(Mas não é tudo mau, vá... Aqui fica uma reflexão positiva depois de tantas contas à vida)

A Troika, com tudo aquilo que nos tem feito de mal, tem-nos também obrigado a reiventar a nossa economia doméstica, o que eu espero que tenha alguns reflexos positivos, no meio da desgraça. O Natal nunca mais terá quilos de brinquedos (alguns repetidos, alguns que os miúdos já nem tinham paciência para abrir). E as festas de anos nunca mais terão presentes caros que às vezes não tinham utilidade nenhuma. Nem serão mega festas com um número astronómico de convidados com quem nem se tem tempo para estar. Nem uma mesa farta de iguarias que fazem mal à saúde, e que depois vão em parte para o lixo porque eram em demasia. Os armários deixarão de ter quilos de roupa, e vamos voltar a reaproveitar a roupa dos irmãos e dos primos mais velhos. As despensas deixarão de ter tudo aquilo que nos apetece comer (tantas vezes só por sugestão das campanhas de marketing). Vamos dar mais passeios a pé porque o combustível está caro. Vamos fazer mais férias no país. Vamos reaprender mezinhas caseiras porque os medicamentos e a cosmética saem caro. Vamos voltar a plantar no jardim e a reaproveitar os canteiros. A viver com menos gadgets e a falar menos ao telemóvel. Vamos voltar a fazer empadão com restos de carne e comer mais vezes arroz de atum. Vamos fazer mais piqueniques, em vez de irmos a restaurantes. E fazer teatros e dar concertos em casa, porque os outros saem caro.
Sofre naturalmente toda a indústria e serviços que foram criados para sustentar esta nossa sociedade do consumo (e as famílias dos respectivos desempregados, muitos deles que nunca chegaram a saber o que eram estes luxos de que falo). Mas não consigo deixar de pensar que, no meio dos tempos difíceis que se avizinham para todos, aprenderemos a dar mais valor ao que temos, a aproveitar melhor o tempo que passamos juntos e a divertirmo-nos melhor com pouco. Iremos ao osso, mas pode ser que lá encontremos alguma coisa de essencial, que também já nos andava a fazer falta...

E as festas de anos?! Como é que eu vou dar conta a tanta festa de anos? Felizmente os gémeos estão na mesma turma e terão mais ou menos os mesmos amigos, o que representa um x3 em vez de x4. Mas ainda assim, se eles continuarem a ser convidados por todos os amiguinhos da escola (já não conto os filhos dos outros amigos!) serão 26x3 festas de anos, a módica quantia de 78 por ano. E orçamento para tanto presente?!

Hoje, talvez "inspirada" pelas novas medidas de austeridade, estou em orçamentação familiar. E acho que é desta que começo a jogar no Euromilhões, porque isto só vai lá com muita sorte!





O horário é o mesmo há uns quatro anos (obrigada pela oferta, minha cunhada!). Mas digamos que, de há quatro anos para cá que muita coisa mudou nesta casa, e o horário não é mais o mesmo. Está mais velhote. Mas sobretudo mais recheado de actividades. Fato de ginástica, futebol, flauta, guitarra, ballett, baterial, hóquei, buscar, levar, preparar, lembrar, pagar... E nunca como agora dei valor às maratonas e ginástica financeira que os meus pais faziam para me deixar frequentar as quinhentas mil actividades que eu queria fazer, para além da escola.
Nem sempre é fácil proporcioná-lo aos meus filhos, porque eles são mais, porque é tudo mais longe, porque é tudo mais caro, e o tempo e o dinheiro não se multiplicam na mesma proporção da multiplicação dos filhos. Mas continuo a acreditar que uma formação diversificada facilita um corpo são em mente sã. Não creio que venha a ter um filho futebolista, uma bailarina, um músico ou um hoquista profissional. Mas tenho esperança de que toda esta lufa-lufa os ajude a ter mais disciplina, capacidade de organização, concentração, espírito de equipa e doses q.b. de competição. E, se assim for, já terá valido a pena...
Aulas!!!! Casa em silêncio e concentração para trabalhar!!!

(e não é que já começo a pensar que isto tem muito mais graça com eles em casa?)
Evito ver as notícias. Evito pensar no assunto. Evito pensar que poderia ser eu ou um dos meus a estar numa daquelas torres ou num daqueles aviões. Mas por mais que evite o inevitável, em cada 11 de Setembro recordo como sou vulnerável. Como somos todos. E como, por isso mesmo, temos obrigação de dar "aquele" abraço todos os dias...
Hoje a mamã foi à Praça da Alegria, falar dos livros e do Livro da Minha Vida. Os mais velhos, como ainda não começaram a escola, lá "paparam" o programa. Não costumam ligar nenhuma. A mãe diz umas coisas, mostra os livros que eles já conhecem de trás para a frente, e o Nickelodean está à distância de um click e tem muito mais piada, é certo.
Mas desta vez o Sebastião saiu-se com esta, no meu regresso a casa:

- Mãe, vi-te na RTP1.
- Ah, boa, filhote.
- Já foste algumas vezes à RTP1, não já?
- Já, filho.
- Então a RTP1 é boa. Dá-nos sorte. Temos que ver a RTP1.

Ainda o vou ver a manifestar-se contra a privatização do canal, não vá ele depois dar-nos menos sorte e deixar de convidar a mamã.....

A minha Nonô teve a sua primeira aula de ballett!! Confesso que o meu entusiasmo não era menor do que o dela, e ainda me passou pela cabeça que fossem estes meus olhos de mãe a achar que ela tinha jeito e tal, que não falava de outra coisa, e que ia gostar de dançar como a mamã. Mas o certo é que foi raro o dia das últimas semanas em que ela não experimentou pelo menos uma vez o seu fato de ballett. Qualquer música a faz dançaricar, e sim, ela tem jeitinho!
E hoje lá chegou à escola com o seu fatinho e um sorriso de orelha a orelha. As mamãs apareceram com as outras alunas que vinham experimentar e todas elas vestiram as suas filhotas... menos eu, porque a Nonô quis-se vestir sozinha e foi a professora quem lhe fez o troço. Depois as meninas fizeram uma filinha indiana e colocaram os bracinhos nos ombros umas das outras, caminhando tipo lagartas em direcção à aula. Elas lá olhavam para as mães, uma delas choramingou e a minha Nonô... sorriu-me e não olhou mais para trás, concentradinha na sua fila. Lá a vi desaparecer então para dentro da sala e só voltei a vê-la meia hora depois, toda contente.
- Então, Nonô? Como é que foi?
- Foi bem. Dancei bem. Sou bailarina.

E pronto. Se ela acha... a mamã também.
A dois dias de recomeçarem a escola, os meus mai'velhos andam apostados em fazer-me perder a cabeça. Hoje tinham cá um amiguinho e conseguiram virar a casa do avesso, enquanto a mãe tentava fazer telefonemas de trabalho (ao mesmo tempo que lhes fazia gestos ameaçadores) e despachar trabalho (entre ralhetes e castigos variados). Desde guerra de brinquedos a preparação de poções mágicas em copos com os mais diversos ingredientes, houve de tudo! Culminou com a infeliz ideia de fazerem todos xixi para dentro do copo com a última poção.

(Mãe exasperada) Mas o que é que vos passou pela cabeça?!?!
(Afonso, o advogado) É ciência, mami!
(Mãe) Podes ir buscar o que tens no teu mealheiro, que vais pagar os produtos todos que usaste nesta tua ciência.
(Afonso) Mas os cientistas têm que fazer experiências. Eles também gastam produtos.
(Mãe) MAS NÃO FAZEM XIXI NAS SUAS EXPERIÊNCIAS!!!
(Afonso) Os grandes cientistas dão o próprio corpo à ciência, mami...

Teve graça, pronto. Tive que fazer um esforço para não me rir, admito. MAS ESTÃO DE CASTIGO ATÉ AO COMEÇO DAS AULAS!!!
O best-off de Segunda-feira de manhã, made by gémeos:

(Nonô) Mamã, não foste ao cabeleireiro...
(Mãe) Pois não, filha... Mas porquê? Estou muito despenteada?
(Nonô) É melhor pores um elástico...


(Mamã) Dudu, fizeste xixi na cama?!
(Dudu) Não. Choveu.
(Mamã) Dudu, não mintas. De onde é que veio a chuva?
(Dudu) Da pilinha...

Fora isto foi um berreiro para ficarem na escola. Mas prefiro registar só as partes boas :).



Começaram por escolher as fatiotas da sua preferência. Depois, como conjungar uma e outra na mesma brincadeira, é que foi pior:

(Dudu Índio) Anda cá, bailarina!!! Vou-te comer!!!
(Nonô Bailarina) Não, Índio. Vamos dançar...



A fruta deve ser comida com casca e ponto final. Bem lavadinha, é certo, mas aproveitando todas as boas fibras dessa película que a envolve. Os mais velhos já se tinham rendido (ainda que o Sebastião prefira sempre a banana, e a casca desta não comemos), e chegou agora a altura de os mai' novos darem também uso à sua dentição, bem agarrada a uma saborosa fruta com casca.
A intenção era a melhor, eles gostaram e a fruta vai começar a seguir para a escola dessa forma. Não fosse eu ter-me esquecido de explicar algumas regras ao Dudu, e teria sido perfeito:

- Duarte... onde é que está a pêra?
- Comi.
- E o caroços? E o pauzinho?!
- Comi tudo...


