma senhora que está cheia de vontade de fazer xixi...
Saltaram todos da cama a horas para irem entregar os presentes ao papá. E estes dois eram surpresa: a Nonô resolveu fazer um desenho na noite anterior e o Dudu fez uma frase assim que acordou.

Viva o Papá!

Depois de um fim de semana em que tínhamos decretado a guerra aos jogos (a regra era jogar apenas ao fim de semana, mas os mais velhos foram apanhados duas vezes a jogar às escondidas, o que lhes valeu dois telemóveis e computadores confiscados), caiu na mouche a reportagem que a RTP exibiu ontem sobre o vício da internet. Ficámos todos colados ao ecrã, nem eu sabia que havia tantos jovens verdadeiramente dependentes, já com danos neuronais que poderão ser irreversíveis. Vimos todos até ao fim. E, hoje, nenhum dos filhos mais velhos questionou o castigo. Sei que vai ser sol de pouca dura, porque a realidade é mesmo esta: a dependência do online, de miúdos e graúdos. Mas, pelo menos, da próxima vez que a mamã resmungar, já não vai a soar a exagero maternal...
Para quem andar nesta mesma guerra com os filhos, aconselho vivamente a reportagem:

http://www.rtp.pt/play/p2231/linha-da-frente
Depois da notícia de ontem sobre o facto de 2015 te sido o ano mais quente alguma vez registado (ver aqui), a noite foi dedicada à temática da poluição e do que podemos (e devemos) fazer para a minimizar. Falámos de lixo, de gases poluentes... e hoje de manhã o Dudu acordou determinado.

(Dudu) Estive a pensar sobre o aquecimento da Terra. Nós temos de fazer alguma coisa!

(Mãe) Também acho, filho! E o que é que tu achas que devemos fazer?

(Dudu) A partir de agora, ninguém dá puns cá em casa! Só na casa de banho com a porta fechada!

Não creio que salve o planeta, mas parece-me uma óptima medida para manter o ar irrespirável, cá por casa...
(Afonso) Mãe... lembras-te daquele sermão que nos deste sobre nós termos de ir atrás das coisas... fazermos mais do que nos pedem para podermos ir mais além... e para podermos marcar a diferença...

Lembrava-me e bem. Foi numa longa e desgastante viagem de carro...

(Afonso) Até nos contaste como foram as tuas entrevistas de emprego... e que quando ias fazer pesquisa resolveste fazer logo o trabalho todo e te contrataram...

Ui! Deve ter sido mesmo violento, o sermão...

(Afonso) Só queria dizer-te que me custou... mas inscrevi-me nos jogos da Geografia, que me vão roubar os intervalos durante uns dias, e nas Olimpíadas de Português. Fui o único da minha turma que se inscreveu.

E eu abracei-o com força. Dar sermões pode ser violento, muitas vezes achamos que aquilo que dizemos lhes entra por um ouvido e sai por outro. Mas depois acontecem estas coisas, que nos fazem acreditar que alguma coisa lá fica... que, nesta fase da adolescência, é quase tudo o que peço. Que, mesmo com todas as guerras e jogos de cintura, o mais importante lá fique...
O livro de pintar do Afonso tem-lhe servido para conhecer diversos artistas (pintores, músicos, atores) que, até então, não lhe diziam nada.




Esteve a pesquisar sobre cada um deles e o resultado foi este:

(Afonso) Mãe, se calhar é melhor não ser artista. Matam-se ou morrem todos antes dos 40 anos...

Ao que se seguiu uma boa conversa sobre a arte e como ela mexe connosco. Como é ainda mais importante, para quem lida com a arte, manter-se saudável, com hábitos de vida que o ajudem a integrar a arte na sua vida sem se desintegrar com ela. Não, vida de artista não é fácil. Mas não se escolhe. É ela que nos escolhe. A alternativa é mesmo tentarmos conviver com ela da melhor forma possível...
(Afonso) Mãe, se eu tivesse agora que escolher uma área, na escola, escolhia Artes...