Nova encomenda de livros acabadinha de chegar a casa:

(Afonso) O quê, mãe?! Vais ter que ler isto tudo para escrever um livro?!
(Mãe) Vou ter que ler muito mais, filho. Estes são só para começar.
(Afonso) A culpa é tua, que te pões a escrever sobre a vida das outras pessoas. Eu cá, quando for escritor, faço tudo inventado...
Com a aproximação das aulas, voltámos a ter a noite da Filosofia cá em casa. E o tema de hoje, no rescaldo de umas férias bem anárquicas, não podia ser outro que não este: LIBERDADE. Aqui fica o best-off da noite:

(Sebastião) Eu não sou livre porque vivo dentro destas paredes.
(Mãe) Então preferias viver na rua?
(Afonso) Não, mas o Sebastião tem razão. Só os vagabundos é que são livres.
(Mãe) Mas vocês gostavam de ser vagabundos?
(...)
(Afonso e Sebastião) Não.
(Mãe) E já imaginaram se todos fossem vagabundos? Não havia ninguém que trabalhasse, que produzisse o que comer, o que vestir, onde viver...
(...)
(Mãe) Então se calhar não querem viver totalmente livres. Gostam que haja algumas regras e pessoas a tomar conta de vocês.
(Sebastião) Mas os pais não têm ninguém a tomar conta deles!
(Mãe) Claro que têm! Para terem o que comer, beber, onde viver, e um mundo organizado, pagam impostos. E se fizerem alguma coisa mal feita, podem ser presos. Têm liberdade mas também têm muitas regras.
(Cara de "pois")

(Afonso) Então só podemos ser livres se não precisarmos de comer, nem de beber, nem de sítio para viver...
(Mãe) Podes sempre preferir ser uma árvore, Afonso...
(Afonso) Mas elas também não têm liberdade para fugir dos cocós dos pássaros nem dos xixis dos Dudu.
(Cara de "pois" da Mãe)
(Mãe) E os pássaros? Acham que são livres?
(Afonso) Não sei... se calhar também pagam impostos pelos insectos...

Houve muito disparate e risota pelo meio, mas saí do quarto com aquela boa sensação de que eles cresceram qualquer coisa. E que amanhã (nem que seja só amanhã!) vão resmungar menos quando eu lhes recordar as nossas regras...
Não correu mal... mesmo nada mal. Chegámos mesmo na hora em que eles estavam a entrar na sala (com uns quantos a chorar e outros ao colo) e ele seguiram com a manada. A Nonô à frente, o Dudu com ar de choro, mas arrastado pelo rebanho... foi vê-lo desaparecer e desaparecer eu e o pai também, antes que eles resolvessem gritar por nós. Sabemos que o Dudu chorou um bocadinho, mas já não ouvimos. Sabemos que chorou um bocadinho na hora do almoço, mas porque não gostava da sopa. E que chorou um bocadinho à hora da sesta, mas que a Nonô tratou do assunto:
- Calado, Dudu! A mamã já vem!
E pronto. Com manas assim, a mãe nem fez lá falta por aí além.
E, ao final da tarde lá estávamos todos (manos inclusive) para os abraçar e saber as novidades. E a Nonô até amuou, porque queria ficar mais tempo no parque!
Sabemos que haverá dias melhores do que outros. Que haverá lágrimas de vez em quando e birras para não irmos embora. Mas também sabemos que haverá amigos, brincadeiras, jogos, coisas novas para aprender e saborosas metas por alcançar. E que, pondo uma e outra coisa na balança, o saldo será positivo...
O entusiasmo no 1º dia de escola dos ma'i novos. Vamos ver quanto tempo dura...


(Dudu de limpa-vidros e pano em punho, a bodegar a porta):

- Dudu, o que é que estás a fazer?!?
- A brincar às Lanas...
A Nonô é daquelas que costuma "dar para trás" à primeira abordagem. Gosta de virar a cara ao primeiro "Olá", e só depois se deixa conquistar e conquista, com os seus sorrisinhos e beijinhos que nunca são gratuitos.
É assim com os nossos amigos. É assim até com a maioria dos familiares. Mas deixou de ser assim com o primo Z. 6 anos mais velho, está naquela idade em que não se tem a mínima paciência para o sexo oposto (igualzinho ao meu Afonso). Por isso, quando a Nonô resolveu ir vestir-se de espanholita e começar a dançaricar à frente dele, foi difícil conter com o riso com as caras que ele fazia.
- Porque é que a prima está a dançar à minha frente vestida de espanhola?!?
E a indignação era legítima, sobretudo porque ela dançaricava mesmo à frente do jogo de playstation que ele queria jogar, enquanto perguntava:
- Gostas, Z? Gostas?
Z para aqui, Z para acolá, tudo o que o Z fazia ela queria fazer... até que chegou a hora da sesta.
- Só durmo se o Z também dormir.
- Pois, filha, mas isso não pode ser, que o ZM já é crescido e não dorme a sesta.
- Então deixa a porta aberta. E diz ao Z para me vir dar um beijinho. É ele que vai fechar a porta.
Lá desci, com o recado encomendado, e dei a má notícia ao primo:
- Não sei como é que te hei-de dizer isto... mas vais ter que subir e dar um beijinho à tua prima, que ela não dorme enquanto tu lá fores.
Não me conseguiu dizer que não, coitado. Subiu e desceu, encavacado, e pensei seriamente em contratar o primo Z para vir cá a casa todos os dias adormecer a prima Nonô. Até que a sua voz se ouviu, estridente, das profundezas:
- Ó mãeeeeeee! O Z não deu beijinho! Só disse Adeus e fechou a porta!!!

Promete...
Uma bolada no nariz da Nonô. Sangue. Muito sangue. Os pais desvalorizaram e tentaram estancá-lo. Mas o Dudu, em defesa da sua irmã gémea, tinha assuntos a tratar. Primeiro foi ralhar com o mano Afonso, autor do pontapé certeiro.

- Ai, ai, Afonso! Não faz isso. Vai já para o castigo!

Depois foi ajudar a maninha do seu coração (a quem de vez em quando dá umas valentes sapatadas, puxões de cabelos e dentadas. Mas o momento agora não era para isso...).

- Mamã... a Nonô tem que ir ao hospital.
- Ao hospital, Dudu?! Não é preciso.
- É preciso, é.
- Mas olha que se a Nonô vai ao hospital o Dudu não pode ir.
- Pode sim. O Dudu também vai.

Quando percebeu que não ia haver hospital para ninguém, foi buscar folhas de papel e, cuidadosamente, ficou a limpar o sangue do nariz da irmã (já ele tinha estancado, mas pronto).

- Dói, Nonô?

Já não doía. Mas a Nonô gostou e a mamã ficou descansada. Por mais maluco que seja o meu pequeno Dudu, quando a mana tiver um problema, ele será também o mais protector...
Continua a saga para dormir. O argumento do Dudu, ontem à noite, era de ir às lágrimas:

- Eu não quero "domili", mamã... Por favor! Eu "dumo" amanhã...
Para mal dos pecados dos vizinhos, os concertos (desconcertados) têm acontecido cada vez com mais frequência, cá em casa. O de ontem ao final da tarde contou com:

- Afonso na guitarra, em Minuet
- Dudu-Mickey com a outra guitarra, a fazer de tamborete
- Mamã ao piano, a acompanhar, toda alegrete
- Nonô-bailarina a dançaricar e a cantar... em "falsete"

(só faltou o Titão, que estava no hóquei... a fazer um brilharete!)


(Dudu vai ter com a mamã irritado, com um gelado derretido na mão):

- Ó mamã... o gelado?! Desapareceu! Foi o "passalinho"?
Dizia assim o Público de hoje:

"O que é que deixa aos filhos um homem que tem dois mil milhões de euros? Um exemplo de vida, diz ele. "O resto é um património que têm de cuidar, para o qual outras pessoas contribuíram. Meu é aquilo que penso, aquilo de que gosto, aquilo que defendo e que espero que topem."

Podem apontar o que quiserem a Soares dos Santos. Mas tiro sempre o chapéu a quem consegue ser um exemplo para os filhos e incutir-lhes a ideia de que é possível construir castelos no deserto. E fazer a diferença. Um exemplo de luta (tenha ela mais ou menos frutos) gera filhos lutadores. Há excepções. E excepções do aposto (pais preguiçosos que geram filhos lutadores). Mas em geral os nossos filhos são o espelho das nossas próprias acções. E nunca foi tão importante como hoje sermos o exemplo que eles precisam para mudarmos o nosso mundo.
Quando abri o site da Limetree e li...