Era a última coisa que eu esperaria ouvir do meu filho mais velho, a quem sempre disseram que desenhava mal. No 5º e 6º ano, só muito a custo teve um 4 no final do período (e acho que foi com benevolência dos professores, para não lhe estragar a pauta). Tinha grandes ideias, mas muita falta de paciência para as concretizar. E o seu desenho à vista estava ao nível dos manos mais novos (com boa vontade...).
Até que, este ano, teve um professor que resolveu dizer-lhe que ele, de facto, tinha boas ideias. Começou a levar para as aulas exercícios criativos e sempre diferentes. Valorizou-o. Incentivou-o. E foi com grande surpresa que, no final do primeiro período, vi um 5 na pauta do meu filho, a esta disciplina.

(Mãe) Deve ser engano, não, filho?
(Afonso) Não. Eu agora sou bom a EVT. É a minha disciplina preferida...

E a prova foi que, com um cartão FNAC que recebeu no Natal foi comprar um livro... de pintura!


E aqui está a prova provada, se dúvidas houvesse, de como um professor tem a capacidade de motivar (às vezes, infelizmente, desmotivar) um aluno para uma disciplina ou área. Eu sei que nem sempre é fácil, com turmas de 30 alunos, arranjar tempo e disponibilidade para motivar tantas crianças diferentes. Mas vale bem a pena...
Quando um filho resolve apresentar um livro escrito pela sua mãe aos colegas, na aula de Português, a mãe fica muito contente...

Quando um filho admite, no próprio powerpoint do trabalho, que o faz para que a sua mãe tenha mais sucesso, como é que se deve ficar?


Titão, és o maior!

Serei só eu que choro que nem uma Madalena perdida com estas coisas?
(e um beijinho grande para ti, mamã!)

Ser Mãe é o melhor trabalho do mundoHoje é dia de Santa Mónica, Mãe de Santo Agostinho. Como qualquer Mãe, que quer sempre o melhor para o seu filho, Mónica moveu mundos e fundos para que o seu filho Agostinho se convertesse à Fé Católica e, como as Mães fazem quase sempre, conseguiu o que queria. Agostinho converteu-se e tornou-se num dos maiores santos da história do catolicismo e um dos maiores génios que a Humanidade conheceu.Santa Mónica, rogai por nós

Publicado por Senza Pagare em Quinta-feira, 27 de agosto de 2015
Nonô a explicar à melhor amiga o que é a "A Viagem de Peludim":

- Estas páginas são para nós percebermos que podemos usar as roupas que quisermos e brincar àquilo que gostamos. Mesmo que sejam "coisas de rapazes", percebes? Não tem mal nenhum...
- Ah!






Os estereótipos subsistem, quer queiramos quer não (ainda temos as coisas dos raparigas e as coisas dos rapazes, que o marketing rentabiliza até à exaustão). Mas incutindo liberdade nas nossas crianças (ainda que as escolas promovam exatamente o contrário, no sistema de ensino que temos) havemos de conseguir, pouco a pouco, desmontá-los...

A leitura desta noite, de uma escritora, editora e amiga que faz magia com as palavras.

Obrigada pelo miminho, Rosário Alçada Araújo!


Miúdos a brincar aos Legos. Mãe chama os mais velhos para vir fazer os TPCs.

Afonso aparece.

Sebastião logo em seguida, com um boneco Lego montado numa nave.

(Sebastião) Tenho de me despachar, mãe... O meu boneco tem de voltar para o Natal.

(Mãe) Voltar para o Natal?!

(Sebastião) Sim, veio estudar para a Faculdade, mas tem de voltar ao quarto dos brinquedos para as férias. Os gémeos ficaram a preparar os presentes...

(Afonso) Estás melhor do que eu... O meu boneco ficou no meu quarto, rodeado de armas.