"Imagine um lugar onde pode guardar momentos da vida dos seus filhos para lhes entregar um dia mais tarde…"

... voltei ao ano de 2006 e à vontade que senti nessa altura de começar a registar aquilo que os meus filhos diziam. A minha memória não dava para tanto, estava entupida de coisas e traí-me já nas coisas pequenas do dia-a-dia. E quando um dia os meus filhos me perguntassem sobre as suas gracinhas? Os seus momentos mais marcantes? As suas viagens? As suas conquistas? Se eu ao segundo filho já me lembrava de pouco do primeiro (que só tinha mais 23 meses), o que aconteceria ao fim de mais uns quantos filhos, que eu desejava ter?
Não, não havia comprimidos para a memória que me chegassem. Era hora de registar o dia-a-dia dos meus filhos. E assim nasceu este "Coisas de Pais". Para um dia poder entregar aos meus filhos aquilo que eles foram, que eu fui, e que fomos e fizemos em conjunto.
Nesse ano nasceu também "O Livro da Minha Vida" (www.olivrodaminhavida.com). Estava rendida ao registo dos momentos importantes não só da minha vida, mas também da dos outros.

Quando percebi há pouco tempo que nascera uma empresa dedicada a registar memórias, desta vez online (https://www.limetr.ee/br/home), sorri. E voltei a sorrir quando, umas voltas da vida depois, fui contactada para ser embaixadora Limetree. Irrecusável, perante tamanha sintonia de vontades e valorização da nossa memória das coisas importantes. Por isso, mães e pais que me lêem, e que por vezes me dizem "Ah, se eu também tivesse jeito para escrever um blog sobre as coisas que me dizem os meus filhos", aqui fica uma boa alternativa, mais restrita, pessoal, se quiserem, mas igual e maravilhosamente transmissível.





(Nonô depois da sesta):

- Ó mamã... tenho um dói-dói aqui no braço. Foi um mosquito que picou. Andou aqui e aqui (à volta da cabeça) e zum, zum, zum...
- Oh, coitadinha. E depois?
- E depois eu disse: "Ó mosquito, pára! Ai, ai!"
- Que maroto, o mosquito.
- Não, mamã. Ele é bonzinho. Eu disse "Ai, ai" e ele parou a birra...

(E até os mosquitos parecem entender as crianças...)
(Mãe em mais uma tentativa de fazer o pequeno Dudu dormir a sesta):

- Deita, Dudu.
- Então conta-me uma história.
- Era uma vez um lindo príncipe chamado Dudu.
- Príncipe, não, mamã. Mickey.
- ... um pequeno Mickey chamado Dudu. Ele vivia num castelo.
- Num castelo não, mamã. Na casa do Mickey Mouse.
- ... ele vivia na casa do Mickey Mouse com a Minnie e o Pluto.
- Com a Minnie e o Pluto não, mamã. Com a princesa Nonô.
- ... vivia com a princesa Nonô e, todos os dias, lutava com um feroz dragão.
- Sim, sim, ele era muito valente.
- Um dia apareceu o lobo.
- O lobo, não, mamã, que eu tenho medo.
- Mas ele é bonzinho.
- Não, só o dragão.
- ... mas antes de lutar com o dragão ele dormia a sesta, para ficar com músculos e ser valente.
- Não, mãe. A sesta também não. Só o dragão.

(Escusado será dizer que não houve sesta para ninguém. Por culpa das inversões de história do Dudu e também da falta de paciência da sua mamã)
- Nonô, estás quase a começar as aulas. Agora vais para uma escola maior, conhecer novos meninos...
- Não, não. Vou para a minha Praceta, com a minha Dita e a minha Carla, e os meus amigos.

O Dudu ainda não parece ter muita noção de que vai mudar de escola, mas a Nonô já percebeu e não aceita. Ando a prepará-la desde o final do ano lectivo, mas não está fácil. Nem para ela nem para mim. Quando saí, pela última vez, do externado onde os meus filhos começaram a saber o que era a escola (e onde os mais velhos andaram também), pensei que a logística a partir de agora seria mais fácil (porque terei todos juntos), e em todas as qualidades da nova escola. Mas não pude deixar de sentir também tristeza por dizer o meu último adeus à "escola dos pequeninos". À casinha de sonhos onde eles aprenderam tantas coisas, e eu outras tantas, com as educadoras e auxiliares que sempre me receberam de manhã com um sorriso no rosto, mesmo quando eu os levava fora de horas, me esquecia das chuchas ou já ia de cabelos em pé.

- Já sabemos que a noite foi dura, mãe... Lemos no blog.

Fiéis leitoras das aventuras desta nossa família, estavam sempre a par das nossas dificuldades, mas também das nossas imensas alegrias. Fizeram também parte da nossa família, ao longo destes anos. E a família nunca deixa de ser família, por isso aqui deixo um Até Sempre a toda a equipa da Praceta. E, claro, o nosso imenso OBRIGADA.

Quanto à Nonô, sei que ela se vai integrar bem na nova escola. Vai fazer novos amigos e certamente gostar muito das novas professoras. Mas também sei que um dia olhará para as suas fotos de infância e sentirá aquele calorzinho bom, que não se explica, e dirá para si: "Eu fui bem feliz aqui"!
Sem os manos mais velhos em casa, adivinhava-se uma semana mais calminha, para a mãe conseguir pôr o trabalho em dia. Mas quem disse que os meus dois pirralhos de 3 anos não viram uma casa do avesso?


(destaco o excelente trabalho da dupla. A Nonô esticava-se para tirar as cruzetas do varão e passava ao Dudu, que tratava de tirar a roupa da cruzeta e atirá-la ao chão. Elegia pelo meio algumas peças para enfiar em si próprio. Foram naturalmente obrigados pela mamã a trabalhar em equipa, sim... mas para arrumar tudinho o que tinham desarrumado!)
E depois de tanto louvar o desenrascanço da minha pequena Nonô, que é uma despachada de primeira, aqui venho eu hoje louvar a autonomia adquirida pelo meu pequeno Dudu nestas férias. Sim, ele pede mais colinho. Sim, ele é mais mimoso. Sim, ele é um bocadinho mais bebé. Mas esta semana saiu-se com duas amostras de perfeito desenrascanço que a irmã não consegue imitar (que mais não seja, porque tem o rabo mais pesado):

- O que é que estás a fazer, Dudu?!
- A lavar os dentes...

"Olha, mamã! Fiz a minha cama..."


Aqui jaz um xixi do pequeno Dudu...


(para quem a imagem não seja esclarecedora, passo a explicar que ele resolveu fazer um xixi contra a árvore e não só lá deixou a sua marca territorial, como também os calções...)
Já está disponível o último artigo que escrevi para o blog da ConsultaClick.pt, desta vez sobre a relação que estabelecemos sobre os pediatras dos nossos filhos. À falta de uma escola de formação para pais (da qual sou grande adepta) fazem eles muitas vezes o papel de professor nesta fase da nossa vida. Obrigada, por isso, a todos os pediatras que nos acompanham nesta grande aventura da maternidade.

http://consultaclick.pt/blog/2012/08/27/coisas-de-pediatras/


Menos um dente cá em casa. Felizmente não um dos pais. Foi um do Sebastião, que já estava a abanar, com outro a nascer por trás. A mãe não consegue arrancar dentes, isso é tarefa ou do avô Luís ou do pai, e desta vez coube ao pai o dito puxão, que tratou de deixar a boca do Titão com menos um dente de leite. O problema foi na hora de decidir o que fazer ao dente.
- Embrulhas, mamã? Para eu pôr debaixo da almofada?
- Mas tu já não acreditas na fada dos dentes, Sebastião!
- Hum... Ainda posso acreditar um bocadinho?
- Vá... dá cá o dente. Pode ser que tenhas sorte.
E, durante a noite, a "mãezinha dos dentes" lá tratou de roubar o dente ao Sebastião e trocá-lo por uma moedinha e uma cartinha que dizia assim:

"Querido amigo Sebastião,
ouvi dizer que já não acreditas em mim, mas não quis deixar de vir mais uma vez visitar-te para te dizer que é sempre bom acreditar nas coisas boas, por mais impossíveis que elas possam parecer. Com a cabeça na tua almofada e de olhos bem fechados, podes ser quem tu quiseres e receberes tesouros todos os dias!
Aqui te deixo hoje um tesouro. Uma pequena moeda que podes sonhar que é mágica. Para mim, o teu dente também é um grande tesouro que vai brilhar no mundo estrelado de dentes do País da Fadinha dos Dentes.
Obrigada por me deixares o teu tesouro. E nunca deixes de acreditar nos impossíveis.

Fadinha dos Dentes"

E o Sebastião, mesmo já crescido demais para acreditar na Fadinha dos Dentes, sorriu. E a Mãezinha dos Dentes ficou feliz :).
Esta semana voltámos às fichas de trabalho (nas quais os mais velhos mal tocaram nestas férias). Coisinha pouca, só para recordar as letras e as contas, que férias são férias! Mas os meus TPF (trabalhos para férias) preferidos são sempre aqueles que não estão nos livros recomendados. E ontem a tarefa foi escrever uma cartinha para a nossa afilhada moçambicana (e se quiserem dar o vosso contributo através do apadrinhamento à distância, não deixem de consultar o site da Helpo, uma das instituições que o promove: http://www.helpo.pt/).
Aqui fica o resultado:

AFONSO (gosto particularmente do "E em Portugal nem uma selva há!")




SEBASTIÃO (a vaquinha é, alegadamente, para a nossa afilhada saber que cá temos vacas...)