(Mãe) Então?

(Afonso) Juntou-se ao Estado Islâmico.


E assim se brinca aos Legos cá em casa...
Apareçam!
Partilhem!
Tragam os filhos, sobrinhos, alunos, netos, amigos.
Eu e a Vânia Beliz queremos muito ter-vos a todos, connosco, neste dia!

Nova tentativa de sessão de meditação com a pequenada, que anda para lá de excitada (o que normalmente é proporcional à intensidade do trabalho e do stress de mamã...)


(Mamã) Vamos lá, meninos... inspirem! Expirem!

(Nonô) Posso ser eu a fazer, mamã?

(Mamã) Sim. Com calma.

(Nonô) Aspirem! Desaspirem!


Foi a primeira gargalhada da nossa pseudo-sessão de meditação. A primeira de muitas.


(Mamã) Meninos... nós devemos ser a única família que não consegue meditar!


Mas pronto. Continuaremos a tentar, e havemos de conseguir! Até lá... uma boa sessão de gargalhadas também não nos há-de fazer nada mal...
O Peludim já anda por aí, maroto, a fazer das suas, nas livrarias e sites de venda online.

Gostava muito que lessem, explorassem com os mais novos, e nos dissessem o que acham.




"A Viagem de Peludim" é uma abordagem lúdica de temáticas que os pais, educadores e professores têm muitas vezes dificuldade em explorar: «Quem sou?», «De onde vim?», «Como nasci?», e questões fundamentais nos dias de hoje, como a igualdade de género, o respeito pela diferença e a prevenção da violência sexual. Acompanhado de um guia para adultos, com dicas para exploração da história, este é o livro que faltava para uma adequada educação sexual, desde a primeira infância."

http://www.wook.pt/ficha/a-viagem-de-peludim/a/id/17258634
Afonso a explicar-me detalhadamente e entusiasticamente um jogo virtual que inventou e que quer propor a uma equipa de criadores de jogos...

... e a mãe a pensar que, a última vez que se lembra de ter jogado computador, foi num Spectrum!
(Dudu) Mamã, queres vir no meu comboio?

(Mãe) Dás-me boleia?


E subi agarrada ao fundo das calças do seu pijama até à cama superior do seu beliche.


(Dudu) Deitas-te comigo? Para vermos as estrelas?


Mas era só um tecto branco, sem graça alguma.


(Mãe) Gostavas que a mãe te colasse umas estrelas no tecto?

(Dudu) Não é preciso. Eu gosto delas assim. Olha, acho que vi uma cadente!


E quanto não vale um filho que consegue, no momento certo, resgatar a magia perdida da sua mamã?

Já temos data de lançamento! Dia 16, às 16h, na FNAC do Colombo.
Lá vos espero, miúdos e graúdos!


Já era tarde, a mamã estava com sono, mas enquanto arrumava um resto dos presentes, não resistiu a deitar o olho. Era o mesmo Música no Coração de sempre, que a mamã já viu umas 20 vezes, e mesmo continua a chorar de cada vez que vê.
A filharada já estava deitada, mas a mamã pensou que foi muito à custa daquele filme que a mamã sonhou com uma família numerosa. Amor em vez de apitos. Alegria e música. Uma casa cheia de todas as coisas boas que aquele filme nos faz sentir.
É certo que, no dia a dia, a coisa não é assim tão fácil de gerir. Há horários, escola, birras e falta de educação. Cansaço e falta de paciência dos pais, que às vezes bem gostavam de andar a soprar o apito pela casa... e o cenário idílico desfaz-se. Mas depois há aqueles momentos. Aqueles que acontecem todos os dias (quase todos os dias, vá) e que nos fazem sentir que tudo valeu a pena. Que é uma loucura divertida, uma insanidade feliz.
Não, os meus filhos não se vestem todos de igual (só se safo nos casamentos e batizados!) e não cantam harmoniosamente o Edelweiss. Mas pedi-lhes que preparassem uma música de Natal e eles, munidos de instrumentos improvisados (não sei para que lhes compro instrumentos a sério!), criaram a sua Música. Sonoramente tortuosa. De letra muito duvidosa. Mas não se pode querer tudo. Definitivamente, a mamã tem de aprender que a sua vida familiar tem um filme próprio. Não é melhor nem pior do que os outros. É ÚNICO e IRREPETÍVEL. Muito gratificante por isso mesmo.