Ir ao Continente com os 4 piolhos dá nas vistas. Muito! Enquanto eu tento endireitar o carrinho com todos lá dentro (o Afonso, ultimamente, agarrado do lado de fora, para ajudar a mamã a apanhar os produtos da lista), as pessoas olham e comentam. Umas riem, outras ficam com pena, outras, seguramente, chamam-me maluca.




Mas nem sempre corre mal (muito). Na última ida consegui entrar no supermercado e chegar à caixa com todos lá dentro. O problema foi exactamente na caixa quando, enquanto eu arrumava as compras nos sacos, eles começaram a saltar do carrinho tentados pelas gomas e chocolates que estão ali mesmo para tentar as crianças. No final, entre pagamentos e ralhetes, dei por mim sozinha do lado de fora do supermercado com o único membro da família que consegui controlar...



(Terminou bem, felizmente. Aliciei-os a voltar para o carrinho com a promessa de uma bela corrida pelo tapete rolante. Proposta mais aliciante do que chocolates e gomas...)
E depois de um dia sem sesta, e todas as birras que o impediram, o Dudu passou a tarde a fazer estragos. Ora carregava nos botões do comando da tv a meio do filme do papá, ora mandava almofadas para o chão, ora trepava às prateleiras, ora empurrava a cadeira da irmã para ela cair... Resultado: passou metade da tarde de castigo, a ouvir os nossos ralhetes desesperados. Pela parte que me toca, o pior foi quando ele percebeu que a mesa onde eu estava a (tentar) trabalhar tinha um buraquinho no meio:




- Mamã, mamã... olha eu aqui!

Comecei por achar-lhe graça (o que justifica a fotografia tirada). O problema foi quando fui à casa de banho e dei com isto...


Lá vão mais umas provas de livro danificadas pelos meus filhos para a editora...
Depois de mais de uma hora a tentar que o pequeno Dudu adormecesse, que teve de tudo, desde beijinhos a ameaças, a mamã cedeu e o Dudu foi para cama dos pais ver televisão. Foi uma hora desgastante, para fazer a mamã engolir todas as vezes que disse que os seus 3º e 4ºs filhos dormiam lindamente e que isso era também fruto de alguma experiência acumulada. Uma ova! Hoje foi a prova de que não há experiência que nos valha quando cai em nós o desespero de tentar adormecer um filho e não conseguir.
Pelo meio, felizmente, algumas coisas engraçadas dignas de registo:

- Dudu, a mamã vai cantar uma canção, está bem?
- Sim.
- Dorme dorme, meu bebé... Que a mamã...
- ... cheira a cholé!


- Dudu... se voltares a falar a mamã vai zangar-se muito contigo.
- Mamã?
- O QUE FOI, DUDU?!
- Eu estou feliz.
(Afonso faz uma espera à mamã. Quando ela sai do WC ele ataca-a com uma pistola de água):
- Quieta, mami! Isto é um golpe de Estado!
- Contra a mamã?!
- Não. Não te preocupes. É só contra o Estado, que é uma grande porcaria.
O Dudu é o mais endiabrado dos meus filhos. Para onde se vira sai disparate. Mas também anda pródigo em respostas muito cómicas, que resultam sempre nas nossas gargalhadas. 2 exemplos de hoje:

(Dudu de rabiosque literalmente enfiado na sanita):
- Dudu, então?! Estás preso?!
- Não, é assim. É para o cocó não sair...


(Mamã hoje saiu um bocadinho para ir a Lisboa. Ele ficou chateado por não ir também e quando, a seguir aos banhos, viu a mãe voltar a vestir o mesmo vestido, veio ter comigo, aborrecido):
- Não, mamã! Tira este vestido.
- Porquê, Dudu? Não gostas?
- Não! Esse é para ir a Lisboa.
O meu pequeno Dudu, que dantes era o primeiro a ir para a caminha, agora não quer ficar nela nem por nada. Primeiro achámos que era por ainda dormir na cama de grades, depois achámos que era a excitação da caminha nova (ex. do primo Manel. Obrigada!), pelo meio ainda culpámos a coca-cola (que ele prova de vez em quando... e gosta)... o certo é que ele inventa tudo e mais alguma coisa para não ficar na cama. Ora é o xixi, ora o cocó (que nunca faz), ora é a água, ora é o calor...
Já sem saber o que lhe fazer, e cansada de andar a subir e descer escadas, hoje resolvi ajoelhar-me aos pés dele e contar-lhe uma história no escurinho. Como a história antes de dormir foi de princesas (escolhida pela Nonô, claro!) resolvi seguir com a temática e criar a história do príncipe Dudu:
- ... e o príncipe Dudu encontrou uma princesa...
- Não, mamã. Com princesas, não!
- Encontrou então um sapo e foi atrás dele até ao mar. O sapo disse-lhe para ele dar um salto e o príncipe Dudu deu um salto tão grande que foi parar ao fundo do mar.
- Boa, mamã! Um salto grande, grande!
- Então encontrou o rei dos Peixinhos e umas sereias...
- Sereias não, mamã. Só peixinhos.
- ... e fizeram uma festa no fundo do mar. Depois os peixinhos vieram trazer o príncipe Dudu cá acima.
- Não, mamã! O Dudu veio sozinho, a nadar.
- Pronto, sozinho, e foi parar à sua caminha, porque era hora de dormir.
- Não, mamã. A uma ilha. Onde há um tesouro pequenino...

E pronto. Escusado será dizer que foi pior a emenda do que o soneto. São 11 da noite e está aqui ao meu lado a falar nos castelos e nos peixinhos...
(Nonô a mexer num creme anti-rugas)
- Nonô, não mexas nisso... é para as rugas da mamã.
- Ah, pois... (aponta para a boca da mamã) Tens aqui, ao pé do bigode.

Eu já sabia que ela era observadora, mas tanto, era um bocadinho escusado...
Acabaram-se as fraldas cá em casa! À sesta, à noite, tudo, tudinho, limpinho. Não há mais pacotes de fraldas para ninguém. Um grande obrigada à avó Tó que iniciou o processo. Oferece-se um pacote e meio de fraldas Pingo Doce 18 - 25 Kgs a quem precisar.
E, finalmente, a minha empregada chegou! Dei-lhe primeiro aquele abraço longo e profundo de saudades... depois então mostrei-lhe os baldes de roupa que ficaram por passar... Hoje é dia de voltar a pôr a casa em ordem. E amanhã, com sorte, voltarei a ter cabeça para pegar no meu trabalho...
De qualquer forma, apesar de tudo, o balanço destas 3 semanas foi positivo:
- O Afonso e o Sebastião tornaram-se ás a pôr a mesa e tirar e pôr a loiça da máquina.
- Já fazem a cama (desajeitadamente, é certo, mas é um princípio)
- Deixam um pouco menos rasto do que antes. A roupa já não é tão atirada para o chão, e já fazem caras de aflição quando a sujam, porque sabem que terão de suportar a fúria da mamã.Também já conseguem perceber um pouco melhor o conceito de "tudo arrumado".
- A mamã conseguiu organizar as roupas de verão e do próximo inverno dos 4 filhotes, e conseguiu livrar-se de 6 enormes sacos de roupa velha que estava a entupir a arrecadação.
- A mamã livrou-se de inúmeros sacos de papeladas velhas que estavam espalhados nos seus "mini-escritórios" que existem pela casa.

Balanço positivo, portanto. Agora... que só se repita no próximo ano, por favor!

(e, por último, o lindo presente ucraniano que a Lana trouxe à minha filhota. Também trouxe legos para os rapazes, que estão neste momento a proporcionar-me 5 minutos de sossego. OBRIGADA, Lana!)



A minha pequena Nonô agora deu de pegar no microfone e improvisar canções dedicadas à nossa amizade. Faz aqueles seus olhinhos irresistíveis e emite sons esganiçados muito cómicos com letras... enfim, como é que eu hei-de explicar... São bonitas e tal, reflectem os laços fortes que nos unem, mas são, no mínimo, pouco adequadas para um concerto público. Aqui fica o último exemplo, cantado em plenos pulmões na nossa sala, de olhos fixos em mim:

"Eu e tu,
somos amigas.
Somos meninas.
Porque temos pipi!"
Depois de fazer uma composição a contar as suas férias, resolvi abusar da pré-disposição do meu filho Afonso para trabalhar (o que não acontecia, justificadamente, há umas boas semanas, desde que as aulas terminaram) e pedi-lhe que escrevesse também o que gostaria de fazer nas próximas férias. E o resultado foi:

"Nas próximas férias quero ser o Rei Supremo do Universo. Quero demonstrar a todo o Mundo a lealdade para com as crianças e quero fazer um programa de televisão chamado 'Jorge, o Cadaverzinho'". (uma das Mixórdias de Temáticas que está no top cá de casa)

A sede de poder e o humor de mãos dadas na cabecinha do meu filho. Isto promete...
(Afonso, o gozão)
- Mami... a tua mãe está perdida.
- O quê, Afonso?!
(Afonso mostra o ecrã do meu telemóvel onde se pode ler "MÃE perdida")
(Dudu a escolher os calções de banho):
- Mamã, não quero esses. Esses são de Inverno...
(Perspectiva-se mais um membro da família com boa capacidade de argumentação...)
A 36 horas bem contadas (em versão decrescente, para parecerem menos) do regresso da minha empregada de umas merecidas férias, louvo todas as mulheres (e homens também, claro) que se entregam de corpo e alma à manutenção do lar. Trabalho mais invisível não há. Quando a criançada acorda não pensa que se o chão está impecável, sem os restos de comida do jantar anterior, é porque alguém o varreu e lavou. A cozinha cheira bem. Há loiça limpa e arrumada. A casa de banho não tem restos de dejectos e o chão não está pingado. A roupa está lavada e passada para eles vestirem e haverá comida pronta à hora certa. Quem o fez? Eles até imaginam, mas é difícil dar valor a um trabalho que não se vê (pelo contrário, só se vê quando não é feito).
A minha empregada vai levar um valente abraço quando regressar. Para lhe agradecer todo o trabalho invisível que faz pela minha casa enquanto eu trabalho ou me divirto com os meus filhos.


(Afonso a tentar acompanhar a actualidade política)
- Mamã... quando escreveste aquilo livro do "Eurico, o Insecto" estavas a pensar no Eurico de Melo?



Os panados cá em casa são regados com sumo de limão. Mas a Nonô hoje decidiu que não gostava.
- Não gosto de limão. (x 10)
- Não é limão, Nonô. É Simão.
- Ah, está bem.
E assim a Nonô comeu os panados com limão... desculpem, Simão. E gostou.
5 minutos depois, o Dudu já de prato limpo e à procura de mais:
- Quero mais panados com Simão...
Os meus filhos mais velhos estão absolutamente fãs da Mixórdia de Temáticas. O pai compila e chegamos a ouvir no rádio do carro, assim às 20 de seguida, dependendo da duração da viagem.
Mas aquela em que ouvi os meus filhos rir mais alto, descontroladamente, a ponto de o Afonso dizer entre soluços "Ai, mãe... este Ricardo Araújo Pereira é hilariante!", foi a do "Jorge, o cadaverzinho". Não tenho graça para a conseguir explicá-la como deve ser, por isso ela aqui fica, para quem ainda não ouviu:

http://www.youtube.com/watch?v=nNDd0SLb0OY
(Mamã ao telefone com a Nonô):
- Como estás, minha filhota?
- Grande... e gorda.
(Dudu intervém, ao fundo)
- Gorda no rabo!

(Estava à espera de ouvir esta conversa quando eles tivessem uns 14, 15 anos. Aos 3... sem comentários!)
(Quando o Fonso e o Titão perceberam que iam fazer um cruzeiro, um dos seus sonhos depois de um ano inteiro a ver o Zack e Cody do Nickelodean. Só souberam mesmo à entrada do barco, e mesmo assim eles ainda pensavam que os estávamos a enganar):
- Eu sei que tu não gostas que eu diga "bué", mami, mas isto é mais do que muito bom. (Afonso)
- Estou tão emocionado que até fiquei com soluços. (Sebastião)


(Mãe e Afonso no Vaticano)
- E quando morre o Papa os principais bispos juntam-se todos numa sala para decidirem quem vai ser o próximo Papa.
- E como é que decidem? Fazem uma luta até à morte?

(Mãe e Sebastião em Itália)
- Sebastião, aqui tens que dizer os nomes das lojas em italiano: "Stazione", "libreria"...
- E se for uma loja dos chineses?


Quiz-show ao Afonso no regresso a casa:
(Sobre Florença):
- Ainda te lembras como se chama aquela cidade onde fomos?
- (...)
- Começa por "F"...
- Floribela??
(Sobre a Córsega):
- Lembras-te do nome daquele homem importante francês que nasceu na Córsega?
- (...)
- Começa por "N"...
- Nikola Sarkosi?




O sentimento primeiro foi o de "coitadinhos dos meus pequeninos" que ficam em terra. Várias vezes me perguntaram: "E os gémeos não vão convosco esta semana?". Não, não vão. Não foram. Custou-me, mas quem tem famílias grandes como a nossa (ou ainda maior) sabe como é difícil darmos atenção a todos os filhos, de acordo com a idade, expectativas e feitios de cada um deles. À custa de só ter 2 braços, e eles terem andado já suficientemente ocupados com os dois piolhos mais novos, sentia que me escorregava pelos dedos o crescimento da vida dos meus mais velhos. Entre os ralhetes e as responsabilidades a eles atribuídas, lá ia faltando o tempo para as conversas, para uns ralhetes mais direccionados, para umas orientações mais particulares, para uma aprendizagem mútua e uma partilha sem tanta pressa nem ocupações.
A última semana teve tudo isso. A bordo de um barco, demos mergulhos, fizemos torneios variados, vimos filmes, explorámos cidades, zangámo-nos e rimos várias vezes uns com os outros, e voltámos mais próximos. A mãe teve os braços livres para o Fonso e Titão (ultimamente mais amparados nos braços do pai) e até teve oportunidade para perder vários jogos de cartas (e não é que os safados me ganham?), de dar um valente tralho a patinar no gelo (enquanto eles voavam sobre os patins) e ver pela décima vez o Indiana Jones (sendo que a última tinha sido há uns 25 anos...).
Morrei de saudades dos meus gémeos pequeninos mas encontrei-os mais crescidos (as férias nos avós fazem milagres!) e trouxe também dois filhos mais velhos ainda mais velhos. Eles cresceram. E nós, estou em crer, também crescemos como família.
E agora... agora é a 6 outra vez! E que bom que é... :)

- Mamã, mamã! Olha... sou eu e tu.
(palavras para quê?)

(Afonso no seu "despassaranço" habitual):
- Mami, quando é que vamos para Mochilaga?
- Para onde, filho?!
- Então não vamos a Mochilaga?
(Ele sabia que era um sítio com nome de saco e acabava em "ga". Só faltou acertar com o tipo de saco...)
(Nonô, depois do banho, escondeu-se durante alguns minutos na sua casa de banho, às voltas com uma toalha):



- Pronto, mamã, já está. Igual à mamã.
(ressalvo que os manos mais velhos ainda hoje não sabem como a mamã consegue enrolar uma toalha à cabeça)

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(Dudu, depois do banho, resolve ir sozinho vestir o pijama, à semelhança dos irmãos):


- Mamã... vesti o pijama sozinho.
- Ó Dudu, mas a parte de cima é de um pijama de inverno... e essas sapatos são só para as festas.
- Eu gosto assim, mamã. Hoje é festa.
(e com argumentos destes, quem consegue contrariá-lo?)
(Afonso a ver a aterragem em Marte):
- Uau! Hoje foi um grande dia para os NASianos.
- Tu por acaso sabes o que é a NASA, filho?
- Sei. É uma espécie de EDP. Uma marca para astronautas.
(As coisas que o meu filho sabe............)
Depois de sucessivas asneiras e consequentes pedidos de desculpa imediatos do meu Dudu, olhei-o zangada e disse-lhe:
- Chega de desculpas, Dudu! Só podes pedir desculpa se for uma desculpa sincera!
E virei costas para baixar o volume interno e enxertar mais uma dose de paciência na minha exaltação.
- Mamã...
- Diz, Dudu.
- Desculpa sincera...
E se eu já perdoava as outras, quem é que resiste a perdoar as sinceras? Comi-o de beijos e pronto... ele continuou a fazer asneiras.

Hoje a manhã foi passada na Academia de Santo Amaro, com "A Bela e o Monstro".
Para variar saímos atrasados, para variar houve stress (como não haver multibanco e a mãe ter que voltar ao carro para ir levantar dinheiro, nas ruas anexas, em contra-relógio. Valeu-me a prima Maria e um pacote de bolachas, para controlar as hostes). Mas, para variar também, o saldo da aventura foi mais do que positivo!
- A Nonô delirou com a Bela, e batia-me no braço para me sorrir.
- O Dudu adorou os "leãos" (que na verdade eram lobos).
- O Sebastião soltava das suas gargalhadas efusivas sempre que aparecia o amigo trapalhão do Gastão (Sérgio Paulo).
- E o Afonso divertia-se a tentar perceber a forma como o cenário mudava e os actores se distribuíam pelos papéis.
No final, houve direito a foto com o elenco, festinhas no Monstro (Miguel Dias) e a Nonô ainda bateu o pé porque queria "Ota vez".
Saímos de lá, portanto, todos felizes e contentes. Mas só há pouco, antes de os deitar, percebi o verdadeiro efeito que a peça tinha tido neles. Por brincadeira, tirei da prateleira o livro da "Bela e do Monstro" e fui ter com eles a cantar o tema principal. A Nonô e o Dudu começaram a bater palminhas, entusiasmados, enquanto o Afonso e o Sebastião gritavam: "Não! Mais coisas de Amor, não!". E a história acabou por ser mesmo essa. Mas ligeiramente adaptada, para todos os gostos e idades.
- Há muito muito tempo, bem há bocadinho, ali em Lisboa, um lindo príncipe, que por acaso também fazia de Lumiére e de bibliotecário, desprezou uma velhinha que procurava ajuda. A velhinha na verdade era uma bruxa, que lhe entregou uma rosa... de plástico.
E por aí fora. As florestas transformaram-se em papéis de cenário, os lobos eram pessoas que não conseguiam libertar-se dos fatos onde se tinham aprisionado, o pai de Bela (que na peça desapareceu, para a tornar mais curta) afinal ressuscitou e foi não a uma feira de invenções, mas antes de mortos-vivos... E desta forma conquistei a atenção dos dois mais velhos, para quem a magia das histórias de encantar já tem que ser um bocado mais "cool", sem defraudar a magia dos pequenotes. O Dudu foi dormir ainda a dizer que tinha gostado muito dos "leãos". E a Nonô levou com ela o livro para a cama. E, antes de eu fechar a luz, disse-me baixinho: "Mamã... Já tenho saudades do Monstro".
Segue-se a Alice no País das Maravilhas, na Quinta da Regaleira. Depois, claro, de uns valentes dias para eu respirar fundo e me preparar para outra aventura cénica em família.