A mamã nunca foi muito dada a desejos. Mas sempre fez questão de estabelecer os compromissos para o ano que aí vinham. E, este ano, porque os filhotes já estão crescidos, cada um deles estabeleceu os seus. Melhorar as notas a isto e aquilo, ser mais cumpridor e empenhado, menos desarrumado, menos resmungão, com mais paciência para os irmãos, entre várias outras coisas que cada um deles sabe que deve melhorar (eu tive fiz uma lista valente para mim!).
Depois, a mãe pediu que juntassem duas coisinhas à lista: aprenderam 3 músicas para tocarem em conjunto na Páscoa e aprenderem 3 receitas para cozinharem para a família na Páscoa. (o Afonso ainda tem de escrever um livro comigo e o Sebastião vai fazer um diário... diariamente. Fora as corridas que vamos fazer juntos uma vez por semana. Quem disse que estabelecer compromissos era fácil?)
O certo é que hoje, ao lanche, os manos mais velhos resolveram meter já mãos à obra. E saiu um pão embebido em leite com ovo que, segundo os próprios, estava maravilhoso... Não era propriamente um prato destes que eu tinha em mente, mas se quero filhos cumpridores, há que dar alguma margem de manobra...



A ideia nasceu há uns 3 anos, durante as minhas longas conversas com a Vânia Beliz sobre aquilo que, do ponto de vista da necessária educação sexual, fazia falta aos pais, professores e educadores. Consciência de que, face à quantidade de informação disponível a que qualquer criança tem acesso neste momento, é preciso CONVERSAR, EXPLICAR, EDUCAR, creio que todos aqueles que lidam com crianças já têm. Mas como fazê-lo? Como abordar aqueles temas que, para tantos de nós, ainda continuam a ser tabus? Como responder corretamente às perguntas das crianças, sem as deixar insatisfeitas, mas simultaneamente não indo além daquilo que elas podem compreender?
Eu era uma mãe a braços com filhos muito curiosos sobre o corpo humano, a reprodução e a sexualidade de uma forma geral. A Vânia andava já nas escolas há vários anos, a trabalhar estas temáticas com alunos e professores. E a ideia surgiu: vamos transformar isto em livro! Ajudar pais, professores e educadores a abordarem estes temas através de uma história infantil, apoiando-os através de um guia que o livro traz no final para dar resposta às perguntas que as crianças poderão fazer em cada momento da história. Sendo que desejávamos muito que este livro fosse também um ponto de partida para, em família ou nas escolas, se trabalharem questões como a igualdade de género e a prevenção da violência sexual.
O livro nasceu, com as ilustrações fantásticas da Celia Fernandes, prefácio do pediatra Mário Cordeiro, e uma editora que acreditou connosco - a Marcador. Dia 7 estará nas livrarias de todo o país, e eu e a Vânia estaremos disponíveis para visitar escolas e bibliotecas, conversar com pais, professores, educadores e crianças sobre algo em que acreditamos muito: que a educação sexual é fundamental para um crescimento adequado, para um maior respeito pelo nosso corpo e pelo corpo do outro, para um maior respeito pela diferença e uma maior igualdade de género, que contribua para um futuro melhor, uma sociedade mais justa, equilibrada e responsável.
Contamos convosco para nos ajudarem nesta grande aventura...

(e até lá, visitem a nossa página de FB: https://www.facebook.com/aviagemdepeludim/?fref=ts)