Hoje foi a loucura do camarão cá em casa. Produto do dia no Continente, foi o nosso banquete ao jantar e num instante despachámos um quilo de bicharada. O pai descascava para uns, eu descascava para outros, e o Afonso tentava descascar sozinho, resmungando contra esses alegados privilégios de filho mais velho.
Foi, no entanto, do Dudu, o melhor comentário, quando o pai lhe entregou um camarão com um pedaço de casca:
- Olha, papá. Este ainda tem o pacote...
- Mamã, posso fazer uma massagem na tartaruga?
A minha Nonô é sofisticada, sei lá! Em vez de festas nos animais, faz-lhes massagens...



O fato é só para 4 anos, mas ela insiste que é a Nonô-bailarina. Veste-te (hoje com ajuda da prima, que lhe pôs as meias e tudo!), vai buscar as minhas sapatilhas de ballett e vem entregar-mas:
- Mamãzinha... vamos "dançaí" ballett?
E depois olha para mim e diz com pena:
- Oh... não tens saia... A Nonô compra, sim?
E não é que hoje, em plena Sportzone, ela e o papá encontraram uma saia de bailarina para a mamã?
(não comprámos, ok? Voltar a calçar as pontas ainda vai. Maiô... talvez um dia, se ela continuar a chamar-me de "mamãzinha". Mas sainha de ballett para rodopiar pela casa parece-me um pouco too much...)
(Dudu arrisca-se e lança-se das escadas da piscina para o seu interior. Braçadeiras postas, mamã por perto, tudo controlado, mas ainda assim uma grande aventura para quem ainda está a ganhar confiança com a água. E a sua alegria foi vibrante):
- Mamã, mamã! Eu "consego"!
- Boa, Dudu.
- Mamã, mamã! (sorriso ainda mais irresistivelmente triunfante) É bom conseguir.
(E são destas pequenas constatações que se fortalece a auto-estima dos nossos filhos).
Terceiro dia sem Lana e continuamos todos inteiros. A casa está limpa e arrumada, até mais organizada do que antes (porque tive entretanto um ataque de organizativite-de-papelada-aguda), a roupa ainda não acumulou e ainda não há cotão nos cantos. O pai arranjou um esquema com os mais velhos que consiste em deixá-los responsáveis por certas partes da casa (com castigos de ausência de televisão quando essas mesmas partes aparecem desarrumadas) e de repente eles até já fazem a cama e põem a louça na máquina (gémeos incluídos).
Quando a nossa empregada se estava a ir embora, eu disse-lhe:
- Descanse bem, e prepare-se, porque quando voltar nem vai conseguir entrar em casa, tamanha vai ser a confusão.
E não é que hoje até dei por mim a pensar que talvez conseguíssemos organizar-nos sem termos uma pessoa a trabalhar em nossa casa o dia todo?
(Mas foi um pensamento breve, ok? Tão depressa veio como foi. Volta, Lana, e depressa, que esta nossa organização familiar não dura para sempre!).
(Nonô a preparar uma malinha para ir para a praia):

- Mamã, posso levar a minha filhinha?

(E digam lá que a minha neta não vai para a praia toda fashion...)


(Mamã no WC)
- Nonô, trazes papel higiénico à mamã?
- Sim!
(Nonô desaparece para o interior da casa e aparece com isto):


- Só isto, Nonô?
(Nonô imita a mamã)
- Não se pode gastar...

Mai'nada!

Neste pequeno cubículo, tomaram hoje banho Mamã (Presente!), Afonso (Presente!), Titão (Presente!), Dudu (Presente!) e Nonô (Presente!).
Desengane-se quem pense que não couberam todos lá dentro. Andaram às cotoveladas e às pisadelas, mas acabaram todos lavadinhos e cheirosos. Pelo meio, o Dudu ganhou a alcunha de "puxa-pilas", a Nonô alcunhou o Afonso de "rabinho de papel" (por causa da marca do fato de banho) e houve batuques nas nádegas que provocaram uma "Dança do Banho" imperdível.
Será assim nas próximas 3 semanas, enquanto a nossa querida Lana estiver fora, a gozar as suas merecidas férias na Ucrânia. Hoje foi divertido. Cheira-me que daqui a 3 semanas já vamos estar a arrancar cabelos...
Ontem aventurámo-nos numa uma ida nocturna à Feira Medieval de Óbidos. Os miúdos adoraram, aguentaram-se até quase à meia-noite sem pestanejar e, a avaliar pelos comentários de hoje, será uma experiência a repetir:

(Dudu)
- Gostei dos cavalinhos. E dos robots... (leia-se cavaleiros de armadura)

(Afonso)
- Pensava que uma liça "apeada" era uma batalha com piada.

(Nonô e Dudu a brincarem)
- A Nonô é a princesa.
- E o Dudu é o palhaço. (leia-se Bobo da corte)

(Titão)
- Se as espadas eram a sério, como é que eles furavam as barrigas e não morriam?
- Era tudo encenado, filho. Eles enfiavam as espadas entre a barriga e o braço.
- Ah, boa! Afonso, podíamos treinar...

(desde que não se lembrem de ir buscar as facas ou as ferramentas do papá...
Prometem-se uns dias bem medievais cá por casa, nos próximos tempos...)


(Ontem):
- Dudu, sabes que a mamã e o papá hoje fazem anos de casados... (10, para que conste em registo)
- Eu também. (pensa) E o Mickey.
E não é que, ao chegar a casa, tive a surpresa de ver publicado na revista Pais&Filhos o artigo sobre as M@es Bloggers, onde mãe e filhos cá de casa aparecem a dar o ar da sua graça e a falar deste CoisasdePais? Deixo só a foto para aguçar o apetite. Não sei que milagre fez o fotógrafo, mas ninguém ficou a fazer caretas nem de costas nem a coçar a cabeça ou a tirar macacos do nariz. Um inédito!



Uma semana inteirinha de férias sem filhos (e sem blog. Desculpem!!). No primeiro dia chamei-me egoísta, irresponsável, negligente, desapegada, e outras coisas parvas que buzinam aos ouvidos das mães-galinhas quando deixam os seus filhos para ir para o bem-bom. Felizmente esta galinha tem um galo que a obriga a deixar o ninho de vez em quando para ver o mundo fora da capoeira. E, no segundo dia, ultrapassada a questão da culpa, dormi, dormi, dormi. E a partir do terceiro dia aproveitei, aproveitei, aproveitei. E depois as saudades começaram a chegar, a chegar, chegar. E eu telefonei, telefonei, telefonei. Mas descansei, descansei, descansei.
E hoje, quando cheguei, e abracei e beijei e apertei os meus piolhos, era uma mãe renovada, cheiinha de paciência e de amor para dar, preparada para mais umas valentes aventuras de mãe.
Os piolhos retribuíram em beijinhos, abracinhos e histórias vividas em casa dos avós e nos passeios que deram com eles. Que crescidos estavam! E a frase do Sebastião disse tudo:
- Ai, mamã, tive tantas saudades da minha caminha! Mas mesmo assim não foram tantas como as saudades que eu tive de vocês...
(Mãe nas despedidas, antes de uma semaninha sem filhos):
- Portam-se bem em casa dos avós?
- Sim, mãe!
- Afonso e Sebastião... prometem que se disserem alguma coisa engraçada ou ouvirem os manos dizer algo diferente e curioso, escrevem, para depois contarem à mamã?
- Sim, mãe. E para depois pores no blog.
Feito. Boas férias!
Dudu sopra insistentemente numa vuvuzela, intercalando a sopradela com uns goles de iogurte de morango. São 10 da manhã e a mãe já entrou em modo "deixa andar".
De repente, Nonô consegue roubar a vuvuzela ao mano gémeo e começa a limpá-la cuidadosamente no seu pijama.
- O que é que estás a fazer, Nonô?
- A limpar. O Dudu tem bigodes...

Não, não somos estes todos. Mas quase! Está uma toalha a mais para a pista ficar mais longa. É que, à custa de um saboroso declive na relva, houve meia hora de rebolanço que os divertiu a valer. Não sou propriamente nostálgica em relação a nenhum momento da minha vida, mas que hoje dava tudo para ser criança, isso dava!
- Mamã, a Nonô está a pintar as unhas!
Pois que se abarbatou do meu verniz rosa shock e resolvou ir pintar as unhas dos pés e das mãos na sala, a ver televisão. Pintou metade de um pé, metade de uma mão, o sofá, as almofadas do sofá... Estavam lindas, com pinceladas rosa shock! E agora estão ainda mais lindas, com manchas de tecido esfregado com acetona. Combinam com a zona do sofá onde o papá costuma deitar a cabeça, e que hoje foi regada com um valente chichi também da Nonô.
Prestes a ficar 3 semanas sem empregada, teme-se o pior. Não sei se a casa vai ficar em pé. Os cabelos da mãe, seguramente, em pé ficarão...


E de repente, enquanto os meus 4 filhos pulavam divertidamente no trampolim gigante que arranjámos cá para casa, um deles lembra-se de tirar os calções e desafiar os irmãos. Qual foi, não sei. Sei que, algum tempo depois, tinha 4 filhos a pular com as partes baixas à mostra:
- Se não se vestirem nos próximos 30 segundos, tiro-vos uma fotografia e ponho no blog!
Os mais novos não perceberam, mas os mais velhos vestiram-se num ápice e não repetiram a brincadeira! Parece que afinal este blog pode ser uma boa ferramenta aqui para a mami...
(Filhos na galhofa. Mãe, para variar, ao computador. Filho Afonso aproxima-se com uma máquina fotográfica de brincar e finge tirar umas fotos à mãe e ao computador):

- O que estás a fazer, Afonso?
- Sou um paparazzi. E amanhã vai sair no jornal "A mami e o seu computador. Será que eles algum dia vão separar-se? Será que não?"

(Eu prometo que em Agosto a manchete vai ser "Escândalo! Mami separou-se do seu computador! Quantos dias durará esta separação?". Vai durar pouco tempo, e vai ser daquele tipo de separação que depois fortalece a relação. Mas pronto. A mami promete que, enquanto estiver separada, vai fazer por aproveitar bem a vidinha...)
Depois de 4 dias nos avós, os gémeos estão de regresso a casa. As saudades eram muitos. E só as saudades tornaram suportáveis as quase 3 horas de viagem entre Évora e Lisboa. Acidentes, regresso da praia, regresso de fim-de-semana, trânsito entupido... mas, pelo meio, também conversas imperdíveis com os "mais novos".

(a tocar "Carta" dos Toranja)
(Dudu) Olha, mamã! A minha música!
(Mãe) É tua, Dudu?
(Dudu, convicto) Sim.
(Por que razão ele acha que é dele, não sei ao certo. Mas a verdade é ele cantarolou grande parte da letra, sorridente.)


(Nonô vê o Cristo Rei, cheio de luzinhas)
(Nonô) Ah, mamã! É liiiiindo!
(Mãe) É o Cristo Rei.
(Nonô) Não é, não, mamã. É uma menina. Tem vestido.

(Mamã e Sebastião a caminho da Feira do Livro da Ericeira):
- Mamã, sabes que eu pensava que o sol só brilhava um bocadinho em Portugal, depois ia brilhar em Espanha, depois em França... Mas depois aprendi que era a Terra que girava à volta do sol.
- Boa, Sebastião!
- E também pensava que havia só o planeta Terra. E depois aprendi que há muitos, muitos...
(E assim evoluiu o Sebastião, em 6 anos de vida. E assim evoluiu a espécie Humana, em milhões de anos de existência)
Para quem ainda tinha dúvidas, aqui fica a prova de que o melhor ATL é mesmo a casa dos avós. Depois de uma manhã a brincar com os patos, a andar de baloiço e a fazer casinhas no alpendre, a tarde foi dedicada à culinária. E nem mesmo o dedo entrapado do Dudu o impediu de fazer uns bolinhos enfeitados. A avó enfiou-lhe uma luva de borracha e toca de pôr as mãos na massa!
Depois de 4 dias de intensa brincadeira em Évora, não sei sinceramente se eles amanhã vão querer voltar para casa...



(Sebastião) Vais tirar fotografias aos teus livros novos? Não é justo!
(Mamã) Queres ser tu a tirar, Sebastião?
(Sebastião) Não! Quero é aparecer...

E pronto. Aqui vos deixo os meus novos filhotes de papel, nas prateleiras das livrarias a partir da próxima semana. Lindos, lindos! Quase tão lindos como os olhinhos meigos do meu Sebastião...


A prova de que os meus filhos mais velhos conhecem bem a sua mãe...

(Sebastião, depois de discutir pela milésima vez com o seu irmão Afonso)
- Ó filho, porque é que, quando te chateias, começas a gritar e a barafustar com os braços?
- Se calhar porque tu sou teu filho. Tu fazes o mesmo...

(Afonso, depois de atirar um Pin&Pon da janela para o jardim)
- O que é isso, filho?!
- Não te preocupes, mami. Era só tipo palerma que saltou da janela.
- Afonnnnnssoooo!
- Ai, desculpa! Para tu gostares eu tenho que dizer "Era só um adolescente que perdeu o sentido da sua vida e resolveu pôr fim à sua existência..."


(Mãe a trabalhar freneticamente. Ou melhor, a tentar. Afonso a circular à sua volta, com ar de gozo):
- Mãe, o que estás a fazer?
- Mãe, estás de castigo?
- Mãe, estás despenteada.
- Mãe, porque é que ainda estás de pijama?
- Mãe, mãe, mãe, mãe, mãe.
(Mãe explode)
- Bolas, Afonso! A mãe está aflita! Tiraste a manhã para me chateares?
- Sem stress, mami. São apenas os meus rituais de passagem.
(Agora digam-me o que é que eu lhe faço..........)
(No carro, Mãe sozinha com o filho mais velho - o que nos últimos tempos tem sido raro!) - Parte II

(Afonso) Eu gosto do Conservatório, mas as músicas são um bocado abebezadas. Da estrelinha, do caranguejo...
(Mãe com ar de gozo) Estou a ver. Tu gostas mais de música da pesada. Ora vê lá então se gostas desta.

(Mãe põe a tocar "O Rei do Bairro Alto", de Pedro Abrunhosa. Canta como se não houvesse amanhã)

(Mãe) Então, filho? Gostas mais deste estilo?
(Afonso) Mais ou menos. Mas é um bocado anos 80...

(E pimbas! A Mãe cota vai abster-se de fazer mais comentários, ok?)
(No carro, sozinha com o meu filho mais velho - o que nos últimos tempos tem sido raro!)
- Tu e o Pai têm-me ensinado muita coisa importante.
- Ai é, filho?
- Sim. Por exemplo quando dizem que é já estamos a chegar, ainda demoramos horas. E quando dizem que é já ali, ainda é muito longe.
- Tudo coisas importantes, filho. Que o Tempo e o Espaço são relativos. É uma grande lição para a tua vida.
(Para quem saiu apressadinho como a Mãe e como o Pai, seguramente uma grande lição de paciência. Nem ele sabe o quanto lhe vai ser útil!)
É oficial! O meu Dudu adora médicos e hospitais. Hoje, quando lhe dissemos que ia trocar o penso do seu dedo pela terceira vez, deu pulos de alegria e correu ao quarto a ir buscar os sapatos e os seus brinquedos para a viagem.
- Calma, Dudu! Não é já!
- Nonô, Dudu vai ao ho'pital. Afonso, Titão, Dudu vai ao ho'pital!
Até a Cuca, a nossa cadelinha, teve de ficar a par da novidade, através da janela.
- É por causa do doi-dói, Cuca. Dudu vai ao ho'pital.
Quando finalmente chegou a hora, já era de noite, hora de birra de sono, mas o Dudu estava de pestana bem aberta e sorriso rasgado nos lábios.
- Estás contente por ir ao hospital, Dudu?
- Sim, mamã. Muito, muito!
E, no caminho, nada de chorar, adormecer ou pedir chucha. Foi alegremente no seu lugar, cantarolando, e lá foi vendo o edifício e os apetrechos da sua eleição: a ambulância, os bombeiros, as "shinhoras" e os "shinhores" doentes, os médicos...
No nomento de tirar o penso e mostrar o dedinho esborrachado, foi vê-lo seguir as indicações e observar atentamente todos os procedimentos, com um sorriso digno de uma fotografia. Desta vez trouxe de presente uma seringa de plástico, e assim que chegámos a casa saiu-se com esta, para a nossa cadela:
- Cuca, Dudu já chegou. Foi ao ho'pital. Dudu vai dar um pic-pic no gato.
Agora fiquei na dúvida se o rapaz tem vocação para médico ou para veterinário. Vamos ver amanhã se o gato sobrevive ou não...


Uma casinha para quatro. Durou até os manos rapazes serem obrigados a fugir de lá em debandada:
- Socorro! A Nonô deu um pum!


Fartinha de ter que trabalhar tanto e ver-me grega para sugerir brincadeiras aos meus filhos que os afastem da televisão, hoje resolvi pegar neles e levá-los ao teatro. Há muito tempo que não conseguíamos ir, ou pelo meu trabalho, ou pelos jogos de hóquei dos mais velhos, ou porque os teatros só davam para os mais velhos e não tinha com quem deixar os mais novos, ou porque quando ligava já não havia bilhetes... Mas hoje a coisa deu-se. E lá fui eu com os 4 piolhos para o Centro Cultural da Malaposta, para ver a última representação do Soldadinho de Chumbo.
- Mãe, quero bolachas...
- Mãe, quero chichi...
- Mãe, o GPS estava a mandar-nos para o outro lado...
Dez minutos depois de sair de casa e começava a dar razão ao pai, que me chamou maluca por me aventurar sozinha numa ida ao teatro com os 4.
Finalmente, depois de uns choros e de umas desorientações, lá avistei o teatro. Infelizmente deixei passar o parque, o que implicava que teria que dar uma nova volta a Odivelas para lá conseguir entrar.
- Afonso... vais sair do carro, entrar no teatro, e dizer a alguém que a tua mãe está aqui fora com os teus 3 irmãos pequeninos e precisa de parar o carro aqui à porta.
- E eles vão deixar?
- Afonso... tens que dizer que és tu e mais 3 irmãos! E que a tua mãe está atrasada e aflita.
3 minutos depois, vi aparecer lá de dentro um simpático senhor cheiinho de pena de mim que lá retirou a corda que vedava o acesso aos lugares dos autocarros das escolas, e lá me deixou estacionar. Afinal de contas, eu estava com uma carrinha de 7 lugares! Era quase um mini-bus de filhos!
Foi assim que conseguimos entrar no teatro a horas, chamando imediatamente a atenção de todas as simpáticas mães e pais que se tinham deslocado ao teatro com os seus filhos.
- São todos seus? - perguntou logo uma senhora mais ousada.
- É verdade. Todinhos.
E os menos ousados cochichavam, espantados. Eram só 4, mas todos de igualzinho a entrar por ali adentro de mãos dadas, chamava a atenção de qualquer um, tenho que admitir.
E depois, finalmente, o teatro. Lindo. Emocionante. Com os mais velhos a subir ao palco, o Dudu a cantar e a tentar bater calmas com a sua mão ligada, e a Nonô vidrada na linda bailarina, sorrindo-me com vontade de ser ela a vestir aquele tutu... É certo que tive que enfiar umas bolachas às escondidas na boca do Dudu e da Nonô. Que tive que controlar a vontade de interacção do Afonso e do Sebastião. Que não deixámos a casa de banho dos deficientes tão limpa e aprumada como estava. E que os meus filhos trocaram várias vezes de lugar, em diferentes composições manos-com-manos, filhos-com-mãe, sem que eu conseguisse controlá-lo em todas as vezes. Mas, no final, não podia ter ficado mais contente por me ter aventurado a sair de casa. Os meus piolhos mostraram o que valiam. E vá (que a mãe hoje precisa de uns miminhos) eu também...


(Mamã a trabalhar com os dois piolhos mais novos à perna)

(Dudu) - O Dudu é uma aranha!
(NonÔ) - A Nonô é uma borboleta! Anda, mamã! Vamos fugir da aranha.
(Mamã) - A mamã não pode. A mamã é uma árvore.
(Nonô e Dudu) - Ah...

(Por agora funcionou. Mas é melhor começar a pensar já noutro boa desculpa...)
E quando acordamos suavemente e vemos a nossa filhota deitada ao nosso lado, de olhinhos abertos, a observar-nos a dormir, enquanto nos faz festinhas suaves no rosto?
O que lhe passaria pela cabeça, nessa hora?
Talvez o mesmo que passa pela minha quando vou espreitá-la, à noite, a dormir, e lhe faço também uma festinha.
Vejo-a agora no seu corpo independente. Ela vê-se também fora de mim. Mas, de alguma forma, continuamos uma na outra. E isso é muito bom.
Hoje a brincadeira ao final do dia consistiu em perseguições pela casa fora, onde o perseguidor rugia como um leão mas era, supostamente, o homem-aranha. Foi o Duarte a escolher a brincadeira, e começou por se ele o homem-aranha. Depois fui eu. E por último chegou a vez da Nonô.
- Ó mamã... eu não quero ser Homem-Aranha.
- Ah, claro! Tens de ser Mulher-Aranha.
- Não. Não quero.
- Então e se for Menina-Aranha.
Mas ela continuava com ar desconsolado.
- Já sei, Nonô! Vais ser Princesa-Aranha.
E ela sorriu! Perseguiu-nos, a rugir assustadoramente, mas na pele de uma linda princesa-aranha...
Jogos Sem Fronteiras no tapete. Claro que acabou em choro mas, enquanto durou, foi bem divertido!


Há 147 anos, no dia 4 de Julho, era publicado em Inglaterra o livro "Alice no País das Maravilhas", de Lewis Carroll. Desde então, crianças de todo o mundo espreitam para dentro de tocas com redobrado interesse, celebram o dia do Não-aniversário, comem cogumelos à espera de crescer e temem a Rainha de copas quando jogam às cartas.
Obrigada Lewis Carroll, em meu nome e em nome dos meus filhos. Um dia quero escrever um livro assim...


Mais uma manifestação da diferença entre meninas e meninos. O bolinho da Nonô é o da esquerda. Tem 5 velas (segundo ela, a idade da mamã). O do Dudu o da direita, despachado em 30 segundos para também ter o que oferecer à sua mamã. Palavras para quê? Somos espécies diferentes. Ambas maravilhosas, mas talhadas para diferentes métodos e tarefas, não há dúvida...


Os meus filhos mais pequenotes agora deram para brincar aos bebés na barriga. Só a brincadeira, em si, é comovente, mas os pormenores da mesma são de ir às lágrimas!

(Nonô, a mais ternurenta):
- Mamã... tenho um bebé na barriga.
- E como se chama o teu bebé, Nonô?
- Chama-se Mamã. Mas é uma Mamã pequeniiiiiiina!

(Dudu, o mais maluco):
- Mamã, o Dudu tem um bebé na barriga.
(cai o bocado de papel higiénico que ele tinha colocado debaixo da blusa)
- Oh, mamã! O bebé caiu...
(é a prova de que temos que ser nós, meninas, a segurá-las nas nossas barrigas...)
Lembro-me de ser miúda e de ter um gatinho pequenino, amarelinho, que sofria dos intestinos e soltava uns gases horríveis, que me levavam a pô-lo no chão e a mandá-lo à sua vidinha.
Hoje, esse cheiro voltou-me ao nariz. Desta vez libertado pelo meu filho Dudu, que ontem comeu o que não devia nas 4 festas de anos que percorremos durante a tarde. Batatas fritas, gomas, smarties, rissóis... e hoje o meu Dudu virou gatinho. Com a vantagem (para ele) e a desvantagem (para mim) de que não consigo tirá-lo do colo e mandá-lo à sua vida. É esfregar-lhe a barriga e aguentar o cheiro.
Depois de meses e meses a desejar que os miúdos entrem de férias e se acabem os horários, os testes, os cansaços, as correrias, eis que chega o Verão e... começa a confusão. A mãe a tentar trabalhar com os filhos todos à volta. Paletes de iogurtes e tostas em barda ao pequeno-almoço e lanche. Televisão tendencialmente ligada por eles, e eu atrás a desligá-la para os obrigar a brincar longe do ecrã. Bananas, MUITAS. E um panelão de sopa por dia. Roupa pelo chão. Migalhas por todo o lado. E telefonemas importantes com ruído de fundo.
Em Agosto serei deles e será muito bom. Mas em Julho serei uma mãe oficialmente desesperada...


Hoje a nossa casa foi "invadida" por um fotógrafo e uma jornalista da Pais&Filhos, que quiseram conhecer-nos para fazer um artigo sobre este blog. Uma experiência ousada, sendo que este foi o primeiro dia em que tive a filharada toda em casa depois de um Domingo caótico sem empregada, e consequentemente:
- Casa toda desarrumada
- Filhos em êxtase porque estarem em casa sem correrias e horários apertados.
A conversa com a jornalista Ana Sofia Rodrigues foi informal e divertida, enquanto os pequenos viam televisão, já aprumadinhos para a fotografia que se seguia. E essa foi, sem dúvida, a parte mais desafiadora. O fotógrafo lá espreitou os diferentes espaços, estudou hipóteses, e acabou por optar pelo quarto dos brinquedos, que estava absolutamente caótico. Era mesmo o espaço mais desarrumado da casa, onde os piolhos hoje tinham gozado de toda a sua liberdade. Lá escolhemos um canto, e foi ver-me a retirar brinquedos partidos, a endireitar Mickeys e Kitties, e a esconder os objectos mais inesperados que me apareceram por lá, como bases para pratos do Pai Natal e penicos. Tive tempo para muito pouco, por isso teme-se o pior. Felizmente, os filhotes até colaboraram e pode ser que os nossos sorrisos de família divertida compensem toda a desarrumação à volta...
Depois de um lançamento caloroso em Évora, onde os meus filhos se portaram relativamente bem (com o Sebastião a lançar-me adeuzes vigorosos e o pai a bater de vez em quando em retirada com os gémeos, sempre que eles começavam a chamar por mim), a minha filha Nonô resolve apontar para a barriga de um convidado, com quem fazíamos alguma cerimónia.
- Ohhhh...
- O que foi, minha querida?
- Estás gordo!
Felizmente que eu continuava na mesa a assinar livros, e foi o Pai que teve que gerir a situação, com vontade de se enfiar num buraquinho. A sinceridade das crianças é algo absolutamente delicioso. Mas que às vezes nos faz passar com cada vergonhaça....
Depois de se embodegar da cabeça aos pés com a massada atomatada que preparei para o almoço, o Sebastião sai-se com esta:
- Ó mãe... se eu tivesse o cabelo verde podia ser um tomate...